Alberto Augusto de Almeida Pimentel (Cedofeita, Porto, 14 de abrilPIMENTEL, Alberto. Manhãs de Cascais. Lisboa: Livraria Ferin, 1893. 116 p. de 1849 – Queluz, Sintra, 19 de julho de 1925) foi um prolífico escritor portuense da segunda metade do século XIX. Teve uma produção escrita notavelmente extensa e diversificada, abrangendo uma diversidade de áreas como: romance, poesia, biografias, peças teatrais, obras políticas, estudo de tradições populares e outros gêneros.
Apesar disso, Pimentel é atualmente um autor envolto no esquecimento. As circunstâncias da época e posteriores a esta não contribuíram para sua canonização como grande representante da produção literária em sua época.Dossiê com pesquisa historiográfica sobre o Alberto Pimentel (1849-1825) Alguns dos seus contemporâneos tiveram este privilégio, em especial Camilo Castelo Branco, considerado seu grande amigo e ídolo. Pimentel foi o primeiro biógrafo de Camilo, sendo a partir de então — especialmente pela obra Romance do Romancista (1890) — lembrado como uma das principais referências para os estudos camilianos.
Biografia Filho do médico-cirurgião Fortunato Augusto Pimentel e de Ana Olímpia de Almeida, também naturais do Porto, Alberto Pimentel nasceu no Porto, na freguesia de Cedofeita, em 1849. Nesta cidade frequentou a instrução pública. Por motivos econômicos, não pôde aceder ao ensino superior como era pretensão de seu pai.Pimentel, Alberto. Nervosos, Linfáticos e Sanguíneos. Porto: Tipografia de António José da Silva Teixeira, 1872.
Tendo ficado fascinado com o poder da imprensa, propôs-se ao redator do Jornal do Porto, e foi ali acolhido como tradutor e revisor, iniciando desta forma a sua carreira no mundo dos impressos e das letras. Nesta área, colaborou com diversas publicações periódicas, nomeadamente nos semanários A Esperança (1865-1866), Branco e Negro (1896-1898) e nas revistas Ribaltas e gambiarras Ribaltas e gambiarras (1881) [cópia digital, Hemeroteca Digital] (1881), A illustração portugueza (1884-1890) (1884-1890), A semana de Lisboa (1893-1895), A Arte Musical (1898-1915), Revista do Conservatório Real de Lisboa (1902) e Tiro e Sport (1904-1913).
Trabalhou no Jornal do Porto como tradutor do noticiário estrangeiro. Por um acordo com seu editor — o lisbonense António Maria Pereira — Pimentel começa a escrever o romance O testamento de Sangue. Devido ao atraso no folhetim de Ponson du Terrail que seria publicado no Jornal do Porto — este intitulado Os dramas de Paris — o editor do periódico convence Pimentel a publicar em seu lugar O testamento de Sangue, sob o formato do folhetim. Posteriormente, em 1872, o romance fora publicado em volume.Pimentel, Alberto. Vinte Anos de Vida Literária. 2.ª Edição. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1908. 52p.
Entre 1871 e 1872, Pimentel travou com Alexandre da Conceição uma intensa discussão na forma de cartas ao Jornal do Porto, posteriormente compiladas no livro Nervosos, Linfáticos e Sanguíneos.
Casou na freguesia de Cedofeita, no Porto, com Ludovina Adelaide Peres da Silva (Santo Ildefonso, Porto — Benfica, Lisboa, 29 de maio de 1923), filha de José Joaquim Peres da Silva e de Maria Amélia Peres da Silva, de quem teve uma filha, Maria Madalena (Cedofeita, Porto, 8 de abril de 1871).
Em 1873 muda-se para Lisboa, e publica o romance A porta do Paraíso e a compilação de crónicas Entre o café e o cognac. Inicia, na loja de António Maria Pereira, estreitas relações de amizade com este editor e com o bibliófilo Inocêncio Francisco da Silva, que haveria de ser o responsável pela proposição de Alberto Pimentel a sócio da Academia Real das Ciências. Ainda em 1873 conhece pessoalmente Júlio César Machado, com quem já se correspondia, e de quem se tornou amigo.
Em 1875 esteve em Coimbra, como vogal de uma comissão de exames de instrução pública, onde conheceu o pintor João Cristino da Silva.
Foi eleito deputado pelo círculo do distrito de Viseu em Janeiro de 1882, e por um círculo do distrito do Porto em Abril de 1890.
Morreu vítima de meningoencefalite a 19 de julho de 1925, em sua casa, na Rua da República, freguesia de Queluz, em Sintra. Foi sepultado no Cemitério de Benfica, em Lisboa.
Estilo literário de seus romances Como romancista, Alberto Pimentel publicou numerosos títulos. Sob a perspectiva de estudiosos contemporâneos,FARO, Rute Santos de Castro Lopo e. O Porto na Berlinda: Memórias de Alberto Pimentel. Porto: 2005, 149 p. Dissertação (Mestrado em Literaturas Românicas) - Faculdade de Letras da Universidade do Porto. p.09. em tais obras o estilo do autor pode ser classificado de acordo com as características atualmente atribuídas aos escritores do romantismo português na segunda metade do século XIX. Em grande parte, tais obras correspondem a romances históricos: neles, Alberto Pimentel busca retratar o passado português de maneira grandiosa e saudosista — um lugar idílico em cujos tesouros repousa a memória da juventude.
Nota-se também uma preocupação do autor em retratar os períodos históricos presentes em seus romances de forma fiel aos seus costumes, tradições, datas, figuras e acontecimentos marcantes para a história portuguesa. Para exemplificar, no prólogo redigido ao romance A Porta do Paraíso (1900) o autor afirma que: "este livro é a expressão fiel, rigorosamente exacta, da sua epoca, que foi muito mais religiosa, muito mais monarchica, muito mais apaixonada, quanto às manifestações da intelligencia e da sensibilidade, do que a epoca actual".PIMENTEL, Alberto. A porta do paraíso: Chronica do reinado de D. Pedro V. Lisboa: Empreza da história de Portugal, 1900. p. 16 Ainda nessa mesma obra, Pimentel compara o rei D. Pedro V. a Dom Sebastião, canonizando ambos.
Na dissertação de mestrado que escreveu sobre o autor, FARO (2005) destaca duas tendências compartilhadas por escritores portugueses na segunda metade do século XIX e importantes para se pensar a produção literária da época: o memorialismo e a valorização do regional e das tradições. A autora salienta que "ao atentarmos num tal estudo, verificamos a riqueza do memorialismo português, sobretudo na segunda metade do século XIX, período no qual se insere a produção literária que, sobre o Porto, escreveu Alberto Pimentel". Tal tendência memorialista diz respeito à exaltação das lembranças e à valorização da memória como forma de resgate de tradições, valores e episódios de tempos passados. Uma postura conservadora, imersa em saudade. De fato, o estilo literário de Alberto Pimentel é marcadamente apegado à memória, como pode ser lido o seguinte trecho de O Porto há trinta anos: "É um gosto dos velhos, pelo menos d'aquelles que vão envelhecendo, como eu, contar aos novos os factos de que a sua memoria esta cheia. É um gosto, porque parece que allivia a memoria do peso das recordações".PIMENTEL, Alberto. O Porto ha Trinta Annos. Porto: Livraria Universal de Magalhães & Moniz Editores, 1893. pág. 260
Recepção crítica dos romances à época do autor Considerando a percepção da crítica literária presente em periódicos brasileiros e portugueses na segunda metade do século XIX, nota-se que os principais critérios utilizados para a qualificação das obras de Alberto Pimentel nesta época diziam respeito à temática e à fidelidade histórica com que este autor deu vida a seus romances, de modo a retratar o passado português de forma apaixonada e grandiosa.
Alberto Pimentel é um autor valorizado para a sua época, motivo que lhe rendeu inúmeros comentários positivos em periódicos. No entanto, ao mesmo tempo havia outro lado da crítica literária que desqualificara o autor de maneira ácida e destruidora. Neste caso, Pimentel é criticado pelo fato de ter sido um polígrafo notavelmente vasto, cujas obras tratam de temas marcadamente heterogêneos. Isto é, na perspectiva das críticas negativas, o autor é atacado por "querer ser tudo e escrever sobre tudo", como pode ser lido no seguinte recorte de uma crítica presente na revista de circulação luso-brasileira A Illustração (1884): “O sr. Alberto Pimentel quer ser tudo (…) d'aqui resulta, que querendo ser tudo — o sr. Pimentel não é por emquanto cousa alguma nas lusitanas lettras!”.«FIGARO», "A Jornada dos Séculos por Alberto Pimentel" in PINA, Mariano (direcção de), A Ilustração - Revista Universal Impressa em Paris, vol. I, 5-IX-1884, pág. 143. É interessante notar que nesta mesma fonte, o crítico literário prevê o futuro esquecimento que seria relegado a Pimentel: “por querer ser tudo, por querer escrever sobre tudo. Quanto melhor não fora que o sr. Alberto Pimentel pensasse apenas em ser poeta, ou em ser jornalista, ou em ser regenerador. Havia de valer alguma cousa, pois que nós não duvidamos um momento do apregoado talento do sr. Pimentel. Mas com a mania de querer ser tudo, de querer fallar e escrever sobre tudo, ha-de cada dia ver mais distante da sua porta a Posterioridade”.
ObrasPorbase: Base Nacional de Dados Bibliográficos. http://porbase.bnportugal.ptBiblioteca Nacional de Portugal.
http://www.bnportugal.pt/
Archive.
https://archive.org/
Worldcat.
https://www.worldcat.org/ Biografias Esboço biográfico da Senhora Marquesa de Rio Maior, 1897 Júlio Dinis: Esboço Biográfico, 1872 Lopo Vaz de Sampaio e Melo: esboço biográfico, 1891 (Digitalizada) Poetas do Minho João Penha, 1893 O livro das lágrimas : legendas da vida de Santo António de Lisboa, (Digitalizada) O Poeta Chiado, 1901 Obras do poeta Chiado, [1889?] (Digitalizada) Um contemporâneo do Infante Dom Henrique, 1894 (Biografia de Álvaro Vaz de Almada) Vida mundana de um frade virtuoso: perfil histórico do século XVII, 1889 (Digitalizada) Zamperineida: segundo um manuscrito da Biblioteca Nacional de Lisboa, 1907 (Digitalizada)
Estudos sobre Camilo Castelo Branco A primeira mulher de Camilo, 1916 (Digitalizada) Camilo: anedotas, históricas e populares: conceitos e críticas, 193-? Notas sobre o Amor de perdição, 1915 (Digitalizada) O romance do romancista: a vida de Camilo Castelo Branco, 1890 (Digitalizada) O Torturado de Seide: Camilo Castelo-Branco, 1921 (Digitalizada) Os amores de Camilo: dramas íntimos colhidos na biografia de um grande escritor, 1899 (Digitalizada) Os netos de Camilo, 1901 (Digitalizada)
Contos, novelas e pequenas histórias Opúsculos Românticos - Narrativas por Alberto Pimentel I - A última ceia do Doutor Fausto, 1876 II - As Noites do Asceta, 1876 Contos ao correr da pena, 1869 Cristo não volta: (Resposta ao "Voltareis, ó Cristo ?…" de Camilo Castelo Branco), 1873 Histórias de reis e príncipes, 1890 Noites de Sintra, 1892
Crónicas e Folhetins Entre o café e o cognac, 1873 Manhãs de Cascais, 1893 Nervosos, linfáticos e sanguíneos, 1872 O sonho da Rainha, 1900 (Digitalizada)
Ensaios/História A jornada dos séculos, 1920 A musa das revoluções: memória sobre a poesia popular portuguesa nos acontecimentos políticos, 1885 A praça nova, 1916 (Digitalizada) A triste canção do sul: subsídios para a história do fado, 1904 (Digitalizada) A ultima corte do absolutismo em Portugal, 1893 (Digitalizada) Da importância da historia universal filosófica na esfera dos conhecimentos humanos, 1878 Rainha sem reino: estudo histórico do século XV, 1887 (Digitalizada)
Etnografia e tradições populares As alegres canções do norte, 1905 A dança em Portugal, 1892 Cantares, 1875 Espelho de portugueses, 1901 História do culto de Nossa Senhora em Portugal, [pref.1899] (Digitalizada)
Memórias Através do passado, 1888 (Digitalizada) Memórias do tempo de Camilo, 1913 (Digitalizada) O Porto na berlinda: memórias de uma família portuense, 1894 (Digitalizada) Vinte anos de vida literária, 1889
Obras políticas A questão das pescarias: projecto de lei: apresentado à Câmara dos senhores deputados na sessão de 9 de Março de 1891, 1891 Memoria sobre a historia e administração do município de Setúbal, 1877 (Digitalizada)
Publicações Periódicas Almanaque da Livraria Internacional, 1873