200px|thumb|Estátua do urso e do medronheiro, símbolo da cidade de Madri

A história de Madrid (Espanha) foi marcada pela presença humana desde a pré-história, mas só a partir do começou a ter alguma importância, tudo devido ao emir , que nessa época aí instalou um palácio que fomentou o crescimento de uma povoação.

Pré-história

Apesar de não terem sido encontradas restos fósseis de seres humanos, foi descoberta uma grande variedade de utensílios, principalmente perto de Arganda del Rey e do rio Manzanares; esse facto permitiu provar presença humana nas margens desse rio e de alguns dos terrenos actualmente ocupados pela cidade.http://www.nova.es/~jlb/mad_es04.htm Pré-história em Madrid

Época romana e visigoda thumb|right|200px|Igreja de São Nicolau em Madrid A conquista, colonização e pacificação romana da Península Ibérica durou quase duzentos anos; desde a Segunda Guerra Púnica até ao ano de 27 a.C, no qual se completou o processo de paz no norte do território, dividindo então a Península em três províncias.http://www.sispain.org/spanish/history/roman.html Presença romana em Madrid. A região de Madrid situava-se na Hispânia Tarraconense.

Neste período, Madrid era apenas uma pequena localidade rural na qual se cruzavam estradas e com uma paisagem natural excepcional. Tem-se discutido recentemente a possibilidade de existência de uma antiga basílica visigoda perto da igreja de Santa Maria da Almudena, mas ainda nada foi confirmado.

Era muçulmana O primeiro relato histórico da existência de uma povoação na região de Madrid data da época muçulmana.http://www.nova.es/~jlb/mad_es08.htm Madrid islâmica Na segunda metade do , o emir de Córdova, (852 - 886) mandou construir um forte numa elevação junto ao rio (lugar ocupado actualmente pelo Palácio Real) com o propósito de vigiar a serra de Guadarrama e ser o ponto de partida de ataques contra os reinos cristãos do norte. Junto do forte, para sul, situava-se o povoado; chamava-se Mayrīt (Magerit em português). Deste período, foram descobertos em escavações arqueológicas levadas a cabo na cidade a partir de 1975, alguns restos da muralha árabe. Em Madrid nasceu no Maslama Almajeriti, chamado o "Euclides andalusino", notável astrónomo e fundador da Escola Matemática de Córdova.http://www.ejepeatonal.com/article354.html Maslama de Madrid

Conquista de Castela A taifa de Toledo caiu nas mãos de Afonso VI de Leão e Castela sem oferecer resistência a 25 de Maio de 1085. Madrid e os seus arredores ficaram integrados no reino de Castela. Mudaram os muçulmanos, que habitavam na cidade, para os arrabaldes (bairros periféricos) que estavam ocupados na era árabe por moçárabes. Durante o século seguinte, Madrid recebe várias ofensivas árabes: os almorávidas, que incendiaram a cidade em 1109, e o Califado Almóada mais tarde em 1197. A vitória cristã da Batalha de Navas de Tolosa acaba em definitivo com a influência muçulmana no centro da Península.

Sucederam-se nesta época dois acontecimentos que se revelaram extremamente importantes e que marcaram profundamente a religião cristã da cidade: a descoberta de uma imagem da Virgem de Almudena e a vida "milagrosa" de Isidro Labrador, que mais tarde viria a ser canonizado.http://www.agustinos-es.org/santos/mayo/SIsidro.htm São Isidro lavrador Madrid crescia prosperamente e recebeu, em 1123, o título de vila; passou rapidamente a concelho e depois tornou-se no centro da comunidad de villa y tierra de Madrid. Em 1152, o rei Afonso VII estableceu os limites da comunidad de villa y tierra de Madrid, entre os rios Guadarrama e Jarama. Em 1188, uma representação madrilenha participa pela primeira vez nas Cortes de Castela. Em 1202, Afonso VIII concede o primeiro foral municipal à vila de Madrid, que servia para regular o seu funcionamento; as competências atribuídas foram ampliadas em 1222 por Fernando III. O governo de Madrid ficou, até 1346, a cargo dos seus habitantes num sistema de concelho aberto; o rei Afonso XI implantou nessa altura um novo regime na vila, no qual só os representantes da oligarquia local, os regedores, governavam.

thumb|center|900px|Vista de Madrid, de Anton Van Wyngaerde, 1562 miniaturadaimagem|320x320px|Mapa da Vila de Madrid por Pedro Teixeira Albernaz em 1656, por encargo de Felipe IV de Espanha. O reis da dinastia de Trastâmara passaram largas temporadas na vila de Madrid devido acima de tudo à possibilidade de poderem caçar, passatempo bastante apreciado pela realeza castelhana. Na Guerra das Comunidades de Castela, Madrid uniu-se à revolta contra Carlos I (1520), mas a derrota dos populares na batalha de Villalar levou a que a vila fosse ocupada pelas tropas reais. Apesar da posição tomada por Madrid nesta ocasião, o sucessor de Carlos I, Filipe II decide instalar a corte em Madrid em 1561,http://www.artehistoria.jcyl.es/histesp/lugares/167.htm História de Madrid tornando-a assim na capital de Espanha; este facto contribuiu decisivamente para a evolução da cidade. Salvo um breve período entre 1601 e 1606 em que a corte este instalada em Valladolid, o título de capital permaneceu em Madrid até à actualidade.

Com o estabelecimento da corte em Madrid, a sua população começou a crescer de forma significativa. Em 1625, Filipe IV deita a baixo a muralha da cidade, pois já não correspondia aos verdadeiros limites de Madrid, e constrói a que foi a última cerca de Madrid. Esta nova cerca cumpriu a sua utilidade até ao , altura na qual o crescimento da população obrigou que se passa-se além dela. O trabalho do governo centralizava-se no Alcázar Real, conjunto de edifícios situados nos terrenos que mais tarde foram ocupados pelo Palácio Real. Paralelamente, construiu-se um palácio no outro extremo da cidade, para lá dos limites da cerca; este era o Palácio do Bom Retiro, do qual foram conservados os jardins e a Sala do Trono; actualmente é utilizado pelo Museu do Prado.

Neoclassicismo thumb|right|500px|La pradera de San Isidro de Goya (1788). Vista de sudeste da cidade de Madrid thumb|right|250px|Estação de Atocha A mudança de dinastia trouxe consequências favoráveis à cidade. Madrid tinha-se tornado num local escuro, triste, sujo, doentio e pestilento.http://www.nova.es/~jlb/mad_e102.htm Madrid dos Borbons Os Bourbons comprometeram-se a elevar Madrid ao nível de outras capitais europeias da época. O incêndio do Alcázar Real em 1734 foi a desculpa perfeita para a construção do Palácio Real, bem ao estilo do de Versalhes.http://www.artehistoria.com/frames.htm?http://www.artehistoria.com/histesp/monumentos/16.htm Palácio Real de Madrid As obras terminaram em 1755, tendo sido ocupado apenas a partir do reinado de Carlos III. Pontes, hospitais, parques, fontes, edifícios científicos, esgotos e outras intervenções foram promovidas pelo monarca, que recebe o título popular de "melhor alcaide de Madrid"; contou com a colaboração de arquitectos e urbanistas tais como: Francesco Sabatini, Ventura Rodríguez, Juan de Villanueva entre outros. O projecto do Salão do Prado, nos arredores da cidade será provavelmente o mais importante de todos; este deixou como herança à cidade os paseos del Prado y Recoletos, as fontes de Neptuno, Cibeles e Apolo, o Jardim Botânico Real, o Observatório Astronómico ou o Gabinete de História Natural que mais tarde se viria a converter no Museu do Prado. Contudo, a relação entre o "rei alcaide" e os seus súbditos nem sempre foi pacífica: várias medidas do seu programa de modernização foram bastante contestadas de maneira violenta; exemplo disso é o motim de Esquilache em 1766.http://www.tiemposmodernos.org/include/getdoc.php?id=447article=112mode=pdf O Motim de Esquilache

Era Industrial O levantamento de 2 de maio de 1808 do povo de Madrid contra as tropas francesas marcou o início da guerra da Independância.http://www.historiasiglo20.org/HE/9a-2.htm Guerra da Independência e revolução política O rei José Bonaparte pôs em prática várias medidas na capital, sendo que algumas delas, mais frequente, eram de ordens de demolição de edifícios para a construção de praças; nessa medida adquiriu o nome popular de Pepe Praçolashttp://www.artehistoria.com/histesp/personajes/6581.htm José I Bonaparte (Pepe é o diminutivo espanhol para José).

Em 1860 é demolida a cerca de Felipe IV, e desta forma a cidade começa a crescer rapidamente para os lados; no princípio esse crescimento era feito de forma ordena, graças ao planeamento urbanístico de Carlos María de Castro; um bom exemplo desse planeamento são os ensanches.http://www.nova.es/~jlb/mad_es35.htm Madrid Foi construído um moderno sistema de abastecimento de águas (o Canal de Isabel II) e estabeleceram-se comunicações por caminho-de-ferro que converteram Madrid no centro da rede radial de comunicações, o que também deixou a sua marca na malha urbana (a Estação de Atocha e a Estação Príncipe Pío).

thumb|300px|left|Palácio das Comunicações

Restauração Nos primeiros 30 anos de , a população madrilenha chega à marca de um milhão de habitantes. As necessidades infraestructurais que o crescimento populacional trouxe a construção de vias de comunicações radiais, de núcleos de habitação, que até então estavam separados de Madrid, e que nessa altura se juntaram à capital; esses núcleos são: Alto Carabanchel e Baixo Carabanchel, Chamartín de la Rosa, Vallecas, Vicálvaro, Canillejas e Fuencarral. Os novos arredores constituídos pelos bairros de las Ventas, Tetuán e el Carmen albergavam o recém chegado proletariado, enquanto que nos ensanches estava instalada a burguesia madrilenha. Estas transformações fomentaram a ideia da Ciudad Lineal, de Arturo Soria. Paralelamente foi inaugurada a Gran Vía e também o metro em 1919.http://www.metromadrid.es/default.asp?id=35 Metro de Madrid Durante o reinado de Afonso XIII, foram cedidos terrenos reais a noroeste do Palácio Real para fundar a Ciudad Univesitaria.

Segunda República e Guerra Civil thumb|right|200px|Edifício Metropolis As eleições municipais de 12 de Abril de 1931 deram um grande triunfo aos republicano-socialistas em Madrid; obteveram 69,2% dos votos (88.758 votos). O republicano Pedro Rico foi eleito alcaide. O triunfo republicano em Madrid e na maioria das capitais de província acabou com a monarquia dando início à Segunda República Espanhola, apenas dois dias após as eleições. O comité republicano assumiu o poder no dia 14 à tarde, proclamando a República na sede do Ministério da Governação, perante uma multidão eufórica.http://www.sbhac.net/Republica/Colabora/FRincon.htm Proclamação da Segunda República A Constituição da República promulgada em 1931 foi a primeira que legislou que a capital do Estado era Madrid. Em 1936 estalou a guerra civil. A resistência das milícias, militarizadas sob a forma de Exército Popular em 1937, eram dirigidas pela Junta de Defensa de Madrid, e conseguiram atrasar a ofensiva durante a batalla de Madrid nos bairros do oeste da cidade. Esta ocupação de Madrid pelas tropas de Franco gerou uma especulação, posteriormente não confirmada, de que a capital seria mudada para Burgos como castigo à resistência militar. A cidade não voltaria a sofrer mais assaltos por terra durante a guerra, mas foi castigada por fogo artilheiro e bombardeamentos aéreos, os primeiros na História sobre uma capital. O final da guerra foi especialmente caótico em Madrid devido a confrontos violentos entre republicanos.

thumb|150px|left|A Torre Picasso Ditadura de Franco 350px|right Terminada a guerra, a cidade continuou a crescer espacialmente. Centenas de milhares de espanhóis mudam-se do campo para a capital.http://club.telepolis.com/geografo/regional/espa/emigrar.htm A emigração espanhola e a imigração actual Madrid, em conjunto com Barcelona e Bilbao, é uma das cidades que mais beneficiou com estes movimentos populacionais.