Brasil5º lugarborder|120pxAssociaçãoCBFConfederaçãoCONMEBOLParticipação13º (todas as Copas) Melhor resultado anterior15px Campeão: 1958, 1962, 1970Técnico Telê Santana
A edição de 1986 foi a 13ª edição do torneio e o campeonato aconteceu no México. O Brasil era o único país a participar de todas as edições do torneio da FIFA, fato que persiste até a última edição realizada da Copa, em 2026.
A Seleção foi dirigida pela segunda vez consecutiva por Telê Santana e o capitão foi Edinho. O Brasil terminou na quinta colocação. Na preparação, as polêmicas ficaram com os cortes de Renato Gaúcho e Leandro, a lesão de Zico e a influência dos cartolas nas convocações. A equipe foi eliminada pela França nas quartas de final e terminou na quinta colocação.
O Ciclo da Copa do Mundo
A participação brasileira na Copa do Mundo de 1986 começou tumultuada. Com quatro treinadores no ciclo. Carlos Alberto Parreira iniciou no comando da seleção, mas após o vice-campeonato na Copa América de 1983 foi demitido. Eduardo Antunes Coimbra, irmão de Zico, dirigiu o Brasil em três jogos amistosos. Evaristo de Macedo assumiu o comando em 1985, mas duas semanas antes do início das Eliminatórias, acabou dispensado, devido a maus resultados em amistosos contra a Colômbia e Chile. Evaristo alega que foi derrubado por tentar afastar "lideranças negativas" como Sócrates, "era um problema sério o comportamento dele".
Telê Santana, treinador da Seleção na Copa anterior, reassumiu, recorreu a alguns dos principais jogadores da campanha de 1982 e classificou facilmente o Brasil para a Copa.
No entanto, haveria eleição para presidente da CBF em janeiro de 1986. A disputa foi entre Octávio Pinto Guimarães, candidato de Castor de Andrade, e Medrado Dias, candidato de Roberto Marinho. O técnico de Octávio era Telê Santana, já o preferido de Medrado era Zagallo. A imprensa especulava o nome de Rubens Minelli como novidade aos dois que já haviam passado pela seleção. Minelli não acreditava na sua escolha por "conhecer o sistema de escolha do treinador". Com a eleição de Octávio Pinto Guimarães, Telê Santana foi confirmado o técnico para a copa de 1986.
Eliminatórias
A Brasil caiu no Grupo 3 das Eliminatórias Sul-Americanas, ao lado da Bolívia e do Paraguai. As três seleções enfrentaram-se em turno e returno - e apenas a primeira colocada garantia vaga para a Copa.
A Seleção estreou com vitória contra os bolivianos, por 2 a 0, fora de casa, e bateu os paraguaios, também fora de casa, pelo mesmo placar. Nos jogos de volta, dois empates por 1 a 1 garantiram a presença do Brasil em mais uma Copa do Mundo.
Partidas Grupo 3 - Ida
Grupo 3 - Volta
ClassificaçãoSeleçãoPtsJVEDGPGCSG16422062424412154132402227-5
Brasil classificado. O Paraguai qualificou-se para repescagem.
Artilheiros do Brasil
2 gols Walter Casagrande
1 gol Zico Sócrates Careca
Assistências do Brasil 1 Assistência Zico Renato Portaluppi Leandro Júnior Walter Casagrande
A Copa
O período de preparação durou três meses. Telê convocou 29 jogadores em fevereiro. Foram disputados sete amistosos. Com duas derrotas iniciais para a Alemanha Ocidental, por 2 a 0, em Frankfurt, e Hungria, por 3 a 0, em Budapeste. Depois a equipe retornou ao Brasil e encaixou quatro vitórias: Peru (4 a 0), Alemanha Oriental (3 a 0), Finlândia (3 a 0) e Iugoslávia (4 a 2). O jogo despedida foi um empate com o Chile por 1 a 1 em Curitiba em 7 de maio de 1986, um mês antes da estreia contra a Espanha (01/06/1986).
Diversos cortes por lesão ocorreram, como Mozer, Toninho Cerezo e Dirceu. A polêmica ficaram com os cortes de Renato Gaúcho e Leandro, a lesão de Zico e a influência dos cartolas nas convocações.
Corte de Renato e Leandro
O técnico da seleção Telê Santana era conhecido por ser um cara rígido. Renato Gaúcho e Leandro foram titulares durantes as Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1986. Durante a preparação, os jogadores ganharam um dia de folga, mas deveriam voltar em horário combinado. Diversos jogadores saíram para tomar um churrasco e voltaram às 4h da manhã. Na volta, eles pularam o muro do hotel. Leandro em mau estado não conseguiu pular o muro. Renato Gaúcho entrou junto com o lateral pela porta da frente. No final do dia, após uma reunião, a mensagem é que nenhum dos dois seria cortado.
Mas com o passar dos dias, Telê Santana desconvocou os dois jogadores. Telê Santana voltou atrás e manteve a punição apenas a Renato Gaúcho. Leandro, em apoio a Renato, se recusou a embarcar para o México, mesmo diante dos apelos de Zico. Renato declarou: "Eu havia sido o melhor jogador da Seleção nas Eliminatórias. Tinha 23 anos, estava voando fisicamente. O Brasil iria jogar no México ao meio-dia. O time já tinha algumas peças envelhecidas. Tinha certeza que seria muito importante. O Telê Santana não me puniu. Puniu um país para manter a disciplina. Me cortou e, em seguida, perdeu o Leandro, que não foi à Copa, por solidariedade".
A Lesão de Zico
Zico tinha uma lesão de ligamento cruzado, necessitando operação, que na época, levava nove meses - resultado de uma falta dura cometida pelo zagueiro do Bangu, Márcio Nunes, em partida válida pelo Campeonato Carioca de 1985. O médico convenceu que realizando um trabalho de reforço muscular seria possível estar na Copa. No amistoso contra o Chile, Zico torceu o tornozelo e pediu para ser dispensado, mas foi convencido a continuar. Zico passou a vir do banco de reserva: "Eu aceitei, deixei de lado o que o coração pedia, e assumi a responsabilidade".
Zico se declarou arrependido de ter disputado o mundial: "Tive uma lesão de ligamento cruzado, que foi rompido. Tive que fazer uma cirurgia e eu já estava com a lesão quando fui para a Copa do Mundo [de 1986]. Eu me reuni com a comissão técnica e falei: 'eu não quero ir à Copa. Vai ser um sacrifício muito grande. Sei que eu vou ter que operar de novo o joelho'. Parecia que eu tava adivinhando tudo o que eu iria encontrar pela frente. Pensando, raciocinando e analisando tudo, eu não deveria ter ido naquela Copa".
Influência dos Cartolas nas convocações
Telê Santana estava no futebol árabe quando retornou à seleção brasileira. O treinador apostou em seus atletas da Copa do Mundo FIFA de 1982, mas alguns não estavam nas suas melhores fases, como Zico, Falcão e Toninho Cerezo. Para Sandro Moreyra, Telê Santana estaria desatualizado e faria convocações de jogadores que não conhecia a pedido dos novos dirigentes da CBF, Nabi Abi Chedid, Octávio Pinto Guimarães e o padrinho Castor de Andrade.
Assim que foi noticiado que Valdo poderia ser convocado, a rádio Globo entrou em contato com o atleta que disse jamais ter pensado em ser chamado porque estava com um problema de virilha. Sandro Moreyra escreveu no Jornal do Brasil: "Valdo, do Grêmio, não foi convocado por Telê Santana e sim por Nabi Abi Chedid. Um convocação tipicamente política para agradar o Rio Grande do Sul irritado com o corte de Renato Gaúcho. Telê nada teve a ver com isso. Ele nem conhecia o Valdo. Telê não sabia se era preto, branco, verde ou amarelo". O Jornal do Brasil abriu a manchete: "Quem é este craque que nem Telê conhece?". E acusou o treinador de "reincidência" por convocar um jogador que não conhece, como acontecera com alguns da lista inicial. O São Paulo vibrou com a convocação de Müller: "Se o presidente Aidar quisesse, poderia passar o resto do ano contando dinheiro em um quarto. Era só vender o Müller".
Proteção de Castor de Andrade
O presidente da CBF, Octávio Pinto Guimarães, foi eleito com o patrocínio do mafioso Castor de Andrade. Durante a preparação para a Copa do mundo, o ponta Marinho confidenciou a Sócrates, que temia a violência no Rio: "Sócrates, mudamos faz pouco tempo para o Rio de Janeiro, não temos amigos ainda e minha esposa, para não ficar sozinha, trancou a casa e foi pra casa da mãe em Rio Preto. Voltou hoje e encontrou nossa casa arrombada, levaram tudo, e eu aqui não tenho como ajudá-la”. Sócrates respondeu: “Marinho, você esqueceu que o presidente do seu time é o Castor de Andrade? O Rei do Rio? Vamos ligar pra ele.” Não deu outra. Castor teria dito: “Marinho, meu filho, fique tranquilo, vou acomodar sua família num hotel e colocar segurança em sua casa 24 horas, só te peço três dias e tudo estará em sua casa de volta, o que mais quero é que você tenha paz para representar nosso Bangu nesta maravilhosa seleção.” Segundo Sócrates, dois dias depois Castor de Andrade ligou pra Toca do Castor dizendo para Marinho ficar tranquilo que sua casa havia recebido mais coisas do que levaram e que a segurança permaneceria enquanto ele estivesse na seleção. Marinho, entretanto, não fez parte da relação final de atletas que iriam disputar a Copa.
Escolha do Capitão
Antes da Copa do Mundo, Telê Santana definiu que o centroavante titular do Brasil seria Careca. Walter Casagrande ficou irritado e reclamou com os companheiros. Segundo Edinho, Casagrande disse que Telê queria sacaneá-lo. Edinho teria pedido calma para Casagrande, que o acusou de proteger o treinador. Telê teria visto a cena e decidido que Edinho seria o capitão do Brasil na Copa do Mundo. Em entrevista em 2022, Casagrande alegou que treinou bastante com Gilberto Tim, estava em ótimas condições físicas e na época não entendia porque não era titular. Assim ficou revoltado com Telê.
Lista de convocados
#NomePosiçãoData de NascimentoIdadeClube1CarlosGoleiro4 de março de 195630 Corinthians2Édson BoaroZagueiro3 de julho de 195926 Corinthians3OscarZagueiro20 de junho de 195431 São Paulo4Edinho CapitãoZagueiro5 de junho de 195530 Udinese5FalcãoMeio campista16 de outubro de 195332 São Paulo6JúniorLateral29 de junho de 195431 Torino7MüllerAtacante31 de janeiro de 196620 São Paulo8CasagrandeCentroavante15 de abril de 196323 Corinthians9CarecaAtacante5 de outubro de 196025 São Paulo10ZicoMeio campista3 de março de 195332 Flamengo11EdivaldoAtacante13 de abril de 196224 Atlético Mineiro12Paulo VictorGoleiro7 de junho de 195728 Fluminense13JosimarLateral19 de setembro de 196124 Botafogo14Julio CésarZagueiro8 de março de 196323 Guarani15AlemãoMeio campista22 de novembro de 196124 Botafogo16Mauro GalvãoZagueiro19 de dezembro de 196124 Internacional17BrancoLateral4 de abril de 196422 Fluminense18SócratesMeio campista19 de fevereiro de 196432 Flamengo19ElzoMeio campista22 de janeiro de 196125 Atlético Mineiro20SilasMeio campista27 de agosto de 196520 São Paulo21ValdoMeio campista12 de janeiro de 196422 Gremio22LeãoGoleiro11 de junho de 194936 PalmeirasD. T. Telê Santana
Primeira Fase A Copa do Mundo de 1986 foi a segunda disputada com 24 seleções. Os participantes foram divididos em seis grupos de quatro. Os dois primeiros de cada chave, mais os quatro melhores terceiros colocados, avançavam para a Segunda Fase. Cabeça-de-chave, a Seleção Brasileira caiu no Grupo D, junto com a Espanha, Argélia e Irlanda do Norte. Mesmo com tantos problemas em sua preparação, a Seleção Brasileira fez boa campanha na Primeira Fase e venceu seus três jogos. O goleiro Carlos não levou nenhum gol.
Espanha Com um futebol aquém da expectativa, a Seleção teve dificuldades em sua estreia na Copa, contra os espanhóis. Somente no segundo tempo, o Brasil fez 1 a 0, com Sócrates. O gol do "Doutor" foi muito contestado pelos espanhóis, que alegaram impedimento na jogada. A Espanha seria prejudicada pelo árbitro australiano Cristopher Bambridge, que invalidou um gol legítimo de Michel. O chute do espanhol bateu no travessão e caiu visivelmente depois da linha do gol de Carlos, mas o juiz mandou a partida seguir.
Argélia Contra os argelinos, outra vez a Seleção deixou a desejar. O Brasil venceu novamente por 1 a 0, desta vez com gol de Careca. Após esse jogo, Alemão, Casagrande e Édson foram flagrados bebendo cerveja, durante a apresentação de um circo. O episódio ocupou manchetes dos jornais brasileiros e afetou o clima na Seleção.
Irlanda do Norte