Franca é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo, Região Sudeste do país. Localiza-se no nordeste paulista, a cerca de 401 quilômetros da capital estadual e a 676 km de Brasília. Ocupa uma área de 605,7 km² dos quais aproximadamente 82 km² correspondem ao perímetro urbano, e sua população estimada segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2025, era de 365 494 habitantes, sendo o 20.º município mais populoso do estado. É sede da Região Geográfica Imediata de Franca e da Aglomeração Urbana de Franca, que integra e articula economicamente diversos municípios da região. Situada a cerca de 1 040 metros de altitude, a cidade apresenta temperaturas mais amenas, estando entre as localidades do estado com maior índice pluviométrico.
Foi povoada por luso-brasileiros e afro-brasileiros no final do século XVIII, situando-se ao longo da rota que era utilizada pelos tropeiros que cruzavam o interior paulista, então conhecida como Caminho de Goiás. A emancipação política ocorreu em 1824, recebendo o nome de Freguesia de Franca do Imperador, em homenagem a Dom Pedro I. Durante o ciclo do café, serviu como importante entreposto comercial do nordeste paulista, mas com o declínio da cafeicultura no século XX, o município voltou-se à diversificação econômica, com ênfase no setor de serviços e, sobretudo, na indústria calçadista, que se firmou como a atividade econômica mais relevante, conferindo à cidade o título de “Capital Nacional do Calçado Masculino”.
Na área cultural, destacam-se o Teatro Municipal José Cyrino Goulart, o Museu Histórico José Chiachiri e a Casa da Cultura e do Artista Francano. Entre os componentes históricos, estão o Relógio do Sol e a Catedral Nossa Senhora da Conceição, esta última considerada uma dos símbolos arquitetônicos e patrimoniais do município. No esporte, o basquetebol é um dos principais símbolos da cidade e representado pelo Franca Basquetebol Clube, equipe que foi multicampeã nacional e internacional, e que garantiu ao município o título de “Capital Nacional do Basquete”.
A cidade também registra índices de desenvolvimento humano acima da média nacional, em função das atuações nos setores de saúde, saneamento e infraestrutura urbana, com referência em estudos e rankings nacionais, como os do Instituto Trata Brasil.
História
Das origens à emancipação esquerda|miniaturadaimagem|Hipólito Antônio Pinheiro (1754-1840), um dos fundadores de Franca. A história da região conhecida como Sertão do Capim Mimoso, próxima aos rios Pardo e rio Sapucaí, remonta às expedições dos bandeirantes. Em 1722, a bandeira liderada por Anhanguera (o filho) traçou o "Caminho de Goiás" ou "Estrada dos Goiases", conectando a cidade de São Paulo às minas de ouro na região que hoje é Goiás, então parte da Capitania de São Paulo. A partir dessas incursões, surgiram os chamados "pousos" de tropeiros, onde viajantes e animais descansavam durante as jornadas em busca de ouro no interior do Brasil. O pouso que originou a cidade de Franca era conhecido pelos bandeirantes como "Pouso dos Bagres".
A Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca e do Rio Pardo foi criada em 29 de agosto de 1805, em homenagem ao militar e então governador da Capitania de São Paulo, Antônio José da Franca e Horta. O novo arraial, localizado no então território de Moji Mirim, foi assentado em uma colina entre os córregos Bagres e Cubatão. O terreno cedido para a construção da capela, foi doado por Antônio Antunes de Almeida e Vicente Ferreira de Almeida, que eram filhos da pessoa de Manoel de Almeida. A capela então foi estabelecida sob a direção do Alferes de Ordenanças Manoel Marques de Carvalho, sendo celebrada a primeira missa pelo padre Joaquim Martins Rodrigues. A região passou a ser conhecida como "Belo Sertão do Rio Pardo", atraindo migrantes vindos de Minas Gerais e Goiás, uma vez que a decadência da mineração era a presente realidade. Devido à distância em relação à sede de Moji Mirim, situada a centenas de quilômetros da vila francana, pioneiros locais passaram a defender sua emancipação. Uma vez que Antônio José da Franca e Horta incentivava o estabelecimento de novos moradores no nordeste paulista, a presença de Horta foi decisiva para que a vila francana não terminasse sendo anexada à Capitania de Minas Gerais.
Em 1819, o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire visitou a região e registrou suas impressões:
Evolução administrativa e territorial Em 31 de outubro de 1821, por ato de João VI de Portugal, o arraial foi elevado à categoria de vila, com a denominação de Vila Franca del Rey. Durante o processo, a Província de Minas Gerais tentou anexar a vila, em virtude da ambição da então Vila São Carlos de Jacuí, buscando impedir sua consolidação como território paulista. O episódio é representado no brasão municipal, que exibe uma cidade fortificada e o lema "Genti Meae Paulistae Fidelis" (Fiel à Minha Grei Paulista).
A instalação oficial da vila ocorreu em 28 de novembro de 1824, quando se tornou administrativamente emancipada de Moji Mirim. Na ocasião, o capitão José Justino Faleiros foi nomeado primeiro presidente da Câmara Municipal, tomando posse em 30 de novembro de 1824, juntamente com os demais vereadores. A cerimônia foi conduzida pelo ouvidor Antônio D’Almeida e Silva Freire da Fonseca, da Comarca de Itu. À época, a maior parte da população francana residia na zona rural, enquanto o núcleo urbano concentrava-se nas imediações da igreja matriz. A vila passou a denominar-se Vila Franca do Imperador, em 1825, em homenagem a Pedro I do Brasil, em decorrência da Independência do Brasil. Pela Lei Provincial nº 7, de 14 de março de 1839, foi elevada à condição de sede de comarca, passando a contar com juiz de direito. O crescimento econômico resultou na elevação à categoria de cidade em 24 de abril de 1856, por meio da Lei Provincial nº 21. A denominação do município foi simplificada para "Franca" em 30 de dezembro de 1889.
Desde a elevação à categoria de cidade, Franca sofreu diversas alterações em suas divisões distritais, com a criação de novos distritos ocorrendo ao final do século XIX. Os primeiros distritos instituídos foram Ribeirão Corrente (1896) e São José da Bela Vista (1897). Nas divisões territoriais de 1936 e 1937, Franca era composta por seis distritos, além da sede: Cristais, Estação, Jeriquara, Restinga, Ribeirão Corrente e São José da Bela Vista. A emancipação desses distritos começou em 1948, com a elevação de São José da Bela Vista à categoria de município. Em seguida, pela Lei Estadual nº 8.092, de 28 de fevereiro de 1964, Ribeirão Corrente, Restinga e Jeriquara também se emanciparam. Segundo a divisão territorial de 1968, Franca passou a ser constituída apenas pelo distrito-sede.
Após a emancipação
Durante o Período regencial brasileiro, divergências entre senhores de terra que até então ocupavam cargos judiciários e os novos governantes da Villa Franca do Imperador, culminaram na insurgência conhecida como "Anselmada", em 1838. Sob a liderança de capitão Anselmo Ferreira de Barcelos, o levante provocou assassinatos e deslocamentos forçados de moradores, sendo reprimido pelas autoridades provinciais. Anselmo e alguns aliados foram presos e julgados em 1839, mas acabaram absolvidos. Com a deflagração da Guerra do Paraguai, em 1864, francanos se unem aos Voluntários da Pátria para defender o Império do Brasil contra o Paraguai. O conflito encerrou-se em 1870, com a assinatura do Tratado da Tríplice Aliança. Nos anos seguintes, a cafeicultura começa a se estabelecer como principal atividade, sendo acompanhada pela chegada de imigrantes italianos que passam a residir na cidade. esquerda|miniaturadaimagem|Antiga estação ferroviária de Franca, servida pela Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.
A chegada da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, impulsiona ainda mais a produção cafeicultura francana, permitindo que a produção seja integrada aos grandes mercados consumidores. A estação ferroviária de Franca foi inaugurada em 1887, citando-se o dia 5 de abril como a data de inauguração do prédio e a presença de uma locomotiva a vapor com passageiros e vagões de lastro. No entorno da estação ferroviária, estabeleceu-se o bairro Estação, habitado por um grande número por imigrantes europeus. A produção de café no Brasil, no final do século XIX, também foi acompanhada pela crise de superprodução, que atingiu seu ápice em 1898 e 1906, e levou muitos produtores paulistas à falência e ao endividamento, entre eles os francanos.esquerda|miniaturadaimagem|Combatentes de Franca durante a revolução de 1932 Nas duas primeiras décadas do século XX, com o declínio do ciclo do café, os curtumes e a fabricação de couro tornaram-se a principal força da economia francana. A grave crise econômica em consequência da Grande Depressão de 1929 derrubou os preços internacionais do café brasileiro já em declínio, arruinando a oligarquia paulista. Em consequência disso, ocorreram revoltas contra o governo de Getúlio Vargas, dando início à Revolução Constitucionalista de 1932. O movimento armado mobilizou a cidade a reunir cerca de setecentos combatentes, dos quais nove morreram em defesa de São Paulo. Em homenagem às baixas francanas, logradouros e monumentos foram instituídos na área urbana do município, com destaque para a inclusão de nove estrelas no brasão da Bandeira de Franca, conforme a Lei Municipal nº 144, de 26 de janeiro de 1955. esquerda|miniaturadaimagem|Estrutura do antigo Colégio Champagnat, fundada pelos Maristas em 1917 Embora a economia cafeeira tenha perdurado até os anos 1950, a partir dessa mesma década as fábricas de couro, de têxteis e artefatos de borracha impulsionaram o desenvolvimento da indústria calçadista local, que já havia se tornado a principal atividade econômica do município. Nas três décadas seguintes, a atividade industrial francana intensificou-se e favoreceu o desenvolvimento dos setores de comércio e serviços. O rápido aumento da população urbana, sobretudo em razão do grande afluxo de migrantes para a cidade em busca de trabalho na indústria local. Esse processo demandou reformulações na política habitacional do município, em razão do déficit de moradias e crescimento no número de loteamentos periféricos destinados às classes populares. Para o complemento da mão de obra local, as instituições de ensino técnico e superior da cidade incluíram novos cursos em suas grades, ao mesmo tempo em que novas instituições chegavam à cidade.
Em 1970, o empresário e educador Tomás Novelino, cria a Faculdade Pestalozzi, dando origem à Unifran. Alguns dos equipamentos de valor cultural e esportivo também foram inaugurados na mesma década, entre eles, o Ginásio Pedrocão, a Pinacoteca Municipal "Miguel Ângelo Pucci" e o Teatro Municipal José Cyrino Goulart. O predomínio rural deu lugar à urbanização no início da década de 1980, quando a cidade passou por melhorias na infraestrutura urbana para atender às novas demandas habitacionais. A instalação oficial do Distrito Industrial de Franca, em 1984, acompanha a modernização urbana, incluindo a criação da Região Administrativa de Franca em 1989. No início do século XXI, o município já havia se consolidado como centro regional de influência interestadual, após ampla diversificação econômica e urbana, com predominância dos setores secundário e terciário.
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