As relações ou interações ecológicas são os efeitos que os organismos em uma comunidade têm um sobre o outro. No mundo natural, nenhum organismo existe em absoluto isolamento e, portanto, cada organismo deve interagir com o meio ambiente e outros organismos. As interações de um organismo com seu meio ambiente são fundamentais para a sobrevivência deste e o funcionamento do ecossistema como um todo.Elton, C.S. 1968 reprint. Animal ecology. Great Britain: William Clowes and Sons Ltd.
Nas comunidades bióticas dentro de um ecossistema encontram-se várias formas de interações entre os seres vivos que as formam. Essas relações se diferenciam pelos tipos de dependência que os organismos mantêm entre si. Algumas dessas interações se caracterizam pelo benefício mútuo de ambos os seres vivos ou de apenas um deles, sem o prejuízo do outro, ou até mesmo o prejuízo de ambos como é visto na competição.
Os termos que indicam explicitamente a qualidade do benefício ou dano em termos de aptidão experimentada pelos participantes em uma interação estão listados no gráfico. Existem seis combinações possíveis, que vão desde mutuamente benéficas até interações neutras e mutuamente prejudiciais. O nível de benefício ou dano é contínuo e não discreto, de modo que uma interação particular pode ter um alcance de trivialmente prejudicial a mortal, por exemplo. É importante notar que essas interações nem sempre são estáticas. Em muitos casos, duas espécies irão interagir de forma diferente em diferentes condições. Isto é particularmente verdadeiro, mas não limitado a, casos em que as espécies têm estágios de vida múltiplos, drasticamente diferentes.
As relações ecológicas podem ocorrer entre indivíduos da mesma espécie e indivíduos de espécies diferentes. Quando as interações ocorrem entre organismos da mesma espécie, são denominadas relações intraespecíficas ou homotípicas. Quando as relações acontecem entre organismos de espécies diferentes, recebem o nome de interespecíficas ou heterotípicas.
Relações intraespecíficas harmônicas Sociedades As sociedades são associações entre indivíduos da mesma espécie, organizados de um modo cooperativo e não ligados anatomicamente. Os indivíduos componentes denominados sociais, colaboram com a sociedade em que estão integrados graças aos estímulos recíprocos. Sempre é observada a existência de hierarquia, uma divisão de funções para cada membro participante, o que gera indivíduos especialistas em determinadas funções aumentando a eficiência do conjunto e sobrevivência da espécie, a ponto de ocorrerem seleções na escolha da função de acordo com a estrutura do corpo de cada animal. Por exemplo, formigas soldados são maiores e possuem mais veneno (mais ácido fórmico) que as formigas operárias; a abelha rainha é grande e põe ovos, enquanto que as abelhas operárias são menores e não põem ovos.
Colônias Uma colônia é o agrupamento de vários indivíduos da mesma espécie que apresentam um elevado grau de dependência entre si, podendo ou não ocorrer divisão do trabalho.
Quando constituídas por organismos que apresentam a mesma forma, não ocorre divisão de trabalho, todos os indivíduos são iguais e executam as mesmas funções vitais, nesses casos são denominadas colônias isomorfas. Por exemplo as colônias de corais.
Quando constituídas por indivíduos com formas e funções distintas ocorre a divisão de trabalhos, (são denominadas colônias heteromorfas). Um exemplo é o celenterado da espécie Physalia physalis, popularmente conhecida por “caravela”, que forma colônias com indivíduos especializados na proteção e defesa (os chamados dactilozoides), especializados na reprodução (os chamados gonozoides), especializados em natação (os chamados nectozoides), especializados na flutuação (os chamados pneumozoides), e os especializados em digestão (os chamados gastrozoides), cada qual desempenhando funções diferentes no conjunto.
Relações interespecíficas harmônicas Mutualismo miniaturadaimagem|A polinização ilustra o mutualismo entre plantas floridas e seus polinizadores. O mutualismo é uma interação entre duas ou mais espécies, onde as espécies derivam um benefício mútuo, por exemplo, uma maior capacidade de carga. Interações similares dentro de uma espécie são conhecidas como cooperação. O mútuo pode ser classificado em termos da proximidade da associação, sendo a mais próxima a simbiose, que muitas vezes é confundida com o mutualismo. Uma ou ambas as espécies envolvidas na interação podem ser obrigatórias, o que significa que elas não podem sobreviver a curto ou longo prazo sem as outras espécies. Embora o mutualismo historicamente tenha recebido menos atenção do que outras interações, como a predação, é assunto muito importante em ecologia. Exemplos incluem peixes mais limpos, polinização e dispersão de sementes, flora intestinal, mimetismo de Müller e fixação de nitrogênio por bactérias nos nódulos radiculares de leguminosas.Begon, M., J.L. Harper and C.R. Townsend. 1996. Ecology: individuals, populations, and communities, Third Edition. Blackwell Science Ltd., Cambridge, Massachusetts, USA.
Outro exemplo é a relação entre os cupins e a triconinfa. Os cupins, ao comerem a madeira, não conseguem digerir a celulose, mas em seu intestino vivem os protozoários, capazes de digeri-la. Os protozoários, ao digerirem a celulose, permitem que os cupins aproveitem essa substância como alimento. Dessa forma, os cupins atuam como fonte indireta de alimentos e como “residência” para os protozoários.
Simbiose miniaturadaimagem|O peixe palhaço comum (Amphiprion ocellaris) em sua casa de anêmona do mar Ritteri (Heteractis magnifica). Tanto o peixe quanto a anêmona se beneficiam desse relacionamento, um caso de simbiose mutualista. O termo simbiose (grego: viver em conjunto) pode ser usado para descrever vários graus de relação íntima entre organismos de diferentes espécies. Às vezes, é usado apenas nos casos em que ambos os organismos se beneficiam; Às vezes é usado de forma mais geral para descrever todas as variedades de relacionamentos relativamente intimas, ou seja, mesmo parasitismo, mas não predação. Alguns chegam até a ponto de usá-lo para descrever a predação. Ele pode ser usado para descrever relacionamentos onde um organismo vive em ou em outro, ou pode ser usado para descrever casos em que os organismos estão relacionados por comportamentos estereotipados mútuos.Surindar Paracer and Vernon Ahmadjian, "Symbiosis: An Introduction to Biological Associations" Oxford University Press. 2nd Ed. 2000.
Em ambos os casos, a simbiose é muito mais comum no mundo vivo e muito mais importante do que é geralmente assumido. Quase todos os organismos têm muitos parasitas internos. Uma grande porcentagem de herbívoros apresentam microbiota de intestino mutualista que os ajuda a digerir a matéria vegetal, o que é mais difícil de digerir do que a presa animal. Os recifes de corais são o resultado de mutualismos entre organismos de corais e vários tipos de algas que vivem dentro deles. A maioria das plantas terrestres e, portanto, pode-se dizer, a própria existência de ecossistemas terrestres depende de mutualismos entre as plantas, que consertam o carbono do ar e fungos micorrízicos que ajudam na extração de minerais do solo. Espera-se que a evolução de todos os eucariotas (plantas, animais, fungos, protistas) resulte de uma simbiose entre vários tipos de bactérias: teoria endossimbiotica
Protocooperação Na protocooperação, embora as duas espécies envolvidas sejam beneficiadas, elas podem viver de modo independente, sem que isso as prejudique. miniaturadaimagem|Protocooperação entre o pássaro palito e o crocodilo africano. Um dos mais conhecidos exemplos de protocooperação é a associação entre a anêmona-do-mar e o paguro, um crustáceo semelhante ao caranguejo, também conhecido como bernardo-eremita ou ermitão. O paguro tem o corpo mole e costuma ocupar o interior de conchas abandonadas de gastrópodes. Sobre a concha, costumam instalar-se uma ou mais anêmonas do mar (actínias). Dessa união, surge o benefício mútuo: a anêmona possui células urticantes, que afugentam os predadores do paguro, e este, ao se deslocar, possibilita à anêmona uma melhor exploração do espaço, em busca de alimento.
Outro exemplo é o de alguns animais que promovem a dispersão de sementes de plantas, comendo seus frutos e evacuando suas sementes em local distante, e a ação de insetos que procuram o néctar das flores e contribuem involuntariamente para a polinização das plantas.
Há também a relação entre o anu e os bovinos, onde o anu, uma ave, se alimenta de carrapatos existentes na pele dos bovinos, livrando-os de indesejáveis parasitas.
Um outro exemplo clássico é o pássaro palito e o jacaré: o jacaré abre a sua boca e o pássaro palito introduz-se nela, de onde retira sanguessugas que ali encontram-se parasitando o réptil, além de retirar restos de comida presos entre seus dentes. Assim, ambos são beneficiados - o crocodilo, ao livrar-se dos parasitas, e o pássaro palito, tendo uma opção alimentar indireta. No entanto, tal relação poderia ser dispensada, sem causar nenhum tipo de desequilíbrio metabólico.
Outro exemplo é a relação entre Corvos e Lobos que se baseia do corvo guiar o lobo até carcaças e o lobo come a carcaça e acaba rasgando a carcaça permitindo que o corvo coma e sempre o lobo deixa restos para o corvo situações dessa relação foram vistas em Yellowstone National Park onde ambas estas espécies se encontram com frequência.
Inquilinismo ou epifitismo O inquilinismo(ou epifitismo no caso das plantas) é um tipo de associação em que apenas um dos participantes se beneficia, sem causar qualquer prejuízo ao outro. Nesse caso, a espécie beneficiada obtém abrigo ou, ainda, suporte no corpo da espécie hospedeira, e é chamada de inquilino. Um exemplo típico é a associação entre orquídeas e árvores. Vivendo no alto das árvores, que lhe servem de suporte, as orquídeas encontram condições ideais de luminosidade para o seu desenvolvimento, e a árvore não é prejudicada (ver Epifitia).
Outro exemplo é o do Fierasfer, um pequeno peixe que vive dentro do corpo do pepino-do-mar (Holoturia). Para alimentar-se, o Fierasfer sai do pepino-do-mar e depois volta. Assim, o peixe encontra proteção no corpo do pepino-do-mar, que não recebe benefício nem sofre desvantagem. miniaturadaimagem|Comensalismo entre a rêmora e o tubarão baleia.
Comensalismo O comensalismo é um tipo de associação entre indivíduos onde um deles se aproveita dos restos alimentares do outro sem prejudicá-lo. O ser vivo que se aproveita dos restos alimentares é denominado comensal, enquanto que o ser vivo que lhe proporciona esse alimento fácil é denominado anfitrião. Alguns exemplos de comensalismo: A rêmora e o tubarão. A rêmora ou peixe-piolho é um peixe ósseo que apresenta a nadadeira dorsal transformada em ventosa, com a qual se fixa no ventre, próximo à boca do tubarão e é levada com ele. Quando o tubarão estraçalha a carne de suas presas, muitos pedacinhos de carne se espalham pela água e a rêmora se alimenta desses restos alimentares produzidos pelas atividades do tubarão.
O exemplo didático mais antigo e mais clássico de comensalismo é o caso das hienas que se aproveitam dos restos das carcaças deixadas pelos leões. No entanto, algumas observações realizadas indicam que as hienas esperam que o leão faça o trabalho de abater a presa, em seguida o bando de hienas ataca o leão de forma a afugentá-lo e assim conseguem se apoderar de sua caça, inclusive impedindo que ele se alimente da caça que ele mesmo abateu, caracterizando assim uma relação de esclavagismo interespecífico e não propriamente de comensalismo. Vez por outra as hienas abatem leões e os devoram numa relação clara de predatismo. O comensalismo entre hienas e leões só acontece quando o leão já está fartamente alimentado e já tendo saciado a sua fome, abandona os restos da carcaça para as hienas e abutres.
Relações intraespecíficas desarmônicas