Itaperuna é um município brasileiro no estado do Rio de Janeiro, Região Sudeste do país. Localiza-se no norte fluminense, estando situado a cerca de a nordeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025. Dista 20 km da divisa com o estado de Minas Gerais e 30 km do Espírito Santo.
História Antecedentes No início da colonização portuguesa, a região aonde hoje se encontra o município de Itaperuna era habitada pelos puris e suas terras faziam parte da Capitania de São Tomé, quando a mesma foi criada em 1534. Os portugueses tiveram dificuldade em adentrar na região por causa da presença indígena dos goitacás no local, que possuíam fama de agressivos e de difícil domesticação, mantendo-se inicialmente na costa, aonde os Sete Capitães estabeleceram a cidade de Campos dos Goytacazes, junto a foz do rio Paraíba do Sul
A colonização da região iniciaria apenas no Século XVIII, com a criação da Freguesia de Santo Antônio dos Guarulhos em 30 de janeiro de 1759, que incluía a região do atual município de Itaperuna. Porém mesmo com a criação da Freguesia, a margem do Rio Muriaé ficou pouco habitada por causa da presença indígena na região, que não aceitavam a doutrina católica européia com facilidade.
A primitiva colonização das terras da atual Itaperuna, conhecida na época como Sertões da Pedra Lisa, demorou a acontecer; ela permaneceu por dois séculos inexplorados, iniciou-se no século XIX, por volta de 1830 pelo bandeirante e desbravador José de Lanes Dantas Brandão, sargento da Milícia de D. João VI, natural de Minas Gerais. O sargento fundou a chamada Fazenda Porto Alegre, este tornou-se o nome com o qual a localidade ficaria conhecida, sendo tal denominação utilizada até 1885, e que a partir do Decreto Provincial nº 2.810 foi alterado para Vila de Itaperuna.
Colonização inicial
Em 19 de julho de 1813, foi criada a Diretoria Geral dos Índios, sendo escolhido Guido Tomás Marlière como diretor e responsável pela catequização indígena. Constantino José Pinto, comerciante que se estabeleceu na margem do Rio Muriaé e fundou o povoado que se tornaria a cidade de Muriaé, foi designado por Marlière em 1819 como vice-diretor dos índios, e responsável pelos puris.
O sobrinho de Constantino, José Ferreira César, seria, segundo o Major Porphirio Henriques da Silva, o segundo sertanista a se fixar na região, depois de José de Lannes Dantas Brandão, que também era seu parente e estabeleceu em 1834 a Fazenda Porto Alegre. Ainda segundo o Major Porphirio, José Bastos Pinto e José Garcia Pereira se estabelecem na região em 1837.
Formação da Freguesia de Nossa Senhora da Piedade da Laje
Com a nova demarcação dos limites entre as províncias do Minas Gerais e Rio de Janeiro pelo decreto nº 297 de 19 de maio de 1843, o território do Arraial da Laje ficou com a Província do Rio de Janeiro, apesar das tentativas mineiras de incorporar a região por ter sido estabelecida por sertanistas mineiros.
O Alferes José Bastos Pinto, que na época exercia a função de Subdelegado de Polícia do distrito de Patrocínio, afirmou em ofício a José da Terra Pereira, que fundou a fazendo do Limoeiro, e exercia no local o cargo Inspetor de Quarteirão, a vontade dos moradores de pertencerem ao distrito de Guarulhos, no lado carioca. Com isso, a partir de 12 de agosto de 1844, Laje passou a integrar o segundo distrito da Freguesia de Santo Antônio dos Guarulhos, que foi desmembrado para a formação das Freguesias de Natividade do Carangola, em 23 de agosto de 1853, e de Nossa Senhora da Piedade de Laje, em 21 de novembro de 1861.
Nesse momento, houve um avanço da produção cafeeira na região do Vale do Paraíba Fluminense, cuja produção se tornou importante para a economia do país.
Formação do município de Itaperuna
O movimento desejando a emancipação do território aonde hoje é Itaperuna, que na época fazia parte de Campos dos Goytacazes, começou em 1870, e a primeira reunião de discussão sobre o tema ocorreu em Laje do Muriaé no dia 10 de outubro de 1880, sob a presidência do Comendador Venâncio José Garcia. O Comendador Venâncio era muito bem visto por D. Pedro II e tinha bastante influência política local. Naquele momento, foram escolhidos para liderar o movimento, uma comissão formada por Francisco de Assis Ribeiro dos Santos, o Capitão Laurindo Januário Carneiro, José Carlos de Oliveira, e Antônio Pires do Couto.
Após o Decreto Provincial n.º 2.810, a freguesia de Nossa Senhora da Natividade do Carangola foi elevada a vila, se tornando a sede do poder local. O local recebeu o nome de freguesia do Porto Alegre, e se estabeleceu em terras doadas pelo comendador Cardoso Moreira. Ele era o principal interessado na criação da vila, visto que a criação de uma vila no local ajudaria em seus negócios, pois era acionista majoritário da Estrada de Ferro Campos a Carangola. Atualmente essa sede é a sede do município de Natividade.
A Lei Provincial n.º 2.921 de 29 de dezembro de 1887 extinguiu o decreto anterior, e sendo assim, foi criada a freguesia de São José do Avaí. O nome do local era uma alusão Batalha de Avaí, na Guerra do Paraguai. Em 16 de abril de 1889, uma convenção republicana com a presença de Nilo Peçanha aconteceu na vila, e, após espalharem uma notícia falsa de que os republicanos desejaram que os escravos libertos voltassem a ser escravizados, os monarquistas Venâncio José Garcia, Eduardo Antônio da Silva Gatto, José Baptista da Costa Azevedo, Euphazio Rodrigues Flores, José Joaquim de Cerqueira e Manoel Xavier convenceram cerca de 400 escravos libertos a se rebelarem contra a convenção, em um episódio que ficou conhecido como Garrafadas de Laje do Muriaé. Após o ocorrido, aconteceu em 10 de maio de 1889 às eleições para vereadores na vila, sendo eleita uma maioria republicana, que tomaram posse no dia 4 de julho do mesmo ano, sendo, portanto, a primeira câmara republicana do país, em pleno regime monárquico, regime esse que viria a ser desbancado pelo marechal Deodoro da Fonseca em 15 de novembro desse mesmo ano.
No dia 6 de dezembro de 1889, a vila foi elevada a município, e recebeu o nome de Itaperuna. Segundo Porphirio Henriques da Silva, o nome teria sido escolhido pelo Dr. Francisco Portela, presidente da Estrada de Ferro Campos a Carangola, e utilizado pela primeira vez após o Decreto 2.810 de 24 de novembro de 1885. Portela teria percebido que, para chegar da Fazenda Bananeiras, em Porciúncula, a um pico de pedra, que segundo o qual "parecia um dorso de elefante", teria que passar pela Freguesia de Nossa Senhora da Natividade de Carangola, que viria, pelo decreto a se chamar Itaperuna, como os índios que ali habitavam já chamavam o local. O geógrafo Alberto Ribeiro Lamego reforça que esse pico de pedra, hoje chamado de Pedra Elefantina por causa de Portela, "com sua lombada polida e negra", teria sido a inspiração para o nome do município de Itaperuna, recebendo o nome atual, cuja etimologia indígena é dada como significando "caminho da pedra preta". A referida Pedra Elefantina é parte integrante do Brasão de Armas do município de Itaperuna, criado em 1960 por Alberto Fioravante, especialista em Heráldica nascido em Muqui.
Período Republicano O desenvolvimento da economia cafeeira na área foi responsável pela concentração de atividades comerciais e de serviços na cidade de Itaperuna, que passou a desempenhar funções de centro sub-regional do nordeste fluminense. A cultura cafeeira foi um grande destaque na economia da cidade por mais de quatro décadas, tornando-a, em 1927, a maior produtora nacional.
O declínio da atividade cafeeira fez com que a região passasse a sofrer fortes efeitos regressivos. A pecuária de corte desenvolveu-se, então, voltada para o abastecimento dos grandes matadouros e frigoríficos, desenvolvendo-se, posteriormente, a produção leiteira, estimulada pela presença da fábrica de leite em pó Glória na sede municipal.
A área municipal, atualmente, não abrange a mesma base territorial da época da criação, que se estendia aos atuais municípios de Laje do Muriaé, Natividade e Porciúncula, porém sua importância permanece na região. Do território original do município de Itaperuna, foram desmembrados os seguintes municípios: Bom Jesus do Itabapoana em 1938, Natividade e Porciúncula em 1947 e Laje do Muriaé em 1962, ficando Itaperuna com seu atual contorno.
Geografia Itaperuna recebe as águas do Rio Muriaé e do Rio Carangola. O Rio Muriaé nasce no município de Miraí, na Zona da Mata Mineira e deságua no rio Paraíba do Sul, nas proximidades do município de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Apresenta 250 km de extensão e tem como principais afluentes os rios Glória e Carangola. O Rio Carangola, com 130 km de extensão, nasce no município de Orizânia, também na Zona da Mata Mineira e deságua no rio Muriaé, dentro da sede do município de Itaperuna.
thumb|Rio Carangola
No município de Itaperuna, destacam-se duas unidades de relevo: a primeira está ligada a antigas superfícies cristalinas e a segunda é constituída pelas planícies aluviais intermontanas.
O território municipal participou dos processos morfogenéticos que envolveram o sudeste brasileiro e, portanto, as superfícies cristalinas sofreram fases sucessivas de levantamento e fraturamento, dando origem aos patamares cristalinos. Os processos erosivos comandados pela rede de drenagem local desgastaram gradativamente o terreno, originando vales encaixados nas linhas de falhas, morros rebaixados e arredondados e baixadas, ora largas, ora estreitas.
Nesse sistema morfogenético, o município de Itaperuna caracteriza-se por um relevo ondulado, com ausência de escarpas íngremes e vales em constante aprofundamento e alargamento, embora em áreas de pequeno declive.
Hidrografia A área territorial de Itaperuna é banhada por dois principais rios, o Rio Muriaé e o Rio Carangola.
Clima Devido ao fato de se encontrar entre vales, Itaperuna é conhecida por ter o clima mais quente do estado do Rio de Janeiro. A cidade é a mais quente em relação às cidades mais próximas, como Natividade, Laje do Muriaé e Bom Jesus do Itabapoana. O clima tropical de Itaperuna apresenta chuvas durante o verão.
Segundo dados da estação climatológica principal do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) em Itaperuna, desde 1931 a menor temperatura na cidade ocorreu em 10 de junho de 1945, com mínima de , e a maior em 18 de novembro de 2023, quando a máxima chegou aos , durante uma onda de calor intensa. O recorde precipitação em 24 horas é de em 9 de fevereiro de 2022, superando o recorde anterior de em 22 de janeiro de 1958.
Cultura Esporte O principal clube de futebol do município, o Itaperuna Esporte Clube surgiu através da fusão dos três principais clubes do município, o Porto Alegre Futebol Clube, fundado em 16 de agosto de 1915, o Comércio e Indústria Atlético Clube, fundado em 23 de novembro de 1943, e o Unidos Atlético Clube, fundado em 8 de julho de 1948.
O clube já disputou a Primeira Divisão do Campeonato Carioca, travando memoráveis partidas contra os times da capital, chegando inclusive a obter êxito em algumas oportunidades, vencendo jogos contra Flamengo, Fluminense e Botafogo. O único clube grande que o time do interior não conseguiu vencer foi o Vasco da Gama. Atualmente o clube encontra-se licenciado e, no final de 2023, foi desfiliado da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.
O clube costumava mandar seus jogos no Estádio Lindomar Siqueira Bittencourt, e planeja há décadas a construção do Estádio Álvaro Catanheda, conhecido popularmente como Vale das Seringueiras, em uma região a cerca de 1,5 km do Aeroporto Regional de Itaperuna.
O município também conta com o Clube de Futebol São José, que não costuma mandar seus jogos na cidade.