Joanópolis é um município brasileiro do estado de São Paulo, na região imediata de Bragança Paulista, nos contrafortes da Serra da Mantiqueira, divisa com Minas Gerais. Sua população, de acordo com o Censo 2022, é de 12.815 habitantes, com uma densidade de 34,2 habitantes por km². Devido ao clima, belezas naturais, cultura e localização, a cidade atrai muitos turistas, principalmente da região metropolitana de São Paulo e Campinas, com fácil acesso pela BR-381 (Rodovia Fernão Dias) e pela SP-65 (Rodovia Dom Pedro I).
Estância turística
Joanópolis é um dos 70 municípios paulistas considerados estâncias turísticas pelo estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de Estância Turística, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais. thumb|direita|O Ermitão ou Judeu errante ou Ahsverus representa o que há de mais misterioso, antigo e rústico na tradição civilizatória. Conta a lenda que este milenar ancião esteja perambulando na Serra da Mantiqueira e dizem que fora visto em Joanópolis SP, Camanducaia MG e Visconde de Mauá RJ. História
A história da formação do Bairro do Curralinho inicia-se quando às margens do Ribeirão Jacareí (Jacarehy), entre 1730 e 1740, começou a se formar um arraial pelos Sertanistas ou Bandeirantes que, a princípio, devido a sua localização às margens do rio, ficou conhecida pelo nome de Bairro de Jacareí. Com o aumento da população, os moradores da região compreendida entre o alto curso dos rios Jaguari e Cachoeira, em 1878, reuniam-se no terreiro de Domingos Fernandes de Almeida e ali se construiu uma cruz, para festejar São João Batista, no dia 24 de junho de cada ano.
Naquele ano, decidiram escolher os festeiros Anselmo Gonçalves Caparica e Ambrosina Pinto para organizar anualmente essas comemorações.
Tiveram a ideia de construir uma pequena capela que abrigasse os fiéis nas proximidades do antigo cruzeiro. Neste ano, João José Baptista Nogueira e Luiz Antônio Figueiredo, doaram 4,5 alqueires de terra para formação de um patrimônio, onde foi erguida a capela, recebendo a povoação o nome São João do Curralinho, nos primeiros contrafortes da Serra da Mantiqueira, no território de Santo Antônio da Cachoeira (Piracaia).
Em 13 de março de 1891, através do Decreto-Lei Estadual nº 135, o povoado foi elevado a Distrito de Paz do município de Santo Antonio da Cachoeira (atual Piracaia) com o nome de São João do Curralinho. Suprimido pela Lei Estadual nº 54, de 9 de agosto de 1892 e restaurado pela de nº 207, de 30 de agosto de 1893. thumb|esquerda|280px|Vista aérea de Joanópolis, vendo-se o palacete de Felício Fernandes Nogueira construído em 1929.HARRIS, Terry Gonçalves. Prisioneiros de um sistema. São Paulo: Ed. pensieri,1994. p. 205. (foto incorretamente datada de 1880 na fonte)
Em 17 de agosto de 1895, através da Lei Estadual nº 348, foi elevada à categoria de vila com a denominação de São João do Curralinho, desmembrado de Santo Antônio da Cachoeira. Sua instalação ocorreu no dia 21 de agosto de 1896.
Em 19 de dezembro de 1906, através da Lei Estadual nº 1038, foi elevada a categoria de município.
O município tomou a denominação de Joanópolis, através da Lei Estadual nº 1578, de 18 de dezembro de 1917, cujo significado é cidade de João, em virtude de seu padroeiro, São João Batista.
No dia 23 de janeiro de 2001, o município foi elevado à categoria de Estância Turística, através da Lei Estadual nº 10.759.
Os Nogueira na região Em 1797, José Nogueira, Geraldo Nogueira e João Nogueira Bueno, viviam em Conceição do Jaguary (Bragança Paulista), onde na época existiam apenas 25 casas habitadas. Nesse ano, vários cidadãos, inclusive os Nogueira, assinaram uma petição, solicitando a emancipação do lugar.HARRYS, Terry Gonçalves. Ecos Distantes: primórdios e evolução histórica de Joanópolis. São Paulo: Ed. EDICON, 1996. Caldeira Netto, op. cit., pp. 319-320.
No Almanach de Piracaia,ALMEIDA, Antonio Ferreira de. Almanach da Fundação da Villa de S. João do Curralinho, 1902. encontramos o nome de Francisco [Antonio] Nogueira, irmão de Ignácio Nogueira, mencionado como um dos primeiros construtores do município, em 1817, quando o seu nome ainda era Vila de Santo Antônio da Cachoeira.
No mesmo Almanach refere-se a Manuel Gomes Nogueira, em 1830, como proprietário de um sítio nas proximidades do rio Jacareí e "Pedra Grande do Lopo".HARRIS, Terry Gonçalves. Ecos Distantes: primórdios e evolução histórica de Joanópolis. São Paulo: Ed. EDICON, 1996. A.F. de Almeida, op. cit., pp. 59.
Em 1865, Antônio Gomes Nogueira Fernandes era proprietário de um sítio no Bairro da Moenda, em Curralinho. Suas terras, na época do desenvolvimento da Vila de São João do Curralinho, pertenceram a Benjamin Ferreira de Moraes, nome ligado a história. O nome Nogueira Fernandes parece sugerir ligação deste com a família Fernandes de Almeida. Isto é novamente sugerido, como veremos oportunamente, em relação de negócios entre as duas famílias em Curralinho e nomes de descendentes dos Nogueira.
É provável que João José Baptista Nogueira, que nasceu no Porto Pt em 1825, que chegou ao Brasil aos dez anos de idade, tenha ido parar em Curralinho através de parentesco com os irmãos Francisco Antônio Nogueira e Ignácio Nogueira, dois dos primeiros construtores de Piracaia.
Outros nomes tradicionais Por volta de 1800, alguns nomes tradicionais e importantes na história do país, provavelmente "posseiros", já viviam em Curralinho ou adjacências. Entre outros, foram eles: Domingos José Pinto, chefe de numerosa família, Pedro Rodrigues de Oliveira, conhecido como Nhonhõ Preto, filho do alferes Manuel Preto e José Gonçalves Pereira.
Esses nomes não foram encontrados na lista de Sesmeiros. Infelizmente, busca mais rigorosa foi impossível devido estarem os documentos (nas latas), no Arquivo do Estado de São Paulo, totalmente contaminados com droga altamente perigosa a saúde de seus usuários.
Certamente existiram outros, mas referimo-nos a nomes que se tornaram conhecidos através dos anos nas adjacências de Curralinho.
A "Ponte dos Nogueiras" e o "Morro do João Nogueira" Ainda no início da história de Piracaia, em 1829, nas divisas eclesiásticas do município, é mencionada a "Ponte dos Nogueiras"______. Ecos Distantes: primórdios e evolução histórica de Joanópolis. São Paulo: Ed. EDICON, 1996. p. 60. A.F. Almeida, op. cit., p.8. sobre o "Rio Jacarehy".
O nome Nogueira está estritamente ligado à história da fundação e desenvolvimento do município de Piracaia e em conexão com propriedades de muitas terras em toda a região, existindo até mesmo um morro conhecido como o "Morro do João Nogueira".
No Arquivo do Estado de São Paulo, foi encontrado um mapa antigo de Piracaia e região,Mapa de Piracaia, Instituto Geográfico e Geológico de São Paulo, Região Sul - 1:50.000 o qual indica o "Morro do João Nogueira", cuja localização podemos verificar em relação à Fazenda Fortaleza e à Fazenda Santa Rosa, ambas nas proximidades da Serra do Lopo. Já em 1601, este morro tinha o nome ligado a um português e era conhecido como ponto geográfico histórico importante, referência para os Bandeirantes que por ai passavam a fim de encontrar a presença indígena e do ciclo do ouro. Existe a grande possibilidade de que o "Morro do João Nogueira" também já existisse nos anos de 1600, o que, absolutamente, não nos causaria surpresa. thumb|esquerda|Líderes e figuras políticas. Alguns descendentes de fundadores legítimos da Vila de São João do Curralinho. Membros do Partido Republicano Paulista. De pé: José Cândido de Campos, Francisco Wöhlers, Godofredo Frederigue, Domingos José Nogueira e João Augusto Ferreira. Sentados: Antônio Luiz da Silveira, Nabor Silva, João Ernesto Figueiredo e Domingos Marcondes da Silveira. Foto c. 1910.______. Ecos Distantes: primórdios e evolução histórica de Joanópolis. São Paulo: Ed. EDICON, 1996. p. 90 A presença dos Nogueira na região, assim como a existência da "ponte" e do "morro" nada esclarecem sobre os Nogueira em Curralinho, mas confirma que essa antiga família não só possuía muitas terras na região bragantina, como também tinha conexão com João José Baptista Nogueira que se encontrava no Bairro do Curralinho, em 1856, já que existe documento de compra e venda de terras em seu nome neste ano.
Concluímos, ainda, que João José Baptista Nogueira, de apenas dez anos, foi viver no antigo Bairro de Curralinho, por volta de 1835, ai cresceu e adotou a cidadania de curralinhense.
Portanto, em 1878, ele vivia na região há cerca de 43 anos, havia se transformado em um adulto maduro, pessoa bondosa e, como seus ancestrais, também havia se tornado possuidor de muitas terras. O pequeno português havia se integrado na terra e se tornado parte de sua história.
O que a história indica, portanto, à que os primeiros Nogueira fizeram parte daqueles que se envolveram na fundação e desenvolvimento das freguesias: Conceição do Jaguary (Bragança Paulista) e Santo Antônio da Cachoeira (Piracaia).
É certo que os primeiros Nogueira chegaram a conhecer o arraial de Jacareí - 1740 - (depois Curralinho), assim como é certo que João José Baptista Nogueira foi um dos fundadores legítimos do bairro do Curralinho.
Felício Fernandes Nogueira thumb|direita|150px| Felício Fernandes Nogueira, por ocasião de sua formatura em medicina na cidade de Curitiba PR (1930/35).HARRIS, Terry Gonçalves. Ecos Distantes: primórdios e evolução histórica de Joanópolis. São Paulo: Ed. EDICON, 1996. p. 261 Filho de Arnaldo José Nogueira e Maria Luiza de Oliveira, Felício Fernandes Nogueira (1900-1985), entre os cientistas joanopolenses, parecer ser a figura lembrada com maior carinho, a princípio, fez o curso primário em sua terra e até os 17 anos trabalhou na lavoura ao lado dos colonos da fazenda São João.
Cursou o secundário no Liceu Fluminense de Humanidades do Estado do Rio de Janeiro. Diplomou-se farmacêutico pela Escola de Pharmacia e Odontologia de Pindamonhangaba SP, com farmácia montada na década de 1930, posteriormente, como médico, formado em Curitiba PR, e ainda como político.
Trabalhou como médico em Getulina e Descalvado. Dedicou a maior parte de sua vida profissional ao povo de sua terra, foi diretor e médico obstetra da Santa Casa de Joanópolis por 20 anos.
Demonstrou sua capacidade e vigor na posição de líder político, assumindo a administração do município, como Prefeito, três vezes (1928-1930; 1942-1946 e 1948-1950). Por suas administrações foi considerado um dos três melhores prefeitos do Estado de São Paulo, em concurso realizado pela Rádio Record.
Em 1951 foi nomeado pelo presidente (hoje chama-se governador) de São Paulo, Prof. Lucas Nogueira Garcez, como chefe do Posto de Saúde de Santa Bárbara d´Oeste, realizando projetos para o crescimento deste município.
A casa (foto abaixo, a direita) têm 9 cômodos, foi demorada a sua construção. Terminou em 1929. DisseDepoimento gravado em vídeo na casa de Iracema (Nogueira). Janeiro de 2009. Norberto Nogueira, 69 (1940-2012; 72 anos), sobrinho de Felício Fernandes Nogueira.
Quando ele foi prefeito… Era uma "brigaiada". Eles queriam atacar ele lá… Ele morava naquele sobrado ali… Da farmácia. Dai… Meu pai (José Arnaldo Nogueira), meus irmãos, iam todos com arma para ficar junto d´ele, para protegê-lo dos adversários. Depoimento de Iracema (Nogueira), 89 (1921-2010).
thumb|direita|Palacete do médico Felício Fernandes Nogueira, palco de acontecimentos inusitados, conforme depoimento, acima, de Iracema (Nogueira) Bertolini Alberti.
Rivalidades