A ética da reciprocidade, também chamada de regra de ouro ou regra áurea, é uma máxima moral Este dicionário de filosofia contém a seguinte citação exacta na entrada sobre a "regra de ouro": "A máxima 'Trata os outros como gostarias que te tratassem'. Várias expressões desta regra moral fundamental podem ser encontradas nas doutrinas da maioria das religiões e credos através dos tempos, testemunhando a sua aplicabilidade universal." (fim de citação) ou princípio moralWalter Terence Stace argumentou que a regra de ouro seria mais do que um código de conduta. Ao invés, postulava que, "expressa a essência de uma moralidade universal." A justificação para esta crucial diferença ocupa grande parte do seu livro The Concept of Morals (1937): – (above quote found p. 136, ch. 6) que pode ser expressa como uma injunção positiva ou negativa:
Cada um deve tratar os outros como gostaria que ele próprio fosse tratado (forma positiva ou directiva); Cada um não deve tratar os outros da forma que não gostaria que ele próprio fosse tratado (forma negativa ou proibitiva, ou ainda regra de prata).
Em ambas as formas, serve como uma directiva para tratar os outros como a si próprio. A Regra de Ouro difere da máxima da reciprocidade, sendo, por isso, um compromisso moral unilateral com vista ao bem-estar dos outros, sem expectativas de nada em troca.
No entanto, muitos autores cristãos vinculam a forma negativa da regra de ouro como uma consequência da visão contratualista de uma sociedade hobbesiana, na qual cada pessoa se considera primeira e majoritariamente como um indivíduo que transborda direitos/desejos, mas que não tem nenhuma responsabilidade fundamental para com ninguém. Segundo este ponto de vista, em sua forma invertida, há um esvaziamento moral em seu sentido, uma vez que a finalidade da regra de ouro passa ser apenas a proteção direitos/desejos individuais e simultaneamente reduzir o conflito com os outros indivíduos. A regra, portanto, em sua versão invertida, abandona o seu compromisso moral com o bem-estar dos outros focando apenas na busca do bem próprio.
O conceito ocorre, sob alguma forma, em quase todas as religiõesW.A. Spooner, "The Golden Rule," in James Hastings, ed. Encyclopedia of Religion and Ethics, Vol. 6 (New York: Charles Scribner's Sons, 1914) pp. 310–12, quoted in Rushworth M. Kidder, How Good People Make Tough Choices: Resolving the Dilemmas of Ethical Living, Harper, New York, 2003. ISBN 0-688-17590-2. p. 159. Simon Blackburn também nota a conexão entre Confúcio e a regra de ouro e tradições éticas. Também pode ser explicada sob a perspectiva da psicologia, da filosofia, da sociologia e da economia. Psicologicamente, envolve o desenvolvimento de empatia com os demais. Filosoficamente, envolve uma pessoa perceber seu próximo também como um "eu". Sociologicamente, "ama o próximo como a ti mesmo" é aplicável entre indivíduos, entre grupos e também entre indivíduos e grupos. Em economia, Richard Swift, em referência a ideias de David Graeber, sugere que "sem algum tipo de reciprocidade, a sociedade não poderia mais existir".
Exemplos na antiguidade
Antigo Egito Possivelmente a mais antiga afirmação da máxima da reciprocidade, que reflete a figura da antiga deusa egípcia Maat, surge na história do "Camponês Eloquente", datada do Império Médio (c. 2040–1650 a.C.): "Eis a ordem: faze ao autor da ação para que ele aja."https://web.archive.org/web/20150925125920/http://www.usc.edu/dept/LAS/wsrp/information/REL499_2011/Eloquent%20Peasant.pdf: 121 Esse provérbio incorpora o princípio do ut des. Um papiro do Período Tardio (c. 664–323 a.C.) contém uma forma negativa primitiva da Regra de Ouro: "Aquilo que detestas que façam a ti, não faças a outrem."https://web.archive.org/web/20131005012109/http://oi.uchicago.edu/pdf/saoc52.pdf
Índia antiga No Mahabharata, a antiga epopeia da Índia, Vyasa diz:
Não faças aos outros o que não desejas que façam a ti; e deseja também para os outros aquilo que anseias e desejas para ti mesmo — eis a totalidade do Dharma; guarda bem este ensinamento. — Mahabharata, Anusasana Parva 113.8
O Mahabharata é geralmente datado do período entre 400 a.C. e 400 d.C.
Exemplos de referência à Regra Áurea nas religiões mais antigas
No zoroastrismo (cerca de 660 - 583 a.C.) Um caráter só é bom quando não faz a outros aquilo que não é bom para ele mesmo. − Dadistan-i-Dinik 94:5
No budismo (cerca de 563 - 483 a.C.) Não atormentes o próximo com aquilo que te aflige. − Udana-Varga 5:18
No confucionismo (cerca de 551 - 479 a.C.) Não façais aos outros aquilo que não quereis que vos façam. − Analectos de Confúcio, 12.2 e 15.24
No hinduísmo (cerca de 300 a.C.) Esta é a suma do dever: não faças aos demais aquilo que, se a ti for feito, te causará dor. − Mahabharata (5:15:17)
No judaísmo (cerca de 200 d.C.)O que é odioso para ti, não o faças ao próximo. Esta é a lei toda, o resto é comentário. − Talmude, Shabbat 31ª
No islamismo (cerca de 570 - 632 d.C.)Nenhum de nós é crente até que deseje para seu irmão aquilo que deseja para si mesmo. − Suna
No cristianismo (cerca de 30 d.C.)Portanto, tudo que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles.'' − Jesus, no Sermão da Montanha,A nota de rodapé referente à na Bíblia do Peregrino, observa a existência de trechos na Bíblia, nos quais: se condena fazer o mal a outrem sem razão: ; se condena com maior gravidade fazer o mal a quem fez o bem: , , e ; se exalta fazer o bem sem razão: ; não vê mérito em pagar o bem com o bem: e ; exalta especialmente àqueles que pagam o mal com o bem: , e .
Regra de Platina Diz-se que a Regra de Platina se expressa da seguinte forma: "Faça aos outros o que eles gostariam que você lhes fizesse". Interpretada à luz do espírito da Regra de Ouro, essa máxima sugere que se deve conhecer — ou, no mínimo, levar em consideração — os desejos da pessoa com quem se está interagindo.
Ver também
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