Joaquín Baldomero Fernández Espartero Álvarez de Toro (Granátula de Calatrava, Cidade Real, 27 de fevereiro de 1793 — Logronho, 8 de janeiro de 1879) foi um militar e político espanhol. Foi conde de Luchana, duque de Victoria, duque de Morella, visconde de Banderas e príncipe de Vergara.

Seu pai havia encaminhado sua formação para um destino eclesiástico, mas a Guerra Peninsular arrastou-o, desde muito jovem, às frentes de batalha, que não abandonou até vinte e cinco anos depois. Foi combatente em três dos quatro conflitos mais importantes da Espanha no . Foi soldado na guerra contra a invasão francesa, oficial durante a guerra colonial no Peru e general durante a Primeira Guerra Carlista. Em Cádis aderiu ao liberalismo espanhol, senda que jamais abandonaria. Um homem extremamente duro no tratamento com as pessoas, valorizando a lealdade de seus companheiros de armas — termo que os outros generais não gostavam de ouvir —, tanto como a eficácia. Combatia na primeira linha, tendo sido ferido em oito ocasiões. Seu caráter altivo e exigente levou-o a cometer excessos, em algumas situações muito sangrentos, na disciplina militar. Convencido de que seu destino era governar os espanhóis, foi por duas vezes Presidente do Conselho de Ministros e chegou a chefiar o Estado como regente durante a menoridade de . Foi o único militar espanhol a ser tratado por Alteza Real e, apesar de todas suas contradições, soube passar despercebido seus últimos 28 anos. Recusou a Coroa Espanhola e foi tratado como uma lenda desde bem jovem.

Baldomero Espartero na sessão das Cortes Constituintes de 28 de novembro de 1854.

O início O mais novo de oito irmãos,Alguns biógrafos falam de nove irmãos. era filho de um fabricante de carroças e pequeno fazendeiro que provinha de linhagem nobre. Três de seus irmãos eram padres e uma irmã, freira clarissa. Em Granátula, estudou latim e humanidades. Cursou seus primeiros estudos oficiais no Seminário de Almagro, onde residia um de seus irmãos, da ordem dos dominicanos, e obteve o título de bacharel em arte e filosofia. Almagro contava com sua própria Universidade desde 1553 concedida por ordem expressa do imperador e era uma cidade muito ativa e próspera. Seu pai desejava para Espartero uma formação eclesiástica, mas o destino descartou essa possibilidade. Em 1809 se alistou no exército para fazer parte das forças que combateram a invasão napoleônica de 2 de maio em Madrid. As universidades haviam sido fechadas um ano antes por e a própria Almagro havia sido ocupada pelos franceses.

Foi recrutado junto a um numeroso grupo de jovens pela Junta Suprema Central que havia sido constituída em Aranjuez sob autoridade do, já idoso, Conde de Floridablanca, com o fim de deter os invasores em La Mancha, antes que as tropas invasoras chegassem à Andaluzia. Foi alistado no Regimento de Infantaria Cidade Rodrigo,O primeiro destino de Espartero é discutido. Em alguns casos fala-se de Cidade Real e em outros diretamente de Sevilha, desde onde foi em direção ao centro da Península nas primeiras operações que participou. no posto de Soldado Distinguido, grau que atingiu por ter cursado os estudos universitários. Durante o tempo que esteve à linha de frente na zona sudoeste da Espanha, participou da Batalha de Ocaña, onde os espanhóis foram derrotados.O fracasso em Ocaña levou Espartero a afirmar: "Aquele dia aprendi a ser homem". Novamente, sua condição de universitário lhe permitiu fazer parte do Batalhão de Voluntários Universitários que se agrupou em torno da Universidade de Toledo em agosto de 1808,A formação de unidades e batalhões por parte das universidades era algo habitual. As denominações usadas foram várias. Em qualquer caso se tratava de nutrir um exército em retirada de homens capazes com certa formação para ascender depois. Estes grupos se desenvolveram nas academias criadas mais tarde pela Junta Central. mas o avanço francês o levou até Cádis, onde cumpria a função de defesa da Junta Suprema Central. As necessidades primordiais de um exército quase destruído pelo inimigo obrigaram a formação rápida de oficiais instruídos nas técnicas militares. A formação de universitários, da qual Espartero fazia parte, fora selecionada pelo coronel da artilharia, Mariano Gil de Bernabé, para integrarem a recém criada Academia Militar de Sevilha. O novo destino não evitou que participasse desde o primeiro momento em combates contra o inimigo, ganhando, enfim, a posição de cadete.Na folha de serviços de Espartero apresenta sua participação em algumas ações sem importância excessiva. As qualificações acadêmicas que obteve eram normais, exceto em tática, onde se destacou com "sobressalente". Integrou, junto a outros 48 cadetes a Academia de Engenheiros, em 11 de setembro de 1811 e ascendeu a subtenente em 1 de janeiro do ano seguinte. Participando da Infantaria, destacou-se em operações militares em Chiclana, que lhe valeu a sua primeira condecoração: A Cruz de Chiclana.

Sitiados pelo exército francês desde 1810, foi espectador dos debates das Cortes de Cádis, que redigia a primeira Constituição espanhola. O fato lhe fez tomar a decisão de defender o liberalismo e o patriotismo.

Enquanto a guerra caminhava para seu fim, Espartero estava designado no Regimento de Infantaria de Soria e, afortunadamente, se deslocou para a Catalunha, combatendo em Tortosa, Cherta e Amposta, até regressar com Regimento a Madrid.

A caminho da América Terminada a guerra e desejoso de prosseguir a carreira militar, se alistou em setembro de 1814 — no posto de tenente — embarcando na fragata Carlota, com destino à América, em 1 de fevereiro de 1815, para reprimir a rebelião por independência das colônias.

A corte fernandina havia conseguido deslocar a ultramar seis regimentos de infantaria e dois de cavalaria. Às ordens do general Miguel Tacón y Rosique, Espartero integrou-se a uma das divisões formadas pelo Regimento Extremadura que se dirigia ao Peru desde o Panamá. Chegaram ao porto de El Callao em 14 de setembro e se apresentaram em Lima, com a ordem de substituir o Marquês da Concordia como vice-rei do Peru pelo general Joaquín de La Pezuela, vitorioso na área.

Os maiores problemas se concentravam na penetração das forças hostis desde o Chile e o Rio da Prata, sob o comando do general San Martín. Para dificultar os movimentos, decidiu-se fortificar Arequipa, Potosí e Charcas, trabalho para o qual a única pessoa com conhecimentos técnicos de todo o Exército do Alto Peru era Espartero, por ter dois anos de formação na Escola de Engenheiros. O reconhecimento da escola lhe valeu a promoção a capitão em 19 de setembro de 1816 e, ainda antes de completar um ano, à posição de segundo comandante.

Tática militar Através do pronunciamento de Riego e a jura da Constituição gaditana pelo rei, as tropas peninsulares na América se dividiram definitivamente entre realistas e constitucionalistas. San Martín aproveitou estas circunstâncias de divisão interna para continuar seu assédio e avanço, ante o qual, um numeroso grupo de oficiais destituiu Pezuela da posição de vice-rei em 29 de janeiro de 1821, foi nomeado em seu lugar o general José de la Serna e Hinojosa. Desconhece-se com exatidão o julgamento de Espartero quanto a este movimento. Seja como for, o que seria mais tarde Duque da Victoria dedicou-se a fundo no sul do Peru e no leste da Bolívia em um modo de combate singular caracterizado por escassas tropas e ações rápidas, onde o conhecimento do terreno e a capacidade de aproveitar ao máximo os recursos à mão eram determinantes. Este modo de operar será, mais tarde, desenvolvido também na primeira guerra Carlista.

As conquistas de Espartero por ações de guerra foram constantes. Em 1823, já era coronel de Infantaria, a cargo do Batalhão do Centro do Exército do Alto Peru. Quando o general insurreto Alvarado tratou de penetrar com forças muito superiores pelas fortificações de Arequipa e Potosí, o general Jerónimo Valdés não hesitou em encarregar a Espartero a defesa em Torata, com apenas 400 homens, a fim de fustigar a partir dali o inimigo, enquanto Valdés organizava uma cilada. À chegada dos revolucionários, Espartero manteve-se durante duas horas a posição, causando importantes baixas, contrariando as ordens de Valdés, enquanto este saía ao encontro do inimigo sem permitir-lhe avançar e, em um erro do general Alvarado, ao dispersar uma linha de frente excessiva, Valdés lançou um ataque no momento em que finalizou as pretensões de penetração. Com a chegada de José de Canterac, o inimigo foi posto em fuga, sendo o Batalhão de Espartero um dos que perseguiram as forças que fugiam por Moquegua e destacou-se por destruir por completo a chamada Legião Peruana. O general Valdés registrou em suas qualificações sobre Espartero:

Sua valentia se unia a seu sangue frio e à capacidade de enganar o inimigo, infiltrando-se entre eles, para mais tarde prendê-los, e, em processo judicial, condená-los à morte e executá-los. Este modo de proceder seria constante em sua carreira militar.

O fim da etapa americana e o regresso à Espanha Em 9 de outubro de 1823, o vitorioso comandante foi promovido a brigadeiro, sob o comando do Estado Maior do Exército do Alto Peru. Nesta posição, teria de finalizar os trabalhos de controle dos rebeldes restantes, La Serna o enviou à Conferência de Salta como representante com plenos poderes do vice-rei para assinar uma trégua que permitisse a extensão dos acordos com os insurretos de Buenos Aires ao Peru. Em Salta se reuniu com o general José Santos La Hera, que atuava em nome dos comissários régios. Espartero comunicou a La Hera que o acordo não era possível, pois as forças inimigas precisavam de operações que produzissem efeito e que o vice-rei não se sentia obrigado a outorgar mais que a generosidade com que haviam sido tratados. A atitude hostil de La Serna e do próprio Espartero fazia os delegados enviados em nome do rei Fernando interpretarem como uma afronta à Coroa ou como uma medida de conter as aspirações pela independência.A Conferência de Salta segue provocando diferenças nas análises dos historiadores. Os comissionados régios, Antonio Luis Pereira e Luis de la Robla, haviam alcançado um acordo em Buenos Aires que incluia uma importante autonomia econômica e comercial. Trasladar o acordo ao Peru era sua missão, mas La Serna, após suas vitórias, não estava disposto a realizar concessões. De fato não quis ir a Salta pessoalmente, enviando Espartero com a expressa diretriz de não ceder. O argumento em favor de La Serna é que deu por suposto que o rei desconhecia a situação que se dava naquele momento no Peru — não se havia recebido instruções de Madrid desde 1821 -, e que agia conforme os interesses da Coroa. A posição crítica destaca que a atitude de La Serna foi um enfrentamento direto com a Coroa e ajudou indiretamente a fortalecer as aspirações independentistas. Em qualquer caso, Espartero foi censurado por seu trabalho, se não ao contrário, louvado tempos depois.

A figura de Espartero a esta idade foi traduzida pelo conde de Romanones como a de:

No fim do Triênio Liberal e no retorno ao absolutismo, voltaram a dividir o exército. La Serna enviou Espartero a Madrid com o encargo de receber instruções precisas da Coroa, partindo para a capital no porto de Quilca em 5 de junho de 1824 em um barco inglês. Chegou em Cádis em 28 de setembro e se apresentou em Madrid em 12 de outubro. Ainda que tenha obtido a confiança do vice-rei à Coroa, não foi possível garantir os reforços pedidos.

Embarcou em Bordéus a caminho da América em 9 de dezembro, coincidindo com a perda do Vice-reinado do Peru. Chegou a Quilca em 5 de maio de 1825, sem notícias do desastre de Ayacucho, e foi feito prisioneiro por ordem de Simón Bolívar. Liberado, regressou à Espanha com um numeroso grupo de companheiros.