direita|thumb|270px|Um mercado, como este no Funchal, é o exemplo clássico do local de venda de bens por unidade monetária.

Designa-se por mercado todo o processo de interação humana de troca voluntária de bens e serviços. Estes não se configuram somente como espaços físicos onde agentes econômicos, vendedores e consumidores, se encontram para realizar operações de compra e venda através de uma unidade monetária: são o próprio processo que conduz a esse resultado, que pode ocorrer em qualquer lugar, físico ou virtual, e incidir sobre todo o tipo de bens ou serviços transacionáveis.

Segundo a teoria Liberal os mercados tendem a chegar ao equilíbrio baseada na lei da oferta e demanda, que defende que os preços serão condicionados a quantidade de pessoas que desejam o produto versus a quantidade desse produto em estoque.

Para a economia é possível separar os tipos de mercados de acordo com a mercadoria disponível: mercados genéricos e especializados, enquanto que no mercado genérico temos todos os tipos de mercadoria disponível, nos especializados temos apenas um produto especifico como opção para os clientes. Os mercados funcionam ao agrupar muitos vendedores interessados e facilitar que os compradores potenciais os encontrem. Uma economia que depende primariamente das interações entre compradores e vendedores para alocar recursos é conhecida como economia de mercado.

Origem Originalmente o termo mercado, do latim, era utilizado para designar o sítio onde compradores e vendedores se encontravam para trocar os seus bens.

Para o pensamento econômico os mercados seriam a coleção de compradores e vendedores que interagem, resultando na possibilidade de troca (Pindick e Rubinfield, 1995) e serviriam como forma de governar as transações econômicas que acontecem no seu meio, definidas pela lei da oferta e demanda.  

Já para a visão jurídica, os mercados seriam apenas a forma achada pela sociedade para proporcionar as trocas de forma organizada.

Tais visões levam a um objetivo único dos mercados, já previsto pelo estudioso liberais da economia, o equilíbrio do mercado, pois neste cenário de mercado perfeito todos os compradores e vendedores teriam a mesma informação e seu funcionamento se daria apenas pela procura e pela oferta dos produtos.

Porém existe ainda uma outra forma de entender os mercados, por meio do estudo sociológico, que busca entender o comportamento da sociedade frente aos mercados e que vão criticar o cenário previsto de mercado perfeito. Para essa corrente o consumidor presumido pela teoria neoclássica, com informação completa para sua compra, não existe empiricamente. Segundo a autora Fernanda Wanderley, é possível separar esses estudos sociológicos da economia por parte da sociologia em quatro frentes:

Enfoque estrutural: Que busca definir os intercâmbios financeiros dos mercados como sendo padrões de relações interpessoais concretas. Enfoque cultural: Busca analisar o papel que os significados coletivos podem ter na hora de se definirem as estratégias macroeconômicas a serem seguidas. Enfoque cognitivo: volta sua atenção as regularidades dos processos mentais que limitam o exercício da racionalização econômica, como por exemplo as preferências. Enfoque político: Segundo a autora esse método de estudo privilegia as lutas pelo poder entre instituições sociais e políticas, como o Estado e as classes sociais, e a forma como essa dualidade afeta os mercados.

Porém, mesmo com a existências destas diferentes abordagens, na hora de se analisar a economia não necessariamente o analista precisa optar por apenas uma, estes estudos podem ser vistos como complementares, a partir do ponto que buscam explicar diferentes tipos de comportamento da sociedade frente ao mercado e a economia. Como por exemplo a pesquisadora Nadya Guimarães, no ano de 2004 fez um estudo sobre o desemprego em duas metrópoles Tóquio e São Paulo, no qual é possível ver como a sociedade se comporta de forma diferente frente a esse fenômeno, no Japão as pessoas veem esse fato como um grande empecilho as carreiras que tem uma grande relevância na vida das pessoas, já no Brasil o desemprego é visto como algo mais natural que devido a cultura do país é algo comum a sociedade, mesmo o emprego não possui o mesmo valor se comparado ao que o povo Japonês dá.

Atualmente, com o avanço tecnológico, os mercados não necessitam de ser lugares físicos onde compradores e vendedores interagem (Internet).  

A definição de mercado poderá ser entendida de duas formas distintas:

Em sentido amplo: conjunto de pessoas individuais ou coletivas capazes de influenciar as vendas de um determinado produto. Em uma acepção mais recente, inspirada na filosofia social de Rahel Jaeggi, mercados podem ser compreendidos como configurações de práticas de troca socialmente instituídas. Práticas de troca se apoiam em normas e regras que definem o que pode ser trocado, em que condições e com quais expectativas recíprocas, de modo que formas específicas de mercado dependem de interpretações sociais e de contextos institucionais particulares. Em sentido restrito: conjunto de dados sobre a importância e evolução das vendas de um produto.

Quando nos referimos ao mercado, em sentido amplo ou em sentido restrito, existem três classificações de mercado:

Mercado real: Volume de vendas efetivo de um determinado produto ou número de consumidores que compram o produto (os consumidores do produto que a empresa fabrica).

        Quota de Mercado é o mesmo que Mercado real da Empresa.

Mercado potencial: Estimativa do volume a atingir pelas vendas de um determinado produto ou conjunto de compradores que estão em condições de adquirir esse produto (os consumidores que adquirem o tipo de produto fabricado pela empresa e pela concorrência). Mercado total: Engloba o mercado potencial de um determinado produto e o mercado dos que não consomem esse produto (toda a população que tenha condições para vir a adquirir um bem ou serviço, mas sem a garantia de vir a adquiri-lo).

Factores de evolução dos mercados Um mercado é um sistema que evolui no tempo, sob o efeito de variáveis cuja influência se verifica a curto/médio e a longo prazo. É importante identificar esses factores, os quais ajudarão a perceber o que de mais importante se vai passando no mercado e assim adoptar as estratégias e políticas mais indicadas.

Factores de evolução do mercado a curto/médio prazo Conjuntura econômica, política e social: as variações conjunturais do do sistema envolta do mercado se reflete no comportamento que este tem, pois impacta as condições de consumo e oferta de produtos, tanto por parte das pessoas quanto por parte das empresas. Variações sazonais: é do conhecimento comum que o consumo de muitos produtos varia ao longo do ano – a venda de chapéus-de-chuva aumenta no Inverno e o consumo de gelados sofre um acréscimo no Verão. Existe assim uma certa fragilidade destes mercados, pois um Verão pouco quente e chuvoso pode provocar uma quebra nas vendas de gelados, apenas recuperável num próximo Verão quente.

Factores de Evolução do mercado a longo prazo Tempo: muitos mercados evoluem naturalmente ao longo do tempo à medida que o consumo de certos produtos se vai expandindo e entrando nos hábitos das pessoas. É o caso de muitos equipamentos domésticos, como as máquinas de lavar louça ou os microondas. Efeito de substituição de produtos: a substituição de muitos produtos por novos (com o desaparecimento ou não dos antigos) provoca alterações qualitativas e quantitativas nos mercados. Por exemplo, o desaparecimento dos candeeiros de petróleo deu lugar à criação de um espantoso mercado da iluminação eléctrica e o surgimento das máquinas de barbear permitiu, não só a criação desse mesmo mercado, mas também a expansão do próprio mercado concorrente – o das lâminas de barbear. A inovação tecnológica como geradora de novos mercados: actualmente, as empresas procuram na tecnologia grande fontes de inspiração para novos produtos e também para a criação de vantagens concorrenciais. Grau de concorrência: o aparecimento de novos concorrentes no mercado leva à dinâmica de desenvolvimento desses mercados Mercados condicionados: existem mercados que estão condicionados pelo desenvolvimento de outros e, consequentemente, e desenvolvimento deste irá levar ao desenvolvimento do outros. É o caso do mercado da TV por cabo, que está condicionada pelo mercado dos televisores, ou a Internet que está condicionada pelo mercado dos computadores. Envolventes política, económica, cultural, demográfica, tecnológica e social: de uma forma geral, os mercados são influenciados pelas condições gerais envolventes. Estes factores de evolução podem ser objecto de algum controlo e influência por parte dos agentes econômicos, pois nunca podemos esquecer que as empresas são forças activas e actuantes. Sociologia do Mercado A sociologia do mercado busca explicar a origem e o funcionamento dos mercados a partir de abordagens empíricas e teorias sociais que vão além das formulações tradicionais da economia. Embora não apresente um entendimento unívoco, o campo oferece perspectivas complementares voltadas a compreender como os mercados se constituem e operam na prática, destacando o papel das relações sociais, das normas e das instituições.

Com base nos estudos de Neil Fligstein e Luke Dauter, a sociologia enfatiza que os mercados são estruturas profundamente enraizadas na vida social. As interações econômicas não podem ser reduzidas a abstrações teóricas; elas emergem de redes de relações, convenções, padrões culturais e estruturas institucionais que organizam a cooperação e o conflito no cotidiano.

As três grandes correntes sociológicas nos estudos dos mercados são: a teoria das redes, que entende os mercados como construções resultantes dos laços sociais e das interações entre atores; a teoria institucionalista, que analisa como normas, regras, mecanismos de poder e instituições moldam o comportamento econômico; e a teoria da performatividade, que argumenta que os mercados se formam a partir da aplicação prática de dispositivos técnicos, modelos e rotinas que orientam a ação dos indivíduos com base em seus contextos culturais e cognitivos.

Apesar de serem abordagens distintas, essas correntes convergem ao analisar mercados reais, sendo frequentemente mobilizadas de forma complementar pelos pesquisadores para explicar dinâmicas econômicas observáveis.

Parte da teoria social contemporânea também entende os mercados como conjuntos de práticas sociais de troca inseridas em formas mais amplas de vida social. Na formulação de Rahel Jaeggi, práticas de troca são sustentadas por normas, expectativas de reconhecimento e instituições que definem o que conta como bem trocável, quem pode participar das transações e em quais condições. A autora destaca que os mercados não operam apenas como mecanismos técnicos de coordenação entre oferta e demanda, mas como práticas socialmente constituídas e normativamente estruturadas, que podem ser analisadas sociologicamente em função de seus efeitos e tensões internas. Classificação dos mercados Existem dois tipos de mercado: Mercado formal Mercado informal

O funcionamento de um sistema de mercado se fundamenta em um conjunto de regras, onde se compram e vendem bens e serviços e também fatores de produção.

A quantidade demandada por um bem não depende unicamente do preço do bem em consideração, mas de diversos outros fatores, como, por exemplo, preferências do consumidor, preço de outros bens que possam vir a ser substitutos, renda disponível, etc.

A quantidade ofertada de um bem também depende de vários factores, tais como tecnologia disponível, preço dos fatores de produção, subsídios, impostos, preço do próprio bem, etc.

Elementos principais para a formação de uma estrutura de mercado Quantidade de vendedores/ofertantes Quantidade de demandantes Tipo de produto Acesso a informação

Mercado de concorrência perfeita