Um ás da aviação é um aviador militar creditado por abater cinco ou mais aeronaves inimigas em combates aéreos. O número exato de vitórias necessárias para se qualificar oficialmente como ás varia, mas geralmente é considerado a partir de cinco.
O conceito de ás surgiu em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, com os primeiros combates aéreos. Era um termo de propaganda destinado a proporcionar à frente interna um culto ao herói, no que de outra forma seria uma guerra de exaustão. As ações individuais dos ases foram amplamente divulgadas e suas imagens como a de cavaleiros como de épocas passadas.Robertson, pp. 100—103. Durante um breve período inicial, quando o combate ar-ar estava apenas sendo inventado, um piloto excepcionalmente habilidoso poderia moldar a batalha nos céus. Durante a maior parte da guerra, porém, a imagem do ás teve pouco a ver com a realidade da guerra aérea, na qual os combatentes lutavam em formação e a supremacia aérea dependia fortemente da relativa disponibilidade de recursos.Belich 2001.
Os sucessos dos pilotos ases alemães como Max Immelmann e Oswald Boelcke, e especialmente Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho, piloto de caça mais vitorioso da Primeira Guerra Mundial, foram bem divulgados para o benefício do moral civil, com a Pour le Mérite, mais alta condecoração da Prússia, tornando-se parte do uniforme de um importante ás alemão. Na Luftstreitkräfte, a Pour le Mérite foi apelidada de Der blaue Max (o Max azul), em homenagem a Max Immelmann, que foi o primeiro piloto a receber este prêmio. Inicialmente, os aviadores alemães deveriam destruir oito aeronaves aliadas para receber esta medalha.Payne, David. "Major 'Mick' Mannock, VC: Top Scoring British Flying Ace in the Great War." Western Front Association, May 21, 2008. À medida que a guerra avançava, as qualificações para Pour le Mérite foram aumentadas, mas os pilotos de caça bem-sucedidos continuaram a ser aclamados como heróis nacionais pelo resto da guerra.
Os poucos ases entre os aviadores de combate foram historicamente responsáveis pela maioria das vitórias ar-ar na história militar.Dunnigan 2003, p. 149. História
Primeira Guerra Mundial esquerda|miniaturadaimagem| Manfred von Richthofen, conhecido como o "Barão Vermelho", marcou o maior número de mortes oficialmente aceitas (80) na Primeira Guerra e é o ás da aviação mais famoso de todos os tempos. A Primeira Guerra Mundial introduziu o uso sistemático de verdadeiros caças monoposto, com velocidade e agilidade suficientes para capturar e manter contato com alvos no ar, aliados a armamento suficientemente poderoso para destruir os alvos. O combate aéreo tornou-se uma característica proeminente com o Flagelo Fokker, na última metade de 1915. Este foi também o início de uma tendência de longa data na guerra, mostrando estatisticamente que aproximadamente cinco por cento dos pilotos de combate eram responsáveis pela maioria das vitórias ar-ar.Dunnigan 2003, p. 149.
Como os esquadrões de caça alemães geralmente lutavam bem dentro das linhas, era praticável estabelecer e manter diretrizes muito rigorosas para o reconhecimento oficial das reivindicações de vitória dos pilotos. As vitórias partilhadas foram creditadas a um dos pilotos envolvidos ou à unidade como um todo – a destruição da aeronave deveria de ser fisicamente confirmada pela localização dos seus destroços, ou encontrada testemunha independente da destruição. As vitórias também foram contadas para aeronaves forçadas a descer dentro das linhas alemãs, pois isso geralmente resultava na morte ou captura da tripulação inimiga.
Os pilotos de caça aliados lutaram principalmente no espaço aéreo controlado pelos alemãesShores et al. 1990, p. 6.Guttman 2009, p. 39. e muitas vezes não estavam em posição de confirmar que uma aeronave inimiga aparentemente destruída havia de fato caído, então essas vitórias foram frequentemente reivindicadas como "derrubadas", "forçadas pousar" ou "fora de controle" (chamadas de "prováveis" em guerras posteriores). Essas vitórias geralmente eram incluídas nos totais do piloto e nas cotações para condecorações.Shores, Franks and Guest, 1990, p. 8. miniaturadaimagem| Coronel francês René Fonck, o ás da aviação Aliado com mais vitórias, com 75 vitórias.
O alto comando britânico considerou que os elogios aos pilotos de caça eram prejudiciais para os igualmente corajosos bombardeiros e equipes de reconhecimento aéreo – de modo que os serviços aéreos britânicos não publicaram estatísticas oficiais sobre o sucesso dos indivíduos. No entanto, alguns pilotos tornaram-se famosos pela cobertura da imprensa, tornando o sistema de reconhecimento de pilotos de caça bem-sucedidos muito mais informal e um tanto inconsistente. O piloto Arthur Gould Lee descreveu sua própria pontuação em uma carta a sua esposa como "Onze, cinco por mim sozinho - o resto compartilhado", acrescentando que ele estava "a quilômetros de ser um ás".Lee 1968, p. 208. Isso mostra que seu Esquadrão Nº 46 da RAF contou mortes compartilhadas, mas separadamente das mortes “solo” — um de uma série de fatores que parece ter variado de unidade para unidade. Também é evidente que Lee considerou um número superior a cinco mortes necessário para o status de "ás". Os historiadores da aviação o consideram um ás, com duas aeronaves inimigas destruídas e cinco caídas fora de controle, totalizando sete vitórias.Shores et al. 1990, pp. 236–237.
Outros países Aliados, como a França e a Itália, situaram-se em algum lugar entre a abordagem muito rigorosa alemã e a relativamente casual abordagem britânica. Eles geralmente exigiam testemunho independente da destruição de uma aeronave, tornando muito difícil a confirmação das vitórias obtidas em território inimigo.Franks and Bailey 1992, p. 6. O sistema de créditos belga às vezes incluía "fora de controle" para ser considerado uma vitória.Pieters 1998, pp. 34, 85.
O Serviço Aéreo do Exército dos Estados Unidos adotou padrões franceses para avaliar vitórias, com duas exceções - durante o verão de 1918, enquanto voava sob o controle operacional dos britânicos, o 17º Esquadrão Aeronáutico e o 148º Esquadrão Aeronáutico usaram padrões britânicos.Franks and Bailey 1992, p. 6. Os jornalistas americanos, na correspondência que mantinham com os seus jornais, decidiram que cinco vitórias eram o mínimo necessário para se tornar um ás.Farr 1979, p. 55.
Embora o status de "ás" fosse geralmente conquistado apenas por pilotos de caça, bombardeiros e equipes de reconhecimento de ambos os lados também destruíram algumas aeronaves inimigas, normalmente para se defenderem de ataques. O exemplo mais notável de um ás não-piloto na Primeira Guerra foi Charles George Gass, com 39 vitórias aéreas credenciadas.Franks et al. 1997, pp. 18–19.
+ Ases da I Guerra Mundial:x190px|centrex190px|centrex190px|centrex190px|centrex190px|centreManfred von Richthofen (o "Barão Vermelho") (Alemanha) Eddie Rickenbacker (EUA)Francesco Baracca (Itália)Harry Cobby (Austrália)Godwin Brumowski (Áustria-Hungria)
Entre as guerras mundiais
Entre as duas guerras mundiais, houve dois teatros que produziram ases da aviação, a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Sino-Japonesa.
O ás espanhol Joaquín García Morato obteve 40 vitórias para os nacionalistas durante a Guerra Civil Espanhola. Parte da intervenção externa na guerra consistiu no fornecimento de pilotos estrangeiros “voluntários” a ambos os lados. Ases russos e americanos juntaram-se à força aérea republicana, enquanto os nacionalistas incluíam alemães e italianos.
O Grupo de Voluntários Soviéticos iniciou suas operações na Segunda Guerra Sino-Japonesa já em 2 de dezembro de 1937, resultando em 28 ases soviéticos."Allied aces of War in China and Mongol-Manchurian border" Wio.ru Retrieved: October 10, 2014. Os Tigres Voadores eram pilotos militares americanos que recrutaram sub rosa para ajudar os nacionalistas chineses. Eles passaram o verão e o outono de 1941 em trânsito para a China e não começaram a voar em missões de combate até 20 de dezembro de 1941.
Segunda Guerra Mundial esquerda|miniaturadaimagem| Erich Hartmann, com 352 mortes oficiais, o maior número para um piloto de caça. Na Segunda Guerra Mundial, muitas forças aéreas adotaram a prática britânica de creditar parcelas fracionárias de vitórias aéreas, resultando em frações ou pontuações decimais, como ou 26,83. Alguns comandos dos EUA também creditaram as aeronaves destruídas no solo como iguais às vitórias aéreas. Os soviéticos distinguiram entre mortes individuais e em grupo, assim como os japoneses, embora a Marinha Imperial Japonesa tenha parado de creditar as vitórias individuais (em favor das contagens dos esquadrões) em 1943.
As Forças Aéreas Soviéticas têm os melhores pilotos aliados em termos de vitórias aéreas, Ivan Kozhedub creditado com 66 vitórias e Alexander Pokryshkin obteve 65 vitórias. Também conquistou as únicas mulheres ases da guerra: Lydia Litvyak obteve 12 vitórias e Yekaterina Budanova alcançou 11.Bergström 2007, p. 83. Os pilotos dos aliados ocidentais com maior pontuação contra a Luftwaffe alemã foram Johnnie Johnson (RAF, 38 mortes) e Gabby Gabreski (USAAF, 28 mortes no ar e 3 no solo). No teatro do Pacífico, Richard Bong se tornou o maior ás estadunidense com 40 mortes. No teatro mediterrâneo, Pat Pattle conseguiu pelo menos 40 mortes, principalmente contra aviões italianos, e se tornou o principal ás dos caças da Commonwealth na guerra. Lutando em lados diferentes, o piloto francês Pierre Le Gloan teve a inusitada distinção de abater quatro aeronaves alemãs, sete italianas e sete britânicas, esta última enquanto voava para a França de Vichy, na Síria.
miniaturadaimagem| Ilmari Juutilainen, o maior ás da aviação finlandês, com 94 mortes confirmadas, o piloto não alemão com maior pontuação de todos os tempos. A Luftwaffe continuou a tradição de "um piloto, uma morte", e agora se referia aos mais efetivos como Experten. Alguns pilotos da Luftwaffe alcançaram escores muito altos, como Erich Hartmann (352 mortes) ou Gerhard Barkhorn (301 mortes). Houve 107 pilotos alemães com mais de 100 mortes. A maioria destes foram vencidos contra a Força Aérea Soviética. O ás com maior pontuação contra as forças aliadas ocidentais foi Hans-Joachim Marseille (158 mortes) e Heinz Bär (208 mortes, das quais 124 no oeste). Notáveis são também Heinz-Wolfgang Schnaufer, com 121 mortes, o ás dos caças noturnos com maior contagem, e Werner Mölders, o primeiro piloto a reivindicar mais de 100 mortes na história da guerra aérea. Pilotos de outras potências do Eixo também alcançaram pontuações altas, como Ilmari Juutilainen (Força Aérea Finlandesa, 94 mortes), Constantin Cantacuzino (Força Aérea Romena, 69 mortes) ou Mato Dukovac (Força Aérea Croata, 44 mortes). O piloto de caça japonês com maior pontuação foi Tetsuzō Iwamoto, que conseguiu 216 mortes.
Dois brasileiros nascidos em Curitiba se tornaram ases no conflito: o paranaense Egon Albrecht, filho de imigrantes alemães, com 25 vitórias confirmadas, lutando pela Luftwaffe; e Pierre Clostermann, filho de pais franceses com 33 vitórias pela RAF, sendo esse também considerado o primeiro ás da França. miniaturadaimagem| Ivan Kozhedub, o principal ás da aviação soviético e aliado na guerra, com 60 vitórias individuais em seu crédito