Horizontina é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, Região Sul do país. Localiza-se no noroeste rio-grandense, distando de Porto Alegre, a capital do estado. Ocupa uma área de , e sua população no Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) era de habitantes, sendo então o 108º mais populoso do estado.
A sede tem uma temperatura média anual de . Com 79,6% da população vivendo na zona urbana, a cidade conta com onze estabelecimentos de saúde e dezenove instituições de ensino, incluindo uma faculdade privada. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,783, considerado como alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo o 11° maior do Rio Grande do Sul e o º do Brasil.
A colonização do atual município deu-se em 1927, quando os primeiros colonizadores alemães instalaram-se na região. Um ano depois, chegaram mais colonos descendentes de outros grupos étnicos, incluindo portugueses, eslavos e italianos, fazendo com que o lugar se desenvolvesse. O primeiro nome de Horizontina foi Belo Horizonte, mudando para Vila Horizonte, Horizonte e para o atual nome em 1944. Antes de ser elevado à categoria de município, era um distrito pertencente a cidade de Santa Rosa. Somente em dezembro de 1954 esse distrito foi emancipado.
Horizontina é conhecida como o "Berço Nacional das Colheitadeiras Automotrizes" devido a construção da primeira colheitadeira automotriz brasileira no município em 1965. Ainda hoje, uma unidade da empresa norte-americana John Deere está instalada em Horizontina, gerando boa parte de sua arrecadação tributária e de seu Produto Interno Bruto. Também tornou-se notória por ser o local onde a supermodelo Gisele Bündchen cresceu e iniciou sua carreira.
História Origens e colonização Os primeiros moradores da região que atualmente compreende o município de Horizontina foram os indígenas. Sua colonização ocorreu por conta das dívidas que o Estado possuía com o engenheiro alemão Frederico Jorge Logemann. Em troca das terras, Logemann deveria construir estradas e pontes na região. Quando chegou, Logemann encontrou índios e algumas famílias de posseiros que desbravavam a mata.
Logemann loteou as terras que recebeu, vendendo para os colonos. Em 1927, os primeiros colonizadores alemães instalaram-se na região, que pertencia ao município de Santo Ângelo, e recebeu o nome de Belo Horizonte já em 1928. A partir daquele ano, chegaram mais colonos descendentes de alemães, de poloneses, de italianos, de russos, de luso-brasileiros e um pequeno grupo de japoneses. De acordo com a lista dos compradores, a maior parte dos nomes eram de origem germânica (38,30%), mas também portuguesa (22,74%), eslava (20,48%), italiana (18,01%) e japonesa (0,47%). Os colonos seguiam as religiões católica e luterana.
Formação administrativa e desenvolvimento urbano thumb|esquerda|Reunião da Comissão Pró-emancipação de Horizontina.
Em 1929, foi fundada a primeira sociedade, que recebeu o nome de "Sociedade de Bolão Concórdia", passando a promover concursos e passeatas. Com a formação da vila de Belo Horizonte, chegaram a região profissionais dos mais diversos ofícios. Em outubro de 1937, a vila foi elevada à categoria de distrito com o nome de Vila Horizonte, passando a ser o 7° distrito do município de Santa Rosa. Sua instalação verificou-se em 1 de janeiro de 1938. Em 29 de dezembro de 1944, o nome do distrito foi alterado de Horizonte para Horizontina, seu atual nome.
Em 14 de junho de 1945, foi constituída a Schneider Logemann e Cia. (SLC). A empresa comandava um moinho, uma serraria, uma ferraria, e produzia equipamentos agrícolas. Em 5 de novembro de 1965, produziu a primeira colheitadeira automotriz (65-A) do Brasil. Sendo a primeira indústria nacional de colheitadeiras automotrizes, foi crucial para que a cidade se desenvolvesse e conferiu a Horizontina o título de "Berço nacional das colheitadeiras automotrizes." Nas palavras do segundo prefeito, Pedro Paulo Barriles, "se afastássemos de nossa cidade a indústria da firma Schneider Logemann e todos os elementos a ela ligados notaríamos a redução considerável da cidade."
Em 19 de julho de 1953, a Comissão Pró-emancipação foi escolhida. Os debates e os estudos realizados pela comissão concluíram que o distrito tinha "renda suficiente, população muito além da fixada em lei e largas possibilidades de desenvolvimento, estando, por conseguinte, em condições de pleitear suas emancipação." Em dezembro de 1953, houve um plebiscito sobre o assunto, no qual 956 eleitores participaram: 898 foram a favor da emancipação (85,6%) e 151 contrários (14,4%). Em 18 de dezembro de 1954, o governador Ernesto Dornelles sancionou a lei que criou o município, de nº , verificando-se a sua instalação em 28 de fevereiro de 1955. Jorge Logemann foi seu primeiro prefeito.
História recente thumb|esquerda|Gisele Bündchen (na foto) e sua família são de Horizontina, o que tornou a cidade mais conhecida.
Em uma divisão territorial de 1960, o município era composto por cinco distritos: Horizontina, Cascata, Doutor Maurício Cardoso, Pitanga e Pranchada. Doutor Maurício Cardoso emancipou-se em 8 de dezembro de 1987. Esse mesmo decreto desmembrou de Horizontina os distritos de Doutor Maurício Cardoso, Pitanga e Pranchada, que passaram a fazer parte de Doutor Maurício Cardoso.
A multinacional norte-americana John Deere iniciou suas atividades na cidade em 1979, quando comprou um quinto da Schneider Logemann e Cia., assumindo o controle total da empresa em 1999. Em 2008, a linha de tratores foi transferida para Montenegro, na Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre. Em 2010, a filial de Horizontina possuía 1,8 mil funcionários.
No século XXI, Horizontina tornou-se famosa por ser o local onde a supermodelo Gisele Bündchen cresceu e iniciou sua carreira. Embora a família Bündchen seja de Horizontina, incluindo o avô de Gisele (Walter Bündchen, prefeito do município entre 1971 e 1975), há fontes que afirmam que Gisele nasceu no Hospital São Vicente de Paulo, em Três de Maio, uma cidade vizinha localizada a 20,2 quilômetros. Em 2014, Gisele e sua família iniciaram o projeto Água Limpa, com a intenção de recuperar os córregos horizontinenses e os de Tucunduva.
Geografia
Horizontina está localizada no noroeste do estado do Rio Grande do Sul, estando distante a 496 quilômetros da capital estadual, Porto Alegre, e a quilômetros da capital federal, Brasília. Situa-se a 27º37'28" de latitude sul e 54º18'32" de longitude oeste. Com uma área de 229,398 km², limita-se com os municípios de Doutor Maurício Cardoso a norte, Tucunduva a oeste, Três de Maio a sul, e Crissiumal e Nova Candelária a leste. Também se encontra a 27 quilômetros de Colonia Aurora, na Província de Misiones, Argentina.
De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vigente desde 2017, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Ijuí e Imediata de Três de Maio. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, o município fazia parte da microrregião de Três Passos, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Noroeste Rio-Grandense.
thumb|upright|esquerda|170px|O Parque Fundação, em 2019.
Horizontina é constituída por dois distritos, Horizontina e Cascata, e 22 vilas, além do centro. Há, ainda, 42 localidades no interior do município. A altitude média de Horizontina é de 343 metros, tendo a altitude máxima no Morro de Bela Vista, no distrito de Cascata, que chega aos 418 metros, enquanto que a altitude mínima está no Vale do Lajeado Seco. O restante do território municipal é constituído de leves ondulações, coxilhas, sem nenhum outro acidente geográfico significativo. Como parte do bioma Mata Atlântica, seu solo é fértil, ocasionalmente inundável e com cobertura arbórea densa.
O município conta com uma vasta rede hidrográfica formada por rios, lajeados, sangas, córregos e açudes domésticos, que servem apenas para irrigação agrícola e abastecimento da população rural. Seus principais rios, Buricá e Rio Pratos, que desaguam no rio Uruguai, possuem potencial hidrelétrico, mas não condições de navegabilidade.
Segundo a Classificação climática de Köppen-Geiger, o clima é caracterizado como subtropical úmido, com as quatro estações distinguindo-se claramente e tendo temperatura média anual de . O mês mais quente, janeiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . O mês mais frio, julho, de , com e as médias máxima e mínima, respectivamente. Em 22 de julho de 2013, foi registrado a ocorrência de neve, fenômeno esse que também foi registrado em 4 de agosto de 2010 e em 20 de agosto de 1965. A precipitação média anual é de , sendo agosto o mês mais seco, quando ocorrem . Em outubro, o mês mais chuvoso, a média fica em .
Demografia
Em 2010, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em habitantes. Segundo o censo daquele ano, (48,76%) habitantes eram homens e (51,24%) mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, (79,41%) habitantes viviam na zona urbana e (20,59%) na zona rural. Já segundo estimativa de 2017, a população era de habitantes, correspondendo a 0,17% da população total do estado e fazendo com que fosse o 112º município mais populoso.
Conforme a pesquisa de autodeclaração do censo do IBGE de 2010, a população horizontinense era composta por brancos (87,49%); negros (1,16%); amarelos (0,27%); pardos (11,03%) e cinco indígenas (0,02%). Considerando-se a região de nascimento, eram nascidos no Sudeste (0,23%), no Sul (99,15%) e 41 no Centro-Oeste (0,22%); habitantes eram naturais do estado do Rio Grande do Sul (97,55%) e, desse total, eram nascidos em Horizontina (60,02%).
thumb|esquerda|Pirâmide etária de Horizontina em 2010.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Horizontina, de 0,783, é considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo o 110º maior do Brasil e o 11º maior do estado. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,716, o valor do índice de longevidade é de 0,858 e o de renda é de 0,782. O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,49, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A expectativa de vida era de 76,5 anos, superior às expectativas de vida do Rio Grande do Sul e do Brasil. A taxa de mortalidade infantil era de 10,5 (12,7 até os cinco anos de idade) e a taxa de fecundidade era de 1,5.
Em relação à pirâmide etária referente ao ano 2010, (71,49%) pessoas tinham entre 15 a 64 anos da idade, (18,56%) menos de 15 anos e (9,95%) mais de 65 anos. Trinta pessoas tinham mais de noventa anos; duas mulheres eram centenárias.
A cidade possui os mais diversos credos protestantes ou reformados. De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Horizontina está composta por: católicos (64,68%), evangélicos (33,44%), 202 pessoas sem religião (1,10%), 10 Testemunhas de Jeová (0,05%), 5 espíritas (0,02%) e 0,71% estão divididas entre outras religiões. Os grupos de evangélicos em maior número são os luteranos (com pessoas, ou 24,64%) e os pentecostais (com pessoas, ou 5,53%).
Política e administração
thumb|250px|A Prefeitura de Horizontina, em 1º de maio de 2017.
O Poder Executivo do município é representado pelo prefeito, auxiliado por onze secretários municipais. Desde janeiro de 2021, o executivo é comandado pelo prefeito Jones Jehn da Cunha, do Partido Democrático Trabalhista (PDT); a vice-prefeita é Zuleica Joseli Savicki Wehner, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Cunha e Zuleica foram eleitos na eleição municipal de 2020 com votos (48,07% dos votos válidos), derrotando o ex-prefeito Nildo Hickmann, do Progressistas (PP), que recebeu votos (43,42%). Em 2021, Zuleica se tornou a primeira mulher a assumir a prefeitura da cidade, em caráter interino, durante dois dias.