Amelia Amorim Toledo (São Paulo, – São Paulo, foi uma artista plástica brasileira. Atuava como pintora, desenhista, escultora e gravadora, foi também designer de joias e professora.O Estado de S. Paulo (jornal) - Caderno Arte&Lazer Variedades - 28 de Outubro de 2002 - "Ares e Pensares" propõe uma pausa para reflexão
Amelia faleceu dormindo aos 90 anos em novembro de 2017, em sua casa-ateliê em Cotia, SP.
História Filha de dois cientistas, entrou em contato quando criança com o ambiente do laboratório de anatomia, do qual afirma impactar a forma que apresenta e dispõe suas obras. Começa sua exploração artística aos 13 anos de idade, com Yoshiya Takaoka grande influência na sua carreira. Mais tarde, entre 1943 e 1948 passa a trabalhar no escritório do arquiteto Vilanova Artigas um dos arquitetos mais importantes da história de São Paulo.
Aproximadamente aos 20 anos de idade muda-se para Londrina e passa a trabalhar no escritório de engenharia administrado por seu marido. O contato com materiais e processos de produção, impactaram diretamente a maneira como a artista cria e desenvolve seus trabalhos.
Se aproximou de Anita Malfatti, estudou pintura com Waldemar da Costa (1948) e Yoshiya Takaoka. João Luís Chaves foi seu mestre em gravura em metal (1961). Foi aluna de William Turnbull, no curso de "basic design" direcionado para ourivesaria, na London Country Council Centrals School of Arts and Crafts (1958).
Como professora atuou na UnB, em Brasília, na FAAP em São Paulo, Universidade Mackenzie (1967–1968), na Escola Superior de Desenho Industrial no Rio de Janeiro, e na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa (1966–1967).O Estado de S. Paulo (jornal) - Caderno Arte&Lazer - 4 de Maio de 2006 - "Retrospectiva de Amelia Toledo em Florianópolis"
Participou pela primeira vez da 7.ª Bienal de São Paulo, em 1963, com obras de joalheria, como anéis, colares e pulseiras, recebendo o prêmio de Menção Honrosa de Joias. Também teve obras expostas na 8.ª, 9.ª, 17.ª, 20.ª, 29.ª e 30.ª edição, recebendo o "Prêmio Aquisição Nacional / Galeria Cosme Velho" pelas obras "Caixa I e Caixa II" na 9.ª edição, do ano 1967. No ano de 2010 a artista recebeu o oficialato da Ordem do Ipiranga o Prêmio Governador do Estado, em São Paulo, onde mantinha o seu atelier.
A artista se estende entre várias linguagens (pintura, escultura, instalação, objetos), incorporando a seu fazer poético pesquisas com materiais, engrenagens, visualidades de plano, volume e perspectiva e experiências com pigmentos e tintas. Trabalhou desenvolvendo séries, a partir da exploração de materialidades ou de temas e suas aplicações em matérias-primas. São séries, que, uma vez experimentadas, se prolongam em relações com as materialidades, no uso de processamentos, na convivência com as ferramentas.
Sua obra é marcada pela liberdade das formas e linhas que transcendem o limite entre o espaço, o tempo e a memória daquele que interage com ela. Por muitas vezes, a artista traz referências de relação com a natureza em movimento, como o mar e as pedras preciosas, além do uso de materiais industriais ou, por vezes, descartáveis.
Também utilizou em seu repertório plástico instrumentos líquidos, como a água, visto em seu trabalho Medusa, de 1969, no qual tubos de PVC, semelhantes a longos canudos, são preenchidos parcialmente com líquidos coloridos, ar e óleo, criando um emaranhado de cores e sensações vibrantes.
Após sua mudança para o Rio de Janeiro, em 1970, parece crescer em suas obras os motivos relacionados ao mar e às conchas, compreendendo a atuação da salinidade na deterioração dos materiais. Isso, combinado à suntuosidade e cores dos materiais metálicos e recicláveis já do repertório da artista, cria obras de caráter original, revolucionário e de grande relevância para a história da arte brasileira.
Obras Caleidoscópio, 1999. Módulos em chapa de aço inox, curvados, com diversos acabamentos: pintados, lixados e polidos. Estação Brás, São Paulo.centro|miniaturadaimagem|307x307px|Caleidoscópio, Amelia Toledo, 1999 Paisagem Subterrânea, 1998. Painel de piso com coleção do granito brasileiro instalado nas plataformas de embarque. Estação Arcoverde do Metrô, RJ. Fatia de Horizonte, 1996. Chapa de aço inoxidável polida e oxidada com granalha. Caminhos do Oco, obra lúdica, 1982. Areia e cacos de caramujos.O Estado de S. Paulo (jornal) - caderno Arte&Lazer - 12 de novembro de 2007 - Itaú Cultural encerra ano com mostra "Futuro do Presente" Mundo de Espelho, primeira tiragem 1966, reedição com pequenas modificações 1988. Aço inoxidável, cada peça 16 x 16 cm. Sete Ondas, 1995. Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no Parque do Ibirapuera. centro|miniaturadaimagem|286x286px|Amélia Toledo - Sete ondas, 1995
Amarelo, 1999. Têmpera e acrílica sobre juta. 90,30 cm x 181 cm Acervo Banco Itaú Bolas-Bolhas, 1964. Pvc inflado, água e espuma Confluência de Paisagens, 2007. Pedras e aço inox espelhado Cor, 1985. Óleo sobre juta. 120 cm x 45, cm Discos Tácteis, 1970. Pvc flexível, corante, água, óleo e ar. Divino Maravilhoso, 1971. Cartolina, fotografia, folhas de plástico colorido e tinta sem plástico Ouro, 1989. Têmpera acrílica sobre aniagem 35 cm x 35 cm. Coleção Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. 60 cm x 60 cm Roxo, Verde, Azul (Tríptico), 1988. Pigmento e resina acrílica sobre aniagem. 120 cm x 240 cm Verde, 1989. Têmpera acrílica sobre aniagem. 150 cm x 60 cm Vírgula, 1988. Pintura automotiva sobre lâmina em ferro 120 cm x 160 cm
Livros
Exposições Individuais
Paisagem cromática, Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), São Paulo, Brasil (2024) Amelia Toledo: 1958-2007, Nara Roesler, Nova York, EUA (2021) Amelia Toledo – Lembrei que esqueci, Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-SP), São Paulo, Brasil (2017) Amelia Toledo, Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil (2009) Novo olhar, Museu Oscar Niemeyer (MON), Curitiba, Brasil (2007) Viagem ao coração da matéria, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil (2004)
Exposições Coletivas
Radical Women: Latin American Art, 1960–1985, Hammer Museum, Los Angeles, EUA (2017) Brooklyn Museum, New York, United States (2018); Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil (2018) Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos, Oca, São Paulo, Brasil (2017) 10a Mercosur Biennial, Porto Alegre, Brasil (2015) 30x Bienal: Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição, Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo, Brasil (2013) Um ponto de ironia, Fundação Vera Chaves Barcellos, Viamão, Brasil (2011) 29a Bienal de São Paulo, São Paulo, Brasil (2010) Brasiliana MASP: Moderna contemporânea, Museu de Arte de São Paulo (MASP), São Paulo, Brasil (2006)
Ligações externas
Categoria:Pintores do estado de São Paulo Categoria:Escultores do estado de São Paulo Categoria:Gravadores do Brasil Categoria:Professores da Fundação Armando Álvares Penteado Categoria:Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Categoria:Professores da Universidade Presbiteriana Mackenzie Categoria:Naturais da cidade de São Paulo Categoria:Artistas contemporâneos do Brasil Categoria:Artistas plásticos do Brasil Categoria:Oficiais da Ordem do Ipiranga Categoria:Mulheres nas artes Categoria:Mulheres artistas do Brasil Categoria:Arte abstrata Categoria:Abstração