A Classe Renown foi uma classe de cruzadores de batalha operada pela Marinha Real Britânica, composta pelo e . Suas construções começaram em 1915 nos estaleiros da Fairfield Shipbuilding e John Brown & Company, foram lançados ao mar em 1916 e comissionados ainda no mesmo ano. Foram originalmente concebidos como couraçados da Classe Revenge, porém suas construções foram canceladas com o início da Primeira Guerra Mundial. O almirante John Fisher, o Primeiro Lorde do Mar, conseguiu aprovação para iniciar suas obras como cruzadores de batalha que poderiam ser construídos rapidamente com os materiais já encomendados.
Os cruzadores de batalha da Classe Renown eram armados com uma bateria principal composta por seis canhões de 381 milímetros montados em três torres de artilharia duplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 242 metros, uma boca de 27 metros, um calado de oito metros e um deslocamento carregado de mais de 32 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por 42 caldeiras a óleo combustível que alimentavam dois conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam quatro hélices até uma velocidade máxima de 32 nós (59 quilômetros por hora). Os navios também eram protegidos por um cinturão principal de blindagem com 76 a 152 milímetros de espessura.
O Repulse foi o único a entrar em ação na guerra, participando no final de 1917 da Segunda Batalha da Angra da Heligolândia. Eles continuaram servindo após a conflito e ocuparam-se principalmente de exercícios de rotina e viagens diplomáticas internacionais. O Renown muitas vezes transportou membros da família real britânica nessas viagens, enquanto o Repulse realizou uma viagem ao redor do mundo entre 1923 e 1924. Os dois passaram por duas grandes reconstruções, primeiro na década de 1920 e depois na década de 1930, que reforçaram suas blindagens e reformularam seus armamentos, dentre outras modificações. Entretanto, aquela feita no Renown foi muito mais ampla.
Ambos serviram na Segunda Guerra Mundial a partir de 1939, dando apoio em meados de 1940 para a Campanha da Noruega. O Repulse foi enviado no final de 1941 para o Sudeste Asiático, sendo afundado próximo da Malásia em dezembro por ataques aéreos japoneses. O Renown passou boa parte dos primeiros anos do conflito escoltando comboios no Mar Mediterrâneo, mas participou em 1940 da Batalha do Cabo Spartivento e em 1942 da invasão do Norte da África. Foi transferido em 1944 para o Oceano Índico, onde realizou várias operações contra forças japonesas. Voltou para casa em 1945 e foi descomissionado depois do fim da guerra na Europa, sendo desmontado em 1948.
Desenvolvimento Couraçados O Programa Naval de 1914 previa a construção de três novos couraçados da Classe Revenge com projeto aprimorado, que seriam chamados de Renown, Repulse e Resistance. Também previa a construção de mais um couraçado da Classe Queen Elizabeth chamado Agincourt. O Resistance e Agincourt seriam construídos em estaleiros estatais, enquanto o Renown seria construído pela Fairfield e o Repulse pela Palmers. O projeto foi aprovado em 13 de maio de 1914 e os melhoramentos em relação aos primeiros membros da Classe Revenge incluíam anteparas mais espessas, uma torre de controle de torpedos ampliada, uma torre de comando ampliada com blindagem rearranjada, uma posição de observação protegida na proa, aumento da largura da quilha para uma estrutura mais rígida à meia-nau e aumento nocarregamento de projéteis da bateria principal.
Essas alterações pouco alterariam o tamanho das embarcações em comparação com seus predecessores, exceto pela redução do calado para 8,7 metros, que seria 45,7 centímetros menor que aquele dos navios mais antigos. Entretanto, eles seriam dois nós (3,7 quilômetros por hora) mais lentos ejá que seus motores teriam uma potência indicada de apenas 31,3 cavalos-vapor (23 mil quilowatts), enquanto seus predecessores tinham 40,8 mil cavalos-vapor (trinta mil quilowatts).
Os trabalhos nos quatro couraçados foram suspensos depois do início da Primeira Guerra Mundial em agosto de 1914, com aqueles que seriam construídos em estaleiros estatais sendo cancelados no dia 26, pois acreditava-se que não poderiam ser finalizados antes do fim da guerra. O almirante lorde John Fisher, 1º Barão Fisher, voltou ao posto de Primeiro Lorde do Mar em outubro e começou a pressionar Winston Churchill, o Primeiro Lorde do Almirantado, para que lhe deixasse converter os contratos suspensos do Renown e Repulse em uma nova classe de cruzadores de batalha capazes de alcançar 32 nós (59 quilômetros por hora). Churchill argumentou que suas construções iriam interferir com outros programas de construção, absorver muitos recursos e não ficariam prontos em tempo. Fisher contra-argumentou que poderia manter o tempo de construção no mínimo como havia feito com o couraçado ao usar o máximo possível materiais que já tinham sido encomendados. Churchill só foi ser convencido depois das experiências na Batalha da Angra da Heligolândia em agosto e Batalha das Malvinas em dezembro, que demonstraram que alta velocidade e poderio de fogo eram combinações poderosas e confirmavam a crença de longa data de Fisher da viabilidade dos cruzadores de batalha. Isto, mais pressão do almirante sir John Jellicoe, o comandante da Grande Frota, e do vice-almirante David Beatty, comandante da Força de Cruzadores de Batalha, finalmente fizeram Churchill ceder e o Gabinete autorizou a construção em 28 de dezembro.
Cruzadores de batalha Fisher apresentou ao Diretor de Construção Naval em 18 de dezembro suas exigências para os novos navios, antes mesmo deles terem sido aprovados. Ele queria que tivessem uma proa longa, alta e angulada como a do couraçado pré-dreadnought mas mais alta, armamento principal de quatro canhões de 381 milímetros em torres de artilharia duplas, um armamento contra barcos torpedeiros de vinte canhões de 102 milímetros instalado alto nos navios e protegidos apenas por escudos, uma velocidade de 32 nós usando óleo combustível e uma blindagem na escala da Classe Indefatigable. Entretanto, apenas dias depois Fisher aumentou o número de armas principais para seis e adicionou dois tubos de torpedo. Pequenas revisões das estimativas iniciais foram feitas até 26 de dezembro e o trabalho preliminar de projeto terminou quatro dias depois.
O departamento do Diretor de Construção Naval examinou durante a semana seguinte os materiais que tinham sido entregues para os dois couraçados e decidiu que poderiam ser usados no novo projeto, com o contrato de construção do Repulse sendo transferido da Palmers para a John Brown & Company porque a primeira não tinha uma rampa de lançamento longa o bastante para acomodar a nova embarcação. O material foi transferido para a John Brown e esta e a Fairfield receberam informações suficientes para que o batimento de quilha de ambos os cruzadores de batalha ocorresse em 25 de janeiro de 1915, muito antes dos contratos alterados terem sido finalizados em 10 de março.
Projeto Características thumb|270px|esquerda|Desenho do Repulse em 1919 Os navios da Classe Renown tinham 242 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 27,5 metros e um calado máximo de 9,2 metros. Tinha um deslocamento padrão de toneladas e um deslocamento carregado de toneladas. Eram 27,4 metros mais compridos do que o predecessor , mas tinham toneladas a menos de deslocamento carregado. Eram considerados navios de boa navegabilidade, mas precisaram ser reforçados durante a construção com endurecedores e pilares adicionais sob o convés do castelo de proa com o objetivo de sanar pequenos problemas estruturais à vante. Tinham uma altura metacêntrica de 1,9 metro em deslocamento carregado e foram construídos com um fundo duplo completo.
O plano original era para o sistema de propulsão fosse leve e com uma potência de 111,5 mil cavalos-vapor (82 mil quilowatts), mas isto exigiria tempo considerável para que o projeto fosse finalizado. Consequentemente, em vez de arriscar o atraso na finalização, os maquinários do Tiger foram duplicados com a adição de mais três caldeiras a fim de produzir o vapor necessário para alcançarem a velocidade estipulada. Os dois navios foram equipados com dois conjuntos de turbinas a vapor Brown-Curtis em salas de máquinas separadas. Cada conjunto era composto por uma turbina de alta pressão à vante e ré girando as hélices externas e uma turbina de baixa pressão à vante girando as hélices internas. Cada hélice tinha três lâminas e 4,11 metros de diâmetro. O vapor para as turbinas vinha de 42 caldeiras de tubos d'água Babcock & Wilcox divididas em seis salas de caldeiras, cada caldeira funcionando a uma pressão de quilopascais (dezessete quilogramas-força por centímetro quadrado). Todo o sistema foi projetado para uma potência indicada de 114,2 mil cavalos-vapor (84 mil quilowatts), mas o Renown alcançou cavalos-vapor ( quilowatts) para uma velocidade máxima de 32,58 nós (60,34 quilômetros por hora) durante seus testes marítimos. Foram os navios capitais mais rápidos do mundo até o comissionamento do sucessor em 1920.
As embarcações da Classe Renown foram projetadas para carregar normalmente mil toneladas de óleo combustível, mas o carregamento máximo poderia ser de toneladas. Isto possibilitava uma autonomia de quatro mil milhas náuticas ( quilômetros) a dezoito nós (33 quilômetros por hora). A energia elétrica era produzida por dois dínamos a vapor de duzentos quilowatts, um dínamo a óleo combustível de 150 quilowatts e um dínamo a turbina de duzentos quilowatts para um circuito de 220 volts.
Armamento thumb|200px|As duas torres de artilharia de vante do Renown Os cruzadores de batalha da Classe Renown era armada com uma bateria principal de seis canhões Marco I calibre 42 de 381 milímetros montados em três torres de artilharia duplas movidas hidraulicamente, designadas "A", "B" e "Y". As armas podiam abaixar até três graus negativos e elevar até vinte graus, podendo ser recarregadas em qualquer ângulo, porém recarregar em ângulos elevados reduzia a cadência de tiro pela demora em retornar a uma posição de disparo. Cada canhão tinha um carregamento de 120 projéteis. Estes pesavam 866 quilogramas e eram disparados a uma velocidade de saída de 785 metros por segundo, tendo um alcance máximo de 21,7 quilômetros.
O armamento secundário tinha dezessete canhões Marco IX calibre 45 de 102 milímetros em cinco montagens triplas e dois montagens únicas. Era movidas manualmente e exigiam grande esforço, necessitando de 32 tripulantes para carregar e mover uma montagem tripla. A cadência de tiro era de dez a doze disparos por minuto pois os recarregadores ficavam no caminho. Podiam abaixar até dez graus negativos e elevar até trinta graus. Disparavam projéteis altamente explosivos de catorze quilogramas a uma velocidade de saída de oitocentos metros por segundo. Em elevação máxima tinham um alcance de 12,3 quilômetros. Cada arma tinha um carregamento de duzentos projéteis.
Cada navio também foi equipado com dois canhões antiaéreos de 76 milímetros em montagens de ângulos elevados. Estas ficavam no convés superior ao lado da segunda chaminé. Cada arma podia abaixar até dez graus e elevar até noventa. Disparavam projéteis de 5,7 quilogramas a uma velocidade de saída de 760 metros por segundo e com uma cadência de tiro de doze a catorze disparos por minuto. Tinham um teto eficaz de disparo de 7,2 quilômetros. Cada embarcação também era equipada com dois tubos de torpedo submersos de 533 milímetros à vante da primeira barbeta e tinham um carregamento de dez torpedos.
Controle de disparo thumb|esquerda|240px|O Repulse disparando seus canhões principais em 1929