O Oxford English Dictionary (OED) é o principal dicionário histórico da língua inglesa, publicado pela Oxford University Press (OUP), editora da Universidade de Oxford. O dicionário começou a ser publicado em 1884 e acompanha o desenvolvimento histórico do inglês, oferecendo um recurso abrangente para pesquisadores e mantendo descrições do uso da língua em suas variantes pelo mundo.
O trabalho no dicionário começou em 1857, embora sua publicação só tenha começado em 1884. A obra passou então a sair aos poucos, em fascículos não encadernados, enquanto outras partes do projeto continuavam a ser preparadas. O título original era A New English Dictionary on Historical Principles; Founded Mainly on the Materials Collected by The Philological Society. Em 1895, o nome The Oxford English Dictionary foi usado informalmente pela primeira vez nas capas da série. Em 1928, o dicionário completo foi republicado em dez volumes encadernados.
Em 1933, o título The Oxford English Dictionary substituiu por completo o nome anterior, numa reimpressão em doze volumes acompanhada de um suplemento em volume único. Outros suplementos saíram nas décadas seguintes. A segunda edição, publicada em 1989, reuniu 21.728 páginas em vinte volumes. Desde 2000, trabalha-se na elaboração de uma terceira edição. Cerca de metade dela estava pronta em 2018.
A primeira versão eletrônica do dicionário tornou-se disponível em 1988, e a versão pela internet existe desde 2000. Em abril de 2014, recebia mais de dois milhões de visitas por mês. A terceira edição deverá existir exclusivamente em formato eletrônico. O diretor executivo da OUP afirmou que é improvável que ela venha a ser impressa.
Natureza histórica
Como dicionário histórico, o Oxford English Dictionary organiza suas entradas de modo que o sentido registrado mais antigo de uma palavra, ainda em uso ou já obsoleto, venha primeiro. Os demais sentidos aparecem em ordem histórica, tomando como referência a data mais antiga em que se conseguiu documentar cada uso. Depois de cada definição aparecem breves citações ilustrativas em ordem cronológica. Para sentidos obsoletos, elas vão do registro mais antigo conhecido até o último uso encontrado, permitindo acompanhar por quanto tempo aquele sentido permaneceu em circulação e desde quando caiu em desuso. Para sentidos ainda usados, chegam a exemplos relativamente recentes.
O formato das entradas do OED exerceu efeito sobre muitos outros projetos de lexicografia histórica. Precursores do OED, entre eles os primeiros volumes do Deutsches Wörterbuch, traziam inicialmente poucas citações, retiradas de um conjunto limitado de fontes. Os editores do OED preferiram grupos maiores de citações curtas, escolhidas entre muitos autores e publicações. Essa prática foi adotada em volumes posteriores daquela obra e em outros trabalhos lexicográficos.
Entradas e dimensão relativa
miniaturadaimagem|direita|Diagrama dos tipos de vocabulário inglês incluídos no OED, elaborado por James Murray, seu primeiro editor
Em janeiro de 2026, o Oxford English Dictionary continha 520.779 entradas, 888.251 significados, 3.927.862 citações e 821.712 entradas no tesauro. A edição impressa completa mais recente, a segunda edição de 1989, saiu em vinte volumes, com 291.500 entradas distribuídas por 21.730 páginas. A entrada mais longa do OED2 era a do verbo set, que exigia 60.000 palavras para explicar cerca de 580 sentidos. Desses, 430 pertenciam ao verbo isolado e os demais a verbos frasais e expressões idiomáticas. Quando as entradas começaram a ser revistas para o OED3, em sequência a partir da letra M, esse recorde foi quebrado sucessivamente por make, em 2000, put, em 2007, e run, em 2011, este último com 645 sentidos.
Apesar do tamanho, o OED não é o maior dicionário do mundo nem o primeiro dicionário exaustivo dedicado a uma língua. Outro grande dicionário anterior é o Deutsches Wörterbuch, dos irmãos Grimm, em 33 volumes, iniciado em 1838 e concluído em 1961. A primeira edição do Vocabolario degli Accademici della Crusca, publicada em 1612, foi o primeiro grande dicionário dedicado a uma língua europeia moderna, o italiano. A primeira edição do Dictionnaire de l'Académie française data de 1694. O dicionário oficial do espanhol é o Diccionario de la lengua española, produzido, editado e publicado pela Real Academia Espanhola, cuja primeira edição saiu em 1780. O chinês Kangxi Dictionary foi publicado em 1716. Acredita-se que o maior dicionário por número de páginas seja o neerlandês Woordenboek der Nederlandsche Taal. Por número de definições, o dicionário eletrônico Wikcionário tinha a maior quantidade em janeiro de 2026, com 1.680.897 definições em inglês e 11.361.634 definições no total entre todas as línguas.
História
Publicações do Oxford English Dictionary Data de publicação Faixa de letras Título Volume 1888 A e B A New ED Vol. 1 1893 C NED Vol. 2 1897 D e E NED Vol. 3 1900 F e G NED Vol. 4 1901 H a K NED Vol. 5 1908 L a N NED Vol. 6 1909 O e P NED Vol. 7 1914 Q a Sh NED Vol. 8 1919 Si a St NED Vol. 9/1 1919 Su a Th NED Vol. 9/2 1926 Ti a U NED Vol. 10/1 1928 V a Z NED Vol. 10/2 1928 Todas NED 10 vols. 1933 Todas NED Supl. 1933 Todas Oxford ED 13 vols. 1972 A a G Supl. do OED Vol. 1 1976 H a N Supl. do OED Vol. 2 1982 O a Sa Supl. do OED Vol. 3 1986 Se a Z Supl. do OED Vol. 4 1989 Todas OED, 2.ª ed. 20 vols. 1993 Todas OED Add. Ser. Vols. 1–2 1997 Todas OED Add. Ser. Vol. 3
Origens
O dicionário nasceu como projeto da Philological Society, conduzido por um pequeno grupo de intelectuais em Londres e, de início, sem qualquer relação com a Universidade de Oxford. Richard Chenevix Trench, Herbert Coleridge e Frederick Furnivall estavam insatisfeitos com os dicionários ingleses disponíveis. A sociedade manifestava interesse em elaborar um novo dicionário desde 1844, mas só em junho de 1857 começou o trabalho efetivo, com a criação de um "Comitê de Palavras Não Registradas" para procurar palavras ausentes ou mal definidas nos dicionários existentes. Em novembro, o relatório de Trench não apresentou uma lista dessas palavras. Em seu lugar veio o estudo On Some Deficiencies in our English Dictionaries, que apontava sete problemas nos dicionários da época:
cobertura incompleta de palavras obsoletas; tratamento irregular de famílias de palavras relacionadas; datas incorretas para os registros mais antigos das palavras; omissão frequente da evolução dos sentidos que haviam caído em desuso; distinção insuficiente entre sinônimos; pouco uso de boas citações ilustrativas; espaço desperdiçado com conteúdo inadequado ou redundante.
A sociedade percebeu que a quantidade de palavras ausentes seria muito maior do que o número inicialmente imaginado a partir dos dicionários ingleses do século XIX. A proposta deixou então de se limitar a palavras não registradas e passou a abranger um projeto de muito maior alcance. Trench propôs um dicionário novo e verdadeiramente completo. Em 7 de janeiro de 1858, a sociedade adotou formalmente essa ideia. Leitores voluntários receberiam livros específicos e copiariam, em fichas, trechos que mostrassem o uso das palavras. Ainda naquele ano, a sociedade aprovou o projeto em princípio, sob o título A New English Dictionary on Historical Principles (NED).
Primeiros editores
Richard Chenevix Trench, que viveu entre 1807 e 1886, teve papel decisivo nos primeiros meses do projeto. Sua nomeação como deão de Westminster, porém, impediu que dedicasse ao dicionário o tempo necessário. Trench deixou o trabalho e Herbert Coleridge tornou-se o primeiro editor.
miniaturadaimagem|Frederick Furnivall, 1825–1910
Em 12 de maio de 1860, o plano de Coleridge para o dicionário foi publicado e a pesquisa começou. Sua casa funcionou como a primeira redação. Ele organizou 100.000 fichas de citações em uma estrutura com 54 compartimentos. Em abril de 1861, o grupo publicou as primeiras páginas de amostra. Coleridge morreu de tuberculose no fim daquele mês, aos 30 anos.
Furnivall assumiu então a função de editor. Tinha entusiasmo e conhecimento, mas seu temperamento não se adequava bem ao trabalho. Muitos leitores voluntários acabaram perdendo o interesse, pois Furnivall não conseguia mantê-los motivados. Muitas fichas também se perderam.
Furnivall acreditava que, como muitos textos impressos de séculos anteriores não eram fáceis de encontrar, seria impossível aos voluntários localizar com eficiência as citações de que o dicionário precisava. Criou, por isso, a Early English Text Society em 1864 e a Chaucer Society em 1868, destinadas à publicação de manuscritos antigos. Seu trabalho preparatório durou 21 anos e forneceu muitos textos ao público, além de materiais úteis aos lexicógrafos, mas ainda não envolvia a elaboração propriamente dita do dicionário. Furnivall recrutou mais de oitocentos voluntários para ler esses textos e registrar citações. Eles tinham disposição, mas pouco treinamento, e suas escolhas eram frequentemente irregulares ou arbitrárias. Furnivall acabou entregando ao sucessor quase duas toneladas de fichas de citações e outros materiais.
Na década de 1870, Furnivall tentou, sem sucesso, convencer Henry Sweet e Henry Nicol a sucedê-lo. Procurou depois James Murray, que aceitou o cargo de editor. No fim da década, Furnivall e Murray conversaram com diferentes editoras sobre a publicação do dicionário. Em 1878, a Oxford University Press concordou em levar adiante o grande projeto com Murray. O acordo foi formalizado no ano seguinte. Vinte anos após a concepção do dicionário, o projeto finalmente tinha uma editora. Ainda seriam necessários outros cinquenta anos para terminá-lo.
miniaturadaimagem|William Chester Minor, 1834–1920
Perto do fim de seu período como editor, Murray descobriu que um dos leitores mais produtivos, W. C. Minor, estava internado num hospital psiquiátrico devido a uma condição que, na terminologia posterior, seria chamada de esquizofrenia. Minor, cirurgião formado pela Universidade Yale e oficial durante a Guerra Civil Americana, fora internado no Broadmoor Asylum for the Criminally Insane depois de matar um homem em Londres. Criou seu próprio sistema para acompanhar citações, o que lhe permitia enviar fichas de palavras específicas quando os editores as solicitavam. A colaboração entre Murray e Minor na preparação do OED foi narrada no livro de 1998 The Surgeon of Crowthorne, publicado nos Estados Unidos como The Professor and the Madman, e serviu de base para o filme The Professor and the Madman, de 2019, estrelado por Mel Gibson e Sean Penn.
Editores em Oxford
miniaturadaimagem|James Murray no Scriptorium, em Banbury Road
Na década de 1870, a Philological Society se preocupava com a dificuldade de publicar um dicionário de tamanha extensão. Editores gráficos chegaram a imprimir algumas páginas, mas nenhum acordo de publicação foi firmado. Cambridge University Press e Oxford University Press foram procuradas. A OUP finalmente concordou em 1879, depois de dois anos de negociações conduzidas por Sweet, Furnivall e Murray, em publicar o dicionário e pagar Murray, que era editor e presidente da Philological Society. O plano previa fascículos periódicos e, ao fim, quatro volumes com 6.400 páginas. Esperava-se concluir tudo em dez anos.
miniaturadaimagem|Ficha de citação usada na elaboração do OED, com um exemplo da palavra flood