O Campeonato Paulista de Futebol, mais conhecido como Campeonato Paulista ou ainda Paulistão, é a competição profissional desse esporte no estado de São Paulo. Organizada pela Federação Paulista de Futebol desde 1941, é a liga de futebol mais antiga do Brasil, sendo realizada ininterruptamente desde 1902.Como era São Paulo sem estádios de futebol - O Estado de S. Paulo, 13 de março de 2013Arquivo do Estadão: Há 110 anos, futebol entrava no calendário esportivo paulista - O Estado de S. Paulo, 21 de janeiro de 2012 Teve como primeiro campeão o São Paulo Athletic.Campeonato Paulista - História, UOL Esporte, 1999 Seu atual campeão é o Palmeiras, vencedor da edição de 2026, quando conquistou seu vígesimo sétimo título na competição.

De acordo com a contagem da Federação Paulista de Futebol, os maiores campeões da competição são: , com 31 conquistas; Palmeiras, com 27 títulos; e e , tendo conquistado 22 vezes cada. Além dos títulos contabilizados pela Federação Paulista, o Palmeiras tem mais dois títulos extras do Campeonato Paulista e o São Paulo mais um do Supercampeonato Paulista."100 Anos de Corinthians e Palmeiras", O Estado de S. Paulo, 6/5/2017 A rivalidade entre estes quatro times, que figuram no grupo das maiores equipes do Brasil, está marcada na história desta competição. Outros doze clubes já venceram a principal divisão do futebol paulista ao longo de sua história, que contou com a participação de 102 clubes diferentes.

Atualmente, o torneio da primeira divisão é disputado por dezesseis equipes e normalmente realizado entre janeiro e meados de abril da temporada do futebol brasileiro. A nova fórmula de disputa (com dezesseis clubes divididos em quatro grupos) entrou em vigor em 2017.

História Início thumb|right|250px|São Paulo Athletic, o primeiro vencedor do Campeonato Paulista. Charles Miller foi o responsável pela criação do primeiro torneio de futebol no Brasil, no estado de São Paulo. Charles introduziu as regras do futebol em seu país após seu retorno da Inglaterra, onde realizara seus estudos e descobrira o esporte. Em 14 de dezembro de 1901 é fundada a Liga Paulista de Foot-Ball, acrônimo LPF, sendo composta inicialmente por cinco equipes: São Paulo Athletic, Internacional, Mackenzie, Germânia e Paulistano. Entre abril e outubro de 1902, estas equipes competiram na primeira edição do torneio, que teve o São Paulo Athletic Club como campeão e o próprio Charles como artilheiro. Diferente da Argentina e do Uruguai, o futebol era restrito às elites em seus primeiros momentos no Brasil. esquerda|miniaturadaimagem|São Paulo Athletic Club e Club Athletico Paulistano na final do Campeonato Paulista de 1902 (2x1), primeiro estadual jogado no Brasil. Nos anos seguintes, a popularidade do futebol foi crescendo. O Paulistano, uma equipe composta pelos filhos das famílias mais ricas de São Paulo, tornou-se a equipe mais forte do estado. Contudo, a base da popularidade do esporte começou a mudar após o Corinthian, uma equipe amadora de Londres, realizar uma brilhante turnê em São Paulo e no Rio de Janeiro. Eles venceram facilmente os melhores times brasileiros da época e causaram uma impressão bastante favorável nos fãs mais jovens do esporte. Pouquíssimo tempo depois, um grupo de trabalhadores inspirou-se neles e fundou o primeiro time popular da cidade: o Corinthians. thumb|esquerda|250px|Time do Paulistano em 1901

Dos anos 1910 ao final dos anos 1930 thumb|right|250px|Partida entre Palestra Itália e no Estádio Palestra Itália, na década de 1920. O crescimento da popularidade do futebol entre as classes mais baixas gerou um racha na LPF. Seus diretores defendiam que o futebol deveria continuar sendo um esporte das elites. Esta diferença de opinião levou a criação de outra liga, a Associação Paulista de Esportes Atléticos, acrônimo APEA, que promoveu o esporte entre todas as classes sociais. Corinthians, Palestra Itália (atual Palmeiras) — uma nova equipe composta por imigrantes italianos — e Paulistano ajudaram a compor a nova liga.

A LPF encerrou suas atividades em 1917. Até 1926, a APEA permaneceu sendo a única liga em São Paulo. Equipes fortes, grandes multidões e jogadores como Neco do Corinthians e Arthur Friedenreich do Paulistano contribuíram para a febre futebolística que converteu o futebol, de "diversão de estrangeiro", para o esporte mais popular no Brasil. Debates cercaram a questão de que se o futebol deveria ser profissionalizado ou se deveria permanecer um simples empreendimento amador. O Paulistano, recordista de títulos na época, recusou-se a tornar-se profissional e criou em 1925 a Liga dos Amadores de Futebol, acrônimo LAF. A competição entre as duas ligas alimentou a expansão do número de times e clubes do interior do estado começaram, então, a aderi-las. thumb|esquerda|250px|Time do Corinthians campeão de 1930.

Profissionalização thumb|direita|250px|Time do São Paulo FC, campeão de 1931. A partir de 1930, com a queda da LAF e o encerramento das atividades do departamento de futebol do Paulistano, uma nova era no futebol paulista começou. Os jogadores tornaram-se profissionais em 1933, quando a Liga Bandeirante de Futebol foi criada. Corinthians e Palestra Itália assumiram suas posições como os times mais fortes e populares do estado. Então um novo clube surge para competir pelos corações dos torcedores. Alguns dissidentes do Paulistano, favoráveis à profissionalização, juntamente com os diretores da A.A. das Palmeiras, se unem para formar o São Paulo Futebol Clube, a terceira força da cidade.

O Paulistão de 1933 entrou para a história do futebol brasileiro por ter sido o primeiro campeonato estadual profissional e a segunda competição da era do profissionalismo do futebol no Brasil, sendo a primeira o Torneio Rio-São Paulo de 1933."Campeonato Paulista – 1933", Site Oficial do Palmeiras, consultado em 16/7/2023 O primeiro jogo de futebol profissional do Brasil foi um amistoso realizado na Vila Belmiro, em 12 de março, com vitória do São Paulo por 5 a 1 sobre o . E Arthur Friedenreich, ironicamente um contrário à profissionalização, fez o primeiro gol "remunerado" da história do futebol do País.

Era moderna thumb|esquerda|250px|Time do Palestra Itália campeão de 1933 A APEA cessou suas atividades em 1936, e após algumas mudanças de nome, a original Liga Bandeirante de Futebol, criada em 10 de dezembro de 1934, foi o embrião da atual Federação Paulista de Futebol, acrônimo FPF, fundada em 22 de abril de 1941. São Paulo assinou com Leônidas da Silva no ano seguinte e venceu cinco das oito edições seguintes do campeonato. O Palestra Itália mudou seu nome para Palmeiras em 1942 devido à Segunda Guerra Mundial e à lei que baniu referências no esporte às potências do Eixo, e foi o campeão daquele ano. O futebol cresceu dentro do estado e a segunda divisão foi criada em 1948, permitindo que equipes do interior participassem da competição principal. O XV de Novembro da cidade de Piracicaba foi a primeira equipe promovida à elite.

São Paulo, Palmeiras e Corinthians dominaram os títulos no começo dos anos 1950. O , mesmo competindo em alto nível, teria que esperar mais alguns anos para alcançar o status dos três da capital.

O Campeonato Paulista de 1954 entrou para a história da cidade de São Paulo e da competição, já que também fez parte das comemorações do quarto centenário da capital paulista, que foi fundada em 1554. O jogo que definiu o campeonato foi disputado no dia 6 de fevereiro de 1955, no Estádio do Pacaembu, onde Corinthians e Palmeiras tiveram um importante jogo da história do derby. O empate bastava para o Corinthians conquistar o título. Para o Palmeiras, era preciso derrotar o rival e torcer por um novo revés alvinegro na última rodada, contra o São Paulo. O alvinegro fez o que precisava, saindo na frente, com um gol de Luizinho logo no primeiro tempo, aos dez minutos. Depois de o Palmeiras, vestido com camisas azuis, igualar o placar com um gol de Nei, aos sete minutos do segundo tempo, o alvinegro segurou o empate por 1 a 1 e comemorou a importante conquista. Após esse título, o Corinthians somente viria a sagrar-se campeão paulista novamente 22 anos depois, em 1977. direita|thumb|200px|Pelé com a camisa do na década de 1960 No ano de 1957 o futebol viu o nascimento de seu maior jogador em todos os tempos: Pelé. Seus gols fantásticos levaram o Santos a vencer nove dos próximos doze campeonatos.

Pelé foi o artilheiro do campeonato em todos os anos entre 1957 e 1965, incluindo o recorde de tentos em uma única edição, 58 gols no ano de 1958, que não foi superado até os dias de hoje. Naquele tempo, o Santos venceu uma série de competições, em nível estadual, nacional, continental e mundial.

O Palmeiras, com a Academia comandada por Ademir da Guia, foi o único na época que conseguiu frear tal domínio dos anos 60 no Campeonato Paulista, impedindo, com as conquistas de 1963 e de 1966, que a equipe do litoral ganhasse todos os campeonatos daquela década. Ainda assim, o Santos conquistou os campeonatos de 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968 e 1969.

As duas equipes, por sinal, antes do amplo domínio santista nos anos 60, fizeram, em 1959, a decisão do Supercampeonato Paulista de 1959, chamado desta forma porque a competição chegou ao seu final com os dois clubes empatados em número de pontos, sendo necessária a realização de três jogos históricos de desempate no Estádio do Pacaembu."Palmeiras foi supercampeão paulista em 1959", Site Oficial da CBF, 27/1/2016 A decisão se deu em melhor de quatro pontos, com o Palmeiras se sagrando campeão depois de dois empates e uma vitória por 2 a 1 sobre o Santos no último jogo, com o gol decisivo marcado pelo ponta-esquerda Romeiro cobrando falta."Canal 100 - 1959: Palmeiras x Santos", Jovem Pan Online, 24/7/2008

Justamente desde os anos 60, o Brasil passou a desenvolver competições nacionais mais maduras, que passaram a competir com os torneios estaduais pela atenção dos torcedores. Demoraria, porém, um certo tempo para que a competição paulista perdesse seu espaço e muitos campeonatos ainda entrariam para a história do futebol brasileiro.

Anos 1970

Na decisão do Campeonato Paulista de 1973, um erro de arbitragem fez com que dois campeões fossem proclamados: o Santos e a Portuguesa. O jogo entre o campeão do primeiro turno (Santos) e o campeão do segundo turno (Portuguesa), terminou empatado por 0 a 0. Com o empate também na prorrogação, a decisão foi para os pênaltis. O árbitro Armando Marques errou na contagem e encerrou as cobranças, quando o placar marcava 2 a 0 para o Santos, embora a Portuguesa ainda tivesse duas cobranças por efetuar. Depois de terminar a disputa, Marques se deu conta do erro, mas já era tarde, pois a equipe paulistana já havia deixado os vestiários. A solução da FPF foi dividir o título. esquerda|thumb|Espaço especial no Memorial do Corinthians sobre a conquista de 1977 Em 1977, o Corinthians encerrou a amarga espera de quase 23 anos sem títulos, ao bater a na final do campeonato. Na decisão, que levou recorde histórico de público ao Estádio do Morumbi, cerca de 150 mil pessoas viram o volante Basílio fazer o gol do título, que encerrou o jejum de 22 anos, 8 meses e 7 dias sem conquista de um Campeonato Paulista, fazendo desse título um dos mais inesquecíveis do Corinthians.

Depois disso, o começo dos anos 80 ficou marcado pelas batalhas entre Corinthians, de Sócrates, e São Paulo, de Serginho Chulapa.

Anos 1980 A Democracia Corintiana venceu em 1982 e 1983, enquanto introduziu uma nova filosofia de gestão da equipe, na qual os jogadores participavam de todas as decisões. O São Paulo tornou-se a equipe mais bem sucedida da década, vencendo as edições de 1980, 1981, 1985, 1987 e 1989, sendo estes últimos anos marcados pelo surgimento de jogadores como Müller e Silas, conhecidos na época como os "Menudos do Morumbi", em alusão ao nome da banda porto-riquenha chamada Menudo, que se tornou um fenômeno nacional nessa época.