A foi uma classe de navios couraçados operados pela Marinha Imperial Japonesa, composta pelo , e , este último convertido em um porta-aviões, mais outras duas embarcações planejadas mas nunca finalizadas. Suas construções começaram pouco antes da Segunda Guerra Mundial nos estaleiros do Arsenal Naval de Kure, Mitsubishi e Arsenal Naval de Yokosuka, tendo sido finalizados durante o conflito. A origem e projeto da classe foram moldados pelo expansionismo japonês do período entreguerras, que almejava um grande império no Oceano Pacífico e assim necessitava de uma frota capaz de mantê-lo. Suas construções foram possibilitadas pelo fato do Japão ter abandonado na década de 1930 tratados internacionais que restringiam a construção naval.
Os couraçados da Classe Yamato foram os mais pesados e mais poderosos de seu tipo já construídos na história. Eram armados com uma bateria principal composta por nove canhões de 460 milímetros, os maiores já instalados em um navio de guerra, montados em três torres de artilharia triplas, duas na proa e uma na popa. Eles tinham 263 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de quase 39 metros, um calado de mais de dez metros e um deslocamento carregado que chegava a 73 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por quatro turbinas a vapor alimentadas por doze caldeiras a óleo combustível, girando quatro hélices até uma velocidade máxima de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora). Seu cinturão de blindagem tinha 410 milímetros de espessura.
Devido às ameaças de submarinos e porta-aviões dos Estados Unidos, o Yamato e o Musashi passaram a maior parte de suas carreiras entre as bases navais de Brunei, Truk e Kure, partindo apenas em resposta a ataques contra bases japonesas. Ambos estiveram presentes na Batalha do Golfo de Leyte em outubro de 1944, com o Musashi sendo afundado por ataques aéreos na Batalha do Mar de Sibuyan. O Yamato, por sua vez, foi também afundado por ataques aéreos em abril de 1945 durante a Operação Ten-Go. O Shinano foi convertido em um porta-aviões durante sua construção depois da Batalha de Midway, com ele tendo sido torpedeado por um submarino dias depois de ter entrado em serviço. Os outros dois navios, Números 111 e 797, foram cancelados sem terem sido finalizados.
Antecedentes thumb|esquerda|240px|Assinatura do Tratado Naval de Washington em 6 de fevereiro de 1922, que limitou a construção naval Depois da Primeira Guerra Mundial, muitas das principais marinhas do mundo continuaram e expandiram seus programas de construção naval. Os enormes custos associados a esses programas pressionou seus governos a iniciarem conversas de desarmamento. Charles Evans Hughes, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, convidou em 8 de julho de 1921 delegações das principais potências marítimas da época – Estados Unidos, Reino Unido, Japão, França e Itália – a irem até Washington, D.C. discutir a possibilidade do fim da corrida armamentista naval. A subsequente Conferência Naval de Washington resultou no Tratado Naval de Washington que, dentre outras provisões, limitava todos os couraçados futuros a um deslocamento padrão máximo de 36 mil toneladas e armamentos que não fossem maiores que 406 milímetros. Também foi concordado que os cinco países não construíram novos navios capitais por dez anos e não substituiriam qualquer navio sobrevivente ao tratado até que tivesse pelo menos vinte anos de idade.
O governo do Japão iniciou uma guinada para o ultranacionalismo na década de 1930. Este movimento defendia a expansão do império japonês para incluir boa parte do Oceano Pacífico e do Sudeste Asiático. A manutenção de tal império, de mais de 4,8 mil quilômetros da China ao Atol Midway, necessitaria de um grande frota capaz de manter o controle desse território. Apesar de todos os couraçados japoneses terem sido construídos antes de 1921, devido ao Tratado Naval de Washington, todos foram reconstruídos e modernizados na década de 1930. Estas modernizações incluíram, dentre outras coisas, velocidade e poder de fogo adicionais, o que os japoneses tinham a intenção de usar para defender seu império. O Japão deixou a Sociedade das Nações em 1934 devido ao Incidente de Mukden, renunciando em seguida todas as suas obrigações com tratados internacionais. Isto liberou o país a construir navios de guerra maiores do que das outras potências marítimas.
A intenção do Japão de adquirir colônias ricas em recursos naturais provavelmente levaria a um confronto com os Estados Unidos, assim os norte-americanos se tornaram seu principal inimigo em potencial. Os Estados Unidos possuíam uma capacidade industrial muito superior a do Japão, detendo 32,2% de toda a produção industrial do mundo, enquanto o Japão tinha apenas 3,5%. Além disso, vários membros proeminentes do Congresso dos Estados Unidos tinham prometido "construir mais que o Japão três para um em uma corrida naval". Consequentemente, como os japoneses não poderiam competir com o poderio industrial norte-americano, seus projetistas desenvolveram planos para que novos couraçados fossem individualmente superiores a suas contrapartes da Marinha dos Estados Unidos. Cada uma dessas embarcações seria capaz de enfrentar vários navios capitais ao mesmo tempo, eliminando assim a necessidade de gastar o mesmo esforço industrial dos Estados Unidos na construção de couraçados.
Desenvolvimento Estudos preliminares para novos couraçados começaram logo depois do Japão abandonar a Sociedade das Nações e renunciar aos tratados navais de Washington e Londres. Vinte e quatro projetos iniciais foram apresentados entre 1934 e 1936. Essas planos iniciais variavam muito em armamento, propulsão, autonomia e blindagem. A bateria principal flutuou entre canhões de 410 e 460 milímetros, enquanto os armamentos secundários eram compostos por diferentes números de canhões de 155, 127 e 25 milímetros. A propulsão na maioria dos projetos era uma combinação híbrida de motores a diesel e turbinas a vapor, porém um planejava apenas diesel e outro apenas turbinas. A autonomia, a dezoito nós (33 quilômetros por hora), ficava em um baixo seis mil milhas náuticas (onze mil quilômetros) no projeto A-140-J2, até um máximo de 9,2 mil milhas náuticas (dezessete mil quilômetros) nos projetos A-140A e A-140-B2. A blindagem variava para proporcionar proteção contra disparos de 406 milímetros até proteção contra 460 milímetros.
Esses projetos foram avaliados e dois deles foram finalizados como possibilidades, A-140-F3 e A-140-F4. Eles diferiam principalmente em sua autonomia, 4,9 mil milhas náuticas (9,1 mil quilômetros) contra 7,2 mil (13,3 mil) a dezesseis nós (trinta quilômetros por hora), sendo usados na formação do estudo preliminar final, que foi terminado em 20 de julho de 1936. Modificações resultaram em um projeto definitivo em março de 1937, que foi apresentado pelo contra-almirante Keiji Fukuda. Foi decidido que a autonomia seria de de 7,2 mil milhas náuticas e o sistema de propulsão híbrido foi abandonado em favor de um com apenas turbinas. Os motores a diesel foram removidos por problemas no navio auxiliar Taigei. Os motores deste, que eram similares a aqueles que seriam instalados nos novos couraçados, necessitavam de um "grande esforço de conserto e manutenção" para mantê-los funcionando devido a um "defeito fundamental de projeto". Além disso, se os motores quebrassem totalmente, o convés blindado de duzentos milímetros que serviria de teto para a cidadela blindada e que protegeria os motores a diesel e outras salas de máquinas dificultaria qualquer tentativa de removê-los ou substituí-los.
O projeto final tinha um deslocamento padrão de 65 mil toneladas e um deslocamento totalmente carregado de mais de 71 mil toneladas, fazendo dos navios da classe os maiores couraçados já projetados e depois os maiores já construídos na história. O projeto tinha um armamento principal de nove canhões de 460 milímetros, cada uma pesando mais que um contratorpedeiro da década de 1930. O projeto foi rapidamente aprovado pelo alto comando da Marinha Imperial Japonesa, mesmo com objeções de aviadores navais, que argumentavam pela construção de porta-aviões em vez de couraçados. Cinco couraçados da Classe Yamato foram planejados.
Projeto Características thumb|260px|A configuração original do Musashi Os navios da Classe Yamato tinham 244 metros de comprimento entre perpendiculares, 263 metros de comprimento de fora a fora, boca de 38,9 metros e calado de 10,4 metros. Seus deslocamentos quando totalmente carregados com suprimentos de combate podia chegar a mais de 73 mil toneladas. Cada embarcação era equipada na convés da popa com duas catapultas capazes de lançar aeronaves, mais um guindaste de 6 toneladas para iça-las de volta a bordo. Os couraçados eram capazes de abrigar sete hidroaviões em seu hangar, três biplanos Mitsubishi F1M e quatro monoplanos Aichi E13A1.
Propulsão O sistema de propulsão da Classe Yamato consistia em doze caldeiras Kampon que alimentavam quatro turbinas a vapor, que giravam quatro hélices quádruplas que tinham seis metros de diâmetro. Esse conjunto inteiro era capaz de produzir um total de cavalos-vapor ( quilowatts) de potência, suficiente para que as embarcações alcançassem uma velocidade máxima de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora). Esta velocidade muito limitava a capacidade da Classe Yamato de operar junto com porta-aviões rápidos. Além disso, o consumo de combustível do Yamato e do Musashi era muito alto. Consequentemente, nenhum dos couraçados foi usado em combate na Campanha nas Ilhas Salomão ou nas batalhas menores em pequenas ilhas que ocorreram de 1943 e início de 1944. O sistema de propulsão do Shinano foi levemente melhorado, o que permitia que o navio chegasse a uma velocidade máxima de 28 nós (52 quilômetros por hora).
Armamento Principal thumb|esquerda|240px|A terceira torre de artilharia principal do Yamato ainda em construção A bateria principal dos couraçados da Classe Yamato consistia em nove canhões Tipo 94 calibre 45 de 460 milímetros, as maiores armas já instaladas em um navio de guerra na história, montadas em três torres de artilharia triplas, duas na proa, com a segunda sobreposta à primeira, e a terceira na popa. Essas armas, entretanto, foram oficialmente designadas como Tipo 94 calibre 45 de 400 milímetros. Cada canhão tinha 21,13 metros de comprimento e pesada 147,3 toneladas, enquanto a montagem completa das armas pesava toneladas. Os canhões disparavam projéteis perfurantes de quilogramas e projéteis explosivos de quilogramas a uma velocidade de saída de 780 a 805 metros por segundo e cadência de tiro de 1,5 a dois disparos por minuto. Eles podiam abaixar até cinco graus negativos e subir até 45 graus, o que lhes dava um alcance máximo de 42 quilômetros.
Os canhões também podiam disparar projéteis antiaéreos Comum Tipo 3 de quilogramas. Uma espoleta temporizada era usada para definir o quão longe eles explodiriam, porém comumente eram ajustados para estourar a um quilômetro. Ao serem detonados, cada um dos projéteis lançava novecentos tubos incendiários em um cone de vinte graus em direção da aeronave inimiga, enquanto uma carga de ruptura era usada para explodir o próprio projétil a fim de criar mais estilhaços, depois do qual os tubos eram acesos. Estes queimavam por cinco segundos a três mil graus Celsius e criavam uma chama de cinco metros de comprimento. Os projéteis Comum Tipo 3 consistiam em quarenta por cento do total de munição dos navios em 1944, porém raramente foram usados em combate pelo enorme dano que o disparo desses projéteis infligia ao canhão; inclusive, um desses projéteis talvez tenha explodido prematuramente e desabilitado um dos canhões do Musashi na Batalha do Mar de Sibuyan. A intenção desses projéteis era criar uma barragem de fogo que qualquer aeronave tentando atacar precisaria atravessar, porém pilotos norte-americanos consideravam esses projéteis mais um espetáculo pirotécnico do que uma arma eficiente.
Secundário