O Clube Esportivo e Recreativo Atlântico, de nome fantasia Atlântico Futsal, é um clube poliesportivo brasileiro da cidade de Erechim, Rio Grande do Sul. Fundado em 20 de setembro de 1915, compete no futebol de salão desde 1999.

Com história centenária em diversos esportes, o departamento de futsal é o único em atividade profissional nos dias de hoje. Nos últimos anos, se estabeleceu como uma equipe tradicional e vitoriosa: conquistou 6 títulos estaduais, somando 3 Ligas e 3 Campeonatos Gaúchos, 1 Liga Nacional, 2 Taças Brasil, 2 Copas do Brasil, 1 Copa Libertadores e 1 Copa Intercontinental, além de outros torneios.

Em termos de investimento e sucesso esportivo, está entre os maiores clubes do Rio Grande do Sul, ao lado de Carlos Barbosa. Atualmente, é uma das franquias integrantes da Liga Nacional, principal competição do futsal brasileiro.

História A história do Clube Esportivo e Recreativo Atlântico está intrinsecamente ligada à cidade de Erechim, cuja fundação oficial data de 1918, na época em que o município ainda era um distrito de Passo Fundo. Refugiando imigrantes de diversas partes do Rio Grande do Sul, principalmente de ascendência alemã, italiana e polonesa, viu cada etnia fundar um clube para representar sua cultura local.

Os alemães criaram o Sociedade Germânia (atual Clube Caixeiral) e os poloneses fundaram a Sociedade Polonesa Nikolaya Kopernica (atual Sociedade Rui Barbosa), enquanto os italianos optaram pela criação de uma instituição focada na assistência aos seus associados. Assim, em 20 de setembro de 1915, nasceu a Societá Italiana de Mutuo Soccorso XX de Setembre (em português, Sociedade Italiana de Mútuo Socorro Vinte de Setembro), funcionando como uma espécie de previdência privada. Em 1929, inaugurou sua primeira sede social e alterou o nome "XX de Setembre" para "Carlo del Prete", homenageando o aviador militar italiano que havia falecido no ano anterior. Carlo se tornou famoso por concluir a primeira travessia do Oceano Atlântico sem abastecimento.

Com o tempo, passou a focar também no lazer e na sociabilidade. Inspirado com a popularidade dos jogos de bocha e bolão no clube alemão da cidade, o Atlântico inaugurou suas primeiras canchas em 1937. Nesse mesmo ano, o departamento de futebol foi estabelecido, à epoca chamado Atlântico Foot-Ball Club. Contudo, em 1940, devido à lei que proibia nomes estrangeiros em clubes por consequência da Segunda Guerra Mundial, a instituição passou utilizar o nome atual: Clube Esportivo e Recreativo Atlântico. Durante o período entre o final da década de 1940 e meados da década de 1970, o departamento de futebol se destacou pelas 21 conquistas do Campeonato Citadino de Erechim, sendo recordista da competição. Também venceu nove vezes a Zonal Norte da Região Serrana e foi vice-campeão da segunda divisão do Campeonato Gaúcho de Futebol em quatro ocasiões. Nos anos em que competiu na divisão principal, a quinta colocação acabou sendo o melhor resultado. Contudo, em 1977, o departamento foi encerrado, levando à implosão do antigo estádio e à construção de um parque esportivo.250px|thumb|Partida de bocha entre associados do Atlântico, em 1938.|centroNa década de 1980, o Atlântico inaugurou uma piscina semiolímpica e quadras de voleibol em seu ginásio, o Caldeirão do Galo, onde começou a trabalhar com categorias de base de esportes indoor. Em 1999, foi fundado o departamento de futsal, que se tornou o carro-chefe do clube. Entre os demais esportes praticados, estão: ginástica, natação, voleibol, basquetebol e tênis, com foco na iniciação esportiva. Uma exceção é a equipe adulta de natação, que já contou com o nadador erechinense Eduardo Deboni, medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2007 e reserva da Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de 2008.

Para celebrar seu centenário, em 2015, o Atlântico realizou uma série de eventos, incluindo a organização da Copa Intercontinental de Futsal, da qual saiu campeão. Sua história foi documentada pelo escritor Fernando Hervé Calliari, no livro "C.E.R. Atlântico: Uma história de conquistas", publicado em 2002. Na obra, Fernando elenca os principais momentos do clube.

Futebol (1937-1977) O departamento de futebol do Atlântico teve início no começo da década de 1930, quando trabalhadores de Erechim costumavam se reunir após o expediente para disputar partidas amistosas. A fundação oficial ocorreu em 3 de fevereiro de 1937, motivada pelo encerramento do Sport Club Ítalo-Brasileiro e bons resultados em amistosos contra times amadores de Gaurama e Barão de Cotegipe, além do desejo de rivalizar com o Ypiranga, única agremiação esportiva da cidade. Os membros definiram o nome "Atlântico Foot-Ball Club" em assembleia. Os primeiros jogos, realizados em um torneio no povoado de Floresta, não foram considerados oficiais e incluíram uma derrota por 3 a 0 para o Internacional, time da cidade-sede. Cerca de cinco meses depois, o presidente do clube, José Viero, propôs uma fusão à Societá Carlo del Prete, que foi aprovada sem dificuldades.

Após o Campeonato Citadino de Erechim de 1929, a cidade ficou sem organizar torneios oficiais de futebol por oito anos. Até que, em 1937, o campeonato foi reativado com quatro equipes: Atlântico, Ypiranga, Grêmio Sportivo Germânia e Sport Club 14 de Julho. O primeiro jogo oficial do clube foi realizado em 29 de agosto de 1937, com uma vitória por 3 a 0 sobre o Germânia, no campo do Ypiranga. Com o bicampeonato citadino entre 1937 e 1938, o sucesso elevou o Atlântico a novos patamares, realizando um amistoso inédito contra o Cruzeiro, vice-campeão gaúcho. A partida terminou em 5 a 1 para a equipe de Porto Alegre.

Em 1941, foi concluída a construção do primeiro estádio do clube: o Estádio da Baixada Rubra, com capacidade para cerca de 3.000 espectadores sentados. A inauguração do estádio foi em um amistoso contra o Internacional, então campeão gaúcho, em uma goleada por 11 a 2 para os colorados. No ano seguinte, em 1942, a profissionalização do clube foi iniciada, contratando os primeiros jogadores salariados e conquistando o Citadino de Erechim novamente. Em 1943, venceu o Regional e foi convidado a disputar o Campeonato Gaúcho de Futebol Amador, firmando-se no cenário estadual.250px|thumb|Partida de inauguração do estádio da Baixada Rubra entre Atlântico e em 1941.|centroEm 1952, a Federação Gaúcha de Futebol qualificou tanto o Atlântico quanto o Ypiranga para a recém-criada Segunda Divisão do Campeonato Gaúcho de Futebol. Na terceira edição, em 1954, o Atlântico foi vice-campeão, perdendo na prorrogação para o Sport Club Guarany por 1 a 0. Apesar da crise interna, viveu sua melhor fase na virada entre os anos 1950 e 1960, com cinco títulos consecutivos da Zonal Norte da Região Serrana (1958 e 1962) e três vice-campeonatos da Segunda Divisão (1958, 1961 e 1962).

Com a mudança no regulamento da Segunda Divisão em 1970, o Atlântico foi promovido à Primeira Divisão estadual em 1971. No entanto, a campanha foi desastrosa, com dezessete derrotas e nenhuma vitória em vinte e três jogos. O desempenho ruim levou o clube a pedir licenciamento da Federação Gaúcha de Futebol em 1972. Após retornar, em 1976, o Atlântico surpreendeu ao terminar na quinta colocação geral. Porém, em 1977, a diretoria decidiu por encerrar o departamento de futebol. Em 25 de maio de 1991, o Estádio da Baixada Rubra foi implodido; um acontecimento que atraiu a atenção da mídia nacional.

Futsal (1999-presente) O surgimento do departamento de futsal do Atlântico remete a 1999, ano em que o clube foi convidado a participar da terceira divisão do Campeonato Gaúcho de Futsal, conhecida como Série Bronze. Mesmo com uma campanha modesta, ingressou na Série Ouro logo na temporada seguinte após herdar a vaga da Associação Erechim de Futsal, que desistiu da competição. Em 2001, teve bom desempenho e alcançou a terceira colocação. Com o departamento se profissionalizando gradualmente, não demorou muito até acordos de patrocínio maiores chegarem e o nível de competitividade aumentar.

Na temporada de 2002, o Atlântico ingressou na Liga Nacional de Futsal e passou a ser reconhecido nacionalmente. Já em sua primeira participação, demonstrou força e terminou o torneio na sétima colocação, entre doze equipes. No ano seguinte, venceu a Copa Max Internacional de Futsal e levantou seu primeiro troféu oficial. O primeiro título de expressão chegou a Erechim em 2004, na Copa Sul disputada em Joaçaba, Santa Catarina.

Antes de conquistar o título em 2023, a melhor participação da história do Atlântico na Liga Nacional havia sido em 2005: encerrou a primeira fase no sétimo lugar, passou pela segunda como vice-líder do grupo B e chegou à final contra a lendária equipe da Malwee (atual Jaraguá), de Falcão. A partida de ida, em Erechim, terminou em um empate de 2 a 2. Na volta, o Galo chegou a abrir 2 a 0, mas sofreu o revés na Arena Jaraguá e ficou com o vice-campeonato.

O ano de 2013 guardava nada menos do que quatro títulos para o Atlântico. Ainda na pré-temporada, os erechinenses conquistaram o Torneio Brejeiros da Madrugada, em Rio do Sul, e a nova Liga Sul de Futsal, em Lages. A edição da Taça Brasil daquele ano, sediada na cidade de Erechim, não poderia ser de outro clube. Com apoio maciço da torcida, o Galo se classificou ao mata-mata com a segunda colocação na fase de grupos, eliminou Carlos Barbosa na semifinal e, de virada, se campeão contra o Krona (atual Joinville) por um placar de 2 a 1, com direito a gol do goleiro-linha Héctor.

O título da Taça Brasil rendeu ao Atlântico outros dois troféus. Qualificado para a Superliga de Futsal, foi à Moita Bonita e conquistou o campeonato ao empatar com o Clube Real Moitense por 7 a 7, fazendo valer a melhor campanha na primeira fase. Keké marcou o gol do título de letra, faltando poucos décimos para o zerar do cronômetro. O segundo troféu veio no Campeonato Sul-Americano de Clubes (atual Copa Libertadores) do ano seguinte, realizado justamente em Erechim. Aproveitando o fator casa, encerrou a fase classificatória com 100% de aproveitamento e derrotou a tradicional Intelli na semifinal, por 4 a 3. Na final, superou o favorito Boca Juniors por 3 a 2 e chegou ao topo das Américas pela primeira vez.

350px|thumb|Final da Copa Libertadores de 2014, no Caldeirão do Galo, entre Atlântico e Boca Juniors.|centroCom o título continental, o Atlântico chegou embalado na temporada de 2015. Além da Libertadores, também levou para casa em 2014 a taça da Copa Cataratas sobre o Jaraguá e o Campeonato Gaúcho, após vencer a Assoeva por 2 a 1. Naquele ano, uma feliz coincidência: novamente um torneio importante seria sediado em Erechim, e o resultado se repetiria. No centenário do clube, a Copa Intercontinental escolheu o município gaúcho como sede. Na fase de classificação, o Atlântico ficou na segunda colocação entre as cinco equipes, chegando a sofrer uma goleada de 4 a 0 em sua estreia para o então bicampeão europeu Kairat Almaty, do Cazaquistão. A decisão foi exatamente entre os dois clubes, já que a final era determinada pelos dois primeiros colocados da fase inicial. Com gol heroico de Everton na prorrogação, restando 18 segundos para o fim da partida, o Atlântico se sagrou campeão mundial em pleno Caldeirão do Galo, com grande festa da torcida.

Nas temporadas seguintes, o clube se manteve competitivo e continuou a disputar finais: em 2016, conquistou o tricampeonato do Campeonato Gaúcho, novamente derrotando a ACBF na decisão. O título foi selado em triunfo por 2 a 1, de virada, após o empate de 3 a 3 na partida de ida. Em 2017, voltou a enfrentar o Joinville na final da Taça Brasil, mas saiu com o vice-campeonato. No mesmo ano, disputou a edição inaugural da Liga Gaúcha de Futsal e, após um placar agregado de 7 a 7 na final contra a Assoeva, deixou o título inédito escapar nas penalidades.