thumb|direita|Samuel abençoa Saul (). Doré, 1866. O Livro de I Samuel é a primeira metade do livro de Samuel, um dos livros do Tanakh e do Antigo Testamento, que integra a seção do Nevi'im e dos livros históricos. Narra a história do profeta Samuel, o estabelecimento da monarquia em Israel, o reinado de Saul e a jornada de Davi até se tornar rei. Junto com II Samuel, abrange um período de aproximadamente 140 anos (cerca de 1180 a 1040 a.C.).
Divisão do livro original Acredita-se que este livro formava originalmente uma só obra com II Samuel, I e II Reis conhecida como Livro do Reino. A primeira parte teria sido escrita por Samuel, mas o restante por Natã e Gade. O enorme tamanho deste único rolo, composto por um dos escritores, deve ter levado à sua divisão arbitrária em quatro partes, num tamanho de mais fácil manuseio. Assim, tanto a Septuaginta grega como a Vulgata latina chamam I e II Samuel de "I e II Reis" respectivamente e I e II de "III e IV Reis", reconhecendo que trata-se de uma divisão posterior.
Conteúdo I Samuel conta a história de Samuel, um importante profeta, e do reinado do rei Saul até a sua morte, incluindo a guerra dos filisteus contra Israel e a grande façanha do jovem pastor David (mais tarde rei de Israel), ao derrotar o gigante Golias.
Resumo de alguns destaques de I Samuel: Javé escolhe Samuel como profeta em Israel (1:1–7:17); Saul torna-se o primeiro rei de Israel (8:1–15:35); Davi obtém destaque, enfurecendo Saul (16:1–20:42); Davi torna-se fugitivo (21:1-27:12); O reinado de Saul chega ao fim (28:1–31:13);
Interpretações modernas do contexto histórico thumb|left|A unção de David. (). Por Mikael Toppelius, Igreja Antiga de Kempele, Finlândia, século XVIII. Para entender a parte histórica dos livros de Samuel, torna-se necessário conhecer a história bíblica desse período. As Doze tribos de Israel achavam-se desorganizadas e o perigo em comum obrigou-as a unirem-se. A conclusão lógica deste processo seria o estabelecimento de uma monarquia centralizada.
O livro relata a existência de duas visões opostas sobre o surgimento da autoridade política central. A primeira é contrária e hostil à monarquia (; ) e era a visão, mais democrática, das tribos do Norte, que viviam em terras mais produtivas. A segunda, favorável à monarquia (; ), representa a visão da tribo de Judá, que vivia em terras menos produtivas. Considerando as duas versões, pode-se concluir que a autoridade é um mal necessário — embora justificável, ela pode ser absoluta, explorar e oprimir o povo — e, ao mesmo tempo, um dom de Deus — uma instituição mediadora, que deve representar, isto é, tornar presente o próprio Deus, único rei que liberta e governa o seu povoSamuel , acessado em 22 de julho de 2010.
Os inimigos territoriais de Israel — Moabe, Edom e Amon — também haviam se organizado em forma similar antes que os israelitas chegassem a Canaã. Outro inimigo de Israel, a Assíria, também tinha um governo monárquico.
Os reis de Israel são retratados nestes livros como cabeças legais e visíveis dum estado nacional organizado. No entanto, compreende-se que a transição não foi abrupta, mas seguiu-se de forma gradual. Logo depois do período dos juízes, Javé escolhe o rei de Israel, Saul. O apoio e a direção de Deus sobre este israelita levam-o a alcançar grandes realizações. Esta nova instituição real aparece logo depois da vitória de Israel sobre Amom relatado em . Logo após, o reinado de Saul recebe reconhecimento como autoridade nacional.
Apesar da direção teocrática que a Bíblia outorga aos reis de Israel, percebe-se que houve um desvio de proceder da parte de muitos destes, o que incluiu o rei Saul.
Aspectos religiosos upright=1.3|thumb|direita|Saul conversa com Samuel através da bruxa de Endor ().1635. Por Matthias Stom, atualmente em coleção particular. Assim como acontece com outros livros históricos do Antigo Testamento, mediante a mera leitura se evidencia que I Samuel não foi escrito com mero objetivo histórico, mas sua narração está fortemente ligada ao interesse religioso da antiga nação de Israel, e do seu Deus, Javé.
O objetivo da união das doze tribos, para maior glória de Javé teria fracassado se não fosse o êxito da escolha do sucessor de Saul, Davi, monarca ideal do ponto de vista do cronista bíblico. Já Salomão e outros reis posteriores mereceram a reprovação dos escritores de Crônicas e Reis.
Depois da reprovação de Saul, chega a fidelidade de Davi, nome que foi eleito como modelo de liderança esperado por Javé. Sua autoridade não se compara com nada antes dele. De sua linhagem nasceria o Messias e esta promessa de esperança messiânica se estende por todos os tempos até se consolidar com a vinda de Jesus Cristo.
Ligações externas
Categoria:Século VIII a.C. Categoria:Século VII a.C. Categoria:Século VI a.C. 1