A Associação Cultural e Social Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco, mais conhecida como Camisa Verde e Branco ou simplesmente Camisa, é uma das escolas de samba da cidade de São Paulo mais tradicionais, sendo considerada o berço do samba do carnaval paulistano. Fundada em 04 de Setembro de 1953 na Barra Funda. Contudo, a gênese da agremiação remonta ainda o ano de 1914, quando foi fundado no mesmo bairro o "Grupo Carnavalesco Barra Funda", este que seria o embrião da escola de samba de 1953. Tal fato faz do Camisa Verde e Branco uma das agremiações carnavalescas mais antigas do Brasil. “O Camisa” possui 9 títulos do carnaval, sendo uma das maiores campeãs.

História O início remonta a 1914, quando foi criado o "Grupo Carnavalesco Barra Funda", liderado por Dionísio Barbosa. Nesse grupo carnavalesco, os homens saíam pelas ruas do bairro da Barra Funda vestidos de camisas verdes e calças brancas. Durante o Estado Novo, os integrantes do Grupo Carnavalesco Barra Funda foram confundidos com simpatizantes da Ação Integralista Brasileira, partido político de Plínio Salgado, e por isso perseguidos pela polícia de Getúlio Vargas, até deixarem de desfilar em 1936.

Depois de 17 anos, em 1953, Inocêncio Tobias, o Mulata, cria um movimento para reorganizar o antigo grupo carnavalesco, criando no dia 4 de setembro o Cordão Mocidade Camisa Verde e Branco. Logo no seu primeiro ano desfilando como cordão, o Camisa Verde vence o desfile de cordões, com o enredo IV Centenário; O Camisa ainda seria campeão como cordão mais 4 vezes: 1968, 1969 e 1971, ano este em que os cordões já estavam em decadência com a popularização das escolas de samba. A partir de 1972 o Camisa segue o caminho natural, tornando-se escola de samba com o fim do desfile de cordões, chegando ao primeiro título, como escola, em 1974.

Conquistando o carnaval de 1974 com o samba-enredo Essa tal Nega Fulô, o Camisa Verde e Branco entra definitivamente para o time de escolas de samba campeãs. Mas o mais interessante ressaltar é que, nos 3 anos seguintes, o Camisa torna-se Tetra-Campeão do carnaval paulistano (74/75/76/77) sem dividir o título com nenhuma outra agremiação (ao contrário do Vai-vai em 98/99/00/01, sendo que os 3 últimos foram divididos com outras escolas). No carnaval de 1978, aconteceu um fato lamentável: antes do início do desfile do Camisa, alguns torcedores do Vai-vai atiraram paus e garrafas nos integrantes da escola, fato este que acabou dispersando alguns componentes e gerando um breve tumulto. Não houve feridos com gravidade e fatos como estes não acontecem mais no carnaval de São Paulo. Mas este fato custou ao Camisa a conquista do então pentacampeonato. No ano seguinte, com o enredo "Almôndegas de Ouro" e uma primorosa composição, a Barra Funda comemorou mais um título e a hegemonia na década de 70.

Durante a época da ditadura militar, a escola tentou produzir um enredo sobre João Cândido, herói da Revolta da Chibata, porém esta proposta foi censurada pelos generais da época. Em 1980, Inocêncio Tobias, morre deixando a presidência do Camisa Verde nas mãos do seu filho Carlos Alberto Tobias, que dirige a escola apoiado pela esposa Magali e sua mãe Cacilda Costa, a Dona Sinhá (esposa de Inocêncio Tobias).

Oito anos depois, morre a Dona Sinhá, considerada uma das damas do samba paulistano, e dois anos depois, em 1990, também vem a falecer o presidente da escola, o sr. Carlos Alberto Tobias (apelidado carinhosamente de Tuba). Sua mulher, Magali dos Santos assume a presidência, sendo campeã logo no seu primeiro ano à frente da diretoria. O Camisa Verde, que já havia conquistado o bi-campeonato em 89/90, conquista o tri em 1991. No ano seguinte, alguns fatos isolados de bastidores prejudicaram o Camisa. Falando-se até na hipótese de sabotagem, ouve-se a anulação do resultado final, e o Camisa perde a oportunidade de conquistar assim seu 2º Tetracampeonato. Já no ano de 1993, apresentando um samba memorável, a Barra Funda comemora mais um título, tornando-se uma das primeiras do ranking de campeãs com 9 títulos: 1974, 1975, 1976, 1977, 1979, 1989, 1990, 1991 e 1993.

Porém em 1996, num ano em que a escola enfrenta problemas antes e depois do desfile, o Camisa termina em penúltimo lugar entre dez escolas e é rebaixado para o Grupo de acesso. Após contar na avenida um enredo patrocinado pela Coca-Cola no ano seguinte, a escola vence e retorna ao Grupo Especial em 1998.

Em 2002, o Camisa Verde apresenta um grande desfile falando sobre o número quatro e suas místicas, terminando em um honroso 2º Lugar, perdendo o carnaval no quesito Enredo, para a sua afilhada Gaviões da Fiel. Talvez esse tenha sido a última alegria dos torcedores do Camisa, que após esse ano a escola não voltou mais ao desfile das campeãs.

Em 2003, o Camisa Verde consegue apresentar na avenida o enredo que havia sido proibido pela ditadura, fazendo uma homenagem ao líder dos revoltosos marinheiros, e com um samba forte, termina em 6º lugar. O desfile contou com a participação inclusive do neto do marinheiro João Candido, que desfilou no último carro alegórico.

Em 2004, durante os 450 anos de São Paulo, a escola fez uma homenagem à Barra Funda, aproveitando para contar ao mesmo tempo a história da cidade, do seu bairro e da própria escola, que completava 50 anos desde que foi reorganizada em 1953. O refrão do Camisa Verde neste ano dizia: "Vem festejar vem brindar, amor / 50 anos de glórias, eu sou! / Vem batuqueiro e mete a mão no couro / Que a Barra Funda é jubileu de Ouro".

Em 2005, após um ano de muitas dificuldades, e com um samba que a princípio foi classificado pela crítica como fraco, o Camisa surpreende na avenida, a escola evolui bem e o samba cresce na avenida, tendo este sido considerado um grande desfile. Apesar disso a escola acaba em 11º lugar. Em 2006, com muitos problemas e com um carnavalesco que abandonou o barracão faltando menos de 20 dias para o desfile, o Camisa Verde acaba na 13ª posição e cai para o Grupo de acesso. A escola, durante o ano, protestou contra uma nota 8,5 que foi dada para sua a bateria, sob a alegação dada pelo jurado de que "não teria ouvido os surdos". É preciso ressaltar que a bateria do Camisa Verde é conhecida como A Furiosa da Barra Funda, e considerada uma das melhores de São Paulo, e sem este 8,5 a escola teria se mantido no Especial.

Em 2007, o Camisa foi vice-campeão do Grupo de Acesso, voltando a elite do Carnaval Paulistano, o carnavalesco Rodrigo Siqueira recebeu premio de melhor conjunto de fansias. Em 2008 a escola trouxe como enredo "Da pré-história ao DNA: A história do cabelo eu vou contar", mas fez um desfile muito lindo, porém deve diversos problemas na avenida, sendo rebaixada novamente ao Grupo de Acesso. Em 2009, a escola desfilou com o enredo "Guerreiros! Camisa Verde faz a festa e prega a paz universal", e acabou no quarto lugar, fazendo com que a escola continua-se por mais um ano no grupo de Acesso.

Em 2010 veio com o enredo "Tô no jogo... Me respeite!!!" , com novo intérprete, o experiente Agnaldo Amaral que estava na Barroca Zona Sul e novo carnavalesco, Armando Barbosa. Fez um desfile belíssimo, de nível de grupo especial. Mas, como o grupo de acesso esta á cada ano mais competitivo, conseguiu apenas um 4ºlugar numa noite de belos desfiles. Em 2011 o Camisa falou sobre a Avenida Paulista com o enredo "Paulista viva,vesta a Camisa. A mais paulista das avenidas". O samba foi cantado por Celsinho que estava na Mancha Verde em 2010. Foi vice-campeã, e estará no Grupo Especial junto com a Dragões da Real que sagrou-se campeã.

No seu retorno ao Grupo Especial, em 2012, a verde e branco teve a missão de abrir a folia de 2012. A tradicional agremiação da Barra Funda mostrou que estava preparada para garantir seu lugar no grupo de elite, porém, problemas em duas alegorias e em suas fantasia comprometeram o desfile tendo notas baixas em vários quesitos sendo assim ficando em 14° lugar caindo para o acesso novamente.

De volta ao Acesso, em 2013, a escola em 2013 desfilou no Grupo de Acesso com o enredo "Era uma vez outra vez", com um desfile bonito e simples lhe rendendo o 4° lugar se mantendo no acesso. Já em 2014 a escola preparou um enredo sobre Quilombo, contando um pouco de história da evolução da África em suas lutas, terminou em 3° lugar.

Em 2015, com o enredo sobre as previsões terminou outra vez em 3° lugar. Para 2016 trouxe o enredo "Nas águas sagradas de Oxum, Iemanjá e Oxalá, Camisa Verde dá um banho de alegria", o tema era sobre o ato e as historias do banho, fez um grande desfile porém acabou com apenas o 4º lugar.

Para o carnaval de 2017 a escola optou por reeditar um samba antigo, assim como Imperador e Leandro, só que diferentemente das co-irmãs, decidiu por uma escolha entre cinco sambas e a realização de uma final para decidir qual obra seria reeditada. O samba escolhido foi o do Carnaval de 2003 e contratou Thiago Brito, como seu novo cantor oficial. Fez um desfile simples e teve erros na maioria dos quesitos e acabou com o 4º lugar.

Em 2018 montou uma comissão de carnaval e apresentou o enredo sobre Mário de Andrade, porém fez um desfile pouco empolgante e com Alegorias e Fantasias com problemas de acabamento, na apuração obteve o pior resultado de sua longa história o amargo 7º lugar ficando apenas a um lugar de ser rebaixada.

Em 2019 trocou de carnavalesco e escolheu o enredo "Orin-Orin, Uma viagem sem fim - Quando os tambores ecoam na floresta, a Barra Funda está em festa!", sobre musicais infantis inspirados na África, terminando na sexta colocação. Para 2020 contratou o carnavalesco Cláudio Cebola para desenvolver o enredo "Ajayô: Carlinhos Brown, candomblé, tambores e batuques ancestrais" em homenagem aos 40 anos de carreira do cantor e percussionista Carlinhos Brown.

Para 2022, contratou os carnavalescos Leno Vidal e Renan Ribeiro, que desenvolveram o enredo "Rezadeiras - Na fé do trevo, eu te benzo! Na fé do trevo, te curo!", repetindo o quinto lugar do carnaval anterior. Em 2023, apenas Ribeiro segue na agremiação para desenvolver o enredo "Invisíveis", que faz uma crítica social jogando luz nas minorias a quem cujos direitos básicos, garantidos pela constituição, são negados pelo sistema. Durante a preparação para o desfile, o Trevo reforçou seu carro de som contratando o intérprete Igor Vianna (que retornou à agremiação após 10 anos) para inicialmente fazer dupla com Clóvis Pê. No entanto, Pê se desligou da escola após o primeiro ensaio técnico. Fazendo uma apresentação correta, o Camisa conquistou o vice-campeonato do Grupo de Acesso 1 fazendo a pontuação máxima de 270 pontos (perdendo o título para o Vai-Vai nos critérios de desempate), garantindo o retorno ao Grupo Especial após 11 anos.

No carnaval de 2024, ano de seu retorno à elite do carnaval paulistano após mais de uma década, o Camisa mantém sua equipe e posteriormente lança o enredo "Adenla - O Imperador nas Terras do Rei", que exalta Oxóssi, padroeiro da agremiação, e homenageia personagens que vieram das camadas mais humildes da sociedade e se tornam figuras importantes, como o ex-jogador Adriano Imperador. Na apuração, o Camisa termina em décimo segundo lugar, conseguindo a permanência no Grupo Especial.