Hortolândia é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo. Localiza-se na Região Metropolitana de Campinas, a noroeste da capital do estado, distando desta cerca de . Ocupa uma área de km², sendo que km² estão em perímetro urbano e os km² restantes constituem a zona rural. Sua população de acordo com o Censo 2022 (IBGE) era de habitantes, sendo o 38º mais populoso de São Paulo. Faz parte do chamado "Complexo Metropolitano Expandido", que ultrapassa os 29 milhões de habitantes e que compõe aproximadamente 75 por cento da população do estado. As regiões metropolitanas de Campinas e de São Paulo já formam a primeira macrometrópole do hemisfério sul.
Hortolândia foi fundada em 1991, desmembrando-se de Sumaré, sendo que a localização privilegiada e a proximidade com grandes polos industriais do país fizeram com que o município passasse por um rápido desenvolvimento demográfico e industrial, que já vinha ocorrendo desde antes da emancipação, e fosse considerada como polo tecnológico, havendo atualmente representação de várias empresas de parâmetro tecnológico altamente avançado. Essas atividades fazem com que o município tenha o 89º maior PIB brasileiro, contando também com diversos campi de universidades de renome, tais como o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e o Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP).
Alguns dos principais atrativos da cidade são a Lagoa Da Fé, Praça da cidadania sendo uma das únicas na metrópole, Parque Socioambiental Irmã Dorothy Stang, o Parque Santa Clara/CREAPE (Centro de Referência Ambiental Parque Escola) e o Parque Linear Chico Mendes, sendo importantes áreas verdes que disponibilizam espaços para prática de esportes e descansos. Há ainda os projetos e eventos culturais realizados pela Secretaria Municipal de Cultura, órgão responsável por projetar a vida cultural hortolandense.
História Origens Em 1798, terras foram doadas pela Coroa Portuguesa a José Teixeira Nogueira, importante dono de engenho da região. Trouxe pela primeira vez, para onde hoje está o município de Hortolândia, o café, cujo trabalho das fazendas era à base da escravidão. Após a libertação dos escravos, terras foram doadas a estes, porém roubadas por um médico norte-americano. Algumas áreas chegavam a ser renegociadas, porém as que eram disponibilizadas não favoreciam o café, sendo que para aproveitá-las passaram a ser cultivados o algodão, cana-de-açúcar e a pecuária. O lugar, que ainda servia como ponto de parada de tropeiros, colonos e escravos, passou a denominar-se Jacuba (do tupi-guarani, y-acub, "água quente"), "Sítio de Jacuba", uma vez que estes viajantes se aproveitavam das águas dos riachos e das sombras das árvores para descansarem e se alimentarem. thumb|esquerda|A estação de Jacuba, em 1918. Foto do álbum dos 50 anos da Paulista, Museu da Cia. Paulista, Jundiaí. O povoado começou a tomar expressão quando foi inaugurado, em 1896, o posto telegráfico. Mais tarde, em 1917, o posto telegráfico de Jacuba passou a ser estação ferroviária. Só em 1947 é que começa o seu crescimento, com a apropriação do loteamento Parque Ortolândia, de propriedade de João Ortolan. Em dezembro de 1953, o povoado de Jacuba, pertencente ao distrito de Santa Cruz, município de Campinas, foi elevado a distrito de Jacuba, do município de Sumaré, emancipado na mesma época. A proposta da alteração do nome de Jacuba deu-se porque já existia no Estado de São Paulo na cidade de Iacanga (tempos depois passou a pertencer a cidade de Arealva), um distrito com o nome Jacuba.
A partir de meados da década de 1970, inicia-se em Sumaré, um processo de industrialização, com incentivos fiscais. Instala-se no distrito de Hortolândia, à margem da Rodovia Campinas-Monte Mor (SP-101), a fábrica americana IBM. Outras empresas são atraídas por terra farta e incentivo fiscal. Instalam-se no município, mais precisamente no distrito de Hortolândia, as empresas Armco do Brasil S/A, Dow Corning do Brasil Ltda, Fibramatex S/A Cimento e Amianto, Granjas Ito S/A, Grupo Cobrasma- Braseixos, Nativa Industrial Ltda, Nativa Construções elétricas, Westfalia Separator do Brasil, Ingersoll Rand Brasil Ltda, dentre outras.
O processo de emancipação político-administrativa de 1975 a 1991 thumb|direita|Hortolândia na década de 70. O início do processo de emancipação de Hortolândia teve sua origem em 1975, com a formação da Primeira Comissão Pró Emancipação, presidida por Hélio Pazinatto, com apoio total e irrestrito do então Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Sumaré, e antigo chefe da estação ferroviária Oswaldo Roncolatto, e do vereador hortolandense Nelson Alexandre, dos líderes Alberto Breda (Ticão Breda), seus filhos Walter e Milton, tendo como Coordenador da comissão Paulo Carlos Filzek e o representante Parlamentar o Deputado Federal Gióia Junior. Esta primeira tentativa foi infrutífera devido de Hortolândia não alcançar 5 milésimos da arrecadação estadual e também pelo Presidente da República não ter dado o aval para a emancipação, que era uma prerrogativa da Lei Complementar N. 28.
Na década de 1980, Hortolândia era responsável pela maior parte da arrecadação de Sumaré, que ultrapassava os 60%. A organização popular seguiu para o movimento pró-emancipação. Os moradores queriam autonomia para definir o futuro de Hortolândia, os hortolandenses decidiram pela criação do município. No ano de 1988, com o início da abertura política e a aprovação da nova Constituição Brasileira, aflorou nos líderes comunitários dos bairros de Hortolândia e na população o interesse por tornar-se um distrito autônomo. Nesta turbulência de ideais sociais, em 26 de abril de 1989, formou-se uma Comissão Pró-Emancipação, na qual elegeram Luiz Antônio Dias da Silva Presidente da Comissão de Emancipação e Carlos Custodio de Oliveira Vice-Presidente da Comissão. Esse grupo passou então a estudar e planejar os movimentos da campanha de emancipação.
Pela Resolução nº 714, de 21 de dezembro de 1990, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) marca para maio de 1991 a realização do plebiscito. Por manobras políticas e jurídicas, no dia 17 de maio de 1991 a então administração da prefeitura de Sumaré tenta manter a posse do distrito, mas a 19 de maio realiza-se o plebiscito, em que mais de 19,5 mil eleitores compareceram às urnas e votaram para deliberar sobre a emancipação. Importante esclarecer que naquela ocasião somente 32 mil eleitores estavam aptos a expressar seu voto. Naquele dia histórico, a voz do povo se fez ouvir com a clareza impressionante. Dos eleitores que compareceram às urnas, 19 081 optaram pelo "Sim" e 255 pelo "Não". Foram 97,4% de votos "Sim", a favor da emancipação.
Após a emancipação O município de Hortolândia situa-se em uma posição estratégica, entre grandes polos de desenvolvimento. Por sua posição privilegiada, a região atrai grandes organizações industriais, além de estar cercada por grandes universidades. A localização geográfica do município se dá a oeste de Campinas, limitando-se ainda com os municípios de Sumaré e Monte Mor. Possui uma área de 62 km², sendo o menor município da Região Metropolitana de Campinas. O principal rio que corta o município é o Ribeirão Jacuba. O município beneficiou-se economicamente por estar ao longo da Rodovia Anhanguera, ser limítrofe de Campinas e estar próximo ao Aeroporto Internacional de Viracopos. Mais recentemente foi implantada a continuação da Rodovia dos Bandeirantes (SP-348) que atravessa o município, na região do Jardim Amanda. Esta rodovia permitiu importante acesso ao município através do trevo no entrocamento com a Rodovia Jornalista Francisco Aguirre Proença (SP-101) em área próxima a empresa IBM do Brasil.
Há uma visível conurbação entre Campinas, Sumaré e Hortolândia, sem uma clara identificação dos limites territoriais destes municípios. A interdependência física-territorial e sócio-econômica é um elemento de extrema importância na elaboração de planos e projetos para os municípios em questão.
Geografia thumb|esquerda|Mapa da Região Metropolitana de Campinas. A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é de km², sendo que km² constituem a zona urbana e os km² restantes constituem a zona rural. Situa-se a 22º51′28” de latitude sul e 47º13′12” de longitude oeste e está a uma distância de 114 quilômetros a noroeste da capital paulista. Limita-se com Sumaré, a norte; Monte Mor, a sul e oeste; e Campinas, a leste.
Região Metropolitana
O intenso processo de conurbação atualmente em curso na região vem criando uma metrópole cujo centro está na cidade de Campinas, atingindo vários municípios, como Sumaré, Indaiatuba, Americana, Santa Bárbara d'Oeste, Valinhos, Itatiba e Paulínia, além de Hortolândia. A Região Metropolitana de Campinas (RMC) foi criada pela lei complementar estadual 870, de 19 de junho de 2000, e atualmente é constituída por 19 municípios, sendo a nona maior aglomeração urbana do Brasil, com 2 798 477 habitantes. É uma das mais dinâmicas no cenário econômico brasileiro e representa 2,7% do Produto Interno Bruto nacional e 7,83% do produto interno bruto paulista, ou seja, cerca de 77,7 bilhões de reais por ano.
Hortolândia faz parte do chamado "Complexo Metropolitano Expandido", que ultrapassa os 29 milhões de habitantes, aproximadamente 75 por cento da população do estado paulista inteiro. As regiões metropolitanas de Campinas e de São Paulo já formam a primeira megalópole (ou macrometrópole) do hemisfério sul, unindo 65 municípios que juntos abrigam mais de 12% da população brasileira.
Relevo e hidrografia A cidade se localiza na chamada Depressão Periférica Paulista, formação entre os planaltos ocidental e atlântico (Serra do Mar e Serra da Mantiqueira). No relevo apresenta-se predominância de áreas com colinas amplas, tendo topos extensos e planos. Muitas delas servem como divisores de água entre dois rios ou represas. Nas vertentes configura-se um formato retilíneo, predominantemente convexo, resultando em elevações de encostas suaves e vales abertos. Essas colinas atingem picos de altitudes que variam entre 600 e 630 metros, com os rios escavando vales cuja altitude chega a valores inferiores a 550 m. thumb|direita|Foto da ampliação da margem do Ribeirão Jacuba.
O solo é formado pela decomposição de rochas eruptivas, com drenagem de baixa densidade e solos variando de latossolos vermelhos a amarelos, próprios para culturas mecanizáveis; e ainda solos prodozolizados arenosos, próprios às pastagens e culturas ocasionais. Em alguns trechos as camadas são sedimentares, o substrato arenito faz com que o solo seja mais empobrecido, de acidez acentuada e susceptível à erosão, sendo que essas características são mais notáveis onde o relevo é mais ondulado.
A bacia hidrográfica do rio Piracicaba, bacia que Hortolândia e região estão localizadas, abrange o sudeste do estado de São Paulo e extremo sul de Minas Gerais e é a principal fonte de extração de água para consumo na Região Metropolitana de Campinas. O principal rio que corta o município é o Ribeirão Jacuba. Em 2003 foram delimitadas no território seis microbacias: a Microbacia do Córrego Taquara Branca (localizada parcialmente em Hortolândia e parcialmente em Sumaré, sendo pouco urbanizada); a Microbacia do Córrego Terra Preta (região intensamente urbanizada, onde há possibilidade de recuperação das matas ciliares); a Microbacia Lagoa Santa Clara (composta por áreas industriais e residenciais e é entrecortada pela Rodovia dos Bandeirantes); a Microbacia do Ribeirão Jacuba ou Hortolândia (a principal do município, sendo que o Ribeirão Jacuba banha a região do centro da cidade); a Microbacia Vila Guedes (de pequena extensão) e a Microbacia do Córrego da Fazenda São Joaquim (composta por terras ainda não urbanizadas).
Clima