Paquifes ou lambrequins são figuras de mantos, capas, ou apenas correias, folhagens e plumagens, desenhadas acima e ao derredor do elmo e que se espalha pelo escudo.Dicionário da Língua Portuguesa 2009. Porto. Porto Editora, Lda, 1952.

Estas folhagens do paquife, tradicionalmente, deveriam ser das mesmas cores e metais de que é composto e ornado o escudo.

Por seu turno, o manto ou capa do lambrequim podia surgir intacto ou retalhado, também para simbolizar feridas sofridas em combate.

Disquisição Pese embora, modernamente, os dois termos, «paquife» e «lambrequim», possam ser usados indistintamente como sinónimos, historicamente, reconhecia-se um certo grau de distinção entre os dois.

Paquife Até ao final do séc. XVIII, ainda se reconhecia o paquife, amiúde aludido no plural (paquifes), como o ornamento de plumas ou folhagens que saiam do elmo, num escudo heráldico.

Lambrequim O Lambrequim (do Holandês: lamperkijm) são recortes e pendentes, feitos em tecido, madeira ou outro material, usados na arquitetura, na decoração e na heráldica. Até ao final do séc. XVIII, ainda se reconhecia o «lambrequim» como a capa ou manto que ataviavam os escudos heráldicos. right|thumb|200px|Curitiba - Paraná miniaturadaimagem|Casa de Alacoque Sampaio, localizada no município em Barbalha, Ceará. Construção datada de 1900.

Decoração Em decoração, o lambrequim é um recorte de tecido, constituído por uma cercadura com festões, por vezes guarnecida por franjas, martinetes e bocais, supensos por uma varão e servindo de motivo de ornamentação para decorar uma galeria de uma janela ou a cobertura de uma cama.

Arquitetura Na arquitetura o lambrequim é um adorno recortado, contínuo, de zinco estampado, chapa recortada etc., que se coloca sob um friso, uma alheta, um beiral, ou outros elementos.

No Brasil, o lambrequim foi muito utilizado nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principalmente pelos imigrantes italianos, ucranianos, alemães e polacos, que encontraram maior facilidade em construir suas casas em madeira, pela grande quantidade de araucárias, cedros, imbuias e outras madeiras nobres que encontraram nesta região. Em Curitiba, o registro das primeiras obras data do fim do século XIX.

Em alguns estados do nordeste oriental como Ceará e Pernambuco, também há uma presença significativa dos lambrequins em telhados de chalés românticos, sitios e construções ecléticas do séc. XIX e inicio do séc. XX centro|thumb|700px|<center>Estádio João Chede em Palmeira. Também no Estado do Rio de Janeiro, especificamente na cidade de Petrópolis, o lambrequim de madeira foi muito utilizado, provavelmente em razão igualmente da grande quantidade de madeira nobre existente. Petrópolis foi colonizada por alemães provenientes da Prússia. Existem ainda na Cidade vários exemplos de casas com esses lambrequins de madeira, em belíssimas casas espalhadas pelos diversos quarteirões (bairros).

Em Portugal o lambrequim foi utilizado, sobretudo, na decoração de empenas dos chalés românticos, construídos no final do século XIX e no início do século XX.

História

Historicamente, segundo autores como António de Vilas Boas, cria-se que a representação dos paquifes provinha de Cária, província da Ásia menor, onde havia o costume de, nas condecorações de actos militares, se trazerem plumagens, para assinalar os autores de façanhas.

O lambrequim, por seu turno, provindo de tradição francesa, tratava-se de um pano, tipicamente de linho, que cobria o elmo e protegia o cavaleiro do sol, da chuva e da própria poeira. Surgiu o costume de representação deste pano, ora inteiro, ora esfarrapado, para representar talhadas de espada, simbolizando feridas sofridas em conflitos de batalha.

Ver também Virol Armas completas Elmo

Ligações externas Armorial - Heráldica Portuguesa Armorial - Heráldica Portuguesa Site dedicado aos lambrequins Exposição em Curitiba sobre a arte e história dos lambrequins Reportagem explicando os significados deste adorno e seu uso atual nas moradias de Cohabs de Curitiba

Paquife Categoria:Elementos arquitetónicos