Bilbau (; ) é um município e cidade da comunidade autónoma do País Basco, Espanha, capital da província e território histórico da Biscaia. O município tem de área e em tinha habitantes (). A conurbação onde se insere, a área metropolitana de Bilbau, que se estende ao longo da ria de Bilbau e do rio Nervión, tinha habitantes em 2009, ou seja, pouco menos que 80% de toda a população da Biscaia e quase metade do País Basco espanhol.

O principal núcleo urbano de Bilbau é rodeado por duas cadeias montanhosas cuja altitude média não ultrapassa os 400 m e que em parte marcam os limites naturais do município. Os principais municípios limítrofes são Sondica, Basauri, Zamudio e Baracaldo. Desde a sua fundação no início de , foi um centro comercial de particular importância na região costeira cantábrica, devido à sua atividade portuária, baseada sobretudo na exportação de lã de Castela e, em menor escala, do ferro extraído das minas a céu aberto biscainhas. Ao longo do e início do assistiu a uma forte industrialização, nomeadamente com o início da exploração metalúrgica em 1841, que a transformou na região mais industrializada de Espanha a seguir a Barcelona e lhe granjeou o epíteto de "Cidade do Ferro". O desenvolvimento industrial foi acompanhado de uma extraordinária explosão demográfica e urbanística que originou a anexação de vários municípios circundantes. A cidade tem vindo a perder o seu carácter marcadamente industrial para se tornar uma cidade de serviços, que se encontra num processo de revitalização estética, social e económica, cujo símbolo se pode considerar o Museu Guggenheim Bilbao, um edifício vanguardista da autoria de Frank Gehry, que se tornou o ex libris da cidade.

Em 2010 Bilbau recebeu o prémio Lee Kuan Yew World City Prize (Prémio Mundial das Cidades), concedido pelo estado de Singapura, que premeia a qualidade do urbanismo.

Toponímia, gentílico e símbolos

Toponímia O nome oficial da cidade é Bilbao, tanto em castelhano como em euskera (), não obstante a recomendação da Real Academia da Língua Basca para que o topónimo oficial em basco fosse Bilbo.

Há várias versões para a origem do nome da cidade. Para alguns historiadores, ele resulta do costume basco denominar os lugares segundo a sua localização, pelo que Bilbao resultaria da união das palavras bascas "rio" e "enseada": Bil-Ibaia-Bao.. Para outros, a origem é o termo bello vado (vado é o lugar de um rio com fundo firme, plano e pouco profundo, que pode ser atravessado a pé ou com um veículo). Outra hipótese é o nome derivar das povoações que existiam em ambas as margens da ria, mais do que da ria em si — a primeira povoação, situada onde é atualmente o "Casco Velho", a parte mais antiga da cidade, chamar-se-ia Billa (pilha em basco), uma referência à sua forma de pilha ou montão; a segunda povoação localizava-se onde é hoje o bairro de Bilbao La Vieja (Bilbo Zaharra) e chamava-se Vaho (vapor ou inalação). O nome Bilbao seria então o resultado da união dos dois nomes, que antigamente também se escreveu Bilvao e Biluao.

Gentílico O gentílico é bilbaíno/bilbaína, embora seja frequente a pronúncia sem o i acentuado ("bilbáino"). Em basco é bilbotarra, que por vezes também é usado em castelhano. A cidade é conhecida afetuosamente pelos seus habitantes como "el bocho", isto é, "o buraco", por estar rodeado de montanhas, de que resulta outro gentílico: bochero. Outra alcunha dos bilbaínos é "chimbos" ou "chimberos", proveniente de pássaros que se caçavam em grandes quantidades na região durante o .

Símbolos Os títulos, a bandeira e o brasão são os símbolos tradicionais e fazem parte do património histórico, sendo empregues, como é usual noutras cidades, em atos protocolares, para a identificação e adorno de lugares específicos ou para a validação de documentos.

Bilbau ostenta a categoria histórica de villa, com os títulos de Muy Noble y Muy Leal e Invicta.

O brasão ostenta figuras alusivas à zona da igreja de Santo Antão e ao rio Nervión. Os dois lobos constituem um emblema derivado das armas da Casa de Haro, fundadora da cidade. Desde o que é costume representar o escudo com forma ovalada. Os elementos do brasão do município figuram igualmente em emblemas populares da cidade, como o clube de futebol, o Athletic Club e também são usados nas armas da cidade chilena de Constitución, fundada no final do com o nome de Novo Bilbau.

A bandeira de Bilbau é branca, com um dos canto superiores vermelho, numa proporção de três partes de comprimento por dois de largura. As cores branca e vermelha são as cores históricas da cidade. A bandeira atual deriva da antiga insígnia naval para a povoação. Desde pelo menos 1511 que o branco e o vermelho fizeram parte do estandarte do . A íntima relação entre as duas entidades fez com que a bandeira do Consulado fosse assimilada pela população como bandeira da cidade, o que foi oficializado em 1845 pelo ayuntamiento (governo municipal).

História Antecedentes Nos montes Avril e Archanda foram descobertos restos de enterros funerários com cerca de . No cimo do monte Malmasín foram encontrados restos de um antigo assentamento que datam do ou Alguns autores identificam Bilbau como Amanun Portus, citado por Plínio ou como Flaviobriga, mencionada por Ptolomeu. Existem ainda ruínas de muralhas, descobertas por baixo da igreja de San Antón, que datam do ou

thumb|upright|D. Diego López V de Haro, Senhor da Biscaia, fundador da vila de Bilbau em 1300

Idade Média Bilbau foi uma das primeiras vilas biscainhas que nasceram do grande impulso ocorrido no , durante o qual foram fundadas 70% das vilas da Biscaia, entre elas Portugalete (1323), Ondárroa (1327), Lequeitio (1335), Munguía e Larrabezúa (1376). D. Diego López V de Haro, Senhor da Biscaia, fundou a vila de Bilbau mediante uma carta fundacional (Carta Puebla) assinada em Valladolid a 14 de junho de 1300 e confirmada pelo rei em 4 de janeiro de 1301 em Burgos. O Senhor da Biscaia estabeleceu a nova vila na margem direita do rio Nervión, em terrenos da anteiglesia (em basco: elizate) de Begoña e outorgou-lhe o foral de Logroño, um conjunto de direitos e privilégios que posteriormente seriam fundamentais para o desenvolvimento da localidade.

Em 1310 seria emitida uma nova carta fundacional, por , sobrinha de Don Diego e nova senhora da Biscaia. Nesta segunda carta estabeleceu-se que o caminho de Orduña a Bermeo, o mais importante do senhorio por ser por ele que transitavam os mercadores, passasse a partir daí por Bilbau em vez de Echévarri. Isto fortaleceu o poderio comercial da vila, que se tornou a principal localidade da Biscaia, superando Bermeo. Em 1443 foi consagrada a Igreja de Santo Antão, um dos edifícios mais antigos da cidade, que anteriormente era um alcácer (castelo). A 5 de setembro de 1483, a rainha visitou a vila para jurar pessoalmente os foros. O seu marido tinha jurado os de Guernica em 1476.

Idade Moderna A 21 de junho de 1511, a rainha Joana de Castela aprovou as ordenanças para a constituição do ", Casa de Contratação e Julgamento dos homens de negócios de mar e terra". Esta será a instituição mais influente da vila durante vários séculos e exercerá a jurisdição sobre a ria, bem como sobre as obras de manutenção e melhoramento, além de muitos outros aspetos relativos ao comércio. Graças ao Consulado, o porto de Bilbau tornou-se um dos principais de Espanha. Esse progresso trouxe consigo a primeira imprensa à vila, em 1577. Foi em Bilbau que, em 1596, foi impresso o primeiro livro em basco, intitulado "Doutrina Cristã em Romance e Basco pelo Doutor Betolaza".

thumb|left|Imagem da cidade realizada pelo belga Frans Hogenberg em 1554, publicada no segundo tomo do atlas Civitates orbis terrarum em 1576 e onde se reconhecem muitas características de Bilbau, como a ponte e a igreja de Santo Antão, a Plaza Vieja e a Catedral de Santiago

Em 1602 a vila foi nomeada capital da Biscaia, título até então atribuído a Bermeo. No entanto, a efetivação do estatuto de capital só aconteceria em 1631, quando se chega a um acordo entre o Senhorio e as vilas da região. Não foi fácil chegar a esse acordo, que só foi possível devido ao tesouro municipal ter chegado a uma situação de autêntica penúria devido a uma quantidade interminável de litígios entre as anteiglesias e as vilas. Essa situação de ruína desembocou num aumento dos impostos sobre o peixe, a cera e outras mercadorias. No mesmo período, a Coroa modificou os seus impostos sobre o sal, o que originou uma revolta popular que ficou conhecida como a «machinada del Estanco de la sal», que acabou com a execução de vários dos seus cabecilhas. No final do século terminou a crise económica que afetava Espanha, graças à marginalização dos estrangeiros do comércio da lã em favor dos locais, à exploração das minas de ferro e ao comércio, principalmente com Inglaterra, Flandres e Países Baixos.

No século XVIII existiam dois setores que acumulavam grande parte do poder local: os proprietários rurais e os mercadores. Os interesses opostos de ambos derivaram muitas vezes em conflitos, como ficou evidente com a transferência das aduanas em 1718. Até essa data, as aduanas encontravam-se nas vilas de Balmaseda e Orduña, um facto que favorecia o contrabando, especialmente de tabaco, além de isentar os comerciantes da cidade de pagar direitos pelas barras de ferro que exportavam. Os proprietários rurais reclamaram à Coroa, que estabeleceu as aduanas na costa. No entanto, essa transferência significou o encarecimento de muitos produtos para os pescadores e camponeses biscainhos e de outras aldeias, os quais iniciaram um motim que ameaçou incendiar a vila, e que foi violentamente reprimido em 1719, mas logrou que as aduanas voltassem ao interior em 1722. Os proprietários rurais tentaram prejudicar os comerciantes mais duas vezes, quando propuseram a criação dum porto rival em Mundaca em 1792 (que não chegou a concretizar-se devido à Guerra do Rossilhão), e outro em Abando, em 1804. Esta última tentativa originou a chamada "Zamacolada".

Idade Contemporânea thumb|upright|Gravura de Bilbau do , onde é representado parte do Casco Viejo, com a zona onde atualmente se situa o Mercado da Ribeira em primeiro plano

thumb|upright|Gravura de 1879 representando a fuga de mulheres bilbaínas de Guetaria durante o Cerco de Bilbau pelas tropas carlistas

Invasão napoleónica, guerras carlistas e desenvolvimento industrial No início da Guerra da Independência, (Guerra Peninsular; 1808 e 1813), os franceses, que entraram em Espanha pretensamente como aliados do governo espanhol, ocuparam astutamente diversas localidades bascas, mas não Bilbau, onde a população se tornou um foco de resistência. Apesar disso, só a 6 de agosto de 1808 estalou uma sublevação aberta contra Napoleão Bonaparte, menos de um mês depois da Batalha de Bailén. No dia 16 os franceses comandados pelo general Merlin tomaram Bilbau depois de duros combates e saquearam a vila, juntamente com os municípios vizinhos de Deusto e Begoña. A cidade mudou várias vezes de mãos durante 1808, mas a partir de novembro permaneceu ocupada por uma numerosa guarnição comandada pelo general Jean-Jacques Avril. Poucos meses depois este caiu em desgraça perante Napoleão devido a falsas acusações e foi substituído pelo coronel Bord, um oficial eficiente e pouco sanguinário. A partir de fevereiro de 1810, Bord ficou às ordens do general Pierre Thouvenot, barão do Império, que de governador de Guipúscoa ascendeu a governador-geral toda a "Vizcaya" (as três províncias bascas) com a intenção de preparar a anexação total pela França.