miniaturadaimagem|Sinal do IP2
O IP 2 - Itinerário Principal n.º 2 é um Itinerário Principal da Rede Rodoviária Fundamental de Portugal. A via rápida possui 176km.
Incluído pela primeira vez no Plano Rodoviário Nacional (PRN) de 1985, pretendia-se que o IP 2 se constituísse como uma ligação em formato de via rápida entre o norte e o sul de Portugal pelo interior do país, entre Bragança e Faro, passando pelas principais capitais de distrito (Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja). No entanto, mais de vinte anos depois, este itinerário principal está longe de estar concluído, com alguns troços em serviço, outros em construção/projeto cuja função é assegurada por estradas nacionais e outros que, com a necessidade de adequar as novas vias ao tráfego previsto, foram construídos com perfil de autoestrada e integrados na rede de autoestradas, a saber: a A 4 entre Bragança e Macedo de Cavaleiros - parte do IP 4; a A 25 entre Celorico da Beira e a Guarda - parte do IP 5; a A 23 entre a Guarda e Gardete (Vila Velha do Ródão); a A 6 entre Estremoz e Évora - parte do IP 7; a A 2 e a A 22 entre Castro Verde e Faro - parte do IP 1.
Descontando os troços referidos acima, que se encontram integrados na rede de autoestradas, atualmente apenas 176 dos quase 390 km previstos para o IP 2 se encontram em serviço.
Nos restantes troços, o IP2 está maioritariamente assinalado como tal e construído no perfil de via rápida:
entre o nó da A4 em Amendoeira (Macedo de Cavaleiros) e Junqueira (Torre de Moncorvo) foi construído de raiz como via rápida sinalizada de IP2, estando integrado na Concessão Douro Interior entre Junqueira e o Pocinho (Foz Côa) está sinalizado como EN 102, e utiliza parcialmente o traçado original da estada nacional, à excepção das variantes construídas com a conclusão das barragens do Pocinho e do Baixo Sabor o atravessamento do Rio Douro é efetuado pela Barragem do Pocinho, construída em 1982 entre Pocinho e Celorico da Beira foi construído de raiz como via rápida sinalizada de IP2, estando integrado na Concessão Douro Interior entre Gardete (Vila Velha de Ródão) e Alpalhão (Nisa) é uma variante, sinalizada como IP2, sem atravessamento de localidades. Cruza o rio Tejo pelo coroamento da Barragem de Fratel entre Alpalhão e Portalegre está sinalizado como EN 18 e utiliza o traçado original da estrada nacional, com atravessamento de localidades entre Portalegre e Estremoz está sinalizado como IP2 e resulta da requalificação da EN 18 com variantes às localidades entre o nó de Évora nascente da A6 e a rotunda com a EN 18 foi construído de raiz como via rápida sinalizada de IP2 entre o cruzamento com a estrada de Reguengos e Beja está sinalizado como IP2 e resulta da requalificação da EN 18 com variantes em vários troços entre Beja e Trindade está sinalizado como IP2 e resulta da requalificação da EN 122 entre Trindade e Castro Verde está sinalizado como IP2 e resulta da requalificação da EN 391 entre Castro Verde e Ourique está sinalizado como IP2 e resulta da requalificação da EN123
Antes da construção da A23, os troços Fratel-Castelo Branco da EN 3 e a variante à EN 18 na Covilhã também estavam sinalizados como IP2.
O IP 2 a Norte thumb|330px|Nó de Vila Franca das Naves no IP 2, sentido sul-norte. Apesar das mais diversas promessas relativas à construção de uma ligação rápida entre o distrito de Bragança e a Beira Interior, só muito recentemente tal aspiração se tornou realidade. O primeiro troço do IP 2, inaugurado a 16 de Setembro de 1989, ligava o Pocinho e a Ponte do Sabor, ao longo da margem dos rios Douro e Sabor. Este troço, que colmatava a não-existência da estrada nacional 102 e que passou a evitar a sinuosa passagem por Torre de Moncorvo, obrigatória até à sua abertura, foi entretanto integrado na mesma N 102, devido à inexistência de limitações de circulação.
O primeiro troço do IP 2 com perfil de via rápida viria a abrir ao tráfego já em 2002: 11 km entre o então IP 4 em Macedo de Cavaleiros e Vale Benfeito. O prolongamento para sul só viria a ganhar forma em 2008, quando o Governo lançou as bases para a denominada concessão rodoviária do Douro Interior, ganha pela Ascendi, que para além da construção dos 105 km do IP 2 até Celorico da Beira englobou a construção do IC 5 entre Murça e Miranda do Douro. Já com a concessão contratualizada e com as obras a decorrer nalguns troços, um retrocesso: o troço entre Junqueira (Vila Flor) e o Pocinho (Foz Côa) acabaria por ser retirado da concessão e suspenso devido ao parecer desfavorável dado pela Agência Portuguesa do Ambiente ao projeto. As obras dos restantes troços acabariam por ficar concluídas em 2011, reduzindo o tempo de viagem entre Bragança e a Guarda em mais de 40 minutos.
Relativamente aos troços que faltam concluir, o troço Junqueira-Pocinho encontra-se novamente em projeto, com vista a encontrar uma alternativa viável ambientalmente à travessia do Douro junto ao Pocinho, razão pela qual o anterior projeto foi chumbado. As hipóteses em cima da mesa incluem uma nova travessia, afastada do local inicialmente proposto, e o aproveitamento do troço da N 102 entre o Pocinho e a Ponte do Sabor. Foi inaugurada em 2013 uma nova travessia da Ponte do Rio Sabor, juntamente com a construção da Barragem do Baixo Sabor, em virtude de facilitar a travessia do rio Sabor, assim evitando curvas e más condições para os veículos pesados. Esta variante tem perfil de via rápida e é designada IP2. Já o troço teoricamente mais a norte deste itinerário principal, entre Bragança e a fronteira luso-espanhola no Portelo, em pleno Parque Natural de Montesinho, foi descartado de há alguns anos a esta parte devido às enormes condicionantes ambientais, e nem a ideia de construir uma ligação com perfil de autoestrada entre Bragança e León (Espanha) parece ter potencial para passar disso mesmo num futuro próximo.
Estado dos Troços: Macedo de Cavaleiros - Celorico da Beira
Troço Situação km Concessão Macedo de Cavaleiros ( A 4 ) – Vale Benfeito Em serviço (2002) <center>11,7 <small><center>Douro Interior Vale Benfeito – Bornes Em serviço (07/2011) <center>2,5 <small><center>Douro Interior Bornes - Junqueira (Vila Flor) Em serviço (12/2011) <center>26,0 <small><center>Douro Interior Junqueira (Vila Flor) – Pocinho Em projeto/serviço parcialmente sem formato de IP (09/1989) entre o Pocinho e a Ponte do Sabor (12/2013) junto à 2ª Barragem do Baixo Sabor <center>17 <small><center>Infraestruturas <center>de Portugal Pocinho – Longroiva Em serviço (09/2011) <center>18,3 <small><center>Douro Interior Longroiva (Mêda) - Trancoso Em serviço (07/2011) <center>26,7 <small><center>Douro Interior Trancoso – Celorico da Beira ( A 25 ) Em serviço (12/2010) <center>14,3 <small><center>Douro Interior
Perfil
TroçoPerfilExtensãoAmendoeira - Macedo de Cavaleiros<center>40px<center>2 kmMacedo de Cavaleiros - Junqueira<center>50px<center>38 km(Junqueira) - (Pocinho)<center>40px<center>(17) kmPocinho - Trancoso<center>50px<center>44 kmTrancoso - Celorico da Beira<center>40px<center>15 km
O troço central (Beira Interior) Ver artigo principal: A 23
Antes do Plano Rodoviário Nacional de 1985 Até à década de 1980, as ligações entre as principais cidades da Beira Interior dependiam da Estrada Nacional 18, cujo traçado era ainda o original, com inúmeras curvas nas zonas montanhosas das serras da Estrela e da Gardunha, e o atravessamento dos centros das cidades da Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco, entre muitas outras localidades. Desta última cidade, as ligações ao Alentejo eram feitas através da Estrada Nacional 3 até Sarnadas de Ródão, e daí em diante pela E.N. 18, que, atravessando Vila Velha de Ródão, conduz até Nisa, transpondo a Ponte das Portas de Ródão e a zona serrana do norte alentejano.
Construção do IP 2 Com o Plano Rodoviário Nacional de 1985 nasce o projeto do IP 2, com o objetivo de ligar todo o interior, de Bragança a Faro. Por esta altura, estava previsto que a ligação entre a Guarda e Castelo Branco fosse em formato de via rápida, a qual resultaria da construção de uma nova via entre a Guarda e Alpedrinha, e da requalificação do traçado original da E.N. 18 entre Alpedrinha e Castelo Branco, sendo construída uma variante a esta cidade. Para sul, a via rápida continuaria através do traçado requalificado da E.N. 3 até Fratel e de uma nova via daí até Gardete, ponto de onde sairiam o IP 6 (até então denominado "variante à E.N. 3") em direção a Abrantes e Alcanena (onde se ligaria à A 1), e a continuação do IP 2 em direção ao Alentejo através da Barragem do Fratel.
Logo em 1986 foi concluída a Variante da Covilhã, entre o Teixoso e Tortosendo. Esta obra, em conjunto com o alargamento da E.N. 18 no concelho do Fundão, permitiu a criação de um eixo de ligação rápida entre os concelhos da Covilhã e do Fundão.
Nesse ano, estavam já em conclusão a nova estrada entre Gardete e Fratel, e a requalificação da E.N. 3 entre Sarnadas e Castelo Branco, estando previsto que as obras entre Fratel e Sarnadas se iniciassem ainda em 1986.
Em 1989, foi inaugurada a variante de Castelo Branco, em formato de via rápida com nós desnivelados, que foi então sinalizada como IP 2.
A norte de Castelo Branco, o IP 2 só avançou muito mais tarde. Por se tratar de uma via estruturante na ligação entre as principais cidades da Beira Interior, foi abandonada a ideia de requalificar a E.N. 18, sendo projetada uma nova via rápida com formato de 2x2 vias com separador central. O primeiro troço a ser inaugurado nestas condições uniu Castelo Branco a Alcaria, no Fundão, tendo sido aberto ao tráfego em 1999. No entanto, o atravessamento da Serra da Gardunha era, por esta altura, efetuado através de um túnel único que servia os dois sentidos de circulação, inaugurado em 1997.
SCUT da Beira Interior Durante o governo de António Guterres, decidiu abandonar-se o modelo de construção directa por parte da Junta Autónoma das Estradas e construir-se o troço em falta até à Guarda através de uma Parceria Público-Privada em modelo SCUT. Todo o IP 2 já construído em formato 2x2 foi incluído na concessão, que previa, para além da construção e conservação do troço Alcaria-Guarda, a construção de um novo troço de autoestrada entre Castelo Branco norte e Silveira, bem como a duplicação do troço da E.N. 3 entre Silveira e Gardete (então sinalizado como IP 2) e a construção do Segundo Túnel da Gardunha. A via, que teria continuidade até ao nó de Torres Novas da A1 através do então denominado IP 6 (do qual faltava apenas construir o troço de 29 km entre Mouriscas e Gardete), foi integrada na concessão Beira Interior, atribuída em 1999 à empresa Scutvias até 2029.
Em 2002 foi inaugurado o troço Teixoso-Guarda e, em 2003, os troços Alcaria-Teixoso e Gardete-Castelo Branco, e ainda o segundo túnel da Gardunha, ficando assim concluída a A 23.
Na década de 2000, durante o governo de Durão Barroso, o troço do IP 2 incluído nesta concessão passou a ser classificado como auto-estrada, recebendo o nome de A 23, apesar de grande parte do seu percurso ter sido construído com perfil de via rápida, com condições de circulação incomparavelmente inferiores às das autoestradas do litoral do país.
Em 2010, a A 23 passou a ter portagens as quais já não existem desde dia 1 de Janeiro de 2025.
Posteriormente, o troço de via rápida entre Castelo Branco e Fratel, que desde a construção da A 23 apenas funcionava como alternativa a esta, retomou o nome original de E.N. 3. Com esta medida, deixou de haver qualquer via sinalizada como IP 2 entre a Guarda e Fratel, embora alguns sinais noutras estradas ainda se refiram aos troços mais antigos com esta designação.
O IP 2 no Alentejo thumb|330px|right|Ponte no IP 2 sobre a Barragem do Fratel. miniaturadaimagem|329x329px|IP2 nos arredores de Beja