A Marvel Comics é uma editora norte-americana de histórias em quadrinhos, propriedade da The Walt Disney Company desde 31 de dezembro de 2009 e subsidiária da Disney Publishing Worldwide desde março de 2023. A Marvel foi fundada em 1939 por Martin Goodman como Timely ComicsDaniels, Les (1991). Marvel: Five Fabulous Decades of the World's Greatest Comics. Nova Iorque: Harry N. Abrams. 27, 32–33 p. e, em 1951, passou a ser conhecida como Atlas Comics. A era Marvel começou em agosto de 1961, ano em que a empresa lançou Quarteto Fantástico e outros títulos de super-heróis criados por Stan Lee, Jack Kirby, Steve Ditko e muitos outros. A marca Marvel, que já vinha sendo usada ao longo dos anos e décadas, foi consolidada como a principal marca da empresa. O editor de quadrinhos Stephen Wacker é o atual editor-chefe, cargo que ocupa desde julho de 2026.

A empresa conta com diversos personagens bem conhecidos como: Homem-Aranha, Homem-Formiga, Capitão América, Capitã Marvel, Homem de Ferro, Punho de Ferro, Demolidor, Deadpool, Justiceiro, Feiticeira Escarlate, Viúva Negra, Jessica Jones, Luke Cage, Máquina de Combate, Pantera Negra, Gavião Arqueiro, Doutor Estranho, Shang-Chi, Motoqueiro Fantasma, Wolverine, Hulk, Thor, Visão, Falcão, Vespa, Blade, e suas equipes como: Vingadores, Defensores, Thunderbolts, Eternos, X-Men, A-Force, Quarteto Fantástico, Heróis de Aluguel, Guardiões da Galáxia, Agents of S.H.I.E.L.D., Jovens Vingadores, Manto e Adaga, Fugitivos, Inumanos dentre outros, e os antagonistas como: Thanos, Ultron, Venom, Duende Verde, Caveira Vermelha, Doutor Destino, Rei do Crime, Magneto, Mandarim, Galactus e Loki. A maioria dos personagens fictícios da Marvel operam em uma única realidade conhecida como o Universo Marvel, com a maioria dos locais refletindo lugares da vida real; Muitos personagens principais são ambientados em Nova York, Estados Unidos.Sanderson, Peter (20 de Novembro de 2007). The Marvel Comics Guide to New York City. Gallery Books.

História thumbnail|200px|Apache Kid nº19 (1956).

Início A Marvel Comics foi fundada por volta de 1930 e 1940 por Martin Goodman, com o nome de Timely Comics. Goodman, um editor de revistas pulp que começou a vender histórias de faroeste em 1933, expandiu suas atividades para um emergente e até então bastante popular mercado de revistas de histórias em quadrinhos originais.Per statement of ownership, dated October 2, 1939, published in Marvel Mystery Comics #4 (February 1940), p. 40; reprinted in Marvel Masterworks: Golden Age Marvel Comics Volume 1 (Marvel Comics, 2004, ISBN 0-7851-1609-5), p. 239 Goodman começou a empresa na 330 West 42nd Street, New York City, New York. Ele detinha oficialmente os títulos de editor, editor-executivo e gerente de negócios, com Abraham Goodman ocupando oficialmente o cargo de publisher. A primeira publicação ocorreu em 1939, com o número 1 da revista Marvel Comics, onde se deram as primeiras aparições do super-herói Tocha Humana e do anti-herói Namor, o Príncipe Submarino. A equipe por trás desse sucesso de vendas veio de uma outra editora, a Funnies, Inc., mas no ano seguinte, a própria equipe da editora ocupou este posto. Com a segunda edição, o título da série mudou para Marvel Mystery Comics.

O primeiro editor de quadrinhos da Marvel, o também roteirista e desenhista Joe Simon, se juntou a Jack Kirby, para criar o primeiro herói patriota da história, o Capitão América, em Captain America Comics #1. (Março de 1941). Capitão América logo virou um sucesso, com uma circulação de quase um milhão. Portanto, nos anos 40 a Timely tornou-se muito conhecida.

Em 1939, Goodman contratou o primo de sua esposa,unpublished Martin Goodman biography by Joseph Lovece Stanley Martin Lieber, como auxiliar geral de escritório.Simon, Joe, with Jim Simon. The Comic Book Makers (Crestwood/II Publications, 1990), p. 208. ISBN 1-887591-35-4 Quando o editor Simons deixou a companhia no final de 1941, Goodman fez de Lieber - que escreveria sob o pseudônimo de "Stan Lee" - editor provisório da linha de quadrinhos, uma posição que Lee manteve durante décadas, exceto por três anos durante o serviço militar na II Guerra Mundial. Lee escreveu extensivamente para a Timely Comics, contribuindo para vários títulos diferentes.

O mercado americano de quadrinhos de super-heróis caiu no pós-guerra. A Editora de Goodman deixou de publicar a maior parte de suas obras anteriores, e expandiu-se para uma ampla variedade de gêneros que a Timely Comics ainda não havia publicado, com ênfase no gênero de horror, faroeste, humor, animais, crime, quadrinhos de guerra, e posteriormente, acrescentando uma porção de revistas da selva, títulos de romance e até mesmo espionagem, aventura medieval, histórias da Bíblia e esportes. Como outras editoras, Goodman também cortejou as leitoras com quadrinhos principalmente humorístico sobre modelos e mulheres famosas.

A estratégia de negócios do editor Martin Goodman envolvido com suas várias revistas publicadas por várias empresas que operavam a partir do mesmo escritório e com a mesma equipe.Daniels, Les (1991). Marvel: Five Fabulous Decades of the World's Greatest Comics. Nova Iorque: Harry N. Abrams. 27, 32–33 p. Uma dessas empresas de fachada foi chamada de Marvel Comics. Algumas capas de revistas, como All Surprise Comics #12 (Inverno de 1946/1947), traziam a frase "A Marvel Magazine" (uma revista Marvel) muitos anos antes Goodman formalmente adotar o nome em 1961.

Década de 1950 Nos anos 50, a Marvel atravessou tempos difíceis, da mesma maneira que as outras editoras. Goodman começou a publicar sob o nome de Atlas, uma distribuidora de sua propriedade, em Novembro de 1951. Atlas, ao invés de inovar, seguia as tendências populares na televisão e no cinema - faroestes e dramas de guerra em vigor por um tempo, monstros de cinema drive-in em outro - e mesmo outras revistas em quadrinhos, especialmente a linha de terror da EC Comics.Per Les Daniels in Marvel: Five Fabulous Decades of the World's Greatest Comics (Harry N. Abrams, New York, 1991) ISBN 0-8109-3821-9, pp. 67-68: "The success of EC had a definite influence on Marvel. As Stan Lee recalls, 'Martin Goodman would say, "Stan, let's do a different kind of book," and it was usually based on how the competition was doing. When we found that EC's horror books were doing well, for instance, we published a lot of horror books'". A Atlas também publicou uma infinidade de títulos para crianças e humor adolescente, incluindo Homer the Happy Ghost de Dan DeCarlo (fantasma à la Gasparzinho) e Homer Hooper (adolescente à la Archie Andrews). A editora tentou, sem sucesso, ressuscitar seus super-heróis entre 1953 e 1954, como o Tocha Humana (arte de Syd Shores e Dick Ayers, alternadamente), Namor (quase todas histórias escritas e desenhadas por Bill Everett) e Capitão América (escritor Stan Lee e desenhada John Romita Sr.). A Atlas tinha no mínimo cinco escritores oficiais (chamados oficialmente de editores) além de Stan Lee: Hank Chapman, Paul S. Newman, Don Rico, Carl Wessler e o futuro cartunista da Revista MAD, Al Jaffee.

No final dos anos 50 e início dos 60, o sucesso inicial da DC Comics ao reviver o gênero de super-heróis nas histórias em quadrinhos (principalmente com a Liga da Justiça) fez com que a Marvel seguisse o mesmo caminho. Os principais expoentes desta época foram os seus empregados Stan Lee (edição e argumento) e Jack Kirby (arte), responsáveis pela criação do Quarteto Fantástico. A revista foi um enorme sucesso, o que levou a Marvel a publicar outros títulos de super-heróis, entre os quais se destacou a revista do personagem Homem-Aranha, criado por Stan Lee e Steve Ditko.

As histórias da Marvel distinguiam-se das demais pelo fato de que o universo em que se desenvolviam possuía características mais próximas da realidade, sendo muito mais humanizado. A Editora explorava a caracterização dos personagens, principalmente em problemas pessoais. Como no grupo X-Men, que surgiu originalmente para tratar-se sobre os preconceitos na época, ilustrados nos mutantes. No caso do Homem-Aranha, ele era um jovem herói com alguma falta de autoestima e muitos problemas mundanos, semelhantes ao de muitos adolescentes. O Demolidor era cego e enfrentava alguns problemas relacionados à sua deficiência física. Este novo olhar acabou por incentivar uma revolução nas histórias em quadrinhos (banda desenhada) estadunidenses com o passar do tempo.

Décadas de 1970 e 1980 No início da década de 1970, uma série de novos diretores trabalharam para a empresa em mais uma época não favorável para esta indústria. No entanto, no final dessa década, a Marvel estava novamente com boa saúde, graças a novos números de HQ e principalmente pela renovação do título dos X-Men, arquitetado principalmente por Chris Claremont e John Byrne.

Na década de 1980, Jim Shooter era o diretor. Apesar da sua personalidade controversa, conseguiu eliminar alguns dos males da empresa - como a não publicação das revistas no prazo devido - e promover mais um renascimento criativo na Marvel, fazendo com que seus gibis tornassem-se ainda mais vendidos .

Em 1981, a Marvel comprou os estúdios de animação DePatie-Freleng Enterprises do famoso animador do desenho da A Pantera Cor-de-Rosa, Friz Freleng. A empresa foi rebatizada de Marvel Productions Ltd. e produziu séries de desenhos animados bastante conhecidas, como G.I. Joe, Transformers e Muppet Babies.

Em 1988, a Marvel foi comprada pelo investidor e empresário Ronald Perelman, que colocou a empresa na Bolsa de Nova Iorque e promoveu o aumento do número de títulos publicados. Entretanto, a empresa vendeu o seu catálogo de animação à Saban Entertainment e fechou permanentemente o estúdio de animação, optando por contratar terceiros para produzir seus projetos de animação.

Década de 1990 A Marvel ganhou bastante dinheiro no início dos anos 90 devido ao boom das histórias em quadrinhos (desenhos) nos Estados Unidos, mas no meio da década enfrentou graves problemas financeiros, com acusações de que Perelman havia tirado todo o dinheiro da empresa em proveito próprio. Como consequência, a Marvel anunciou que o seu distribuidor exclusivo passaria a ser o Heroes World, que fez com que toda a indústria de distribuição de revistas de histórias em quadrinhos sofresse um grande abalo. A perda potencial da maior empresa da indústria, originou o encerramento das atividades da maioria dos distribuidores. No momento, existe apenas uma grande distribuidora de histórias em quadrinhos nos Estados Unidos: a Diamond Distribution. Muitos peritos julgam que esse fato causou um imenso dano à indústria das histórias em quadrinhos mundial.

No auge da crise, o investidor Carl Icahn tentou obter o controle da Marvel, mas após arrastadas batalhas jurídicas, o controle da empresa foi entregue em 1997 à Isaac Perlmutter, proprietário da Toy Biz, uma das empresas do grupo. Com o seu sócio Avi Arad e os seus nomeados (e controversos) editor Bill Jemas e diretor Joe Quesada, Perlmutter reergueu a Marvel. Além da revitalização das revistas da empresa, alguns dos direitos de seus personagens foram licenciados para estúdios cinematográficos como 20th Century Fox, Sony Pictures Entertainment e Universal Pictures para fazerem filmes baseados neles, alguns filmes foram um sucesso durante a década de 2000 como: Blade (1998), X-Men (2000), que se tornou uma série de filmes e spin-offs como filmes solo do Wolverine e Deadpool, Homem-Aranha (2002), que também abriu portas para uma série de filmes, Quarteto Fantástico (2005), Hulk (2003) e Venom (2018), que se tornou um universo compartilhado e spin-off da série de filmes Homem-Aranha chamado Universo Homem-Aranha da Sony.

Década de 2000 thumbnail|200px|Cosplayers fantasiados de personagens da Marvel (da esquerda para direita: Homem-Aranha, Demolidor, Ms. Marvel e Sr. Fantástico)