O suaíli ou suaíle (Kiswahili), também chamado de suahíli e conhecido pelas formas vernáculas Swahili ou Kiswahili, é a língua banta com o maior número de falantes. É uma das línguas oficiais do Quénia, de Ruanda, da Tanzânia e de Uganda, embora os seus falantes nativos, os povos suaílis, sejam originários apenas das regiões costeiras do oceano Índico. É uma das línguas de trabalho da União Africana.

Essa língua africana pertence ao subgrupo sabaki das línguas bantu. É falada por cinquenta milhões de pessoas no mundo, incluindo, além dos países que a têm como língua oficial, Uganda e a República Democrática do Congo,Prins 1961 onde é usada como língua franca. É também falado com alguma frequência nas áreas urbanas do Burundi e de Ruanda, no sul da Somália até ao norte de Moçambique (ao longo do litoral de África oriental), na Zâmbia e no sul da Etiópia. Existem também algumas comunidades de falantes de suaíli em Madagascar e nas ilhas Comores. Contudo, a maior parte dos seus falantes não a usa como língua materna. De fato, crê-se que apenas dois a três milhões dos cinquenta milhões estão nesta situação, o que significa que a grande maioria fala como língua materna algum outro idioma níger-congolês (por exemplo, bantu) ou cuxítico (somali, por exemplo).

O comoriano, falado nas ilhas Comores, às vezes é considerado um dialeto do suaíli, embora outras autoridades o considerem um idioma distinto.Nurse and Hinnebusch, 1993, p.18

Geral O suaíli é a língua nativa de diversos grupos que habitaram e habitam uma faixa de 2500 km da costa leste da África. Em função do contato dos povos dessa área com comerciantes e navegadores de Língua árabe durante alguns séculos, o suaíli tem cerca de um quarto de suas palavras originadas do árabe. Outras influências foram a língua persa, alemão, português, inglês e idiomas da Índia. É oficial e segundo idioma na Tanzânia, no Congo e no Quênia. Em Uganda é obrigatória nas escolas de primeiro grau desde 1992, tendo sido declarada oficial em 2005. O suaíli e línguas correlatas são também faladas em Burundi, Ruanda, Moçambique, Somália, Zâmbia e Comores.

A palavra Kiswahili vem do árabe سواحل, transliterado como sawāhil; é o plural da palavra ساحل, sāhel, "fronteira" ou "litoral", usada como adjetivo de "negociantes do litoral" A adição do prefixo ki o define como um idioma. Waswahili se refere aos povos da "costa suaíli" e Uswahili indica a cultura dos suaíli." Sahel" também é o nome que se dá à região austral do deserto do Saara.

O suaíli foi escrito com caracteres árabes até a era colonial da África, quando a escrita árabe foi substituída pelo alfabeto latino, através de missionários cristãos e de administradores coloniais. Um dos mais antigos documentos em suaíli, é um poema épico, Utendi wa Tambuka ("A História de Tambuka"), de 1728, em escrita árabe.

Dialetos e línguas relacionadas As listagens abaixo se baseiam no livro Swahili and Sabaki: a Linguistic History de Nurse, Derek e Hinnebusch, Thomas J.

Dialetos O atual suaíli padrão tem como base o kiunguja falado em "Stone Town" (cidade de Zanzibar) na ilha de Zanzibar (Unguja). Kitumbatu e Kimakunduchi: das áreas rurais de Zanzibar. O kimakunduchi se chamava kihadimu, "servo", e era pejorativo. Kimrima: falado em Pangani, Vanga, Dar es Salã, Distrito Rufiu e Ilha de Mafia Island. Kimgao: falado antigamente desde o Distrito de Quíloa para o sul. Kipemba: falado na ilha de Pemba, Tanzânia. Kimvita: o mais falado em Mombaça (Mvita) e Quiunguja. Kingare: subdialeto de Mombaça Chijomvu: subdialeto de Mombaça. Chi-Chifundi: falado na costa sul de Quênia. Kivumba: falado na costa sul de Quênia. Kiamu: falado na ilha de Lamu (Amu). Sheng: dialeto de rua, uma mistura de suaíli, inglês e algumas línguas nativas falada em Nairóbi de forma não formal nas favelas de Nairóbi. E que recentemente ficou na moda.

Línguas similares Kimwani: falado nas ilhas Querimba e costa norte de Moçambique. Kingwana: falado nas regiões leste e sul da República Democrática do Congo, tem o apelido Suaíli “Copperbelt”, em especial a variante do sul do Congo.. Comorense”, língua da Ilhas Comores. Chimwiini era falado tradicionalmente na cidade Somali de Baraua. Houve fuga recente de civis dessa cidade para Quênia por causa da guerra civil. Especialistas dessa língua e dos diversos dialetos Suaíli ainda discutem se Chimwiini é Suaíli ou outra língua.

História thumb|250px|O Pai Nosso em suaíli (Mateus 6:9-13 Não existem ainda evidências históricas ou arqueológicas que permitam que se afirme quando e onde surgiram a língua e a cultura suaíli. Porém, pode-se considerar que falantes dessa língua ocupavam as mesmas áreas atuais ao longo do Oceano Índico bem antes do ano 1000. Desde o há registros de contatos pela presença de negociantes Persas e Árabes na região. Também houve muita interação entre nativos e muçulmanos com a expansão do Islão a partir do .

Grupos vindos de Omã e do Golfo Pérsico se estabeleceram nas ilhas de Zanzibar e Pemba e daí difundiram a língua suaíli e o Islã para maiores centros de comércio e cultura, tais como Sofala em Moçambique, Quíloa na Tanzânia, Mombaça e Lamu no Quênia; Baraua, Merca, Quismaiu e Mogadíscio na Somália, Ilhas Comores; norte de Madagascar;.

Por volta de 1800, os governantes de Zanzibar realizaram expedições ao continente, até os muitos lagos do “Great Rift Valley” e aí criaram rotas permanentes de comércio, com negociantes que falavam suaíli estabelecidos em postos ao longo dessas rotas comerciais. Isso não foi realmente uma Colonização autêntica. Processo de colonização ocorreu realmente ao leste do Lago Malaui, no que hoje é a chamada região de Catanga da República Democrática do Congo, onde surgiu um dialeto bem diferente.

A Alemanha estabeleceu colônia em Tanganica, hoje Tanzânia, em 1886 e, tendo percebido o quanto a língua Suaíli era disseminada (embora em baixa densidade) na região, fez dessa a língua oficial da colônia. Os colonizadores ingleses não fizeram o mesmo no vizinho Quênia, embora tenham feito tentativas nesse sentido. Ambas nações europeias queriam facilitar a administração das colônias que tinham dezenas de línguas diferentes entre os nativos, pela escolha de uma língua única que tivesses boa aceitação entre os povos locais. O suaíli era a única com essa característica nessas áreas.

Com a derrota da Alemanha na Primeira Grande Guerra esta perdeu suas colônias da África (Tanganica, Namíbia, Togo, Camarões), ficando Tanganica para os britânicos.

Com ajuda de ativos missionários cristãos, os administradores locais britânicos se decidiram a fazer do suaíli a língua oficial comum tanto nas escolas primárias como nas administrações locais menores por toda África oriental, nas colônias Uganda, Tanganica, Zanzibar e Quênia. O idioma suaíli deveria se subordinar ao Inglês, sendo que seria o idioma das Universidades, o prioritário nas escolas secundárias e na administração de alto nível.

Em junho de 1928 foi dado um passo importante para criação de uma língua escrita padrão para o suaíli. Uma reunião intraterritorial em Mombaça definiu o dialeto Kiunguja de Zanzibar como padrão linguístico. A atual versão, em alfabeto latino, é a segunda língua desses países.

Situação atual Hoje, cerca de 90% da população da Tanzânia fala o suaíli, e um percentual um pouco menor no Quênia. 66 milhões de congoleses falam o idioma nas seis províncias orientais do país, fazendo com que essa língua já rivalize com o lingala como língua principal do Congo. Em Uganda, os baganda não falam o suaíli, mas cerca de 25 milhões de pessoas no resto do país têm essa língua como principal, visando a preparação para a Comunidade da África Oriental.

Nos demais países o suaíli é mais usado nas cidades comerciais por refugiados ou perto das fronteiras com a Tanzânia e o Quênia. Mesmo assim o idioma é, possivelmente, mais falado que o hauçá da África do Oeste como a língua nativa mais falada na região subsaariana. Conforme o Banco Mundial, o suaíli é falado por 10 a 15% dos habitantes da África ao sul do deserto do Saara.

Referências fora da África O software livre de criação de páginas web Joomla!, organizado pela Open Source Matters, foi assim batizado com base na palavra "jumla", que significa "todos", "juntos". No jogo de computador Civilization IV, a música-tema do menu principal é um rearranjo de um Pai Nosso em suaíli, chamada de Baba Yetu ("Nosso Pai"). No single de Michael Jackson de 1987, "Liberian Girl", a introdução repetida é em suaíli: Nakupenda pia, nakutaka pia, mpenzi wee!, que significa "Eu te amo também, eu te quero também, meu amor!" A banda de afrobeat The Daktaris, do Brooklyn, pegou seu nome da série televisiva dos anos 60, e significa "doutor" em suaíli. O zoológico de São Paulo Simba Safári, hoje conhecido Zoo Safári, derivava seu nome da palavra suaíli para "leão". O desenho animado de longa metragem O Rei Leão, passado na savana africana, batizou a maioria de seus personagens com termos em suaíli, como o protagonista Simba ("leão"), seu interesse amoroso Nala ("sorte"), sua mãe Sarabi ("miragem"), o babuíno Rafiki ("amigo"), a hiena Shenzi ("bárbaro"), e o javali Pumbaa ("atordoado"). O idioma também é usado na canção "Hakuna Matata", "sem problemas", e em um cântico entoado por Rafiki ("Asante sana, squash banana, wewe nugu, mimi hapana."). Na continuação, além de personagens como Zira ("ódio"), Nuka ("fedor") e Kovu ("cicatriz" - no caso aludindo ao seu pai adotivo Scar, apelidado com a palavra em inglês para cicatriz), uma das canções chama-se "Upendi", com a letra citando "Upendi significa amor". Nichelle Nichols, na série Star Trek, é a Tenente Uhura, nome que vem do suaíli Uhuru, "liberdade". Além disso, a palavra Imzadi, usada em Star Trek: The Next Generation, vem do suaíli e significa "amado". No desenho animado Os Simpsons, o personagem Smithers fala suaíli. Marge, em seu curriculum, mente dizendo que também fala. O nome do filme americano de 1962, Hatari, significa "perigo". A festividade afro-americana Kwanzaa utiliza algumas palavras e frases nesse idioma, como Habari gani?, que significa "O que está acontecendo?", kinara ("candelabro africano"), mazao ("safra") e n'guzo saba ("sete princípios").

Sons Suaíli difere das demais línguas subsaarianas por não apresentar “tons”. Outra exceção é o grupo de dialetos Mijikenda, que inclui o dialeto Mvita, de Mombaça, segunda cidade e porto de Quênia.

Alfabeto O alfabeto latino veio, com a colonização europeia, substituir o alfabeto árabe que já apresentava algum uso entre os povos da região.

O alfabeto latino utilizado com o suaíli apresenta 24 letras, não tendo o Q e o X. A letra C vem sempre como "Ch". O único diacrítico usado é o "chifre" (apóstrofo) em Ng'.

São usados os seguintes encontros consonantais: Dh, Gh, Kh, Sh, Th Mb, Mv, Mw Nd, Nd, Nd’, Nj, Ny

Vogais São cinco as vogais do suaíli, bastante similares aos sons das vogais do italiano e do espanhol. As vogais não são reduzidas, mesmo se átonas. Não há ditongos, as vogais são pronunciadas separadamente. – “A” do português – “É” do português – “I” do português – “Ó” do português – intermediária entre o “Ô” e o “U” do português.

Consoantes Bilabial Labiodental Dental Alveolar Post-alveolar Palatal Velar Glotal Nasal m     n   ny ng’ Prenasalizada mb     nd   nj ng Implosiva b     d   j g Tênue p     t ch   k Aspirada p     t ch   k Pré-nasalizada fricativa   mv   nz       Sonora fricativa   v (dh ) z     (gh ) Muda (fraca) fricativa   f (th ) s sh   (kh ) h Vibrante       r       Lateral aproximante       l       Aproximante           y w

Notas: