thumb|300px|Uma mosca sirfídea (Eristalinus taeniops) polinizando uma flor de Hieracium sp. Polinizador é um vetor animal - fator biótico - responsável pela transferência de pólen das anteras de uma flor masculina para o estigma de flores femininas, acidentalmente ou não, permitindo que aconteça a união do gameta masculino presente no grão de pólen com o gameta feminino do óvulo, processo conhecido como fecundação ou singamia. A consequência esperada é a produção de semente(s) fértil(eis).

A polinização realizada por vetor biótico, biofilia, é responsável por 80% de todos os tipos de polinização, sendo muito importante para a agricultura e a biodiversidade.

A relação entre os polinizadores e as flores é mutualística, já que traz benefícios para os dois indivíduos. A planta se beneficia, pois esses polinizadores realizam a polinização cruzada (troca de pólen entre indivíduos diferentes porém da mesma espécie), isso, além de promover a perpetuação da espécie, também gera uma maior variabilidade genética.

Além disso “uma polinização bem feita está diretamente ligada a um melhor rendimento da cultura agrícola, podendo não só levar ao aumento no número de sementes, vagens ou frutos vingados, como também melhorar a qualidade dos frutos (tamanho, peso, aparência, sabor e até elevar os valores nutritivos e o tempo de prateleira) e sementes (percentual de germinação e teor de óleos), além de influenciar positivamente em outras características de importância agronômica, tais como a antecipação e a uniformização no amadurecimento dos frutos, diminuindo as perdas na colheita”. Já os polinizadores se beneficiam, pois a planta produz as chamadas "recompensas florais”, que são substâncias energéticas que garantem a alimentação desses animais. As principais recompensas florais são o pólen, o néctar e óleos essenciais.

Pólen: é rico em proteínas (16 a 40%), vitaminas (quase todas as conhecidas), lipídeos (1 a 5%), carboidratos (20 a 40%), fibras (3 a 5%) e sais minerais (2,5 a 3,5%). Néctar: Basicamente uma solução de água e açúcar, altamente energética. Normalmente essa substância está presente em nectários produzidos pelas plantas. Óleos: Algumas plantas produzem e servem de alimento para as abelhas quando imaturas (larvas).

A ação desses polinizadores é de grande importância para a agricultura e, portanto, para a produção de alimentos. As estatísticas frequentemente citadas são de que 75% de espécies de plantas se beneficiam de insetos polinizadores que fornecem um serviço global no valor de $ 215 bilhões para a produção de alimentos. Segundo o 1º Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil a maior parte – 76% - das plantas utilizadas para produção de alimentos no Brasil é dependente do serviço ecossistêmico de polinização realizado por animais. Dessa forma, outro ponto importante para o cultivo de plantas é o manejo adequado de polinizadores, que se trata de uma ferramenta alternativa para diminuir o déficit na polinização natural, que é causado por diversos fatores. O manejo adequado também traz outros benefícios como custos sociais, econômicos e, principalmente, no contexto ambiental contribuindo para a redução do déficit de polinização em agroecossistemas e em ecossistemas próximos.

Devido à sua grande importância, os polinizadores também são valorizados culturalmente pela diversidade biocultural e valores socioculturais, por isso, em alguns países são considerados símbolos nacionais e fonte de inspiração, fazendo parte do folclore mundial (IFBES, 2016).

Algumas espécies de plantas são generalistas, ou seja, apresentam flores preparadas para ser polinizadas por qualquer tipo de animal, assim como há animais capazes de recolher recursos da maior parte das flores. Mas a relação entre polinizadores e plantas pode alcançar níveis de especificidade surpreendentes. Relações muito específicas podem ser observadas em figueiras e orquídeas, por exemplo.

Síndrome floral As plantas possuem características próprias que indicam o tipo de polinizador que atraem, conhecidas como Síndrome floralFægri, K. and L. van der Pijl. 1979. The principles of pollination ecology. Oxford: Pergamon.: tamanho da flor profundidade e largura da corola cor, inclusive os padrões chamados Guias de Néctar, que são visíveis apenas sob a luz ultravioleta odor quantidade e composição do néctar, etc

Por exemplo, os pássaros visitam flores vermelhas com longos tubos estreitos e muito néctar, mas não são tão fortemente atraídos por flores largas, com pouco néctar e pólen, que são mais atraentes aos besouros. Quando essas características são alteradas experimentalmente, alterando cor, tamanho, orientação, a visitação dos polinizadores pode diminuir.Fulton M, Hodges SA. 1999. Floral isolation between Aquilegia formosa and A. pubescens. Proceedings of the Royal Society of London, Series B 266: 2247–2252.Hodges SA, Whittall JB, Fulton M, Yang JY. 2002. Genetics of floral traits influencing reproductive isolation between Aquilegia formosa and A. pubescens. American Naturalist 159: S51–S60.

As síndromes florais se baseiam em um conjunto de características que podem ser utilizadas para prever o grupo de polinizadores que irão atuar naquela planta. Essa relação se dá porque diferentes polinizadores pela suas características naturais se sentem mais atraídos por determinados padrões. É importante lembrar que essa relação não é uma regra, já que por exemplo , uma mesma síndrome pode atrair diferentes polinizadores ou então o mesmo animal pode ser atraído por diferentes síndromes. Portanto pode ser utilizada como primeiro parâmetro de predição mas não é uma relação extremamente específica. +Tabela baseada na encontrada no livro Biologia Reprodutiva em Angiospermas: Síndromes Florais, Polinização e Sistemas Reprodutivos Sexuados. Vieira & Fonseca 2014POLINIZADORESCARACTERÍSTICAS FLORAISGRUPOPERÍDO DE ATIVIDADEANTESECORODORRECURSOSSÍNDROMEBesourosDiurno ou noturnoDiurno ou noturnoPálida. Esverdeada, branca e cremeSuave ou fortePartes florais como corola estamesCantarofiliaMoscasDiurnoDiurnoPálida, roxaSuave ou forte (pútrido)Néctar e polénMiiofilia/sapromiiofiliaAbelhasDiurnoDiurnoViva, exceto vermelhoSuaveNéctar, pólen, óleos e resinasMelitofiliaBorboletasDiurnoDiurnoVivaSuaveNéctarPsicofiliaMariposasNoturnoNoturnoPálidaForte adocicadoNéctarEsfingofilia/FalenofiliaFormigaVariadoVariadoVariadoVariadoNéctarMirmecofiliaAves (beija-flor)DiurnoDiurnoViva; principalmente vermelho ou amareloNão precisaNéctarOrnitofiliaMamíferos (morcego)NoturnoNoturnoPálida, principalmente brancaForteNéctarQuiropterofilia

Tipos de polinizadores thumb|250px|Abelha do gênero Lipotriches sp. polinizando flores. A polinização pode ser dividida em vetores abióticos e bióticos:

Abióticos: Anemofilia, por vento; hidrofilia, por água. Bióticos: Cantarofilia, por besouros; miiofilia/sapromiiofilia, por moscas; melitofilia, por abelhas; psicofilia, por borboletas; esfingofilia, por mariposas grandes; falenofilia, por mariposas pequenas; mirmecofilia, por formigas; ornitofilia, por pássaros e quiropterofilia, por mamíferos.

A vasta maioria dos polinizadores pertence a um dos quatro maiores grupos de insetos: Hymenoptera (abelhas, vespas e formigas), Diptera (moscas e mosquitos), Lepidoptera (borboletas e mariposas) e Coleoptera (besouros); mas alguns insetos polinizadores pertencem a outras ordens. Finalmente, há vários pássaros, mamíferos que atuam como polinizadores, especialmente em regiões tropicais e até alguns répteis e moluscos.Čepička, I., Kolář, F., Synek, P. (2007): Mutualismus, vzájemně prospěšná symbióza. Přípravný text - biologická olympiáda 2007-2008, NIDM ČR, Praha

Os seres humanos também são polinizadores em alguns casos de necessidade de intervenção humana para produção de, por exemplo, cucurbitáceas.

Abelhas Os polinizadores mais reconhecidos são as várias espécies de abelhas, que são claramente adaptadas à polinização. As Abelhas são dispersores típicos e carregam carga eletrostática; ambos os recursos ajudam os grãos de pólen aderirem aos seus corpos. Além disso, possuem estruturas especializadas em transportar pólen que, na maioria das abelhas, assume a forma conhecida como escopa, que fica por trás da perna da maioria das abelhas e/ou no abdômen inferior (por exemplo, da família Megachilidae, composto de cerdas plumosas e espessas. Abelhas melíferas, zangões e outros componentes da colmeia não possuem escopa, mas a perna é alterada em uma estrutura chamada de corbícula, também conhecida como "Cesta de Pólen".

A maioria das abelhas reúne néctar, fonte de energia concentrada, e pólen, grande fonte de proteínas, para alimentar suas larvas e, sem saber, transferir alguns entre as flores que estão trabalhando. Como as abelhas precisam de uma abundante e constante de pólen, às vezes concorrem com a fecundação das plantas, levando-as a desenvolverem uma grande adaptação morfológica ou química para impedir que as abelhas esgotem todo o pólen. Na cultura do maracujá, as mamangabas são abelhas de vital importância para a produção de frutos.

thumb|250px|esquerda|Vespa da espécie Ancistrocerus antilope.

Vespas A diferença das larvas das abelhas com as das vespas, é porque estas últimas se alimentam principalmente de insetos e/ou aranhas. Contudo, as vespas também visitam muitas flores para sugar o néctar pelo seu valor energético, tanto as parasitas como as "verdadeiras" vespas como as das famílias Sphecidae e Vespidae. Há alguns exemplos de coadaptação, como as vespas especializadas que visitam as orquídeas do gênero Ophrys e aquelas em que a pequena fêmea penetra em um pequeno figo, cujo interior se encontram numerosas e diminutas flores, põe seus ovos em algumas das futuras sementes e visita ao outros frutos depositando o pólen trazido das já visitadas.

Formigas thumb|250px|direita|Formigas em flor de Maracujá. As formigas são insetos sociais que vivem em colônias; visitam flores frequentemente e sugam néctar. Porém muito poucas são polinizadoras; as operárias não têm asas para ir mais longe e raramente visitam plantas diferentes, somente em alguns casos de plantas rasteiras, como algumas euforbiáceas, para realizar a polinização cruzada.

Moscas thumb|250px|esquerda|Mosca das Flores (Eristalinus aeneus). Há muitas moscas e mosquitos que são polinizadores, especialmente as moscas da família Syrphidae. Visitam flores com a corola aberta, principalmente pelo néctar, mas também pelo pólen, com destaque as fêmeas que precisam de proteína para a maturação de seus ovos. Não são bem adaptadas à polinização como as abelhas, nem tão velozes e com órgãos específicos para o transporte, mas conseguem polinizar em alguns casos.

As moscas das famílias Empididae e Bombyliidae, especialmente estas últimas, têm uma longa probóscide que as permite chegar ao néctar de flores tubulares e profundas, sendo importantes polinizadoras de tais flores. Certas plantas estão adaptadas exclusivamente à polinização por moscas, atraindo-as com mutualismo, pois exalam odores e têm cor e aparência de carne podre, neste caso, Mosca-varejeira. Há outras flores que exalam cheiro de fungos, atraindo outro tipo de moscas. As flores do cacau são polinizadas por pequenas moscas da família Ceratopogonidae. Algumas moscas macho do gênero Bactrocera são polinizadores exclusivos de algumas orquídeas do gênero Bulbophyllum, que contêm um atrativo químico específico em sua fragância floral.Tan, K.H.& R. Nishida. 2005. Synomone or Kairomone? - Bulbophyllum apertum (Orchidaceae) flower releases raspberry ketone to attract Bactrocera fruit flies. Journal of Chemical Ecology. 31(3): 509-519.Tan, K.H.& R. Nishida. 2007. Zingerone in the floral synomone of Bulbophyllum baileyi (Orchidaceae) attracts Bactrocera fruit flies during pollination. Biochemical Systematics & Ecology 35: 334-341.

Borboletas e mariposas thumb|direita|250px|Borboleta em uma Verbenaceae.