Pastiche é definido como obra literária ou artística em que se imita abertamente o estilo de outros escritores, pintores, músicos etc.

Não tem, contudo, função de satirizar, criticar a obra de origem, diferindo, assim, da paródia.

Modernamente, o pastiche pode ser visto como uma espécie de colagem ou montagem, tornando-se retalhos de vários textos. Nem sempre é grosseiro, como demonstra o romance Em Liberdade, de Silviano Santiago, que é pastiche do estilo de Graciliano Ramos. Ou os livros Amor de Capitu, de Fernando Sabino, e Capitu – Memórias Póstumas, de Domício Proença Filho, que reescreveram Dom Casmurro, de Machado de Assis.

No trecho abaixo, Machado de Assis, em seu conto "O cônego ou a metafísica do estilo", faz um pastiche bíblico:

O pastiche, procedimento que mescla estilos, também foi cultuado por Manuel Bandeira, como neste "Hai-kai" tirado de uma falsa lira de Gonzaga, em que o poeta pernambucano recorre a uma forma lírica japonesa para imitar o lirismo da obra árcade Marília de Dirceu:

Quis gravar "amor" No tronco de um velho freixo "Marília", escrevi.

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