thumb|200px|right|Pintura de John William Waterhouse Ofelia (1894) Ofélia (em inglês Ophelia) é uma personagem da obra Hamlet de William Shakespeare. É uma jovem da alta nobreza da Dinamarca, filha de Polônio, irmã de Laertes, e potencial esposa do Príncipe Hamlet.
Origem Uma possível fonte histórica de Ofélia é Katherine Hamlet, uma mulher jovem que caiu ao Rio Avon e morreu afogada, em maio de 1579.
Embora se tenha concluído que a jovem se desequilibrou enquanto carregava bastante peso, os rumores da altura indicavam que sofria de uma desilusão amorosa que conduzira ao suicídio. É possível que Shakespeare se tenha inspirado nesta tragédia romântica na criação da personagem Ofélia. O nome Ofélia nunca fora usado antes desta obra.
História Na tragédia Hamlet (c. 1600-1601), de William Shakespeare, Ofélia é apresentada como uma jovem nobre da corte dinamarquesa, filha de Polônio, o Lorde Camareiro, e irmã de Laertes. Inicialmente, é retratada como uma donzela virtuosa, obediente e de grande inocência, que mantém um relacionamento afetivo com o Príncipe Hamlet. Sua existência é rigidamente moldada pelas expectativas sociais da época e pelas imposições das figuras masculinas que a cercam (seu pai e seu irmão), que a instruem a rejeitar as investidas do príncipe, questionando a sinceridade de seus propósitos. A submissão de Ofélia a essas ordens a transforma em um instrumento passivo nas intrigas palacianas, sendo usada por Polônio e pelo rei Cláudio para espionar Hamlet, na tentativa de descobrir a origem de sua suposta loucura. miniaturadaimagem|Ofélia, por Friedrich Heyser
Tragédia e simbolismo miniaturadaimagem|A obra Ophelia, de John Everett Millais (1852), faz parte da coleção da Tate Gallery. A tragédia de Ofélia desenrola-se a partir da interseção entre a ruptura emocional e a manipulação política. Após ser violentamente rejeitada por Hamlet (que, em seu estado de tormenta e fingida loucura, a humilha publicamente e nega tê-la amado) e, sobretudo, após o assassinato acidental de seu pai pelas mãos do príncipe, a frágil estrutura psicológica da jovem desaba. Sua própria loucura, em contraste com a performance calculada de Hamlet, manifesta-se de forma lírica e fragmentada, através de cantigas sobre morte e perda da virgindade, simbolizando a desintegração de sua inocência e da ordem que a regia. Sua morte, descrita pela rainha Gertrude como um afogamento acidental enquanto colhia flores à beira de um riacho, é uma das cenas mais poeticamente densas da literatura ocidental.
Significado e legado Ofélia transcende sua função narrativa para se tornar um poderoso símbolo. Ela personifica a vítima sacrificial em um mundo corrupto e misógino, cuja virtude e obediência não a protegem, mas a conduzem à destruição. Sua tragédia simboliza a aniquilação da pureza e da sanidade pela duplicidade, vingança e decadência moral que assolam Elsinore.
A iconografia de sua morte (a jovem adornada com flores nas águas) transformou-a em uma figura perene, representando a fragilidade, a beleza tragicamente ceifada, o luto e a conexão entre a feminilidade e a natureza, sendo continuamente revisitada nas artes como um emblema da vulnerabilidade humana frente às forças opressoras do destino e da sociedade.
Ofelia Categoria:Nobres fictícios Categoria:Suicidas fictícios
de:Hamlet#Handlung