O Palácio da Independência é um monumento histórico, classificado como Monumento Nacional, situado no Largo de São Domingos, junto ao Largo do Rossio, em Lisboa.Ficha na base de dados SIPAFicha na base de dados da DGPC
Era, antigamente, também chamado, por isso, de Palácio do Rossio, ou de Palácio de São Domingos Palácio dos Condes de Almada, igespar.pt. Atualmente é também conhecido por Palácio Almada por ter pertencido, desde o século XV até à altura da sua compra pelo Estado Português, à família Almada (detentora da representação do título conde de Almada e Abranches). Há entrada, no cimo, ainda está a antiga pedra de armas com o seu brasão.
Por vezes também chamado por Palácio da Restauração, pois nesta sua casa que D. Antão de Almada e os 40 conjurados planearam a última reunião que deu origem à Restauração da Independência de Portugal, no dia 1 de Dezembro de 1640, com o derrube do jugo filipino e com a aclamação a rei de D. João IV.
Encontra-se inserido em pleno antigo centro histórico da cidade de Lisboa, no Largo de São Domingos e à entrada das Portas de Santo Antão, implantado num terreno com declive ascendente para Este que confronta a noroeste com a Praça do Rossio. Está encostado à Cerca Fernandina que ainda aí se conserva quando em 1509 esta propriedade foi aumentada nuns quintais a Norte.
Arquitectura Apesar ser dos mais representativos exemplos arquitecturais seiscentistas em Portugal, resultante de intervenções manuelinas e maneiristasPalácio dos Condes de Almada/Palácio da Independência, C. M. de Lisboa, ainda mantém vivo um estilo anterior, que provinha dos palácios árabes, com o pátio interior e jardim.
Da primitiva construção seiscentista subsistem dois portais, no patamar da escadaria que conduz ao andar nobrePalácio dos Condes de Almada, E-cultura e é um dos raros palácios que conserva chaminés monumentais desse tempo, conforme apurado pelo estudo da planta de Lisboa feita por Júlio de Castilho atestando que já em 1572 as ostentavaPalácio da Independência, Visita Guiada - O edifício, SHIP. Estas são enormes e de cones facetados, à semelhança das do Palácio Nacional de Sintra e que são da mesma época.
No séc. XVIII, beneficiou de obras de remodelação e embelezamento. As obras realizadas em 1940 produziram inúmeras alterações no palácio, tendo sido preconizadas no sentido de nobilitar o edifício, de acordo com os ideais do Estado Novo em relação ao património artístico português.
O Palácio dos Condes de Almada possui planta rectangular irregular, composta por vários corpos interligados. Nos alçados de dois e três pisos, inscrevem-se janelas simples, possuindo o palácio um conjunto de onze varandas. A fachada principal, orientada a sul, é composta por dois pisos e está antecedida por um terreiro guarnecido de uma cortina de gradeamento, formando um semi-círculo. O portal seiscentista é encimado por uma varanda balaustrada, sobre a qual se inscreve o brasão de armas dos Almadas e Abranches. O portal é seguido de três arcos de volta abatida que dão acesso ao pátio central. Na face poente do pátio inscreve-se um duplo portal, com quatro colunas e verga de relevo arquitectónico, encimado por quatro janelas, que dá acesso ao espaço interior; a nascente, encontra-se uma escadaria exterior, construída em 1940. As escadas atingem um terraço que tem por fundo o pano exterior da primitiva cozinha donde se elevam as duas chaminés, constituídas por duas pirâmides octogonais e encimadas por ameias; no interior das chaminés chegaram a habitar várias famílias. A face norte do pátio é servida por escada que dá acesso a um pátio interior, no andar superior, onde se inscrevem duas portas manuelinas. Através deste pátio alcança-se o espaço ocupado pelos antigos jardins e que é actualmente ocupado por um barracão em ruínas, que foi uma Central Eléctrica. Junto á muralha fernandina, que se encontra ao fundo, está o sítio onde se reuniam os Conjurados de 1640; é aqui que se inscreve uma fonte constituída por uma pia manuelina encimada por uma bica de pedra, representando o rosto de um anjo.
Importa ainda referir que este Palácio tinha no seu interior um antigo poço, com mina de água de pequeno caudalRevista Municipal, Publicação Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, Ano XII, nº 50, 3º trimestre de 1951, hoje tapado com um vidroSulfatas cálcicas (Almeida, 1952).
Evolução Histórica e Patrimonial Há conhecimento de um pergaminho do ano de 1467 referente à sua compra, pelo D. conde D. Fernando de Almada e Avranches, capitão-mor de PortugalPalácio da Independência, Visita Guiada - Introdução, SHIP, e sua mulher, ao fidalgo D. Nuno de Barbudo, casado com D. Beatriz SimõesPropriedade de casas que tinha pertencido a Bolindim de Barbudo e a Leonor de Moira, propriedade que por morte destes passou para a posse de seus filhos Isabel de Andrade e Nuno de Barbudo casado com Beatriz Simões. - O Palácio Almada, por Luís Pastor Macedo e António Rodrigues Cavalheiro, in Anais da Academia Portuguesa da História, vol. VIII, 1944., altura em que passou para a mão da referida família Almada, passando a ser a sua «casa-mãe» ou «solar».
Durante a propriedade de D. Lourenço de Almada, 9.º conde de Avranches, possivelmente por imposição da sua trajetória ultramarina de governador da Madeira, Angola e do Brasil, respetivamente, este terá se ausentado do palácio e, nessa altura, vemo-lo cedido para acolhimento do agregado do conde de Redondo, D. Fernando de Sousa Castelo Branco Coutinho e Menezes, onde permaneceu pelo menos entre 1695 e 1698, enquanto este desempenhou o cargo de provedor da Irmandade da Misericórdia de Lisboa e serviu o cargo de provedor do Hospital Real[file:///C:/Users/Utilizador/Downloads/A_Baixa_de_Lisboa_Permanencias_e_Transfo.pdf “A Baixa de Lisboa: Permanências e Transformações de um Roteiro (1700 -1762)”, por Delminda Rijo, C. M. Lisboa - Gabinete de Estudos Olisiponenses, CITCEM - Grupo de História das Populações, nota 13].
Em 8 de Maio de 1713, a Câmara de Lisboa recebeu o pedido d o mesmo D. Lourenço para que lhe fosse cedido algum chão público para alinhar a frente deste palácioAffonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942"Consulta sobre a petição de Dom Lourenço de Almada, que pretende acabar as obras nas suas casas do Rossio, com alterações que terão que ser aprovadas com nova vistoria do Senado.", Arquivo Municipal de Lisboa, Cota: AML-AH, Chancelaria Régia, Livro 5º de Consultas e Decretos de D. João V, do Senado Oriental, f. 313 a 317..
Nesta altura é que terá surgido o grande edifício da frente, a frontaria do Palácio, que hoje vemos da rua, articulado em duas fachadas rigorosamente estruturadas, maior e mais de acordo com as exigências do século XVIII, com planta rectangular centralizada num pátio interior concebido para permitir a circulação de carruagens. Mesmo assim há todo nele um algum cuidado para manter a austeridade exigida numa família tradicional e porque ainda não é obra do barroco rococó. No exterior do imóvel surge, com uma ausência quase total de ornamentação, e animadas pela abertura de filas de janelas de sacada com moldura rectangular, concentradas num amplo portal, sobreposto por uma varanda de balaústres para a qual abre o janelão central do andar nobre, encimado pela pedra-de-armas com o brazão dos Almada, em pleno.
Assim como terão realizadas algumas decorações como a azulejaria joanina assinada por Gabriel del BarcoCharacterization of the ceramic Glazed tiles of the Palácio Almada (Lisboa), por Pedro Flor, Ana Paula Carvalho, Fátima Vaz, Susana Varela Flor e Teresa Santos, Lisboa, 2012.
Dado que foi pouco afetado pelo Terramoto de 1755, foi o palácio aproveitado imediatamente para recolher alguns doentes do Hospital de Todos os Santos, seu vizinho. Em 5 de maio de 1758, e por despacho de El-Rei, foi alugado para outros serviços públicos como o Casa da Suplicação"Decreto que transfere para as casas de Dom Antão de Almada o tribunal da relação, destruído pelo terramoto de 1755. As audiências da corte e cidade seriam realizadas nas duas casas com janelas para a rua das Portas de Santo Antão e nas restantes instalar-se-iam o senado da câmara e o depósito público da corte e da cidade, pagando a relação metade do aluguer e ficando a outra metade a cargo do senado.", Arquivo Municipal de Lisboa, Cota: AML-AH, Chancelaria Régia, Livro 11º de consultas, decretos e avisos de D. José I, f. 159 a 160vA Casa da Suplicação nos finais do Antigo Regime (1790-1810), por Nuno Camarinhas, Cadernos do Arquivo Municipal, ISSN 2183-3176. 2ª Série Nº 2 (julho - dezembro 2014), Lisboa, o Depósito Público da Côrte e o Depósito Público de LisboaSuplemento á Collecção de Legislação Portuguesa do Desembargador António Delgado da Silva pelo anno de 1750 a 1762, Typographia de Luís Correa da Cunha, Lisboa, 1842, p. 542, assim como, o Senado Municipal Gabinete historico: que a Sua Magestade fidelissima o Senhor rei D. Miguel I, em o dia de seus felicissimos annos 13 de maio de 1818, Frei Claudio da Conceição, Imprensa Régia, Lisboa, Volume 13, pag. 153 e, até ao ano de 1774, com o seu Arquivo Municipal de LisboaO percurso histórico do Arquivo Municipal.
Nesse ano de 1774, sendo ainda o seu proprietário D. Antão de Almada, descendente do referido primeiro seu homónimo, que exercia o cargo de mestre-sala de D. José I, regressado dos Açores do qual tinha sido o primeiro capitão-general, voltou a habitar o palácio realizando obras de embelezamento do jardim e colocando uns painéis de azulejos alusivos à Restauração.
Contudo, em 21 de Fevereiro de 1824, já não é habitado pelos condes de AlmadaGazeta de Lisboa, Edições 1-152, pág. 194 que em 9 de Setembro de 1833, estes aparecem aos olhos da recente governação liberal como "rebeldes". Foi essa altura que este edifício terá sido ocupado, pelas forças liberais que tinham entrado em Lisboa em 24 de Julho, e ao que tudo indica pelas palavras apresentadas por D. Maria Francisca, condessa de Almada, «à força» e sem o consentimento da família Almada"...tendo a 24 de Julho entrado em Lisboa o exército liberal, foi então o palácio do largo de S. Domingos sequestrado por foça dos "Autos de sequestro feito em os Bens, Direitos, e Acções do Rebelde exConde de Almada", que mais tarde foi levantado o requerimento da Condessa de Almada, já então viúva, em que afirmaː «Sofreu por isso um sequestro em todos os seus bens e pelo abandono a que se achou exposto o seu Palácio do Rocio, como é notório, o extravio de muitos objectos preciosos e papéis importantes do arquivo de sua casa ...» - O 2.º conde de Almada, Os nossos Arquivos, Revista da Associação dos Antigos alunos do Colégio Militar, p. 38, nomeadamente pela Comissão Geral dos EstudosGazeta de Lisboa, Parte 2, Edições 1-135, pág.s 213 e 582. Tornou-se assim residência do conhecido escritor Almeida Garrett, que havia sido nomeado vogal-secretário dessa Comissão de reforma dos estudos, por decreto de 2 de Novembro de 1833Olisipo: boletim do Grupo "Amigos de Lisboa." - Volume 2 - Página 186 após a sua participação no Cerco do PortoA sua estadia no palácio não se prolongou para além de uns poucos meses pois, no entretanto, foi oficialmente encarregado de negócios de Portugal em Bruxelas, para onde partiu. - Olisipo: boletim do Grupo "Amigos de Lisboa." - Volume 2 - Página 186.. Embora mais tarde tivesse sido recuperada a plena propriedade de direito hereditário, este palácio nunca mais foi usado como habitação própria principal pela família Almada, passando pelas mãos de sucessivos inquilinos.