A Geografia do Paraguai é um domínio de estudos e conhecimentos sobre os aspectos geográficos paraguaios. No Paraguai existem três diferentes regiões geográficas: o Gran Chaco, o campo e a floresta..

O Chaco é uma planície de grande extensão na parte ocidental do país. Em compartilhamento com a Bolívia e a Argentina, é caracterizado pela altitude que se declina gradualmente da parte norte-ocidental para a porção sul-oriental. É revestida de áreas pantanosas e ocorrem muitas cheias durante a época em que chove.

O campo é a vegetação predominante da região central. Constituem vegetação característica a savana, as florestas de galeria e o pântano. A região florestal está situada num acidente de planície. Suas colinas pouco elevadas recortam essa região e alcançam mais de 700 mm ao ano nas cordilheiras de Amambay e Mbaracayú, duas cadeias de montanhas na fronteira com a República Federativa do Brasil.

A rede hidrográfica é muito importante para o país. É composta pelos rios Paraná e Paraguai, os quais servem de fronteira natural com o Brasil; pelo Pilcomayo, que é originário da Bolívia e desemboca no Paraguai; e pelos acidentes geográficos lacustres do Ypoá, do Ypacaraí e do Verá. O clima é variado do tropical ao subtropical. Suas temperaturas são altas e chove muito na maior parte do ano.

Fronteiras O Paraguai faz fronteira com três países substancialmente maiores: a Bolívia, o Brasil e a Argentina. A definição da fronteira noroeste, com a Bolívia, estendendo-se pelas colinas baixas da região do Chaco, data de 1938. A fronteira entre o Chaco e o Brasil foi definida em 1927; seguindo a confluência do rio Apa e do rio Paraguai para o norte até a fronteira com a Bolívia. A fronteira norte da região Paranenha, definida em 1872, segue o curso do rio Paraná, os cumes da Serra de Amambai na região nordeste e, finalmente, o curso do rio Apa até desembocar no rio Paraguai. A fronteira sul do Paraguai com a Argentina acompanha os cursos dos rios Pilcomayo, Paraná e Paraguai. Argentina e Paraguai concordaram com essas fronteiras em 1876.

Regiões geográficas

O país é dividido pelo rio Paraguai em ambas as regiões geográficas: a Região Oriental, ou Paranenha, na margem esquerda e a Ocidental, ou Chaco, na direita..

Região Oriental

esquerda|miniaturadaimagem|Colinas ao redor de Paraguarí esquerda|miniaturadaimagem|Fazenda de gado, Departamento de Presidente Hayes.

A região leste se estende do rio Paraguai até o rio Paraná. Cerca de 95% da população do Paraguai reside na região chamada Paranenha. Contém 14 dos 17 departamentos do país e as maiores estruturas sanitárias, de estradas, educação, comunicação e serviços básicos.

A região Paranenha pode ser descrita como uma área de terras altas ao leste, que se inclinam em direção ao rio Paraguai, onde se torna uma área de terras baixas, sujeita a inundações, ao longo do rio. O relevo da Região Oriental é uma extensão do Planalto Brasileiro, que nesta área alcança uma altitude média superior a 500 metros. A região também possui grandes planícies, vales amplos e terras baixas. Cerca de 80% da região está abaixo de 300 metros de altitude; a região mais baixa do país, a 46 metros de altitude, está localizada no extremo sul, na confluência do rio Paraguai com o rio Paraná.

Nas partes meridionais, oriental e ocidental do planalto, existe a ondulação de cadeias de morros. O terreno diminui aos poucos e se aplaina conforme chega mais perto, na parte ocidental do rio Paraguai e nas partes meridional e oriental do Paraná. A extensa região de altitude menor e de pântanos no decorrer do rio Paraguai tem uma população relativamente densa. Na parte meridional do Paraguai, perto do Paraná, as altitudes médias diminuem de 60 até 90 metros. Essa área é revestida por pântanos e florestas.

Região Ocidental

A grande e aplainada região do Chaco é extensa da margem direita do rio Paraguai. Essa região, de terras e planícies, revestida por uma vegetação espalha, equivale a dois terços do país. Pertence à região chamada Gran Chaco, composta pelo extremo ocidental da região Centro-Oeste brasileira, a Bolívia oriental e o norte argentino. Na região do Chaco, o terreno vai ficando mais alto aos poucos, desde o rio Paraguai, e alcança mais de 300 metros na fronteira oeste do país. Apenas 5% dos paraguaios moram no Chaco. Nesta região há sérios gargalos estruturais que fazem com que os automóveis, os caminhões e os ônibus atolem nas estradas de terra em dias de chuva, e a riqueza do solo não é tão grande como o do leste do Paraguai.

Relevo

thumb|direita|200px|Imagem de satélite do Paraguai.|alt=|esquerda

Todo o território do Paraguai faz parte da imensa bacia do rio da Prata, que é composta pelos rios Paraguai e Paraná. É formado de planícies, e somente na região leste surgem baixas montanhas, cuja estrutura tem ligação ao Pantanal Brasileiro..

O rio Paraguai, que desce de norte a sul, separa o país em ambas as porções bem diferentes. Na região ocidental, se expande o Chaco, uma repetitiva planície que cresce de modo imperceptível entre as margens do rio e o altiplano boliviano. A grande planície, que preenche igualmente porções dos territórios argentino e boliviano, abrange mais de 2/3 do território do Paraguai. Na parte oriental do rio Paraguai, o terreno cresce com suavidade e compõe uma região de morro que, nos pontos culminantes das cadeias montanhosas de Amambay e Mbaracayú, alcançam 700 m acima do nível do mar. Na parte sul-oriental, o terreno diminui novamente dirigindo-se para o vale do rio Paraná, o qual, em certos lugares, desce pelo planalto homônimo, o que teria propiciado que fossem construídas represas e usinas hidrelétricas.

Clima

miniaturadaimagem|200px|Mapa do Paraguai segundo a classificação climática de Köppen. O Paraguai é cortado pelo Trópico de Capricórnio. As médias térmicas, ao longo do verão, variam de 25 °C a 40 °C, e no inverno de 10 °C a 20 °C. Chove muito no estio. Isso porque as massas de ar deslocam-se do oceano Atlântico e atingem 2 000 mm por ano nas elevações do leste do país. No Chaco, mais a noroeste, a precipitação média é de 500 mm por ano; na beira do rio Paraguai, de 1 200 mm anuais.

O Paraguai experiencia um clima subtropical na região Paranenha, e climas tropical e semi-árido no Chaco. A região oriental tem um clima úmido, com abundante precipitação ao longo do ano. Durante o verão, a influência dominante sobre o clima são os ventos quentes de siroco que sopram do nordeste. Durante o inverno, o vento dominante é o pampero frio do Atlântico Sul, que sopra pela Argentina e é desviado para nordeste pelos Andes, na parte sul do país. Devido à falta de barreiras topográficas dentro do Paraguai, esses ventos predominantes opostos provocam mudanças abruptas e irregulares no clima geralmente moderado. Os ventos são geralmente rápidos. Velocidades de 160 km / h (100 mph) foram relatadas em locais do sul, e a cidade de Encarnación já foi arrasada por um tornado.

Durante os invernos amenos, julho é o mês mais frio, com uma temperatura média de cerca de 17°C em Assunção e 16°C no Planalto do Paraná. O número de dias com temperaturas abaixo de zero varia de três a dezesseis anualmente, e com variações ainda mais profundas no interior. Alguns invernos são muito amenos, com ventos que sopram constantemente do norte e pouca geada. Durante um inverno frio, no entanto, as massas do ar da Antártida trazem temperaturas sub-congelantes para todas as áreas. Nenhuma parte da região Paranenha está inteiramente livre da possibilidade de congelamento e consequente dano às plantações, e nevascas foram relatadas em vários locais.

O ar tropical úmido mantém o clima quente na região Paranenha de outubro a março. Em Assunção, a média sazonal é de cerca de 24°C, com janeiro - o mês mais quente - com média de 29°C. Villarrica tem uma temperatura média sazonal de 21°C e uma média de janeiro de 27°C. Durante o verão, temperaturas diurnas que chegam a 38°C são bastante comuns. Frentes frequentes de ar frio do sul, no entanto, causam o clima que alterna entre condições claras e úmidas e tempestades. Os céus ficarão quase sem nuvens por uma semana a dez dias, à medida que a temperatura e a umidade aumentam continuamente.

A quantidade média de chuvas durante o ano é de 1.638 mm, sendo maior no sudoeste do país e menor no noroeste. Na zona central, as chuvas anuais ficam entre 1.200 e 1.400 mm. A maior parte da precipitação ocorre nos meses de janeiro, abril e outubro.

Em contraste com a região Paranenha, o Chaco tem um clima tropical com estação seca, que se aproxima do semi-árido. O Chaco experimenta estações que alternadamente inundam e ressecam a região, mas variações sazonais de temperatura são modestas. As temperaturas do Chaco costumam ficar por volta de 24ºC, e as médias caem apenas ligeiramente no inverno. A precipitação é leve, variando de 500 a 1.000 milímetros por ano, exceto nas terras mais altas a noroeste, onde é um pouco maior. A precipitação é concentrada nos meses de verão, e extensas áreas que são desertos no inverno tornam-se pântanos de verão.

Flora e fauna

alt=|miniaturadaimagem|282x282px|Ecorregiões do Paraguai Já que as temperaturas são elevadas e chove muito, a vegetação natural é abundante nos morros e planaltos do leste da nação. Existem também enormes regiões revestidas de florestas na porção do Chaco, bem perto do rio Paraguai, entretanto, dirigindo-se para oeste a paisagem vai secando mais e a imensa planície é revestida de cactos e demais vegetais com capacidade de não ser sensível à demorada seca. No percurso do rio Paraguai, grandes terras baixas transbordam por muitos meses todo o ano, o que não deixa crescer árvores de grande altura e origina uma vegetação de ervas de enorme estatura.

A fauna do Paraguai, que é parecida com a da região Centro-Oeste do Brasil, abrange a onça, bem comum no Chaco, o cervo, o queixo-ruivo, tamanduá e tatu. Existem também espécies de pássaros e aves de clima tropical, como garças, emas, seriemas, papagaios e tucanos.

Hidrografia

thumb|esquerda|220x220px|Paisagem do rio Paraguai.|alt= miniaturadaimagem|esquerda|Saltos do Monday, no Rio Paraná

Três volumosos rios atravessam o país, em direção ao sul do país: o Pilcomayo, o Paraná e o Paraguai. As nascentes deste último estão no Brasil, cortando as grandes planícies de aluvião e separando o país em ambas partes, oriental e ocidental. Dos 2.300 km navegáveis do Rio Paraguai, 1.200 km fazem fronteira ou atravessam o Paraguai. A maior parte da navegação provêm do Brasil e, durante a maior parte do ano, navios com calado de 21 m podem chegar à Concepción sem dificuldade. Navios oceânicos de tamanho médio às vezes chegam a Assunção, mas o curso sinuoso e os bancos de areia móveis podem dificultar esse trânsito. Embora lento e raso, o rio às vezes transborda seus baixos bancos, formando pântanos temporários e inundando cidades ribeirinhas. As ilhas fluviais e os meandros abandonados atestam as frequentes mudanças no curso do rio.

Suas águas, represadas em diversos lugares, abastecem a Usina Hidrelétrica de Itaipu. Em sua margem no Paraguai, desembocam o Monday e o Acaray. Os principais afluentes do rio Paraguai na região Paranenha - os rios Apa, Aquidabán e Tebicuary - descem rapidamente de suas fontes no Planalto do Paraná para as terras mais baixas. Lá eles se alargam e se tornam lentos enquanto correm para o oeste. Após fortes chuvas, esses rios às vezes inundam planícies próximas. Próximo a Assunção, desemboca o Pilcomayo, que vem da Bolívia. Apesar de sua grandeza, o Pilcomayo possui regime bem irregular e, na estiagem, a movimentação de suas águas passa a ser interrompida em certas montanhas.