Pinhalzinho é um município brasileiro do estado de Santa Catarina, localizado na região Oeste Catarinense. Sua população, conforme a contagem do Censo Demográfico de 2022, é de 21.972 habitantes.
Localiza-se a uma latitude 26º50'53" sul e a uma longitude 52º59'31" oeste estando a uma altitude de 515 metros.
História
Povos originários e disputas territoriais A presença humana no território onde hoje está o município de Pinhalzinho remonta a pelo menos três mil anos. Os indígenas Kaingang, descendentes desses primeiros grupos agricultores-ceramistas, dominaram a região até o início do século XX. A partir do século XVI, os Guaranis chegaram pela via do rio Uruguai, pressionados pela colonização portuguesa no litoral.
Naquele tempo, uma vasta floresta de araucárias dominava a paisagem, em uma área praticamente sem presença governamental e ainda em disputa com a Espanha. No século XIX, o litígio foi com a Argentina. Foi somente em 1895, por meio de arbitragem conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Stephen Grover Cleveland, que o Brasil garantiu o domínio sobre a região. Além dos povos originários, também se estabeleceram caboclos e descendentes de quilombolas, que buscavam refúgio nas matas do interior catarinense.
Colonização e ciclo da madeira A partir de então, o território passou a ser disputado entre Santa Catarina e Paraná, até que um acordo firmado em 1916 definiu a área como catarinense. No ano seguinte, todo o Oeste Catarinense foi incorporado ao recém-criado município de Chapecó. Na região do Salto do Lajeado Bonito (atual Linha Volta Grande), formou-se um núcleo caboclo liderado por Porfírio Alves dos Santos, nomeado Inspetor de Quarteirão pelo governo chapecoense.
Embora Santa Catarina tivesse consolidado sua posse, o governo ainda considerava a região um “sertão” a ser colonizado. A migração cabocla, que ocorria desde o século XIX vinda do Rio Grande do Sul e do Paraná, não correspondia ao modelo de colonização idealizado pelas elites políticas, fortemente influenciadas por ideias eugenistas de “branqueamento” da população por meio da imigração europeia.
A partir da década de 1930, o governo estadual concedeu terras a companhias colonizadoras em troca da abertura de estradas e do incentivo à venda de lotes. Já em declínio, a imigração direta de europeus foi substituída pela migração interna de descendentes de alemães e italianos instalados no Rio Grande do Sul, onde havia excedente populacional nas antigas colônias.
O futuro território de Pinhalzinho foi denominado pela Companhia Territorial Sul Brasil como Seção Anta Gorda, parte de uma fração maior destinada à colonização. Em 17 de maio de 1933, um caminhão vindo de Selbach, trazendo famílias de origem alemã, chegou à Linha Bonito para instalar uma serraria. As famílias Eckert, Klauck e Schneider ergueram a primeira serraria, inaugurando a exploração madeireira que se tornaria motor da colonização.
A população cabocla, voltada à subsistência e sem títulos de propriedade, acabou sendo forçada a migrar ou a trabalhar como mão de obra nas serrarias.
A madeira extraída seguia majoritariamente para a Argentina, transportada em carretas, caminhões e, em períodos de cheia, pelo rio Uruguai. Moradores relatam que as toras eram amarradas com cipós e levadas em balsas até ultrapassar o Salto do Yucumã.
Foi nesse contexto que o nome Pinhalzinho se consolidou, diretamente ligado à exploração dos pinhais de araucária.
Emancipação e política local Entre 1943 e 1946, o território integrou o Território Federal do Iguaçu, criado por Getúlio Vargas em meio à Segunda Guerra Mundial. Em seguida, foi subordinado sucessivamente aos distritos de Passarinhos (atual Palmitos) e Saudades. Em 1953 passou a fazer parte do município de São Carlos, tornando-se distrito próprio em 1956.
As décadas de 1930 a 1960 foram marcadas por intensa exploração madeireira, transformando profundamente a paisagem. Não por acaso, a emancipação municipal ocorreu em 7 de dezembro de 1961, em plena fase de crescimento urbano impulsionado pelo ciclo da madeira. Como destacou a historiadora Ires Frozza, “não havia nenhum órgão governamental que fiscalizasse a retirada da madeira; esta foi feita de maneira indiscriminada”.
O primeiro prefeito, Guilherme Edgar Werlang, foi indicado pelo governador Celso Ramos, ambos do PSD. Em 1963, José Bruno Weber tornou-se o primeiro prefeito eleito. Com a Ditadura Civil-Militar de 1964, Pinhalzinho passou a refletir o novo cenário político: só eram permitidos dois partidos, a ARENA (governo) e o MDB (oposição). A maior parte dos prefeitos foi da ARENA, exceto Gabriel Schaff, eleito pelo MDB em 1969. A política influenciava até o esporte: naquele ano, oposicionistas fundaram o Internacional de Pinhalzinho, inspirado no clube gaúcho, que conquistou o título municipal de 1971 contra a equipe da Madeireira Bugnotto, cujo proprietário seria eleito prefeito pela ARENA em 1977.
Desenvolvimento econômico e identidade atual Com o esgotamento das araucárias nos anos 1970, novas atividades ganharam força, como a agricultura, a suinocultura e a indústria. Em 1969, vinte e cinco agricultores fundaram a Cooperativa Agrícola Mista Pinhalense, embrião da atual Cooperativa Regional Itaipu.
Esse novo cenário econômico abriu caminho para a criação da EFACIP — Exposição e Feira Agropecuária, Comercial e Industrial de Pinhalzinho —, realizada pela primeira vez em 1986, durante a gestão de Darci Fiorini (PDS), como parte das comemorações dos 25 anos do município. A feira se consolidou como símbolo do desenvolvimento local. No Censo de 2000, Pinhalzinho tinha 12.300 habitantes; já em 2022, a população havia saltado para 21.972, com tendência de dobrar em poucas décadas. O crescimento da indústria atrai novas correntes migratórias, tanto nacionais quanto estrangeiras, especialmente da Venezuela.
Pinhalzinho, desde suas origens, sempre foi marcada pela chegada de migrantes. Hoje, como “Capital da Amizade”, continua a preservar essa tradição de acolhimento e diversidade.
Geografia
Localização Localizado no Oeste de Santa Catarina, o município de Pinhalzinho está a cerca de 45 km de Chapecó e é atravessado por duas rodovias principais: a BR-282, que funciona como eixo de integração regional, e a SC-160, conhecida como "corredor do agro" por sua importância no escoamento da produção agroindustrial do Oeste catarinense.
A SC-160 liga Pinhalzinho a Saudades ao sul e a Modelo ao norte, conectando-se à BR-282 — que, por sua vez, interliga o município a Nova Erechim, Nova Itaberaba e Chapecó a leste, e a Maravilha e Saudades a oeste. Essa posição geográfica reforça o papel de Pinhalzinho como polo local no Oeste catarinense, exercendo influência sobre municípios vizinhos e mantendo vínculos com centros regionais maiores como Chapecó e Maravilha.
Segundo estudo baseado na REGIC 2018 do IBGE, Pinhalzinho é classificado como Centro de Zona A, com centralidade voltada especialmente para atividades comerciais, de serviços e de ensino superior.
Território A ocupação do território ocorreu em diferentes fases. Até o início do século XX, era habitado por famílias caboclas que viviam da agricultura de subsistência e da extração de erva-mate. A partir da década de 1930, com a chegada de migrantes gaúchos de descendência alemã, iniciou-se uma transformação mais intensa. Entre as décadas de 1940 e 1970, a instalação de serrarias e a exploração madeireira de cedros e pinheiros reduziram a cobertura florestal e abriram espaço para a agricultura, a suinocultura e, posteriormente, atividades industriais.
Hidrografia Pinhalzinho integra a Região Hidrográfica do Uruguai, com rios como o Burro Branco e o Saudades. O Rio Lajeado Bonito também se destaca como importante curso d’água local, cujas águas sofrem influência de atividades agrícolas e urbanas. O município está inserido no bioma Mata Atlântica.
Economia
A economia de Pinhalzinho apresenta relevância regional, reunindo atividades nos setores agropecuário, industrial e de serviços. Segundo dados da Associação dos Municípios do Oeste de Santa Catarina (AMOSC), o Produto Interno Bruto (PIB) do município passou de R$ 801 milhões em 2016 para aproximadamente R$ 1 bilhão em 2021. No mesmo período, a produção nas propriedades rurais aumentou de R$ 180 milhões para cerca de R$ 400 milhões.
Setor agropecuário e cooperativo A Cooperativa Regional Itaipu, fundada em 1969, é um dos principais motores da economia local. A cooperativa movimenta milhões de sacas de grãos por ano, processa trigo em larga escala, possui dezenas de filiais e atua em diversos ramos de negócio. Em 2023, registrou faturamento superior a R$ 1,8 bilhão, além de investir em unidades modernas de processamento.
Indústria Pinhalzinho se destaca na indústria de processamento de alimentos, especialmente no setor lácteo. A Cooperativa Central Aurora Alimentos inaugurou em 2008 uma das maiores indústrias de produtos lácteos do país, instalada às margens da BR-282. A Lacticínios Tirol, por sua vez, instalou sua unidade no município em 2017, que recebeu ampliação em 2024. Atualmente, Pinhalzinho possui capacidade de processamento de leite estimada em 5 milhões de litros por dia, dos quais 2,6 milhões são processados pela Aurora e 1,4 milhões pela Tirol.
Além do setor lácteo, o município abriga também a Zagonel, indústria fundada em 1989. Em 2024, a empresa adquiriu as marcas Corona e Thermosystem, consolidando-se como a segunda maior fabricante de duchas do Brasil.
Empreendedorismo Em março de 2025, Pinhalzinho figurou entre as 20 cidades mais empreendedoras de Santa Catarina, ocupando a 17ª posição estadual e a 2ª no Oeste do estado, com uma taxa de empreendedorismo de 16,6% — indicador baseado no número de pequenos negócios em relação à população.
O município também ganhou destaque nacional em desburocratização. Em 2021, alcançou o 1º lugar no ranking federal de dispensa de alvarás e licenças, com base no Decreto Municipal nº 326/2020. Em 2025, voltou a liderar o ranking nacional, com 1 129 atividades dispensadas de licenças.
Educação Pinhalzinho é polo regional de educação no Oeste de Santa Catarina, contando com instituições de ensino superior, profissionalizante e de pesquisa aplicada.
Educação básica
Pinhalzinho possui uma rede diversificada de instituições de ensino básico, composta por escolas estaduais, municipais e privadas, além de centros de educação infantil que atendem à população desde a primeira infância.
Entre as escolas estaduais, destacam-se o Colégio José Marcolino Eckert, uma das principais instituições públicas do município, que oferece ensino fundamental e médio e atende estudantes de diferentes bairros da cidade. Outra escola importante é a Escola de Educação Básica Vendelino Junges.
Na rede municipal, destacam-se a EMEF Teobaldo Utzig e a EMEF Dom José Gomes, que oferecem ensino fundamental e desenvolvem projetos voltados à formação cidadã e ao incentivo à leitura e à cultura. O município conta ainda com oito Centros de Educação Infantil (CEIMs), que atendem crianças em idade pré-escolar, integrando o sistema de ensino desde os primeiros anos de vida.
Na rede privada, o destaque é o Centro de Educação Objetivo, instituição que tem se consolidado como referência em qualidade de ensino na região. O colégio ganhou destaque estadual ao alcançar o primeiro lugar na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em Santa Catarina.
Educação Profissional e Tecnológica No campo da educação profissional e tecnológica, o município conta com uma unidade do SENAI, inaugurada em 2025, que oferece cursos técnicos voltados para os setores industriais da região.
Educação Superior