A primatologia é a ciência que estuda a ordem dos primatas, o que inclui a infra-ordem Simiiformes que geralmente são denominados por macacos antropóides, os hominídeos incluídos na superfamília Hominoidea e a infra-ordem dos pró-símios.TERRAZAS MATA, Alejandro. Potencial del uso de la primatología para interpretar la evidencia paleoantropológica. Cuicuilco, México , v. 18, n. 50, abr. 2011 . Disponible en <http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0185-16592011000100005&lng=es&nrm=iso>. accedido en 15 oct. 2015.

É uma disciplina com várias vertentes. Há primatólogos na área da biologia, antropologia, psicologia, entre outras. Está intimamente relacionada com a antropologia física que não é mais que o estudo do gênero Homo, especialmente do Homo sapiens. Segundo verbete da Enciclopédia Britânica a antropologia física é ramo da antropologia que estuda a origem, evolução e diversidade de pessoas basicamente com três grandes grupos de problemas: evolução humana e dos primata não-humanos, variação da espécie humana e seu significado, e as bases biológicas do comportamento humano.Tuttle, Russell Howard. Physical anthropology. (Updated 4-28-2014) 4 Encyclopædia Britannica, Inc Acesso Fev. 2015 thumb|direita|200px|Mãe Gorilla, Bronx Zoo. Para Joseph M. Erwin primatologista e professor de antropologia da Columbian College of Arts and Sciences da Universidade George Washington a primatologia ou o estudo científico de primatas, não pode ser reduzida nem a um ramo da zoologia ou mastozoologia, assim como a antropologia não é exatamente um ramo da primatologia.PIN - Primate Info Net. What is Primatology? Wisconsin Primate Research Center (WPRC) Library Acesso Fev. 2015

Interfaces com outras disciplinas thumb|240px|Alouatta Macaco Gritador Entre os interesses no estudo da primatologia estão os das ciências da saúde: fisiologia, patologia clínica, genética, imunologia e especialmente epidemiologia das zoonoses. Além do vírus da raiva (Rhabidovírus), uma das mais antigas zoonoses conhecidas e comum a diversos mamíferos, incluindo o cão doméstico. Pelo menos duas famílias de vírus atraíram o foco das atenções para os primatas o grupo dos Lentivírus (Retroviridae) onde se originou o HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e a família dos Flavivírus (Togaviridae) que reúne os agentes da febre amarela e dengue.Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Manual de vigilância de epizootias em primatas não-humanos. Brasília, Ministério da Saúde, 2005. 56 p. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)- Disponível para download Hahn, Beatrice H. Tracing the Origin of the AIDS Pandemic The PRN Notebook ® . V 10, N3, September 2005 www.prn.org PDF Jul 2011Wolfe, Nathan D.; Escalante, Ananias A.; Karesh, William B.; Kilbourn, Annelisa; Spielman, Andrew Lal, Altaf A. Wild Primate Populations in Emerging Infectious Disease Research: The Missing Link? CDC - Emerging Infectious Diseases 150 Vol. 4, No. 2, April–June 1998 htm Jul 2011Wikipédia En Origin of AIDS Jul. 2011

Nas ciências comportamento destacam-se os estudos sobre linguagem, aprendizagem e etologia em especial o comportamento sexual e agressivo, também descrito como instintivo. Entre os estudos clássicos da psicologia incluem-se "A inteligência dos antropóides"Köhler, Wolfgang. The mentality of apes. London. Routledge and K. Paul. (1925) 2003 Google Books de Wolfgang Kölher (1887-1967), um dos criadores da psicologia da gestalt e, sobre o comportamento materno, o "Estudo do amor em filhotes de macaco" de Harry HarlowHarlow, Harry F. O amor em filhotes de macaco, Scientific American, junho de 1959 inMcGaug, J. L.; Weinberger, N. M.; Whalen, R. E. Psicobiologia, as bases biológicas do comportamento. Textos do Scientific American. SP, Polígono, Universidade de São Paulo, 1970 sem esquecer dos trabalhos de Charles Darwin (1809-1882): "A Descendência do Homem" (1871) e "A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais" (1872)Darwin, Charles. A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais. SP, Companhia das letras, 2002 que deram novo rumo a essa disciplina científica com a Teoria da evolução.

Primatologistas thumb|Jane Goodall em outubro de 2010.

Jane Goodall (1934-2025) - Jane Goodal Institute Dian Fossey (1932-1985) - Dian Fossey Gorilla Fund Birutė Galdikas (1946) - President Orangutan org Colin Groves - The Colin Groves pages Dawn Prince-Hughes (1964) Karen Strier - Projeto Muriqui Frans de Waal (1948) Sherwood Washburn (1911–2000) Robert M. Yerkes (1876 - 1956)- Yerkes National Primate Research Center of Emory University

A ordem dos primatas

As principais características dos primatas são as formas das mãos e dos pés. Eles têm cinco dedos, sem garras e com os polegares, e os dedos grandes dos pés oponíveis (opostos) aos outros dedos - próprios para subir em árvores, segurar e manipular alimentos ou objetos.NAPIER, John. A mão do homem, anatomia, função, evolução. RJ: Zahar; Editora Universidade de Brasília, 1983STORRER, T.I.; USINGER, R.L. - "Zoologia Geral" (2a. ed.). SP, Nacional, 1976, p. 671

Outra característica importante dos primatas é o desenvolvimento dos órgãos dos sentidos, especialmente a visão. Os primatas diferenciam as cores e localizam as coisas em três dimensões. O sentido que predomina na maioria dos outros animais é o olfato. Há quase um consenso de que os primatas têm a inteligência e o sistema nervoso mais complexos entre os animais e que essa complexidade seria a maior no cérebro humano.Jacobs, Gerald H.; Nathans, Jeremy. Color Vision: How Our Eyes Reflect Primate Evolution. Scientific American Magazine - March 16, 2009 Abstract Aces. out. 2015Barton, R. A. Binocularity and brain evolution in primates. PNAS, July 6, 2004, vol. 101, no. 27, 10113–10115 doi 10.1073 pnas.0401955101 PDF Aces. out. 2015Dunbar RI., Shultz S. Understanding primate brain evolution. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences. 2007;362(1480):649-658. doi:10.1098/rstb.2006.2001. <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2346523/> Aces. out. 2015Hofman MA. Evolution of the human brain: when bigger is better. Frontiers in Neuroanatomy. 2014;8:15. doi:10.3389/fnana.2014.00015. < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3973910/ >Callaway, Ewen. Mammalian brain followed a scented evolutionary trail. Published online 19 May 2011, Nature, doi:10.1038/news.2011.302Rowe, Timothy B.; Macrini, Thomas E.; Luo, Zhe-Xi Fossil Evidence on Origin of the Mammalian Brain. Science 20 May 2011: Vol. 332 no. 6032 pp. 955-957 DOI: 10.1126/science.1203117 Abstract Acesso. 19/10/2015

A classificação dos primatas é controversa, e tem passado por sucessivas revisões. Mantém-se a grande divisão da ordem entre prosímios (prosimii) atualmente denominados Strepsirrhini, excluindo-se destes os Tarsiiformes e, como referido, o grupo que abrange os antropoides (antropoidea) o grupo que inclui a forma humana (antropoide) nos macacos do novo mundo (Platyrrhina) e do velho continente (Catarrhini) diferenciados, entre outras características, a partir do formato das narinas em relação ao septo nasal, incluindo os hominidae, além do grupo que inclui os humanos ou hominoidea.

O diagrama abaixo mostra uma das classificações aceita dos primatas, baseado na cladística e na ancestralidade comum na definição dos grupos.Groves, C.P.. Order Primates. In: Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.). Mammal Species of the World. 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2005. 111–184 p. ISBN 978-0-8018-8221-0 OCLC 62265494

Estudo do comportamento thumb|right|Macaco-prego ou capuchinho "Sapajus apella" compartilhando alimento Os comportamentos são padrões de ação no tempo, portanto qualquer investigação de comportamento se ocupará de sequencias, apesar de que nem sempre é possível ver identificar diferenças nos caracteres corporais. Para Eibl-EibesfeldtEibl-Eibesfeldt, Irenaus- "Etologia - Introducion al Estudio Comparado del Comportamiento". Barcelona, Omega, 1974. Quando um etólogo observa uma animal em uma atividade determinada, pergunta porque este animal se comportará de tal forma e não de outra? Com esta pergunta sobre a adaptação e função específica do comportamento busca suas respostas na ecologia, filogenia, fisiologia do comportamento, com o devido cuidado com interpretações decorrentes da subjetividade do pesquisador.DESPRET, V.. O que as ciências da etologia e da primatologia nos ensinam sobre as práticas científicas?. Fractal: Revista de Psicologia, Local de publicação (editar no plugin de tradução o arquivo da citação ABNT), 23, abr. 2011. Disponível em: <http://www.uff.br/periodicoshumanas/index.php/Fractal/article/view/649 >. Acesso em: 15 Out. 2015.

As técnicas de observação sistemática não são novas foram usadas cientificamente no comportamento do homem e de outros animais pelo menos desde Darwin (1872) observação direta do comportamento livre do organismo é o “método por excelência” inclusive aplicável ao entendimento do comportamento humano com seus “problemas” psicológicos.Hutt, S.J.; Hutt, Corine. Observação direta e medida do comportamento. SP, EPU, Ed. da Universidade de São Paulo, 1974

O programa ideal para o estudo do comportamento animal requer a coordenação entre trabalho de campo e pesquisa de laboratório como já preconizava o etólogo George B. Schaller (1933) A moderna tecnologia já possibilita notáveis formas de registrar a observação de campo (computadores de mão, sensoriamento remoto; "rádio-tracking" e mapeamento por GPS) que devem ser integrados com as análises de laboratório de genética, endocrinologia e métodos não invasivos de investigação da ecologia alimentar integradas inclusive com informações provenientes de pesquisa em etnoprimatologia e mesmo de observações em cativeiro (idealmente feito no local do habitat do animal) a exemplo dos progressos de compreensão da espécie do aie-aie (Daubentonia madagascariensis) por este método.Setchell, Joanna M.; Curtis, Deborah J. (Editors) Field and Laboratory Methods in Primatology A Practical Guide. NY, Cambridge University Press, 2011 Google Books Acesso, fev. 2015

Setchell e Curtis destacam ainda a urgência das tarefas de conservação das espécies ameaçadas de primatas citando dados da IUCN (2008) que calcula que 48% das espécies de primatas estão ameaçadas e os dados disponíveis são insuficientes para avaliar o estado de mais de 15% das espécies.

Observe-se também a necessidade de estudos de longo prazo para confecção dos etogramas Albuquerque e CodenottiAlbuquerque, Vagner José de; Codenotti, Thaïs Leiroz. Etograma de um grupo de bugios-pretos, Alouatta caraya (Humboldt, 1812) (Primates, Atelidae) em um habitat fragmentado. Rev. etol., São Paulo , v. 8, n. 2, dez. 2006 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-28052006000200006&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 07 fev. 2015. por exemplo descreveram 44 categorias comportamentais observados em um grupo de bugios pretos (Alouatta caraya) dentro das classes de: manutenção, interação social, comportamento agonístico, comportamento reprodutivo e cuidado parental comportamentos correlacionáveis entre si e com uma flutuação ao longo das estações do ano.

Primatologia no Brasil

O Brasil, que já foi chamado país dos macacos, é o país que abriga a maior variedade de espécies, segundo Coimbra FilhoCoimbra Filho, Adelmar F. Os primatas do Brasil patrimônio a preservar. Ciência Hoje, a 1 n2 (62-69) RJ, setembro – outubro de 1982 ocorrem cerca de 16 gêneros e pelo menos 44 espécies. Contudo a primatologia, aqui, ainda é uma área muito pouca conhecida. Uma área onde não há um curso especializado. Para ser primatólogo é preciso se formar por conta própria e ter vontades próprias.