A Idade da PedraC. J. Thomsen expõe em 1836 o sistema das Três Idades para classificar os materiais pré-históricos: Idade da Pedra, Idade do Bronze e Idade do Ferro. é a fase da Pré-história na qual os seres humanos criaram ferramentas de pedra sendo então, a tecnologia mais avançada naquela época. A madeira, os ossos e outros materiais também foram utilizados (cornos, cestos, cordas, couro...), mas a pedra foi utilizada para fabricar ferramentas e armas, de corte ou percussão.

Contudo, esta é uma circunstância necessária, mas insuficiente para a definição deste período, já que nele tiveram lugar fenômenos fundamentais para o ser humano, quanto às aquisições tecnológicas (fogo, ferramentas, moradia, roupa, etc.), a evolução social, as mudanças do clima, a diáspora do ser humano por todo o mundo habitável, desde o seu berço africano, e a revolução econômica desde um sistema caçador-coletor, até um sistema parcialmente produtor (entre outras coisas).

O intervalo de tempo que abrange a Idade da Pedra é ambíguo, disputado e variável segundo a região em questão. Por exemplo, escavações mostraram que enquanto em certos lugares como a Grã-Bretanha se vivia na Idade da Pedra, em outros, como Roma, Egito e China, já se usavam os metais e conhecia-se a escrita. Alguns grupos humanos nunca desenvolveram a tecnologia do metal fundido e, portanto, ficaram numa idade de pedra até se encontrarem com culturas tecnologicamente mais desenvolvidas.Ainda hoje, em alguns lugares do mundo, como a Nova Zelândia, há tribos que mal estão saindo do modo de vida da Idade da Pedra. Algumas das tribos Maoris estão nessa situação

Em geral, acredita-se que este período começou na África faz 2,5 milhões de anos, com a aparição da primeira ferramenta humana (ou pré-humana). A este período seguiu-se o Calcolítico ou Idade do Cobre e, sobretudo, a Idade do Bronze, durante a qual as ferramentas desta liga chegaram a ser comuns; esta transição ocorreu entre 6000 a.C. e 2500 a.C..

thumb|220px|Biface triangular, ferramenta de pedra talhada.

Tradicionalmente vem-se a dividir a Idade da Pedra em Paleolítico (ou Idade da Pedra Lascada), com um sistema econômico de caça-coleta e Neolítico (ou Idade da Pedra Polida), no qual se produz a revolução para o sistema econômico produtivo e sedentário: agricultura e pecuária. Há um período intermédio chamado de Mesolítico, no qual usavam, ao mesmo tempo, instrumentos de pedra lascada e pedra polida. Os três períodos, por sua vez, encontram-se subdivididos.

Os vestígios mais antigos do Neolítico foram encontrados na Çatalhüyük e Jericó, datando de cerca, de 7000 a.C.. O sílex (rocha sedimentar) com que os humanos faziam ferramentas era tirado de minas, cortado e polido, transformando-se em ferramentas. Com um clima mais ameno, houve a possibilidade de cultivar, criar animais e construir casas, começando a viver em grupos maiores, muitas vezes em colinas fortificadas. Conheciam a cerâmica, faziam roupas, abriam caminhos e sepultavam os mortos sob pequenos montes.

Mesmo depois que o bronze e o ferro se tornaram conhecidos, os utensílios e o modo de vida da Idade da Pedra ainda permaneceram durante algum tempo.

Significância histórica A Idade da Pedra é praticamente contemporânea com a evolução do gênero Homo, com a única exceção sendo, possivelmente, bem em seu começo, quando espécies anteriores ao Homo podem ter fabricado ferramentas. O berço do gênero, de acordo com a idade e a localização das evidências atuais, é o Vale do Rift, especialmente no norte da Etiópia, onde é cercado por pradarias. O parente mais próximo entre os outros primatas ainda vivos, o gênero Chimpanzé, representa um ramo que continuou nas profundezas das florestas, onde os primatas evoluíram. O Rift serviu como um canal para o movimento em direção ao sul da África e também para o norte pelo Nilo, no Norte da África e pela continuação do vale em Levante até as vastas pradarias da Ásia.

A partir de há cerca de 3 milhões de anos, um único bioma se estabeleceu da África do Sul pelo vale, norte da África, e atravessando a Ásia até a China, que foi chamado recentemente de "Savanastão transcontinental". A partir das pradarias no Rift, os ancestrais do Homo sapiens encontraram um nicho ecológico e desenvolveram uma dependência em relação a ele. O Homo erectus, antecessor dos humanos modernos, tornou-se um "morador da savana equipado com ferramentas".

Arqueologia da Idade da Pedra

Início da Idade da Pedra thumb|upright|Ponta lítica de obsidiana.

As mais antigas ferramentas deste período foram feitas em pedra, dando origem ao nome. Em alguns sítios em Gona, Etiópia, nos sedimentos do Rio Awash, que serviu para datá-los. Todas as ferramentas vieram da Formação de Busidama, que localiza-se sobre uma desconformidade, ou camada ausente, que seria de há 2,9 a 2,7 milhões de anos. Os sítios mais antigos contendo ferramentas são datados de há 2,6 a 2,55 milhões de anos. Uma das condições mais intrigantes sobre esses sítios é que eles são do Plioceno tardio, em que antes de sua descoberta, pensava-se que as ferramentas surgiram apenas no Pleistoceno. Rogers e Semaw, escavadores na localidade, afirmam que:

"…os mais antigos construtores de ferramentas de pedra eram exímios escultores... As razões possíveis por trás dessa aparente transição abrupta da ausência de ferramentas de pedra para a sua presença incluem... lacunas no registro geológico."

Os escavadores estão confiantes que mais ferramentas serão encontradas em outro lugar, de há 2,9 milhões de anos. As espécies que fizeram as ferramentas do Plioceno permanecem desconhecidos. Fragmentos de Australopithecus garhi, Australopithecus aethiopicus e Homo, possivelmente Homo habilis, foram encontrados em sítios de idades aproximadas às das ferramentas mais antigas. Há entre a anos, humanos pré-históricos na caverna de Qesem preservaram o osso junto com a pele, por um período que pode durar muitas semanas. Os ossos eram usados como 'latas' que preservaram a medula óssea por um longo período, até a hora de tirar a pele seca, quebrar o osso e comer a medula.

Fim da Idade da Pedra O descobrimento da técnica de fundição de minério terminou a Idade da Pedra e começou a Idade dos Metais. O primeiro metal mais utilizado foi o bronze, uma liga de cobre e estanho, cada um sendo fundido separadamente. A transição da Idade da Pedra para a Idade do Bronze foi um período durante o qual as pessoas modernas podiam fundir o cobre mas ainda não eram capazes de obter o bronze, uma época chamada de Idade do Cobre, ou mais tecnicamente, o Calcolítico, "idade da pedra-cobre". O Calcolítico, por convenção, é o período inicial da Idade do Bronze e é, sem dúvidas, parte da Idade dos Metais. A idade do Bronze foi seguida pela Idade do Ferro. Durante todo o tempo, a pedra continuou em uso paralelamente com os metais em alguns objetos, incluindo aqueles que também eram usados no Neolítico, como a cerâmica de pedra.

A transição para o fim da Idade da Pedra ocorreu entre 6 mil a.C. e 2,5 mil a.C. para a maioria dos humanos que viviam no norte da África e na Eurásia. A primeira evidência de metalurgia humana data do período entre o 5º e o 6º milênio a.C. em sítios arqueológicos de Majdanpek, Yarmovac e Plocnik (machados de cobre de 5500 a.C. pertencentes à cultura Vincha) e a mina de Rudna Glava na Sérvia. O Ötzi, uma múmia de aproximadamente 3300 a.C. carregava consigo um machado de cobre e uma faca de pedra.

Em regiões como a África subsariana, a Idade da Pedra foi seguida diretamente pela Idade do Ferro. As regiões do Oriente Médio e do Sudeste Asiático saíram da Idade da Pedra, tecnologicamente, por volta de 6000 a.C.. A Europa e o resto da Ásia tornaram-se sociedades pós-Idade da Pedra por volta de 4000 a.C.. As culturas proto-incas da América do Sul continuam no nível da Idade da Pedra até 2000 a.C., quando o ouro, cobre e prata possibilitaram sua evolução, com o resto seguindo depois. A Austrália permaneceu na Idade da Pedra até o século XVII. A fabricação de ferramentas de pedra continuou. Na Europa e na América do Norte, mós continuaram bastante em uso até o século XX, e ainda são usados em muitas partes do mundo.

O conceito de Idade da Pedra O termo nunca foi usado para sugerir que o avanço e os períodos de tempo na pré-história são medidos apenas pelo tipo de material das ferramentas, mas sim, por exemplo, pela organização social, fontes de alimentos, adaptação ao clima, adoção da agricultura, cozimento, assentamento humano e religião. Assim como a cerâmica, a tipologia das ferramentas de pedra combinada com a sequência relativa dos tipos em várias regiões fornecem um quadro cronológico da evolução das sociedades humanas. Eles servem como diagnósticos de datas, ao invés de caracterizar as pessoas e a sociedade.

A análise lítica é uma grande forma de investigação arqueológica especializada. Ela envolve a medida das ferramentas de pedra para determinar sua tipologia, função e tecnologia envolvida. Ela inclui estudos científicos da redução lítica de matérias-primas, examinando como os artefatos foram feitos. A maioria desses estudos ocorrem em laboratórios com a presença de vários especialistas. Na arqueologia experimental, os pesquisadores tentam criar réplicas das ferramentas, a fim de entender como elas foram feitas. Flintknappers são artesãos que utilizam ferramentas afiadas para reduzir pedras de sílex em ferramentas de pedra.

thumb|200px|Uma variedade de ferramentas de pedra.

Além da análise lítica, os estudiosos da pré-história utilizam uma grande variedade de técnicas derivadas de múltiplos campos. O trabalho do arqueólogo em determinar o paleocontexto e a sequência relativa das camadas é suplementado pelos esforços do especialista em geologia em identificar camadas de pedra através do tempo geológico, do especialista em paleontologia em identificar ossos e animais, do palinologista em descobrir e identificar espécies de plantas, do físico e do químico nos laboratórios em determinar datas através de carbono-14, potássio-argônio e outros métodos. Os estudos da Idade da pedra nunca se focaram apenas nas ferramentas de pedra e na arqueologia, que são apenas uma forma de evidência. O foco principal sempre foi a sociedade e o povo físico a que pertenciam.

Apesar de sua grande utilidade, o conceito de Idade da Pedra tem suas limitações. O intervalo de datas desse período é ambíguo, disputado e variável de acordo com a região em questão. Enquanto é possível falar de um período da 'idade da pedra' geral para toda a humanidade, alguns grupos nunca desenvolveram a tecnologia de fundição de metal, permanecendo na 'idade da pedra' até eles encontrarem outras culturas tecnologicamente desenvolvidas. O termo foi criado para descrever as culturas arqueológicas da Europa. Ele pode não ser sempre o melhor termo em relação a regiões como algumas partes da Índia e Oceania, onde os agricultores e os caçadores-coletores usavam pedra para construir ferramentas até o começo da colonização europeia.

Os arqueólogos do final do século XIX e começo do século XX, que adaptaram o Sistema de Três Idades a suas ideias, esperavam combinar a antropologia cultural e a arqueologia de um jeito que uma específica tribo contemporânea pudesse ser usada para ilustrar o estilo de vida e crenças do povo com uma específica tecnologia da Idade da Pedra. Como uma descrição dos povos que vivem hoje, o termo idade da pedra é controverso. A Associação dos Antropólogos Sociais desencorajam seu uso, asseverando:

O Sistema de Três Idades

Na década de 1920, arqueólogos sul-africanos que estavam organizando coleções de ferramentas de pedra daquele país observaram que eles não se encaixavam nos detalhes do Sistema de Três Idades. Nas palavras de J. Desmond Clark,