thumb|upright|Amazona feridaCópia de Fídias, nos Museus Capitolinos, de Roma

As amazonas () eram as integrantes de uma antiga nação de mulheres guerreiras da mitologia grega. Heródoto as colocou numa região situada às fronteiras da Cítia, na Sarmácia.

Entre as rainhas célebres das amazonas estão Pentesileia, que teria participado da Guerra de Troia, e sua irmã, Hipólita, cujo cinturão mágico foi o objeto de um dos doze trabalhos de Hércules. Saqueadoras amazonas eram frequentemente ilustradas em batalhas contra guerreiros gregos na arte grega, nas chamadas amazonomaquias.

Na historiografia greco-romana, existem diversos relatos de invasões das amazonas na Anatólia. As amazonas foram associadas com diversos povos históricos, ao longo da Antiguidade tardia. A partir do período moderno, seu nome passou a ser associado com as mulheres guerreiras da atualidade. O termo Amazonas é frequentemente utilizado para se referir a mulheres que montam a cavalo, participando em provas de equitação em destreza ou salto.

Etimologia O termo amazona tem uma das etimologias mais controversas da mitologia grega; existem numerosas teorias a respeito da origem da denominação."What's up with the Amazons?" - The Straight Dope (acessado em 25-07-2008)

Entre as principais hipóteses, estaria uma provável derivação do gentílico iraniano *ha-mazan-, que significaria originalmente "guerreiras". Já outra teoria diz que o termo significa "sem seio", em grego, já que, segundo algumas versões do mito, as amazonas cortavam um dos seios para melhor manejar os arcos.

Segundo outra fonte, a etimologia folclórica que relaciona os seios é incorreta pois não há imagens ou fontes que a refiram. De origem cítia, as amazonas eram iranianas conhecidas por montar a cavalos; os jônicos, sempre ameaçados pelos persas (que eram os mais importantes dentre os iranianos), foram os primeiros a entrar em contato. Amazōn é a forma jônica para a palavra ha-mazan de origem iraniana, cujo significado é "lutando junto".Dictionary.com

No livro Matriarchat in Südchina: Eine Forschungsreise zu den Mosuo (Taschenbuch), a autora, Heide Göttner-Abendroth, revela a raiz comum da palavra Ama para a sociedade matriarcal ainda existente na China, no povoado de Moso, cujo significado é mãe, na língua local dos mosos; a palavra encontra a mesma raiz no norte da África, onde também o matriarcado existiu e os quais se auto denominavam amazigue. Por esta razão, a antiga palavra Ama tem o significado de Mãe no sentido mais estrito e no sentido figurativo denomina cultura matriarcal.

O prefixo relaciona-se também com a mitologia babilônia e sua deusa suprema, Tiamat: algumas fontes identificam-na com uma serpente do mar ou dragão. No poema Enuma Elish, o épico babilônio da criação, ela dá vida à primeira geração. Os céus e a terra são formados a partir de seu corpo dividido. Thorkild Jacobsen a Walter Burkert ambos relacionam-na com a palavra acádia para mar, tâmt'u', derivado de 'ti'amtum. Tiamat pode derivar também da palavar suméria ti, 'vida", e ama, "mãe".

Mitologia Amazonas thumb|Monumento às amazonasem Samsun, Turquia thumb|Amazonomaquia (luta entre gregos e amazonas) relevo de sarcófago, c. , encontrado em Salonica, Grécia, 1836

As amazonas teriam vivido na região do Ponto, parte da atual Turquia, próximo à costa do mar Euxino (o mar Negro). Teriam formado um reino independente, sob o governo de uma rainha, das quais a primeira teria se chamado Hipólita ("égua solta, indomada").Esta área foi ocupada no fim da Idade do Bronze por um grupo nômade conhecido pelos hititas como Kaŝka; embora não fossem conhecidos diretamente pelos gregos, os arqueólogos modernos detectaram que eles conseguiram infligir uma derrota nos próprios hititas em cerca de ; não teriam deixado inscrições.

De acordo com o dramaturgo Ésquilo, num passado distante as amazonas teriam vivido na Cítia, no lago Meótis (atual mar de Azove), porém teriam se mudado posteriormente para Temiscira, no rio Termodonte (atual Terme, no norte da Turquia). Heródoto as chamou de Androktones ("matadoras de homens"), afirmando que no idioma cita elas eram chamadas de Oiorpata, que ele assegurava ter este significado.

Em certas versões do mito, nenhum homem podia ter relações sexuais, ou viver na comunidade amazona; porém uma vez por ano, de modo a preservar a sua raça da extinção, as amazonas visitavam os gargáreos, uma tribo vizinha. As crianças do sexo masculino que nasciam destas relações eram mortas, enviadas de volta para os seus pais ou expostas à natureza; já as crianças do sexo feminino eram mantidas e criadas por suas mães, treinadas em práticas agrícolas, na caça e nas artes da guerra.Estrabão xi. 503.

thumb|Um cartógrafo de Londres não-identificado estabeleceu em 1770 as amazonas no norte da Sarmácia Asiática, baseado em fontes de informações literárias gregas Na Ilíada, de Homero, as amazonas foram chamadas de Antianeira ("aquelas que lutam como homens").

As amazonas também aparecem no mito de Jasão e os Argonautas, que teriam aportado na ilha de Lemnos, em seu caminho até a terra da Cólquida. Descobriram que a ilha era habitada somente por mulheres, governadas pela rainha Hipsípile. Deram à ilha o nome de Gynaikokratumene, palavra grega que pode ser traduzida como "reinada por mulheres". Apolônio de Rodes escreveu que as mulheres receberam Jasão e seus companheiros em formação de batalha - "Hipsípile assumiu as armas de seu pai, e liderou as tropas, estonteante em seus encantos". A jovem rainha contou então ao herói que Lemnos havia sido invadida, e todos os homens assassinados, convidando os Argonautas a tomarem os lugares dos seus falecidos esposos. Sem perceber o ardil, já que na realidade eles seriam assassinados como aqueles que os haviam antecedido, os Argonautas decidem ir embora e, enquanto velejam pelo Helesponto (estreito de Dardanelos), para dentro do mar Euxino, ouvem: "fuja da costa amazônica, ou Temiscira logo, com rude alarme, reunirá e armará suas amazonas."

As amazonas aparecem na arte grega do período arcaico da história da Grécia, associadas a diversas lendas. Teriam invadido a Lícia, porém foram derrotadas por Belerofonte, que foi enviado para combatê-las por Ióbates, rei daquela nação, na esperança de que o herói morresse nas mãos delas, tamanha era a confiança na força das guerreiras, na época.Ilíada, vi. 186 A tumba de Mirina é mencionada na Ilíada; interpretações posteriores a viram como uma amazona; de acordo com Diodoro Sículo,Livro ii.45-46; livro iii.52-55. a rainha Mirina teria liderado as amazonas numa vitória contra a Líbia e as górgonas.

Teriam também atacado os frígios, que foram auxiliados por Príamo, então um jovem rapaz.Ilíada, iii. 189. No entanto, anos mais tarde, próximo ao fim da Guerra de Troia, suas antigas oponentes se juntaram a ele contra os gregos, sob a rainha Pentesileia "trácia por nascimento",Quinto Esmirneu morta por Aquiles no Etiópida, poema épico de Artino de Mileto que continuou a Ilíada.Quinto Esmirneu i.; Justino II. 4; Virgílio, Eneida i. 490.

Um dos doze trabalhos impostos ao herói Héracles (Hércules na mitologia romana) por Eristeu foi o de obter a cinta da rainha amazona Hipólita.Pseudo-Apolodoro, ii. 5 Foi acompanhado por seu amigo, Teseu, que raptou a princesa Antíope, irmã de Hipólita, um incidente que levou a uma invasão retaliatória da Ática na qual Antíope morreu, lutando ao lado de Teseu contra suas compatriotas. Em certas versões, no entanto, Teseu se casa com Hipólita, enquanto noutras casa-se com Antíope e ela sobrevive. A batalha entre os atenienses e as amazonas é frequentemente celebrado num tipo específico de arte, chamado de amazonomaquia, em baixos-relevos de mármore como os que existiam no Partenon, ou as esculturas do Mausoléu de Halicarnasso.

esquerda|thumb|Taléstris, rainha das amazonas, visita Alexandre, o GrandeIlustração de 1696 As amazonas também teriam empreendido uma expedição à ilha de Leuke, na foz do rio Danúbio, onde as cinzas de Aquiles teriam sido depositadas por sua mãe, Tétis. O fantasma do herói morto apareceu, assustando tanto os cavalos das guerreiras, que estas foram derrubadas e pisoteadas por eles, forçando-as a fugir. Pompeu teria encontrado-as no exército de Mitrídates IV do Ponto.

Biógrafos de Alexandre, o Grande mencionam a rainha amazona Taléstris, que teria visitado o grande rei macedônio e tido um filho com ele. No entanto, diversas outras fontes refutam a alegação, incluindo Plutarco que em seus escritos menciona o momento em que o comandante naval secundário de Alexandre, Onesícrito, teria lido a passagem sobre as amazonas de sua história de Alexandre para o rei Lisímaco, da Trácia, que também estava na expedição original; o rei, ao ouvir o relato, teria sorrido e dito: "E onde estava eu, então?"

A caracterização feita pelo escritor romano Virgílio da donzela guerreira Volsca Camilana Eneida, foi influenciada pelo mito das amazonas.

Culto às amazonas De acordo com (Plutarco, no seu Teseu, e Pausânias), tumbas das amazonas podiam ser encontradas frequentemente por todo o mundo grego, juntamente com estátuas que as representavam. Tanto em Cálcia como em Atenas, segundo Plutarco, existia um Amazoneu, ou santuário dedicado especialmente às amazonas, o que implicava a presença de um culto. No dia que antecedia a Teseia, em Atenas, sacrifícios eram feitos anualmente às amazonas. Em tempos históricos, as donzelas gregas de Éfeso executavam uma dança circular, vestindo escudos e armas, uma tradição que teria sido estabelecida por Hipólita e suas amazonas. As amazonas também teriam erguido uma bretas, ou estátua de madeira, da deusa Ártemis.Pausânias, Descrição da Grécia, Livro I: Ática.

Amazonas na arte grega thumb|esquerda|Amazonia e AchilleaRelevo antigo mostrando duas gladiadoras Nas obras de arte, as batalhas entre as amazonas e os gregos eram colocadas no mesmo nível, e frequentemente associadas com as batalhas entre gregos e centauros. Sua aparência, no entanto, uma vez que passaram a ser aceitas e introduzidas na poesia e na arte nacional do povo grego, foi alterada gradual e drasticamente, passando a ter cada vez menos o aspecto de seres incomuns. Suas ocupações eram a caça e a guerra; suas armas, o arco e flecha, lanças, machados ou lábris, um meio-escudo, quase sempre em formato de crescente, chamado de pelta, e, na arte mais antiga, um capacete, modelado aparentemente no que era usado pela deusa Atena. Na arte posterior sua aparência se aproxima daquela de Ártemis, e vestem vestidos finos, e por vezes até mesmo com roupas de origem persa, como calças apertadas e uma boina alta chamada de kidaris. Quase sempre eram retratadas sobre os cavalos, e podem ser identificadas nas pinturas em vasos pelo fato de usarem apenas um brinco. A batalha entre Teseu e as amazonas (Amazonomaquia) é um tópico favorito nos frisos dos templos,Friso do templo de Apolo em Bassas, atualmente no Museu Britânico, em Londres. vasos e relevos em sarcófagos; em Atenas, estavam representadas no escudo da estátua gigantesca de Atena Partênope, em murais no Theseum e no Pórtico Pintado. thumb|upright|Amazona feridaSósicles, Museus Capitolinos

Amazonas na historiografia greco-romana