Luís Carlos Prestes (Porto Alegre, 3 de janeiro de 1898 – Rio de Janeiro, 7 de março de 1990) foi um militar e político comunista brasileiro, uma das personalidades políticas mais influentes no país durante o século XX.
Prestes ganhou fama nacional ao liderar a Coluna Prestes na década de 1920. Enquanto Plínio Salgado representava a extrema-direita, Prestes era visto como símbolo da esquerda radical.
Perseguido e preso durante a ditadura do Estado Novo, Prestes perdeu sua companheira Olga Benário, morta na Alemanha Nazista na câmara de gás, após ser entregue àquele regime pelo governo do presidente Getúlio Vargas. Em 1940 foi condenado a trinta anos de prisão pelo assassinato de Elza Fernandes. Cinco anos depois foi anistiado por Vargas, a quem viria a apoiar na eleição presidencial no Brasil em 1950. Durante a ditadura militar brasileira exilou-se na União Soviética após ter os seus direitos políticos cassados, retornando ao Brasil depois da promulgação da Lei da Anistia em 1979.
Foi secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro de 1943 a 1980, defendendo a revolução comunista até o final da vida. Nos seus últimos anos, assistiu ao processo de abertura econômica iniciado por Mikhail Gorbatchov na União Soviética em 1986 (que em 1991 resultaria na sua dissolução) e também a queda do Muro de Berlim em 1989. Sobre a queda do Muro de Berlim, reagiu: "Eu não sei o que vai acontecer. Mas é lamentável que tudo isso tenha acontecido dessa maneira".
Formação e início de carreira Filho de Antonio Pereira Prestes e Maria Leocádia Felizardo Prestes, nasceu no dia 3 de Janeiro de 1898, na cidade de Porto Alegre. Seu pai, que seguiu carreira militar, faleceu em 1908.
Em 1904 Maria Leocádia se mudou com a família para o Rio de Janeiro, buscando um tratamento para o marido. No momento em que Antonio Prestes faleceu a família se viu em crise financeira, vide que a pensão de capitão do excército era insuficiente para a família. Leocadia então buscou trabalho como professora de idiomas e de música, além de excercer outras profissões. Em 1915 é nomeada professora de uma escola pública.
Prestes aprendeu as primeiras letras e as operações básicas em casa, e em 1909 ingressou no Colégio Militar, visando cursar a segunda série. Em 1916 prestes ingressou na Escola Militar do Realengo. Prestes foi o primeiro de sua turma no Colégio Militar e na Escola Militar, formando-se como oficial da Arma da Engenharia em dezembro de 1920, recebendo o diploma de bacharel em ciências físicas e matemáticas. Seus companheiros de turma foram a geração inicial do tenentismo, como Juarez Távora, Antônio de Siqueira Campos, Carlos da Costa Leite, Eduardo Gomes, Osvaldo Cordeiro de Farias, Newton Prado e Landerico de Albuquerque Lima.
Na época em que se formou engenheiro o interesse de Prestes pela política ainda era incipiente, na Escola Militar a política não era um assunto, como demonstrado pelo fato de a Revolução Russa de 1917 não ser tópico de interesse, preterida nas discussões pela Primeira Guerra Mundial. Em 1919 Prestes demonstrou alguma empolgação com a candidatura de Epitacio Pessoa, mas rapidamente se desiludiu com o governo. Apesar disso, no ano de 1920 Prestes passou a se engajar mais com política, uma vez que no último ano da escola militar o desenvolvimento econômico nacional e industrialização do Brasil eram tópicos tematizados. No seu discurso como orador da turma na formatura Prestes tratou da questão da siderurgia pelas lentes do nacionalismo.
Ele foi engenheiro ferroviário na 1.ª Companhia Ferroviária de Deodoro, como tenente. Como seu capitão comandante estudava medicina e pouco comparecia ao expediente, Prestes, como o tenente mais antigo, era quem de fato comandava. No ano de 1921 saiu da Companhia Ferroviária e assumiu uma posição como instrutor auxiliar na Escola Militar. Prestes ficou apenas um ano na posição de Instrutor, renunciando ao cargo devido a falta de recursos, que o futuro tenente concluiu que inviabilizava seu trabalho.
Tenentismo miniaturadaimagem|A última foto dos chefes revolucionários tenentistas No Clube Militar, Prestes acompanhou em 1922 a repercussão da crise das cartas falsas. Apesar de sua posição moderada, era solidário à conspiração para um levante militar para destituir o governo de Epitácio Pessoa e impedir a posse de Artur Bernardes. Em 13 de junho ele contraiu tifo, encontrando-se doente na sua casa no Méier quando a Revolta dos 18 do Forte estourou na noite de 4 para 5 de julho. Ele ainda esperava juntar-se aos companheiros dentro de dois a três dias, mas o movimento foi rapidamente sufocado. Após a revolta, ele não quis permanecer no Rio de Janeiro e conseguiu transferência à Comissão Fiscalizadora da Construção de Quartéis nos municípios de Santo Ângelo, Santiago do Boqueirão e São Nicolau. Este cargo o expôs ao desvio de verbas pelos políticos, e em fevereiro ele pediu exoneração, sendo mais tarde transferido ao 1.º Batalhão Ferroviário, em Santo Ângelo, onde foi chefe da seção de construção. Em outubro ele foi promovido a capitão.
Desde o início de 1924, emissários tenentistas do centro do país ligavam-se com as guarnições do Rio Grande do Sul para planejar uma nova ofensiva contra o governo de Artur Bernardes.. p. 319. Prestes comprometeu-se com a conspiração, mas não queria se revoltar sujeito ao seu juramento de fidelidade aos poderes constituídos. Assim, ele solicitou licença para tratamento de saúde no início de julho de 1924 e pediu demissão do serviço ativo em setembro. O requerimento foi esquecido na burocracia do Exército e só voltaria à tona em 1935, quando ele foi acusado de deserção. Enquanto estava afastado da tropa, ele trabalhou como engenheiro civil, instalando a rede de iluminação elétrica de Santo Ângelo e outras cidades e construindo uma ponte ferroviária na região.
Em outubro de 1924, Prestes liderou um grupo de rebeldes na região missioneira do Rio Grande do Sul. Saiu de Santo Ângelo e se dirigiu para São Luiz Gonzaga, onde permaneceu por dois meses aguardando munições do Paraná, que não vieram. Aos poucos, foi formando o seu grupo de comandados que vieram de várias partes da região. Rompendo o famoso "anel de ferro" propagado pelos governistas, rumou com sua recém-formada coluna para o norte até Foz do Iguaçu. Na região sudoeste do estado do Paraná, o grupo se encontrou e juntou-se aos paulistas, formando o contingente rebelde chamado de Coluna Prestes, ou Coluna Miguel Costa-Prestes, com homens, que percorreu por dois anos e cinco meses km. Em toda esta volta, as baixas foram em torno de 750 homens devido à cólera, à impossibilidade de prosseguir por causa do cansaço e dos poucos cavalos que tinham, e ainda poucos homens que morreram em combate. Prestes chegou a ser o chefe do Estado-Maior da Coluna e suas habilidades de liderança foram reconhecidas pelos seus subordinados, mas o comandante formalmente era Miguel Costa. Isto provoca polêmicas na historiografia sobre o nome dessa formação militar.. p. 110-113.
Os estudos na Bolívia e na União Soviética, Eleições de 1930 thumb|200px|esquerda|Prestes, em foto da Alemanha Prestes, apelidado de "Cavaleiro da Esperança", passou a estudar marxismo na Bolívia, para onde havia se transferido no final de 1928, quando a maioria dos integrantes da Coluna Miguel Costa-Prestes se exilara. Lá travou contato com os comunistas argentinos Rodolfo Ghioldi e Abraham Guralski, este último dirigente da Internacional Comunista (IC).
Na 1.ª Conferência Latino-Americana dos Partidos Comunistas, que se realizou em junho, em Buenos Aires, Argentina, com o objetivo de apreciar a situação dos PCs latino-americanos face às resoluções do VI Congresso da IC, foram indicados Paulo de Lacerda, Mário Grazini, Danton Jobim e Leôncio Basbaum. Ficou deliberado que, após chegar ao Brasil, um deles iria procurar Prestes e convidá-lo a participar das eleições presidenciais de 1930, na tática da aliança de classes. Com Prestes não aceitando o convite, a não-concretização da aliança entre o PCB e Prestes determinou o início do “prestismo”, quando muitos comunistas abandonaram o partido para seguir a liderança de Prestes.
O vencedor do pleito foi candidato oficial o paulista Júlio Prestes, mas maioria dos políticos e tenentes da Aliança Liberal não aceitou o resultado das urnas, iniciando-se um levante, com base no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, para o fim da Política do Café com Leite.
Prestes foi convidado a comandar militarmente a Revolução de 1930 ao lado de Getúlio Vargas, chefe civil. Entretanto, os recursos financeiros tardaram a chegar. Quando Osvaldo Aranha, um dos líderes revolucionários, enviou-lhe cerca de oitocentos contos de réis para a compra de armamento, Prestes já decidira não mais participar do movimento liderado por Vargas. repassando o dinheiro para a Internacional Comunista na Argentina.
Em 1931, mudou-se para a União Soviética a convite do país. Lá, trabalhou como engenheiro e dedicou-se a estudos marxistas-leninistas. Por pressão do Partido Comunista da União Soviética, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) o aceitou como filiado em agosto de 1934.
Sendo eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista, voltou como clandestino ao Brasil em dezembro de 1934, acompanhado pela alemã Olga Benário, também membro da IC.
O comando da ANL e a deportação de Olga thumb|200px|Prestes como capitão do exército, Rio Grande do Sul, 1923-1924. O recém-constituído movimento Aliança Nacional Libertadora (ANL), de cunho nacionalista e democrático, contando com a participação de ex-tenentistas, setores médios da sociedade e mesmo os comunistas, que seguiam diretrizes de apoiar movimentos deste tipo, teve Prestes como seu presidente de honra.70 anos da Aliança Nacional Libertadora (ANL)
Prestes procurou então aliar o enorme crescimento da ANL com a retomada de antigos contatos no meio militar, para criar as bases que julgava capazes de deflagrar a tomada do poder no Brasil. Em julho de 1935, divulgou um manifesto exigindo "todo o poder" à ANL e a derrubada do governo Vargas.
Em novembro, eclodiram insurreições, primeiro nas guarnições do exército de Natal e Recife. Posteriormente, Rio de Janeiro se sublevou em solidariedade às outras duas capitais, com Prestes e os demais militantes do PCB crendo ser o momento da derrubada de Vargas. Entretanto, os levantes foram facilmente debelados pelo governo, cuja polícia política, liderada por Filinto Müller, desencadeou um violento processo de repressão, prisões, torturas e assassinatos.
300px|miniaturadaimagem|Prestes no Tribunal de Segurança, em 1937|esquerda
Na época, Moscou criara em Montevidéu, Uruguai, o Secretariado Latino-Americano, que operava clandestinamente e queria aproximar as organizações comunistas da América Latina de Moscou. Olga e Prestes eram apoiados financeira e logisticamente através desta organização. Após o fracasso do Levante de 1935, que ficou pejorativamente conhecida pelo nome que os militares empregaram, a Intentona Comunista e a descoberta destas operações, o Uruguai rompeu relações com a União Soviética, no final de 1935.Ferreira, Luiz Gonçalves Alonso, "Olga: A Verdade Esquecida", Santos: A Tribuna de Santos, 7 de setembro de 2004.