Aquiles de Faria Lisboa (Cururupu, — São Luís,) foi um médico, cientista, jornalista, professor e político brasileiro.

Biografia Filho de João Antônio de Faria Lisboa e Cândida Braga de Faria Lisboa, uma família proprietária de engenhos na região de Cururupu, Aquiles de Faria Lisboa estudou no Seminário das Mercês e no Liceu Maranhense em São Luís.

Aquiles Lisboa graduou-se em Farmácia pela Faculdade de Farmácia da Bahia e, após formado, ingressou no curso de Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia.

Em 1897, ainda como estudante do terceiro ano de Medicina, atuou como voluntário junto a outros 31 acadêmicos na Guerra de Canudos, onde socorreu feridos e protestou contra a forte repressão e violência empregada pelos soldados na guerra. A participação na guerra lhe rendeu homenagens no Salão Nobre da Faculdade e um convite para concluir o curso na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde se formou com a tese Da mestiçagem vegetal e suas leis.

Em 1906, foi nomeado por Oswaldo Cruz para o cargo de auxiliar acadêmico do Serviço de Profilaxia da Febre Amarela, no Rio de Janeiro.

Em fevereiro de 1912, tornou-se ajudante da seção de botânica do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Em março e abril de 1913, serviu na Diretoria Geral de Agricultura da Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio. Em setembro de 1914, trabalhou na Seção de Fisiologia Vegetal e Ensaios de Sementes do Jardim Botânico. Em fevereiro de 1915, atuou como ajudante da Seção de Botânica e Fisiologia Vegetal da instituição e, no mesmo mês, tornou-se auxiliar técnico comissionado no Serviço do Algodão, onde trabalhou até janeiro de 1916. Também foi professor de Botânica na escola de agricultura anexa ao posto isotécnico de Pinheiros.

Em 1916, foi indicado para ocupar uma vaga na Academia Maranhense de Letras. Ao longo de sua trajetória, publicou numerosos trabalhos em periódicos, nos quais analisava e discutia problemas relacionados à economia e à saúde do estado.

Retornando ao Maranhão em 1918, foi diretor do jornal O Coroatá e Criou o Posto de Socorro aos Ulcerados, a primeira assistência médica pública gratuita do Estado. Foi diretor-chefe na Estação Experimental de Coroatá (MA) entre janeiro e outubro de 1919. Também organizou a Sociedade Maranhense de Agricultura e atuou como delegado geral do recenseamento do Maranhão.

Em 04 de maio de 1922, foi um dos fundadores da Escola de Farmácia do Maranhão, da qual foi o primeiro diretor.

Foi pioneiro no tratamento da hanseníase no Maranhão. Especializado em leprologia, foi o primeiro a utilizar o microscópio em São Luís, desmitificando a ideia de hereditariedade da hanseníase, focando no estudo dos micro-organismos existentes nas lesões de pele. O médico contribuiu para a divulgação do projeto do Hospital Colônia do Bonfim, concebido como um espaço específico para os doentes; as obras começaram em 1932 e a entrega ocorreu em 8 de outubro de 1937. Aquiles Lisboa ganhou notoriedade no estado pelo combate à enfermidade, com conferências e publicações oficiais sobre o tema, como Catecismo da defesa contra a lepra (1936), com o objetivo de popularizar os conhecimentos sobre a doença e meios de prevenção, e Pela pátria, contra a lepra, o mais perigoso dos seus inimigos (1937).

Em janeiro de 1925, ingressou na política, concorrendo ao cargo de senador, mas não logrando êxito. Em 1926, foi eleito prefeito de Cururupu, onde teve um mandato de dois anos, e foi nomeado membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão.

Foi nomeado diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro para o período 1931 a 1933.

Após a Revolução de 1930 e a reconstituicionalização do país, foi candidato ao governo do Maranhão nas eleições de 1935 pelo Partido Republicano (PR) do Maranhão, com apoio da União Republicana Maranhense (URM), que juntos constituíam as Oposições Coligadas. Foi eleito pela Assembléia Constituinte estadual em 22 de julho de 1935.

Seu governo foi marcado pela relação conflituosa com a Assembleia Legislativa. Conforme acordado pelos partidos, o governador deveria nomear Francisco Costa Fernandes, da URM, como prefeito de São Luís. No entanto, nomeou Manuel Vieira de Azevedo, do PR. A URM solicitou que o governador revisse a nomeação, mas este manteve a decisão, alegando que tinha recebido dos chefes partidários autonomia de ação e que solucionar os problemas administrativos, econômicos e financeiros do estado era mais importante do que as questões e os conflitos partidários.

A questão levou ao rompimento da URM com o PR, passando a integrar a oposição da Assembleia Legislativa, junto ao Partido Social Democrático (PSD), ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e à Liga Eleitoral Católica (LEC). A oposição então depôs o presidente da Assembleia, Salvador de Castro Barbosa, do PR, substituindo-o pelo vice-presidente Antônio Pires da Fonseca, da URM.

Em janeiro de 1936, foi aprovada na Assembleia uma emenda constitucional depondo o governador, pois não reconhecia mais a autoridade do Executivo. O governador rompeu relações com o Poder Legislativo e impediu a Imprensa Oficial de publicar seus atos.

Aquiles Lisboa recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que este atestasse a legitimidade de seu mandato, tendo obtido um parecer favorável. O Senado, no entanto, reconheceu a emenda constitucional estadual. Como o governador se recusava a deixar o cargo, em abril de 1936 a Assembleia aprovou um pedido de intervenção federal.

O governador obteve um mandado de segurança favorável em 23 de maio de 1936. O governo federal, no entanto, nomeou como interventor do estado o major Roberto Carneiro de Mendonça no dia 14 de junho.

Aposentou-se como assistente-chefe e naturalista do Museu Nacional em 1940.

Faleceu em 1951, aos 72 anos em decorrência de um câncer de pele.

Aquiles Lisboa (in memorian) e sua filha, a médica e professora Achilea Cândida Lisboa Bittencourt, receberam o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Maranhão.

Obras O Serviço do algodão e o seu insucesso (1916) Discursos (1918) O posto socorro médico aos ulcerados (1919) Em torno da questão da pesca no município de Cururupu (1920) Questão de Interesse Público (1921) A Nova Escola (1922) Pela Honra do Maranhão (1925) Em defesa do regime pervertido e do Maranhão arruinado (1926) Profilaxia da tuberculose (1949) A penúria dos sábios alemães e austríacos (s/d) Oswaldo Cruz (s/d) A lavoura e a guerra (s/d) Bilharziose ou esquistossomose (s/d) Da mestiçagem vegetal e suas leis (s/d)

Categoria:Governadores do Maranhão Categoria:Prefeitos de Cururupu Categoria:Naturais de Cururupu Categoria:Alunos da Faculdade de Medicina da Bahia da Universidade Federal da Bahia Categoria:Membros da Academia Maranhense de Letras Categoria:Médicos do Maranhão