Viçosa é um município brasileiro do estado de Alagoas. Localizado a 86 quilômetros da capital Maceió. Foi fundado em 1790 por Manoel Francisco. Elevado à categoria de Vila em 13 de Outubro de 1831 e à categoria de cidade em 16 de Maio de 1892. Sua população atual é de habitantes.

Após a sua emancipação a cidade entrou em forte desenvolvimento sendo a maior economia do interior e a segunda maior cidade do estado. Nesse período o município viveu o seu auge econômico, com a cana-de-açúcar e o algodão, social, cultural e político.

Em terras viçosenses nasceram o menestrel Teotônio Vilela e seu irmão Cardeal Primaz do Brasil Dom Avelar. Graciliano Ramos viveu e inspirou-se o para escrever S. Bernardo. É de Viçosa o primeiro tradutor brasileiro do Manifesto Comunista, o militante Octávio Brandão. Viçosa criou poetas da estirpe de Manoel Neném e Zé do Cavaquinho, criou também a escola folclórica conhecida em todo o Brasil com Théo Brandão, José Aloísio Vilela, José Pimentel e José Maria de Melo. Em Viçosa, na Serra Dois Irmãos, tombou o líder guerreio Zumbi dos Palmares.

Apesar de ultimamente ter passado por dificuldades econômicas e sociais, o município ainda é um centro muito importante do Vale do Rio Paraíba do Meio. Possuindo o terceiro maior PIB, o segundo melhor IDH e sendo a segunda maior cidade.

História Pré-história O único estudo a respeito dos seres e vestígios pré-históricos em Viçosa partiu do historiador viçosense Alfredo Brandão que em 12 de julho de 1910 apresentou uma palestra no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL). O historiador relata ter ido a um lugar conhecido como “Chã dos Cacos”, nas proximidades do Sítio Cachoeira Grande, que era um local fértil e que as agriculturas praticadas naquela região encontravam muitos cacos em seu solo. No local o mesmo encontrou grandes vasos e cachimbos incomuns.

Em sua segunda investida, desta vez no Riacho Riachão, ele encontrou em algumas pedras graníticas, que estavam na beira do mesmo, desenhos elípticos que segundo o autor parecia mais uma forma de escrita primitiva. Além disso, foram encontrados machados de pedra polida para caça. Esses seres antigos talvez sejam ancestrais indígenas que ainda viviam no estágio paleolítico, embora algumas técnicas do Neolítico fossem praticadas.

Viçosa e a chegada dos Portugueses no Brasil (1500) 200px|esquerda|thumb|Serra Dois Irmãos, que, segundo Alfredo Brandão, foi o tal monte que os Portugueses avistaram em 1500. “Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz” (Trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha)

Baseado em Humboldt, Alfredo Brandão elaborou uma hipótese onde a Serra Dois Irmãos, localizada em terras viçosenses, seria o tal monte alto e redondo que os primeiros Portugueses a chegarem ao Brasil avistaram. A Serra Dois Irmãos tem aproximadamente 400 metros de altura e, coincidentemente ou não, uma forma arredondada e grandes arvoredos por toda a sua extensão.

Deixa-se claro que a hipótese de Alfredo Brandão nunca foi comprovada. Mas do alto da serra podem-se ver as mais distantes localidades, como a cidade de Capela que fica a aproximadamente 30 km de Viçosa e, afirmam algumas pessoas, até mesmo o Oceano Atlântico.

Civilizações indígenas (1500 - 1556) As terras que hoje constituem o município de Viçosa eram compostas, antes da chegada dos brancos e negros, por mata atlântica espessa de difícil acesso, o Rio Paraíba e seus afluentes – Riacho do Meio, Caçamba e Gurungumba.

Os habitantes da então região eram os cambembes – uma subtribo dos caetés. Esses índios viviam em constantes conflitos com os cariris e outras tribos tapuias das caatingas, e como Viçosa está no limite da zona da mata esses conflitos ocorriam principalmente em períodos de longa seca, uma vez que os índios das caatingas viam a Viçosa a procura de água e alimentos abundantes na região.

No dia 16 de junho de 1556, o primeiro bispo do Brasil – Pero Fernandes Sardinha – e seus companheiros naufragaram no litoral de Alagoas. Os caetés, por sua vez, habitantes da região, seguindo os seus costumes, devoraram toda a tripulação. O reino de Portugal, diante do desta situação, declarou os caetés como inimigos e estes deveriam ser exterminados, incluindo também os Cambembes. Quase todos foram mortos, os poucos que conseguiram sobreviver fugiram para as caatingas. Viçosa ficou praticamente desabitada.http://www.vicosadealagoas.com.br/jan_vicaosa_de_alagoas.htm#capitulol

Civilizações quilombolas (1556 - 1695) 200px|esquerda|thumb|O líder negro Zumbi dos Palmares, que foi morto em Viçosa Por apresentar um relevo muito acidentado e de difícil acesso, Viçosa foi escolhida pelos negros que fugiam dos engenhos das capitanias para abrigar parte do maior quilombo de todos, o de Palmares.

Ocorreram muitas investidas para tentar destruir Palmares, a começar pelos holandeses que em seu período de domínio ao nordeste brasileiro, enviaram expedições para estes fins. Uma destas expedições que saiam da atual cidade do Pilar foi registrada no dia 26 de fevereiro de 1645 pelo capitão holandês Blaer no Diário da expedição. Nele o capitão descrevia a geografia de Viçosa: seus rios, montanhas e matas, além dos fatos ocorridos, como a descoberta de mocambos abandonados e também alguns habitados, estes por sua vez foram destruídos.

“Esta cachoeira não é tão elevada quanto a do Parahiba que tem bem quatro vezes a sua altura; estivemos acima desta cachoeira do Parahiba, mas não junto a ella, neste lugar descansamos um pouco e enviamos um negro que trazíamos comnosco com alguns índios, a bater o matto, os quaes trouxeram-nos seis grandes porcos do matto e um pequeno, mortos a flexa, depois proseguimos na marcha e acampamos junto a margem sul do rio S. Miguel. A 14 depois de havermos subido por algum tempo esse rio, passamos para a margem norte e uma milha adiante galgamos um elevado monte, de bem meia milha de altura, de cima do qual subimos ainda um outro monte, porem não tão alto; caminhando quasi sempre com rumo norte ou nordeste cerca de uma milha alem chegamos a um rio arenoso e secco, cheio de penhascos; marchando mais duas milhas passamos perto do lado occidental de uma cachoeira, não muito íngreme, mas presentemente sem água, no rio que afflue para o Parahiba; no dito rio acampamos chuvendo durante a noite”.

As tentativas holandesas fracassaram. No ano de 1694, já sob o domínio português novamente, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi contratado pelo governo português para destruir Palmares. Em janeiro do mesmo ano numa investida contra Palmares foi capturado o quilombola Antônio Soares, este mediante a promessa de que seria libertado revelou o local onde o líder de Palmares estava escondido.

Localizado, Zumbi foi morto na Serra dois irmãos em Viçosa no dia 20 de novembro de 1695. Seu corpo foi levado para Recife, onde foi exposto para amedrontar os outros escravos. Sem uma liderança Palmares foi totalmente destruído, muitos negros voltaram a escravidão, outros fugiram, por fim alguns foram perdoados e passaram a habitar a região sob a vigilância dos brancos, esse último fato explica o surgimento de povoações com origem quilombola em Viçosa, como o Sabalangá, Mata Escura e Caçamba. Parte das terras de Viçosa foram doadas ao capitão André Furtado de Mendonça, que foi um dos cabos de Jorge Velho.

Caminhos de Viçosa (1695 - 1790) 200px|direita|thumb|Obra, de autor desconhecido, que retrata a missa que talvaz tenha dado origem a Viçosa.

Nos próximos anos, Viçosa serveria apenas como passagem para outras localidades ou simplesmente pontos de encontros. Desse fato surgiram duas lendas sobre a fundação de Viçosa.

A principal lenda sobre a povoação de Viçosa é que no ano de 1789 havia chovido fortemente e um sacerdote de Atalaia que todos os anos ia celebrar a missa do galo no povoado de passagem ao chegar á margem do riacho do meio, encontrou-o de tal maneira cheio que se viu impossibilitado de prosseguir viagem. Então o mesmo procurou um oiteiro mais próximo e ergueu uma cruz celebrando a missa ali. Essa cruz bem depressa atraiu romeiros, aos quais se devem as primeiras habitações, que provavelmente eram de madeira.

Outra lenda, pouco divulgada, é de que existia na margem do riacho gurungumba, no Sabalangá, um caçador chamado pelo nome de preto velho, e na margem do riacho Limoeiro existia outro caçador. Ambos companheiros de caça, eles marcavam como ponto de encontro o riacho que passa na parte central, mais ou menos a igual distância dos outros dois, o qual teve a denominação de Riacho do meio, nome esse que mais tarde se batizou o núcleo de povoamento que se fundou a sua margem.

Tempos de sítio (1790 - 1831) 200px|direita|thumb|Igreja de Nossa Senhora do Rosário, datada da metade do século XIX, onde antes existia a primeira capela de Viçosa No ano de 1790 o agricultor Manuel Francisco ( ? – 1839) da cidade de Marechal Deodoro – foi por determinação do Ouvidor da comarca José de Mendonça de Mattos Moreira, estabelecer residência no sítio Riacho do Meio com o fim de experimentar ali a cultura do algodão.

Esse Manuel Francisco, que talvez fosse um dos romeiros da cruz, derrubou as grandes matas, fez um roçado, nas proximidades da atual praça Apolinário Rebelo, e logo depois construiu uma capela de madeira onde se encontra hoje a Igreja de nossa senhora do rosário. Do lado esquerdo da capela começaram a se alinhar as primeiras casas que também eram de madeira.

Homem trabalhador, o fundador de Viçosa estendeu os roçados para além da montanha do alto do cento e vinte. Esquecido pelo tempo, Manuel Francisco morreu em 1839 na fazenda mata escura, em extrema pobreza, relatou o octagenário João Teodoro.

Desbravadas as matas e espalhado a notícia de que as terras eram férteis, começaram a chegar moradores de todas as regiões, dentre eles portugueses de Marechal Deodoro e Santa Luzia do Norte, negros quilombolas e índios Cambembes, que após a guerra aos caetés, foram pouco a pouco voltando a Viçosa, mas tarde esses índios junto de outros índios mansos, formariam a classe proletária que trabalhava nos engenhos e roçados de Viçosa.

Tempos de vila (1831 - 1892) 250px|direita|thumb|Centro de Viçosa em meados de 1920, foi dai que o núcleo urbano se desenvolveu O desenvolvimento do sítio era notável, principalmente devido à terra boa que de tudo dava. A pequena povoação, que antes se limitava as atuais Praça Apolinário Rebelo e a Rua do Centenário, já havia crescido rumo ao norte da cidade e ao oeste acompanhando as margens do rio Paraíba. Era necessário tornar-se independente politicamente, fato que ocorreu no dia 13 de outubro de 1831, quando a povoação do Riacho do Meio foi elevada à categoria de vila, desligando-se politicamente de Atalaia. Devido ao costume dos moradores de se reunir nas portas das casas para conversar sobre as plantações e assuntos ligados a província, a povoação do Riacho do Meio passou a se chamar Vila de Assembleia.