Moçambique é um país da costa oriental da África Austral que tem como limites: a norte, a Tanzânia; a noroeste, o Malaui e a Zâmbia; a oeste, o Zimbabué, a África do Sul e o Essuatíni; a sul, a África do Sul; a leste, a secção do Oceano Índico designada por Canal de Moçambique.
No Canal de Moçambique, os vizinhos são Madagáscar e as Comores (incluindo a possessão francesa de Mayotte). No Oceano Índico, para leste da grande ilha de Madagáscar, situam-se as dependências de Reunião, Juan de Nova e Ilha Europa. No Canal de Moçambique, sensivelmente a meia distância entre o continente e Madagáscar, o atol de Bassas da Índia, igualmente possessão francesa.
A capital de Moçambique é Maputo (Lourenço Marques durante a dominação portuguesa).
A metade norte (a norte do rio Zambeze) é um grande planalto, com uma pequena planície costeira bordejada de recifes de coral, limitando no interior com maciços montanhosos pertencentes ao sistema do Grande Vale do Rift. A metade sul é caracterizada por uma larga planície costeira de aluvião, coberta por savanas e cortada pelos vales de vários rios, o mais importante dos quais é o rio Limpopo.
Pontos extremos Norte: Foz do Rovuma Sul: Ponta do Ouro Este: Ponta da Quitangonha (a sul de Nacala) Oeste: Zumbo Elevação máxima: Monte Binga, 2.436 m Elevação mínima: Oceano Índico, 0 m
Geografia humana
Divisão administrativa
Moçambique está dividido em onze províncias, sendo uma delas uma área urbana com estatuto provincial. As províncias são as seguintes, de norte para sul e de oeste para este: Niassa (capital: Lichinga, ex-Vila Cabral); Cabo Delgado (capital: Pemba, ex-Porto Amélia); Nampula (capital: Nampula); Zambézia (capital: Quelimane); Tete (capital: Tete); Manica (capital: Chimoio, ex-Vila Pery); Sofala (capital: Beira); Inhambane (capital: Inhambane); Gaza (capital: Xai-Xai, ex-João Belo); Maputo (capital: Matola).
A área urbana com estatuto provincial é a cidade do Maputo (ex-Lourenço Marques), capital do país. Geograficamente, esta área urbana situa-se em pleno território da província do Maputo.
Capital e cidades principais
Maputo é a capital e, simultaneamente, a maior cidade de Moçambique. Designada Lourenço Marques desde a sua fundação e durante todo o período da soberania portuguesa, mudou de nome em 1976, pouco depois da independência.
Outras cidades importantes: Nampula, Beira, Nacala, Quelimane, Pemba, Tete. Na periferia oeste da cidade do Maputo, destaca-se a cidade-satélite da Matola. Isoladamente, a Matola seria a segunda cidade mais populosa de Moçambique, mas integra-se na mancha urbana do Maputo.
Por conseguinte, excluindo a Matola da categoria de centro urbano propriamente dito, a segunda cidade de Moçambique é Nampula, que, demograficamente, ultrapassou a Beira na viragem do século XX para o século XXI.
Património histórico
O património histórico mais notável de Moçambique concentra-se nos seguintes locais:
— Ilha de Moçambique, na baía do Mossuril, ao largo da localidade do Lumbo, no litoral da província de Nampula (zona setentrional do país);
— Parte antiga da cidade de Inhambane, capital da província do mesmo nome (zona meridional do país);
— Baixa da cidade do Maputo (zona meridional do país);
— Ilha do Ibo, outrora entreposto de escravos, no arquipélago das Quirimbas (hoje parque natural, no litoral da província de Cabo Delgado).
A Ilha de Moçambique deu o nome à totalidade do território, do qual foi capital até 1898 (ano em que a sede do governo colonial passou para Lourenço Marques). Em 1991, a UNESCO inscreveu-a na lista do Património Mundial da Humanidade. De entre vários monumentos, destacam-se a Capela de Nossa Senhora do Baluarte, em estilo manuelino, e a Fortaleza de S. Sebastião, expressivos exemplares de arquitetura colonial portuguesa que datam do século XVI (poucas décadas depois da passagem de Vasco da Gama, o primeiro europeu que circum-navegou o extremo meridional da África). O Palácio de S. Paulo ou Palácio dos Capitães-Generais é igualmente notável. A chamada «cidade de pedra» conta com diversas igrejas centenárias, além de edifícios residenciais e comerciais em estilo português, com influências indostânicas.
As influências indostânicas observam-se igualmente na parte antiga da cidade de Inhambane e na Baixa do Maputo.
Comunicações
Transportes marítimos
A grande extensão do território, principalmente na direção S-N (pouco menos de dois mil quilómetros em linha reta), e a dispersão dos centros urbanos são dois fatores que, desde sempre, dificultaram as comunicações terrestres em Moçambique, levando, consequentemente, ao desenvolvimento de um número relativamente elevado de portos de mar durante a primeira metade do século XX.
De norte para sul, podem citar-se os seguintes: Mocímboa da Praia, Pemba, Nacala, Ilha de Moçambique, Angoche (ex-António Enes), Moma, Pebane, Quelimane, Chinde, Beira, Inhambane e Maputo.
O porto do Maputo é o maior de Moçambique e um dos mais importantes da África Oriental.
Transportes aéreos
As mesmas razões (grande extensão do território e dispersão dos centros urbanos) levaram igualmente à construção de uma rede de aeroportos e aeródromos, com particular incidência na segunda metade do século XX.
Quase todas as capitais de província dispõem de pistas capazes de receber as maiores aeronaves comerciais a jato (as exceções são o Xai-Xai, Inhambane e o Chimoio). Esta rede é complementada por diversos aeródromos de menores dimensões.
A companhia aérea nacional, LAM-Linhas Aéreas de Moçambique (designação adotada depois da independência, em 1975), resulta da remodelação da DETA-Direção de Exploração dos Transportes Aéreos, uma empresa criada em 1936 pelo governo português que, além de carreiras internas, começou desde logo a efetuar voos para a África do Sul e para a antiga Federação da Rodésia e Niassalândia (os atuais Zimbabué, Zâmbia e Malaui).
Ferrovias
A construção de linhas de caminho-de-ferro em Moçambique obedeceu muito mais a uma lógica de abastecimento e escoamento dos territórios e países vizinhos sem acesso direto ao mar do que a uma lógica de interligação e serviço interno.
Assim, o nó ferroviário sediado em Lourenço Marques tinha como principal destino o grande centro urbano e industrial de Joanesburgo, na África do Sul, via Moamba e Ressano Garcia (atual Incomáti).
Um outro ramal seguia da capital para norte e noroeste, via Vila Luísa (atual Marracuene), Manhiça, Magude e Trigo de Morais (atual Chokwé ou Chókwè), até à Rodésia do Sul (Zimbabué), através do posto fronteiriço da Malvérnia (atual Chicualacuala).
A mesma lógica esteve na base da construção do Caminho-de-Ferro da Beira, que, partindo do segundo porto marítimo de Moçambique (e, durante a maior parte do século XX, também a sua segunda cidade, hoje ultrapassada a nível demográfico por Nampula), seguia até Vila Pery (atual Chimoio) e Macequece (posteriormente Vila de Manica), passando então pelo posto fronteiriço da Machipanda, rumo à capital da Rodésia do Sul, Salisbúria (atual Harare).
No Dondo, cerca de 30 km a noroeste da Beira, a linha divide-se, com um ramal para norte, via Inhaminga, ao longo da parte setentrional da província de Sofala, até Caia (antiga Vila Fontes), na margem direita do Zambeze. Do nó de Inhamitanga, entre Inhaminga e Caia, parte um ramal secundário para Marromeu, a leste, e daí um outro para a atual Caia, de modo que Inhamitanga, Marromeu e Caia são os vértices de um triângulo ferroviário.
Caia constitui um entroncamento entre a linha proveniente da Beira, a sul, a linha proveniente de Marromeu, a sueste, e uma outra proveniente de Tete, a noroeste (esta última escoa o carvão das jazidas de Moatize, na província de Tete, via Sena e Mutarara).
Na região Norte, há uma linha ferroviária que atravessa toda a província de Nampula e a parte meridional da província do Niassa, para penetrar no Malaui entre os lagos Chirua e Chiuta. Na extremidade oriental, tem início em dois ramais distintos, um a partir do porto de Nacala, o outro a partir de Mossuril, os quais se juntam no nó de Monapo e seguidamente servem Meconta, Nampula, Ribaué, Entre-Rios e, já na província do Niassa, Cuamba (ex-Nova Freixo).
Não há ligação entre estes grandes eixos ferroviários.
A curta linha de cerca de 100 km entre Inharrime e a capital da província de Inhambane, bem como a linha de Quelimane a Mocuba, na província da Zambézia, ambas sem continuidade para outros pontos de Moçambique, não quebram a característica descoordenação interna da rede ferroviária. A título de exemplo: se um passageiro pretendesse ir do Maputo até à Beira, só poderia fazê-lo com escala em Harare, capital do Zimbabué (embarcaria no Maputo pelo ramal norte, até Chicualacuala, na fronteira, seguiria até Harare e, aí, tomaria o caminho-de-ferro da Beira, via Manica, Chimoio e Dondo).
Geografia física miniaturadaimagem|Delta do rio Zambeze. Em latitude, Moçambique tem por limites aproximados os paralelos 10° S e 27° S, situando-se, pois, maioritariamente, na Zona Tórrida. Apenas uma pequena porção do seu território, onde está localizada a capital, fica para sul do Trópico de Capricórnio (23° 26’ 14,440” de latitude sul), ou seja, na Zona Temperada do Sul.
Em plena África Austral, frente ao oceano Índico, que aqui toma o nome de Canal de Moçambique, o país tem uma forma longilínea, mais larga a norte mas acentuadamente estreita a sul (a «cauda de Moçambique»). No que toca à longitude, os seus limites são os meridianos 30° E e 41° E.
No terço setentrional, a província de Tete forma uma grande protuberância com orientação de SE para NW, intrometida entre o Malaui, a Zâmbia e o Zimbabué.
Hidrografia
Lagos
O maior lago de Moçambique, que o país partilha com a Tanzânia e com o Malaui, é o Niassa (conhecido nos países de língua inglesa como Lake Malawi). De forma alongada na direção S-N, tem um comprimento máximo de 580 km e uma largura máxima de 75 km. Situa-se na ponta noroeste do país, no extremo meridional do Vale do Rift, a grande depressão que se inicia junto ao golfo de Áden e que, seguindo para sul, separa os planaltos da Etiópia e da Somália e, nas zonas de maior profundidade, é inundada, formando os grandes lagos da África Oriental (Turkana, Alberto, Kyoga, Vitória, Eduardo, Kivu, Tanganhica, Rukwa, Mweru e Niassa, entre outros de menores dimensões).
Outros lagos importantes de Moçambique são o Chiuta e o Chirua, igualmente situados no extremo meridional do vale do Rift mas dos quais Moçambique apenas possui as margens orientais, pois ambos se estendem maioritariamente pelo Malaui. A lagoa Amaramba, inteiramente em território moçambicano, é um apêndice setentrional do lago Chiuta.
No litoral sul de Moçambique (províncias de Inhambane e de Gaza), há diversas lagoas de forma alongada, sensivelmente paralelas à costa: Dongane, Poelela, Maiene, Quissico (ou Zavala), Marrângua, Inhampavala, Bilene. Nesta última, ligada ao mar por um estreito canal, existem alguns aproveitamentos turísticos. Durante a soberania portuguesa, era também designada «concha de São Martinho do Bilene», porquanto, embora bastante maior, tem uma configuração física semelhante à da concha ou baía de São Martinho do Porto, em Portugal.
Rios
Quase todos os principais rios de Moçambique seguem, aproximadamente, o sentido de oeste para este (ou de noroeste para sueste), desaguando no Canal de Moçambique (a secção do Oceano Índico situada entre o continente e a ilha de Madagáscar).
As duas exceções mais notáveis são o Lugenda e o Chire.
Lugenda: Tem um percurso sensivelmente de sudoeste para nordeste, com o troço inicial na província do Niassa e o troço final a marcar o limite entre esta última e a província de Cabo Delgado, até à confluência com o rio Rovuma.