O Telejornal é o telejornal de horário nobre da RTP que vai para o ar todos os dias às 20h (fuso horário de Lisboa). É apresentado alternadamente, durante a semana, por José Rodrigues dos Santos e João Adelino Faria. Ao fim de semana, é apresentado por Ana Lourenço. É emitido em simultâneo na RTP1, RTP Mundo (TV), RTP África e RTP Notícias.

História

Primeiros anos esquerda|miniaturadaimagem|Gomes Ferreira, locutor da RTP, a apresentar o Telejornal. A RTP, desde o início das suas emissões regulares em 1957, emitia breves programas informativos (maioritariamente de propaganda ao regime da altura). Estes programas, porém, não eram diários. A 1 de junho de 1959, estes programas informativos fundiram-se no Jornal RTP que, a 19 de outubro desse ano, deu origem ao Telejornal, ainda hoje em exibição. Começou por ter duas edições diárias (no início e no final da emissão), passando para três em 1961 (18h45, 21h30 e 23h50), chegando às cinco aos domingos, entre 1969 e 1974 (às 12h30, 15h, 19h30, 21h30 e 23h55). Acabaria por ser reduzida a uma em 1978.

As primeiras duas edições, emitidas, respetivamente, às 20h30 e às 23h05, foram apresentadas por Mário Pires e Alberto Lopes, com Fialho Gouveia e Manuel Caetano a servirem como locutores em off. A primeira notícias cobriu as eleições administrativas para vogais das Juntas de Freguesias.

A apresentação começou por ser confiada a jornalistas profissionais, como os supracitados Mário Pires e Alberto Lopes. No entanto, a aposta não se revelou bem-sucedida, tendo sido substituídos pelos locutores de serviço até então, como Gomes Ferreira, Fialho Gouveia, Manuel Caetano, entre outros.

Esta época foi marcada sobretudo, por cortes editoriais, em que, por um lado, era adotada uma estratégia de auto-censura nas notícias para não confrontar o regime do Estado Novo e, por outro lado, os censores estavam encarregados de controlarem a informação transmitida. Da mesma forma, mas menos recorrente, haviam problemas técnicos.

Uma das características que diferenciavam o Telejornal dos seus antecessores eram a realização de entrevistas, tanto em estúdio, como no exterior, e a possibilidade de inserir notícias de última hora, se bem que eram raras e só justificáveis em "casos especiais autorizados superiormente", comunicados através do telefone de serviço, posicionado na mesa do locutor.

Anos 60 Durante as décadas de 1960 e 1970, foi apresentado por José Fialho Gouveia, Gomes Ferreira, Henrique Mendes, Fernando Balsinha, Maria Elisa Domingues, Adriano Cerqueira, Carlos Blanco, Raul Durão, José Eduardo Moniz, Carlos Pinto Coelho, Isabel Wolmar e José Côrte-Real, muitos deles vindos das rádios Antena 1 e Antena 2.

Nesta época, várias notícias foram cobertas, como a visita do então Presidente dos Estados Unidos Dwight Eisenhower, em 1960. o assalto ao paquete Santa Maria, em 1961, a Guerra Colonial, a Revolta de Beja, de 1961 para 1962, o Concílio Vaticano II, os assassinatos de John F. Kennedy, em 1963, e de Humberto Delgado, em 1965, a Guerra dos Seis Dias, o Maio de 68, a queda de Salazar, e a chegada do homem à Lua, em 1969. A Guerra Colonial envolveu a mobilização de vários meios que cobriram os combates, mas cujas imagens mais violentas não eram exibidas. A Guerra dos Seis Dias envolveu a cobertura dos eventos a partir dos locais do conflito, via Eurovisão.

Durante o ano de 1961, começaram a ser emitidas rubricas fixas no final do Telejornal, onde se incluíam “Efeméride”, “Entrevista do Dia”, “Jornal da Mulher” (a cargo de Maria Emília Mota da Costa), “Reportagem”, “A Figura do Dia”, mas a prática viria a ser abandonada por falta de meios. Nesse mesmo ano, a 1 de novembro, surge o primeiro serviço de meteorologia, inicialmente apresentado pelo locutor do Telejornal, substituído no ano seguinte por técnicos do Serviço Meteorológico Nacional, atual Instituto Português do Mar e da Atmosfera, cujos mapas eram desenhados a giz, antes da exibição da primeira edição do Telejornal. Um dos mais famosos meteorologistas incluía Anthímio de Azevedo, que se juntou à equipa em 1964. miniaturadaimagem|Antena da RTP, no Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia. Em 1963, o Telejornal foi emitido, pela primeira vez, a partir dos estúdios do Monte da Virgem, e em 1964 Adriano Parreira tornou-se colaborar do Telejornal e o primeiro angolano a apresentar o noticiário.

Com o início das emissões da RTP2, a 25 de dezembro de 1968, o Telejornal começou a ser emitido em simultâneo ou em diferido, também, no segundo canal. Só com o surgimento do Informação 2, em 1978, é que o Telejornal deixou de ser emitido em simultâneo. No entanto, durante o mês de outubro de 1980, voltaria a ser emitido, em diferido, após a chegada de Daniel Proença de Carvalho e a suspensão do Informação 2.

No final da década, começaram a aparecer as primeiras mulheres a apresentarem o Telejornal, como Maria Fernanda, Isabel Wolmar e Manuela Paulino.

Primavera Marcelista A queda de Salazar e a subida ao poder de Marcello Caetano criam expetativa em relação ao relaxamento da censura. No entanto, esta continua, muito devido à intervenção direta do Presidente da RTP Ramiro Valadão nos alinhamentos (o que provocava conflitos com o diretor do Telejornal José Mensurado), e à emissão de notícias muitas vezes relacionadas com visitas oficiais do então Presidente da República Portuguesa Américo Tomás, para além da intervenção de membros do Governo, nomeadamente o secretário de Estado da Informação Moreira Baptista, que, por várias vezes, era responsável por comentar as notícias na abertura do Telejornal.

Os anos seguintes são caracterizados por notícias como: a morte de Salazar, os Jogos Olímpicos de Munique de 1972, e o golpe de estado do Chile de 1973.

No âmbito da estrutura do Telejornal, este é alargado ao período da tarde, com uma edição às 13h45, e foi criado um desdobramento intitulado Telejornal Regional do Norte, emitido antes da edição das 19h30 do Telejornal nacional, suspenso após o 25 de abril. Este espaço era apresentado, alternadamente, por Manuela de Melo e António Vidal, e Fátima Torres e José Melo. Para além disso, o filme começou a ser substituído gradualmente pelo vídeo para a exibição de notícias.

25 de abril e período revolucionário miniaturadaimagem|250x250px|Junta de Salvação Nacional, em direto do Telejornal, na madrugada do dia 26 de abril de 1974. No dia 25 de abril de 1974, foi emitido aquele que é considerado um dos mais importantes telejornais da história da televisão em Portugal, apresentado por Fernando Balsinha e Fialho Gouveia, que cobriu os acontecimentos da Revolução dos Cravos.

A emissão do Telejornal desse dia estava prevista ir para o ar às 13h45, durante o período da hora de almoço. No entanto, apenas às 18h41 é que a emissão vai para o ar, com Fernando Balsinha e Fialho Gouveia a lerem comunicados do Movimento das Forças Armadas. A programação normal continuou a ser emitida, apesar de ser interrompida sempre que oportuno durante as horas seguintes, atualizando a situação política do país e mostrando, pela primeira vez, as imagens do Movimento das Forças Armadas no Quartel do Carmo, e nos estúdios do Lumiar e do Monte da Virgem, para além das capas dos jornais nacionais e telegramas das agências internacionais, a cobrirem o acontecimento.

A emissão desse dia acabou por volta da 1h30 do dia 26, com a apresentação e proclamação da Junta de Salvação Nacional, feita por Fialho Gouveia.

Durante os meses seguintes, o Telejornal passou a ocupar um lugar privilegiado na programação, cobrindo eventos como o primeiro Primeiro de Maio em liberdade, e todo o ambiente revolucionário do ponto de vista da população, denunciando situações de pobreza e de degradação habitacional. Nessa altura, a duração é alargada, chegando a ter duas horas de emissão.

Desta forma, torna-se no principal espaço informativo da televisão, atualizando o país sobre os eventos como a renúncia de António de Spínola e o 11 de março de 1975. Foi, também, no Telejornal apresentado por António Santos, que foram emitidas as últimas imagens do chamado PREC, quando o capitão Duran Clemente, segundo-comandante da Escola Prática de Administração Militar, apareceu na antena da RTP1 para explicar a situação do controlo das antenas de emissão da RTP pelos comandos. As "questões técnicas" que presidiram à queda da emissão e a sua substituição pela exibição de um filme de Danny Kaye simbolizaram o fim da tensão política que culminou na crise de 25 de Novembro de 1975. Nos dois dias seguintes à crise, a RTP passou a transmitir através dos estúdios do Porto.

Período democrático As coberturas das eleições constituintes de 1975 e das eleições legislativas, presidenciais e autárquicas de 1976, testaram, com sucesso, as capacidades técnicas da RTP, mas também a necessidade de serem disponibilizados mais meios. Desta forma, foi inaugurado um novo estúdio no Lumiar, o estúdio 4.

A partir desta época, a figura dos locutores passou a ser substituído pelo pivot, ou seja, por jornalistas profissionais que redigiam as notícias. Nessa altura, começam a aparecer figuras como Henrique Garcia, Raul Durão, Maria Elisa Domingues, Carlos Pinto Coelho, José Eduardo Moniz, entre outros.

A 16 de outubro de 1978, com a reformulação da RTP2 (na altura chamado II Programa), a RTP1 sofreu uma reestruturação, alterando, o nome do Telejornal para Jornal RTP-1, tendo voltado para o seu nome original a 15 de outubro de 1979. miniaturadaimagem|A morte e o funeral de Francisco Sá Carneiro foram amplamente difundidas no Telejornal. Nos anos 80, o noticiário, apresentado inúmeras vezes por Lopes Araújo, Mário Crespo, Carlos Fino, Manuel Meneses e Dina Aguiar passa a transmitir coberturas históricas, como a morte e funeral de Sá Carneiro, em 1980, a entrada de Portugal a CEE, em 1985 o acidente ferroviário em Alcafache, o incêndio no Chiado em 1988, entre outros.

Em setembro de 1980, aquando da campanha eleitoral para as eleições legislativas, o então Presidente do Conselho de Administração da RTP, Daniel Proença de Carvalho, fez um despacho extraordinário, em que impede a RTP de fazer a cobertura eleitoral. Em resposta, os jornalistas da RTP entraram em greve durante dois dias, a primeira praticada por jornalistas da televisão, na qual, na RTP2, toda a redação aderiu à greve, o que conduziu à apresentação de duas das emissões da Informação/2, apresentadas em duração reduzida e sem peças por Henrique Garcia, como sendo o "telejornal dos jornalistas da RTP em greve pelo direito de informar". O despacho acabou por ser revogado, e a campanha eleitoral foi cobrida.

A 21 de março de 1983, o formato sofreu uma mudança, alargando o seu período de emissão para 1 hora (em comparação com os trinta minutos anteriores), com a introdução de comentadores especializados e a primeira meia hora do programa sendo constituída por noticiário regional, com ligações diretas aos estúdios da Madeira, Açores e Porto. A adesão de Portugal na CEE também motivou a emissão do primeiro Telejornal em direto do estrangeiro, nomeadamente de Estrasburgo, a 18 de junho de 1987.

As FP-25 de abril viriam a ser, em 1985, um dos principais meios de polémica do Telejornal, em que uma conferência de imprensa feita de forma clandestina e transmitida no Telejornal, levou o Ministério Público a levar a tribunal Manolo Bello, Carlos Fino e outros jornalistas por "apologia do terrorismo". Acabariam por ser absolvidos.

Em 30 de junho de 1986, a informação da RTP mudou-se para o Centro de Emissão, na Avenida 5 de Outubro, com mudanças no formato do Telejornal já tendo lugar meses antes: a reintrodução de dois apresentadores para notícias gerais, e um terceiro para notícias do desporto, bem como as edições de sábado passando a serem mais alargadas e contendo a revista da semana. Nesse mesmo ano, o Telejornal deixou de ser exibido diariamente, substituído pelas edições de fim de semana Jornal de Sábado e o Jornal de Domingo, que viriam a terminar em 1994.