Linhares é um município brasileiro no litoral norte do estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se a norte da capital estadual, distando desta cerca de . Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana. Sua população foi estimada em habitantes em 2025, sendo então o sexto mais populoso do estado e o segundo mais habitado fora da Região Metropolitana da Grande Vitória. A cidade está situada na margem do rio Doce, a montante da foz do manancial no oceano Atlântico, onde se encontra a Vila de Regência.

A cidade foi fundada em 1800, quando foi instalado um quartel militar a fim de dificultar o contrabando de ouro pelo rio Doce. Passou por um período de estagnação econômica que se iniciou no fim do , porém teve um crescimento considerável a partir da década de 1940, com a ascensão do cultivo de cacau e a construção da BR-101. Esses fatos favoreceram o desenvolvimento de atividades econômicas variadas, com destaque à agropecuária e indústria. Com um litoral de cerca de , mais de 70 lagoas e áreas de preservação abertas à visitação, Linhares figura ainda como um importante destino turístico.

História Fundação A região do atual município de Linhares foi habitada no passado por povos botocudos, que resistiam a tentativas de ocupação no início do Brasil Colônia. Durante uma expedição enviada pela Coroa Portuguesa para reconhecimento da costa do Brasil, André Gonçalves descreveu a existência do rio Doce por colonizadores pela primeira vez em 13 de dezembro de 1501. No entanto, os nativos impediam qualquer entrada na área, que ainda permaneceu coberta pelo domínio da Mata Atlântica nativa por mais alguns séculos. Além disso, a coroa proibiu a construção de estradas e o povoamento nessa área, a fim de dificultar o tráfico de ouro pelo rio Doce até o litoral.

Com a escassez de ouro em Minas Gerais, a exploração foi liberada no . Nesse contexto, em 1800, foi fundado o Quartel Militar de Coutins na área da atual cidade, com a intenção de reprimir o contrabando de ouro pelo rio Doce. A denominação fazia referência ao ministro Ultramarino de Portugal, Rodrigo de Sousa Coutinho. Nesse local surgiu o primeiro povoamento de forasteiros, porém foi destruído por ataques de nativos. Em 1809, foi instalado um novo povoamento no mesmo lugar, que recebeu o nome de "Linhares" em homenagem ao título de Conde de Linhares de Rodrigo Coutinho e era protegido por dois quartéis. Em 26 de agosto de 1816, a localidade foi reconhecida como freguesia.

Da emancipação à estagnação thumb|esquerda|Vila de Linhares desenhada pelo imperador Dom Pedro II em 1860 O povoamento se estabeleceu em um traçado regular originado ao redor de uma praça quadrada, onde hoje se encontra a Praça 22 de Agosto. A pedido de Francisco Alberto Rubim foi construída a primeira igreja. A localidade foi reconhecida como vila em 2 de abril de 1833, adquirindo emancipação e autonomia política e administrativa, sob dedicação a Nossa Senhora da Conceição. Com isso, em 22 de agosto do mesmo ano, houve a primeira sessão da Câmara de Vereadores, que era a responsável pela administração dos municípios naquela época. Assim, comemora-se o aniversário de Linhares em 22 de agosto, embora a idade comece a contar de 1800, ano da fundação do primeiro povoado.

No , o município chegou a abranger a área de grande parte do norte e noroeste do Espírito Santo, até a divisa com Minas Gerais. Todavia, entre o fim do e começo do , Colatina, então parte de Linhares, passou por um período de crescimento devido à ascensão da cafeicultura e à construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Em face do desenvolvimento daquela localidade, a sede do município de Linhares foi alterada para a cidade do interior em 22 de novembro de 1907. Além disso, em 30 de dezembro de 1921, foi criado o município de Colatina, enquanto que Linhares passou a figurar como um distrito subordinado a Colatina.

Consolidação thumb|esquerda|Ruínas da Ponte Getúlio Vargas sobre o rio Doce em Linhares em 2018 Linhares passava por um período de pouco desenvolvimento quando passou a se subordinar a Colatina. Contudo, uma estrada ligando Linhares a Vitória (atual BR-101), construída na década de 1930, tornou a favorecer o crescimento. Assim, o município foi novamente emancipado diante do decreto-lei estadual n.º 15.177 de 31 de dezembro de 1943. A área municipal ainda passou por modificações territoriais, com sucessivas criações de distritos e o desmembramento de Rio Bananal na década de 70 e de Sooretama na década de 90.

Outro fator que contribuiu com a ascensão da cidade, entre as décadas de 1920 e 40, foi a efervescência do cultivo do cacau, que se juntou à extração de madeira como importante atividade econômica naquela época. Aliado a isso, houve a construção da Ponte Getúlio Vargas, inaugurada pelo presidente Getúlio Vargas em 22 de junho de 1954, consolidando o acesso ao município, que passou a se situar em meio a um eixo de ligação entre o sul e o norte do Espírito Santo.

Em 1995, foi inaugurada a nova ponte da BR-101 sobre o rio Doce, substituindo a Ponte Getúlio Vargas, que já não atendia à demanda do fluxo e começou a desabar em 2009, quando ainda era liberada para pedestres. A diversidade de recursos naturais, como as águas e o solo fértil, favoreceu o desenvolvimento da agropecuária e da indústria em Linhares, associados também aos avanços tecnológicos. Dentro da agricultura, além do cacau, consolidaram-se ainda o café e a fruticultura.

Em novembro de 2015, o município foi um dos afetados pelos impactos do rompimento de barragem ocorrido em Mariana, Minas Gerais. A lama da barragem de rejeitos da Samarco chegou ao rio Doce, comprometendo o fornecimento de água em várias cidades que dependem do curso para o suprimento. A qualidade da água do rio ficou comprometida pelos anos seguintes, prejudicando comunidades ribeirinhas e pescadores que dependiam do manancial para a atividade, sobretudo em Regência Augusta, na foz do rio Doce.

Geografia O município de Linhares está localizado no litoral do norte capixaba, possuindo uma costa de cerca de . Limita-se com São Mateus, Jaguaré (a norte), Sooretama, Rio Bananal, Governador Lindenberg (a noroeste), Marilândia, Colatina, João Neiva (a oeste), Aracruz (a sul) e com o oceano Atlântico (a leste). De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de São Mateus e Imediata de Linhares. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Linhares, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Litoral Norte Espírito-Santense.

Relevo e meio ambiente thumb|esquerda|Interior da Reserva Natural de Linhares A superfície sob o atual município de Linhares foi formada pelo aterramento do mar, que foi favorecido pelo deslocamento de sedimentos pelo rio Doce ao longo do Pleistoceno e do Holoceno. O relevo é predominantemente plano, sobretudo nas áreas próximas ao litoral, tornando-se mais acidentado somente a oeste, na região da divisa com Colatina. Além disso, a norte são comuns os pontões rochosos. A altitude da sede municipal é de 28 metros acima do nível do mar, enquanto que a máxima chega aos 800 metros em São Rafael.

O bioma original predominante é a Mata Atlântica, com presença significativa de restingas litorâneas. A área municipal abrange áreas de preservação relevantes, como a Reserva Natural de Linhares (ou Reserva Natural da Vale), Floresta Nacional de Goytacazes, Unidade Municipal de Conservação de Degredo, Reserva Biológica de Comboios e Reserva Biológica de Sooretama. Em Linhares também há existência das bases da Fundação Projeto Tamar, com o litoral sendo monitorado por ser área de reprodução de tartaruga-marinhas.

Hidrografia

thumb|direita|Vista parcial da Lagoa Juparanã em Linhares thumb|direita|Vista da Lagoa Nova Linhares se encontra na bacia do rio Doce, sendo onde está localizada a foz do rio Doce no oceano Atlântico, a norte da Vila de Regência. O encontro do rio com o mar forma um estuário que chega a entre 20 e de extensão. O rio Doce é ainda o manancial mais expressivo do município e banha a zona urbana da cidade antes de chegar ao oceano. Além do Doce, o território municipal é banhado por diversos cursos hídricos, sendo alguns dos mais expressivos os rios Barra Seca, Ipiranga, do Norte, Pequeno, Quartel e São José.

O município possui pelo menos 75 lagoas identificadas pelo IBGE em 2020, que constituem um dos maiores sistemas lacustres do Sudeste do Brasil. Essa quantidade também faz de Linhares o município do Espírito Santo com a maior quantidade desse tipo de corpo hídrico. A Lagoa Juparanã, situada entre Linhares, Rio Bananal e Sooretama, é uma das maiores lagoas do Brasil em volume de água doce. Já a Lagoa Palmas está entre as mais profundas do país, atingindo os 50 metros de profundidade, segundo um estudo divulgado pela UFES em 2014.

Clima O clima linharense é diretamente influenciado pela circulação de ventos e pela umidade trazidas do oceano e pela baixa altitude, sendo caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente úmido (tipo Aw segundo Köppen). O verão é úmido e quente e o inverno apresenta diminuição das chuvas e temperaturas amenas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , enquanto que o mês mais frio, julho, possui média de . Outono e primavera são estações de transição, embora condições de umidade relativa elevada prevaleçam na maior parte do ano.

O índice pluviométrico anual é de aproximadamente , sendo agosto o mês mais seco e novembro o mais chuvoso, com chuvas concentradas entre a segunda metade da primavera e o verão. No entanto, a umidade do mar pode favorecer condições de chuva em qualquer época do ano. As precipitações caem principalmente sob a forma de chuva e, esporadicamente, de granizo. Podem ainda vir acompanhadas de descargas elétricas e fortes rajadas de vento.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1970 a menor temperatura registrada em Linhares ocorreu nos dias 1º de junho de 1979 e 11 de agosto de 1997, ambos com mínima de , enquanto a maior atingiu em 25 de fevereiro de 2006. O maior acumulado de precipitação em 24 horas alcançou milímetros (mm) em 20 de novembro de 2001. Desde outubro de 2006, a rajada de vento mais forte alcançou () em 11 de fevereiro de 2020 e o menor índice de umidade relativa do ar (URA) foi de 9%, na tarde de 18 de maio de 2022.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, habitantes viviam na zona urbana (88,62% do total) e na zona rural (11,38%). Segundo o IBGE, Linhares é considerada um centro sub-regional na hierarquia urbana brasileira, ao exercer influência regional com relação à gestão e disponibilidade de serviços e na gestão do território que abrange municípios de todo o norte do Espírito Santo.

Da população total em 2022, habitantes (21,26%) tinham menos de 15 anos de idade, (15,36%) tinham de 15 a 24 anos, (24,82%) tinham de 25 a 39 anos, (29,73%) tinham de 40 a 64 anos e (8,84%) possuíam 65 anos ou mais. Também em 2022, a população era composta por pardos (56,44%), brancos (31,28%), negros (11,83%), 602 indígenas (0,36%) e 133 amarelos (0,08%). Havia ainda 445 pessoas quilombolas.

Quanto aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por católicos (50,79% do total), evangélicos (32,63%), pessoas sem religião (12,45%), 494 espíritas (0,35%), 434 da umbanda e candomblé (0,3%), 299 das tradições indígenas (0,21%) e 3,27% estão divididos entre outras religiões. Segundo divisão feita pela Igreja Católica, o município pertence à Diocese de Colatina e a padroeira municipal é Nossa Senhora da Conceição.

Política thumb|direita|Antiga Casa da Câmara Municipal