Mamonas Assassinas é o álbum de estreia da banda brasileira rock cômico Mamonas Assassinas. O álbum foi lançado em 23 de junho de 1995 por meio da gravadora EMI. Foi o único álbum gravado pelo grupo, uma vez que, nove meses após seu lançamento, todos os integrantes do grupo morreriam num acidente aéreo quando voltavam de uma apresentação.

Produzido por Rick Bonadio, que durante as gravações foi apelidado de Creuzebek, o álbum incorpora uma grande diversidade de gêneros musicais, incluindo heavy metal, forró, fado, baião, pagode, pop, pop rock e brega. Vendeu mais de 3 milhões de cópias só no Brasil, recebendo assim uma certificação de diamante, por ultrapassar 1 milhão de cópias, segundo a ABPD.

O álbum quebrou diversos recordes até então nunca vistos antes no país, permanece sendo até os dias atuais como o álbum de estreia mais vendido da história no Brasil, igualmente como o álbum mais vendido em um único dia, somando 25.000 cópias vendidas em apenas 12 horas, e um período chegou a vender 50.000 cópias por dia, 100.000 cópias a cada dois dias, que era a certificação de disco de ouro na época, somando mais de 350.000 cópias vendidas em uma semana. Em menos de 100 dias, o álbum alcançou a marca de 1 milhão de cópias, e dobrou esse numero até dezembro de 1995, somando 2 milhões de cópias vendidas em apenas seis meses, tornando-se o álbum vendido mais rapidamente em todos os tempos no Brasil. Com esse disco e o seu estilo cômico, os Mamonas invadiram as rádios brasileiras e caíram nas graças do público e da crítica, eternizando sucessos de forma avassaladora.

Em relação ao mercado externo, o disco vendeu mais do que 20.000 cópias em Portugal, rendendo a certificação de ouro do país. Foi também o segundo disco mais vendido no ano de 1996 em Portugal.

Gravação esquerda|miniaturadaimagem|160x160px|Rick Bonadio produziu o álbum em seu estúdio. O álbum foi gravado e produzido por Rick Bonadio em seu estúdio, com o auxílio de Rodrigo Castanho e Junior Lane. As gravações foram iniciadas em outubro de 1994 e concluídas entre março e junho de 1995.

Durante um dia de gravação, Dinho ouviu o nome do sanfoneiro Brezequeba, que gravava na sala ao lado. Ele, então, decidiu apelidar Bonadio com o nome do sanfoneiro, mas se confundiu e disse "Creuzebek". O erro foi mantido no álbum e se tornou apelido do produtor.

Já nos primeiros dias, a gravadora EMI exigiu um mínimo de dez canções para que o disco fosse lançado, mas só três haviam sido escritas. Em uma semana, os demais integrantes (em especial, Dinho e Júlio Rasec, que compuseram a maior parte) escreveram as outras doze faixas que entrariam no trabalho. Entretanto, "Não Peide Aqui Baby", uma paródia da música "Twist and Shout" dos Beatles, foi desconsiderada por conta da grande quantidade de palavrões. A gravação aconteceu em São Paulo, no estúdio de Bonadio, e a mixagem no The Enterprise, em Los Angeles, nos Estados Unidos.Encarte do álbum. "[...] Ao pessoal do estúdio The Enterprise [...]".

Lançamento e divulgação

Logotipo

Todo o material de divulgação do álbum foi feito de forma humorística. O logotipo da banda — que aparece no pingente do colar ilustrado na capa — é uma inversão da logomarca da empresa automobilística alemã Volkswagen, colocada de ponta-cabeça, com uma barra horizontal sobre o "V" para que, quando invertido, forme a letra "A". Veículos da marca são citados nas canções "Pelados em Santos" (uma Brasília) e "Lá Vem o Alemão" (uma Kombi), além de uma menção a um carro da empresa estadunidense Ford (um Escort) em "Lá Vem o Alemão".

Capa esquerda|miniaturadaimagem|192x192px|A modelo Mari Alexandre foi a inspiração para os seios que ilustram a capa do álbum. A banda criou o conceito da capa do álbum, um desenho em que os músicos se penduravam em uma mulher nua expondo grandes seios (evocando o trocadilho no nome da banda, de "mamona" no sentido de "mama"), inspirada na Playboy de 1992 da modelo Mari Alexandre, que posteriormente se tornou amiga dos integrantes da banda.

À frente da ilustração principal, por exigência da gravadora, foram inseridos os rostos de Júlio Rasec, Samuel Reoli, Dinho, Sérgio Reoli e Bento Hinoto, nesta ordem. Carlos Sá foi o respnsável pela ilustração, enquanto André Paoliello tirou as fotos.

Encarte O encarte também contém humor e traz diversos agradecimentos inusitados feitos pelos músicos. Eles agradeceram a Rafael Ramos, músico da banda Baba Cósmica, que compôs "Sábado de Sol"; a Arnaldo Saccomani, produtor musical; a Santos Dumont, aeronauta que foi homenageado por "ter criado o avião"; a Charles Miller, futebolista, por "ter criado o futebol"; aos personagens Chaves e Chapolin, ambos criados pelo ator mexicano Roberto Gómez Bolaños; aos animais de estimação de cada integrante, os cães Billy, Pluck, Mike, Proteus, Dick, Giully e Fluke; e a diversas outras pessoas.

Lançamento Mamonas Assassinas foi lançado em 23 de junho de 1995 pela EMI. Em doze horas lançado, foram vendidas mais de vinte e cinco mil cópias do álbum. Em uma semana, vendeu 350 mil cópias e, em 100 dias, já havia vendido mais de um milhão de cópias. Ainda em dezembro, já havia vendido o dobro. No total, foram vendidas mais de três milhões de cópias do disco. Dessa forma, tornou-se o álbum de estreia mais vendido da história do Brasil e o álbum vendido mais rapidamente em todos os tempos no Brasil. Em Portugal, vendeu 20 mil cópias e obteve disco de ouro no país. Duas canções do álbum fizeram parte de trilhas sonoras de novela: "Sabão Crá-Crá", na trilha da segunda temporada de Malhação (tema do personagem Mocotó), exibida pela Rede Globo em 1996 (ano do acidente do grupo). "Robocop Gay", em Caminhos do Coração, exibida pela Rede Record entre 2007 e 2008.

Críticas musicais

Iule Karalkovas, do site PortalSucesso, explica o sucesso comercial do álbum. Segundo ela, "por que todo esse sucesso? Simples. De uma maneira geral, o disco dos meninos foi um “tapa na cara da sociedade”, já que o humor de suas composições traziam muitos problemas da época à tona. Musicalmente, o disco também foi uma espécie de marco. Dinho era versátil, e, por isso, o grupo fez questão de não se prender em um só ritmo. Ou seja, além de fazer duras críticas à sociedade, o projeto passeou pelo rock ao pagode e ao baião com facilidade ." Conforme o crítico musical Igor Miranda, "vale destacar que os músicos eram muito versáteis e habilidosos naquilo que era proposto. Muitas vezes passa despercebido, mas o instrumental do único álbum dos Mamonas é muito bem feito e, mesmo que de forma cômica, passeia sem equívocos por diversos gêneros musicais, como rock, metal, samba, pagode, baião, forró, pop e por aí vai. Eles tinham competência em seus postos e deixavam isso claro, inclusive, nos shows."

Luciana Gifoni, mestre em música pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), acredita que "a performance e as letras, moldadas pela 'comicidade escrachada', foi um dos fatores primordiais para a conquista do público."

Faixas

Composição e detalhes sobre as faixas Todas as canções, com a exceção de "Sabão Crá-Crá" (música folclórica de autoria desconhecida) e "Sábado de Sol" (composta pela banda Baba Cósmica) foram compostas pela própria banda, principalmente por Dinho e Júlio Rasec. Conforme Claudio Francioni, certa vez em uma entrevista, Dinho declarou que todas as citações eram homenagens aos artistas que eles ouviram durante toda a vida. Há referências diversas e bem claras, como "Crocodile Rock", de Elton John, em "Pelados em Santos"; "Should I Stay or Should I Go", do The Clash em "Chopis Centis"; bem como outras um pouco mais escondidas, como o final de "Mundo Animal", onde repetem um trecho de "Toda Forma de Amor", de Lulu Santos. "1406" — Seu título, com a pronúncia "Quatorze Zero Meia" (e não "mil quatrocentos e seis"), refere-se a um número de telefone de compras de São Paulo, o 011 1406, que pertencia a um conhecido canal de televendas na primeira metade dos anos 1990, o Grupo Imagem, que mantinha comerciais na Rede Manchete. Na letra, foram citados produtos como as Facas Ginsu, vendidas pelo canal. Há também uma referência à canção "Laika nóis laika (mas money que é good nóis não have)", da dupla Ponto & Vírgula. É a única faixa do álbum a não contar com a participação do baixista Samuel Reoli, uma vez que o baixo foi gravado pelo guitarrista Bento Hinoto. miniaturadaimagem|217x217px|"O Vira", composição de João Ricardo e Luhli e gravada principalmente por Roberto Leal (imagem) foi satirizada em "Vira-Vira"."Vira-Vira" — É uma sátira do vira, gênero musical português, especificamente da música "O Vira", de Roberto Leal, mas a letra é inspirada na piada "A Maria e o Português", contada pelo humorista Costinha no seu álbum O Peru da Festa Vol.2, que conta a história de um casal de portugueses que foram a uma suruba. "Pelados em Santos" — Segundo Dinho, esta foi a primeira música composta por ele, ainda em 1991. Ela fora regravada em espanhol com o nome "Desnudos en Cancún". A versão em português foi regravada pelos também paulistas Titãs no álbum As Dez Mais, de 1999. "Chopis Centis" — A música parodia o riff inicial de "Should I Stay or Should I Go", da banda punk inglesa The Clash. Ela virou o tema de abertura da sitcom PartiuShopping, do canal por assinatura Multishow, interpretada por Tom Cavalcante. "Jumento Celestino" — Foi, juntamente com "Pelados em Santos" e "Robocop Gay", uma das três canções que o grupo já havia composto e gravado, de forma independente, em uma fita demo que eles enviaram para diversas gravadoras. No início da canção, há uma referência a música "Rock do Jegue (de Quem é Esse Jegue)", de Genival Lacerda. "Sabão Crá-Crá" — Esta é uma das duas únicas canções do álbum que não são de autoria do próprio grupo (ela vem do folclore escolar urbano). Segundo Dinho, certa vez Bento cantou essa canção num ensaio, e o resto da banda gostou. Como não foi encontrado um registro de composição, decidiu-se creditar o compositor como "autor desconhecido". Seu ritmo melódico tem uma incrível similaridade com a principal frase do primeiro movimento da terceira sinfonia de Beethoven. A música fez parte da trilha sonora da segunda temporada de Malhação, exibida em 1996. "Uma Arlinda Mulher" — Paródia da música romântica e a linguagem rebuscada de cantores como Belchior, a quem o tecladista Júlio Rasec imita no segundo refrão, o que daria origem também à vinheta "Belchi". Seu título refere-se ao filme Uma Linda Mulher, estrelado por Julia Roberts. Quanto à estrutura musical, faz-se forte alusão à canção "Fake Plastic Trees" (1995), do Radiohead, além de haver referência à chamada da guitarra distorcida de "Creep" (1993), também do Radiohead, antes do refrão. "Cabeça de Bagre II" — É baseada na experiência do vocalista Dinho na quinta série primária. A letra, a forma falada de cantar e os vocais repetidos no fim de algumas palavras, além do título da canção, é uma paródia de "Cabeça Dinossauro", dos Titãs. Já na parte instrumental, um dos solos de guitarra é uma referência à risada do Pica-Pau, e um dos riffs principais é "Baby Elephant Walk (O Passo do Elefantinho)", trilha infantil composta pelo músico estadunidense Henry Mancini, que nos tempos da Jovem Guarda ganhou versão brasileira e se popularizou através do Trio Esperança. "Mundo Animal" — Na parte final da canção é possível perceber uma referência a um trecho de "Toda Forma de Amor", de Lulu Santos. Foi composta por Dinho, que teve a inspiração para a escrever em um sítio em São Romão, conforme relato de seu pai. Conforme Rick Bonadio, tem a participação de Fabinho do grupo Negritude Júnior, que toca pandeirola, apesar de essa informação não constar nos créditos do álbum.