miniaturadaimagem|634x634px Um terrário é um recipiente, geralmente transparente, no qual se recriam e mantêm as condições ambientais necessárias ao desenvolvimento de plantas ou de pequenos animais terrestres. Possui pelo menos uma das paredes num material transparente — em regra vidro ou acrílico — que permite a entrada de luz necessária à fotossíntese e a observação do interior. Consoante a sua conceção, o terrário pode ser aberto, quando mantém trocas livres com o exterior, ou fechado, quando é selado e funciona como um ecossistema em miniatura, largamente autossuficiente.
História
Embora já na Antiguidade se cultivassem plantas sob campânulas de vidro, o terrário na sua forma moderna surgiu por acaso em Londres, no início do século XIX. O médico e botânico amador Nathaniel Bagshaw Ward (1791–1868), interessado em fetos, via as suas tentativas de cultivo frustradas pelo ar carregado de fuligem de carvão do leste da cidade. Por volta de 1829, ao colocar a crisálida de uma mariposa numa garrafa de vidro selada com um pouco de terra húmida, Ward observou que, no interior do recipiente fechado, germinaram e prosperaram um feto e uma gramínea — precisamente as plantas que não conseguia cultivar ao ar livre.
Deste acaso nasceu a chamada caixa de Ward (Wardian case), um recipiente de madeira e vidro no qual a transpiração das plantas mantinha a humidade interna sem necessidade de rega frequente. Em 1833, Ward pôs a invenção à prova, enviando fetos e gramíneas em duas caixas seladas por via marítima de Inglaterra para a Austrália e de regresso; ao fim de mais de um ano de viagem, as plantas mantinham-se vivas. Ward publicou as suas conclusões em 1842, na obra On the Growth of Plants in Closely Glazed Cases.
A caixa de Ward teve enorme impacto: permitiu transportar plantas vivas através dos oceanos com taxas de sobrevivência muito superiores. O viveirista George Loddiges relatou que, antes de a usar, perdia cerca de dezanove em cada vinte plantas importadas por via marítima, ao passo que, com as caixas, essa proporção passou a corresponder às que sobreviviam. Ao longo do século XIX, estas caixas tornaram-se também um objeto decorativo popular nos salões vitorianos, sendo consideradas as antecessoras diretas do terrário e do vivário modernos, bem como uma inspiração para o aquário.
Terrários abertos
Nos terrários abertos, o recipiente mantém trocas de ar com o exterior. São adequados a plantas que preferem menor humidade, como catos e outras suculentas, e requerem rega periódica, uma vez que não retêm a humidade de forma contínua. No âmbito da manutenção de animais, os terrários abertos ou ventilados são utilizados para répteis e outros animais que necessitam de calor e de um ambiente controlado.
Terrários fechados de plantas
O terrário fechado é um recipiente selado que alberga um ecossistema em miniatura, capaz de se sustentar com intervenção humana mínima. Recria as condições de um ambiente tropical húmido, o que o torna particularmente adequado ao cultivo de plantas como musgos, fetos de pequeno porte, fitónias e outras espécies tropicais e subtropicais que apreciam humidade elevada e constante.
Funcionamento como ecossistema
O funcionamento de um terrário fechado assenta em ciclos naturais que reproduzem, à escala reduzida, os processos que sustentam a vida no planeta.
Ciclo da água: a água evapora-se do substrato e é libertada pelas plantas por transpiração; o vapor condensa nas paredes frias do vidro e escorre de volta para o solo, formando um ciclo hídrico fechado que dispensa rega frequente. Trocas gasosas: durante o dia, as plantas realizam fotossíntese, consumindo dióxido de carbono e libertando oxigénio; à noite, pela respiração, invertem o processo. O equilíbrio entre estes fluxos mantém a atmosfera interna estável. Ciclo de nutrientes: microrganismos presentes no solo decompõem a matéria orgânica morta, como folhas caídas, devolvendo os nutrientes ao substrato, onde são novamente absorvidos pelas plantas.
Um exemplo notável da longevidade destes sistemas é o terrário selado do britânico David Latimer, plantado em 1960 numa garrafa de vidro de dez galões com uma muda de Tradescantia. Aberto uma única vez, em 1972, para adicionar água, permaneceu desde então selado e continuou a prosperar durante várias décadas, alimentado apenas pela luz solar.
Composição e manutenção
Um terrário fechado é habitualmente construído por camadas: um leito de drenagem (com pedras ou material poroso), uma camada de carvão ativado que ajuda a controlar odores e o crescimento microbiano, e um substrato adequado ao enraizamento das plantas. A manutenção é reduzida, mas as próprias plantas fornecem indicadores do estado do sistema: a ausência de condensação nas paredes pode indicar falta de água, enquanto o excesso de humidade e o aparecimento de fungos ou bolor sugerem que o recipiente deve ser arejado temporariamente e a matéria afetada removida.
Dimensão artística
Para além do seu interesse botânico e científico, o terrário fechado é também reconhecido como uma forma de expressão artística e decorativa. A sua conceção envolve princípios de composição paisagística à escala reduzida — o arranjo de plantas, pedras, raízes e relevos procura evocar, dentro do vidro, uma paisagem natural em miniatura. Enquanto objeto vivo, o terrário distingue-se de outras peças decorativas por evoluir ao longo do tempo: as plantas crescem, adaptam-se e alteram continuamente a composição, de modo que a obra nunca fica verdadeiramente terminada. Neste sentido, é frequentemente descrito como uma ponte entre a jardinagem, a ecologia e as artes decorativas. Os terrários fechados servem ainda como ferramentas educativas, ao permitir observar diretamente processos de ecologia, botânica e ciências do ambiente num sistema contido e transparente.
Popularidade contemporânea
Após terem tido um primeiro auge decorativo na era vitoriana e um segundo na década de 1970, os terrários — em particular os fechados de plantas — conheceram um novo ressurgimento a partir da década de 2010, impulsionado pelo interesse renovado nas plantas de interior e pela sua difusão nas redes sociais. Sociedades e eventos de horticultura passaram a destacá-los como uma das tendências recorrentes na decoração com plantas, valorizados por serem compactos, de baixa manutenção e adequados a espaços urbanos reduzidos.
Acompanhando esta procura, desenvolveu-se em vários países europeus um mercado de terrários fechados comercializados já montados, bem como de kits para montagem doméstica, que reúnem o recipiente de vidro, o substrato, o carvão ativado, as plantas e elementos decorativos, além de instruções. São também frequentes os workshops de construção de terrários e a sua oferta enquanto presente. No plano estético, esta fase contemporânea caracteriza-se por uma aproximação às técnicas de paisagismo aquático (aquascaping), com composições que procuram recriar paisagens naturais em miniatura — como florestas ou falésias — recorrendo a madeira, rocha e desníveis de substrato.
Ver também Caixa de Ward Vivário Aquário Jardinagem Ecossistema
Referências
Ligações externas funcionamento ilustrado de terrários fechados de plantas
Categoria:Jardinagem Categoria:Botânica Categoria:Recipientes