Vincent-Marie Viénot, Conde de Vaublanc (Saint-Domingue, — Paris, ) foi um político, escritor francês e católico com tendências monarquistas.
Sua carreira política colocou-o lado a lado sucessivamente de Luís XVI, Paul Barras, Napoleão, o Conde de Artois, futuramente Carlos X, e enfim Luís XVIII. Exilado e procurado quatro vezes por diferentes regimes políticos, jamais foi preso, reaparecendo a cada vez em estado de graça. Sua carreira foi longa e movimentada, sendo sucessivamente deputado monarquista durante a Revolução Francesa e durante o Diretório, exilado durante o Terror, prefeito de Napoleão, ministro do interior de Luís XVIII e no fim de sua vida política, deputado ultramonarquista. Tornou-se conhecido pela eloquência entusiasmada de seus discursos e a reorganização controversa na Academia Francesa em 1816, quando era ministro do Interior.
Ele faz parte dos personagens secundários que atravessaram e marcaram este período da história da França. Homem de caráter firme e íntegro, apoiante moderado das evoluções de 1789, terminou sua vida política na época da Restauração, alcançando a posição de contrarrevolucionário extremista.
Formação clássica militar durante o Antigo Regime miniatura|280x280px|direita|Brasão da família Vaublanc.Originário de uma família nobre da Borgonha, ele é o filho mais velho do major Vivant-François Viénot de Vaublanc, comandante do Forte São-Luís, no Forte-Delfim. Nasceu e cresceu em Santo Domingo, onde seu pai era aquartelado. Veio para a França metropolitana pela primeira vez aos sete anos de idade.
Após os estudos militares na Escola de cadetes em La Flèche e na Escola militar de Paris entre 1770 e 1774, foi condecorado com a ordem de São Lázaro, antes mesmo de ser expulso da escola pelo conde da Provença e futuro Luís XVIII, grão-mestre da ordem.
Foi tenente no regimento da Sarra, propriedade do duque François Alexandre Frédéric de La Rochefoucauld, cujo tio Carlos foi tenente-coronel entre 1776 e 1782. Exerceu o cargo nas guarnições de Metz, Rouen e Lille, recebendo uma ordem de missão para Santo Domingo, onde encontrou alguns problemas familiares.Michaud, p. 170.
Casou-se então com Charlotte de Fontenelle, que lhe deu uma filha, voltando à França em 1782. Comprou o posto de lieutenant des maréchaux de France para Dammarie-les-Lys, perto de Melun. Adquiriu ao mesmo tempo uma casa na região. A profissão designada ao assumir sua função foi a de proprietário-cultivador.
A missão, consistindo em reconciliar os gentis-homens em caso de litígio, permitiu-lhe conhecer muitos aristocratas de sua região e deixou-lhe também tempo para cultivar a agricultura, as letras e as artes.
Entra na política durante a Revolução direita|thumb|306x306px|Brasão de Seine-et-Marne criado em 1790.
Primeiras funções locais quando da convocação dos Estados Gerais Seduzido no início pelas novas ideias da Revolução francesa, ele se lança na carreira política e se torna membro da nobreza para o Bailio de Melun, em 1789. Foi eleito secretário da assembleia durante a presidência de Louis-Marthe de Gouy d'Arsy, grande agente do rei encarregado de funções administrativas e judiciárias em Melun, onde trabalhava também o célebre marinheiro e explorador Louis Antoine de Bougainville. Esta assembleia era encarregada de redigir um caderno de queixas para o Rei e nomear um deputado para os Estados Gerais. Ele apoia a candidatura de Emmanuel Marie Michel Philippe Fréteau de Saint Just, eleito deputado da nobreza para a administração de Melun e, mais tarde, membro da Assembleia constituinte de 1789.Vaublanc, 1, p. 182.
Em 1790, Vaublanc é chamado para as funções de membro e depois de presidente do conselho departamental, também chamado Conselho geral, de Seine-et-Marne. Sua função dá-lhe o direito de presidir o diretório administrativo deste departamento.Vaublanc, 1, p. 256
Queda-de-braço perdida com os jacobinos na Assembleia legislativa Na época da dissolução da Assembleia constituinte, colégios eleitorais são formados para eleger novos deputados. Vaublanc elegeu-se presidente do colégio do Seine e Marne. Em 1 de setembro de 1791, foi eleito oitavo deputado (numa lista de onze) de Seine-et-Marne para a Assembleia legislativa, obtendo 273 votos dos 345 votantes.Robert, Bourloton, Cougny. Ele foi um dos únicos a ter uma experiência política, especialmente sobre questões relacionadas com as colônias antilhanas, nessa assembleia composta sobretudo de noviços em política, visto que fiéis a seus sermões, nenhum membro da Assembleia constituinte de 1789 havia se candidatado.
Símbolo do "Clube dos Feuillants" thumb|esquerda|Mémoires sur la Révolution de France, de Vaublanc, escrito em 1833. Logo na sessão do primeiro dia, destacou-se ao pronunciar um discurso denunciando as más condições na assembleia,.Segundo um costume, havia uma poltrona em forma de trono, coberta de ouro e de flor de lírio, que era destinada ao rei. Couthon propôs dar-lhe uma poltrona semelhante à do presidente, Jean-Antoine de Grangeneuve e pediu que os títulos de Senhor e de Majestade, inventados pelo servilismo, fossem substituídos pelo título muito mais bonito de Rei dos Franceses. Uma emenda foi então votada, decidindo que a poltrona do Rei fosse abaixada de um degrau. Em represália, Luís XVI ameaçou de não ir à Assembleia, mas um compromisso foi encontrado e a poltrona do rei foi abaixada de um degrau (página 17) Folhentos e Girondinos agosto de 1791 - 20 de abril de 1792, de Dom H Leclerc, Paris, 1940, livraria Letouzet e Ane 87 boulevard Raspail. na qual Luís XVI seria acolhido pela Assembleia no dia seguinte.Vaublanc, 1, p. 285. Por causa dessas declarações, Vaublanc foi eleito vice-presidente em 3 de novembro de 1791, obtendo 104 votos (contra 92 para Brissot, um dos chefes dos Girondinos), por uma assembleia na época sobretudo monarquista. Tornou-se depois o seu presidente, entre 15 de novembro e 28 de novembro de 1791.O amigo dos cidadãos, jornal fraternal, por JL Tallien, número 13, publicado em 16 de novembro de 1791, tipografia Demonville. No dia 29 de novembro, Vaublanc foi designado para redigir uma mensagem pedindo que o rei retirasse o veto que ele emitira contra o decreto de 9 de novembro da Assembleia, cuja finalidade era de acabar com a emigração maciça (encorajada notadamente pelos padres e nobres), e que ameaçava ao mesmo tempo os príncipes alemães de represálias, se eles continuassem a dar refúgio ao exército dos príncipes (o Conde de Artois e o príncipe de Condé). A Assembleia ficou tão satisfeita com a atuação de Vaublanc que, por meio de uma derrogação formal às suas regras, pediu para que ele conduzisse uma delegação de 24 deputados e fosse ler, pessoalmente, sua mensagem ao próprio rei.Alteza, disse a Louis XVI, desde que a Assembleia nacional se deu conta da situação do Reino, ela percebeu que as perturbações que agitavam-no tinham por causa os preparativos criminosos dos emigrantes franceses. A audácia deles é sustentada pelos príncipes alemães que ignoram os tratados assinados entre eles e a França, fingindo esquecer que devem a este império o tratado de Vestfália, que lhes garantiu direitos e segurança. Estes preparativos hostis, as ameaças de invasão necessitam armamentos que absorvem somas imensas de dinheiro que a nação teria depositado com alegria nas mãos de seus credores. Cabe a vossa Alteza acabar com isto e adotar com as potências estrangeiras, a linguagem que convém ao rei dos Franceses! Dizer-lhes que em toda parte onde sofrermos por causa dos preparativos contra a França, que a França só poderá ver inimigos; que conservaremos religiosamente o juramento de não efetuar qualquer conquista; que oferecemos-lhes boa vizinhança, a amizade inviolável de um povo livre e poderoso; que respeitaremos suas leis, seus usos, suas constituições; mas que queremos que a nossa seja respeitada. Diga-lhes por último que, se os príncipes da Alemanha continuarem a favorecer preparativos dirigidos contra os Franceses, que os Franceses levarão ao país deles, não o ferro ou a chama, mas a liberdade ! Cabe-lhes calcular quais poderiam ser as consequências deste despertar das nações" Adolphe Thiers, Histoire de la révolution 1823 a 1827, tomo2. Luís XVI respondeu que levaria muito a sério a mensagem da Assembleia e, alguns dias mais tarde, informou-o pessoalmente de suas decisões a este respeito.
Por esta ocasião, Vaublanc ganhou fama ao indicar à Assembleia que o rei se tinha prostrado primeiro e que ele só havia retribuído a saudação.Michaud, p. 171. A anedota revela a oscilação da relação de forças constitucionais: o poder legislativo, encarnado pela Assembleia Legislativa, tornou-se claramente preponderante com relação ao poder executivo, encarnado por um Luís XVI que só é o Rei dos Franceses.
Vaublanc fica do lado do partido dos monarquistas constitucionais e entra para o "Club des Feuillants" (Clube dos Folhentos), como 263 outros colegas (dentre os 745 deputados). Tornou-se um dos chefes da Assembleia juntamente com Jacques Claude Beugnot, Mathieu Dumas e François Jaucourt, já que seus principais dirigentes, como Antoine Barnave ou Alexandre Théodore Victor de Lameth, não faziam mais parte da Assembleia. Ele se opõe vivamente aos governos revolucionários, destacando sua lealdade para com o rei, sua oposição às medidas repressivas relativas aos padres refratários, às leis votadas que confiscam os bens dos emigrados e por último ao denunciar os Massacres d'Avignon. As discussões radicalizam-se. A multidão que assiste aos debates interrompe-o frequentemente com gritos, endereçados também a alguns colegas dele como Charles de Lacretelle.Charles de Lacretelle, Dix années d'épreuve pendant la Révolution (1842). Nicolas de Condorcet, seu colega da Assembleia Legislativa em 1791, que não o apreciava muito, disse sobre ele: "Existem em toda a assembleia oradores barulhentos de cabeça vazia que impressionam muito com tolices redundantes".Pierre Larousse, Grand dictionnaire universel du XIXeme siecle. Brissot, por sua vez, chama-o de "chefe" dos bicameralistas.Vaublanc, 1, p. 338.
A inevitável queda da monarquia Em 1792, ele será um dos defensores de Jean Marie Donatien de Vimeur de Rochambeau (Conde de Rochambeau) na Assembleia e conseguirá sua absolvição.
De acordo com a maioria da Assembleia que quer abolir a escravidão nas Antilhas, ele adverte, num discurso em 20 de março, os abolicionistas puros e duros como Brissot, que conhecem mal a vida nas colônias, sobre os riscos possíveis de guerra civil, por causa da diversidade das categorias étnicas e sociais da população de Santo Domingo. Por outro lado, ele apoia a lei de 4 de abril de 1792 outorgando a cidadania a todos os homens de cor e negros livres. Durante a sessão do 10 abril, ele se pronuncia em favor da abolição progressiva do tráfico de escravos nas colônias, a exemplo da Dinamarca e da Grã-Bretanha.
Em 3 de maio de 1792, Vaublanc apoia a proposta de Jacques Claude Beugnot e suscita um decreto acusando Jean Paul Marat e Thomas-Marie Royou (o abade Royou), e, em 8 de maio, na Assembleia, ele se dirige aos Jacobinos nestes termos: Quereis, Senhores, salvar a Constituição; pois bem, só alcançareis isto derrubando as facções e os sediciosos; combatendo unicamente pela lei; morrendo com ela e por ela, e eu vos declaro que não serei o último a perir convosco para a sua realização; crede-me, Senhores.. Dicionário dos parlamentares franceses desde 1 de maio de 1789 até 1 de maio de 1889, publicado sob a direção dos Senhores Adolphe Robert, Edgar Bourloton e Gaston Cougny, Paris, Bourloton Editeur, 1889-1891, 5 vol. ; in-8.
Em 18 de junho, ele foi eleito membro da Comissão extraordinária dos Doze, criada por uma proposta de Marat, encarregado de examinar a situação da França e sugerir os meios para salvar a Constituição, a liberdade e o Império. Ele pediu demissão em 30 de julho.
Defesa de La Fayette thumb|160px|La Fayette.