As glândulas salivares localizam-se na cavidades nasais e no interior e também em torno da cavidade bucal tendo como objetivo principal a produção e secreção da saliva.
Desenvolvimento Uma glândula salivar origina-se como um espessamento focal do epitélio bucal que cresce para o ectomesênquima subjacente, para formar um pequeno broto conectado à superfície por um cordão epitelial. Ao mesmo tempo, células do ectomesênquima condensam-se em torno desse broto, sendo tal fase do desenvolvimento semelhante à de um broto dentário em formação. O bulbo epitelial fende-se, a seguir, para formar um ou mais novos broto, processo que se continua, constituindo várias gerações e ramificações hierárquicas da glândula. Como no desenvolvimento de dente, o estomesênquima tem papel significativo no desenvolvimento das glândulas salivares, tanto na morfogênese quanto na citodiferenciação da glândula.Vários experimentos de recombinação têm mostrado que a presença do ectomesênquima do primeiro arco é essencial ao completo desenvolvimento da glândula. Por exemplo, se o mesênquima de outra glândula que não seja salivar for combinado com o epitélio de uma glândula salivar, o epitélio será mantido, mas não se diferenciará em um epitélio glandular. Entretanto, quando o ectomesênquima da glândula é combinado com epitélio pancreático, as células glandulares pancreáticas se diferenciam. Tais resultados indicam, novamente, a delicada interação entre epitélio e mesênquima durante o desenvolvimento. No caso das glândulas salivares, o local da fenda do broto é determinado pela contração dos microfilamentos nas células epiteliais, mas a deposição ordenada de colágeno dos tipos I, III e IV, de laminina e de proteoglicanas adjacentes às células epiteliais é, também, necessária para que ocorra a posterior divisão do broto.
O desenvolvimento de um lúmen no interior do referido epitélio ramificado ocorre primeiro na extremidade distal do cordão principal e dos seus ramos, em seguida na extremidade proximal e, finalmente, na porção do cordão principal. A completa formação do lúmen tubular ocorre antes na árvore ductal e depois nos brotos terminais. Não se sabe o que determina a formação do lúmen; entretanto, sabe-se que ele não se forma, como havia sido sugerido, por um afastamento das células devido ao aumento de produtos de secreção a partir das porções terminais em desenvolvimento, pois, nessa época, nem as células estão formadas, nem se encontra estabelecido o processo de morte celular programada (apoptose).
Os brotamentos terminais, à medida que o lúmen começa a aparecer, subdividem-se em uma série de unidades constituídas por duas camadas celulares, denominadas sáculos terminais ou porções terminais. É no interior dos sáculos terminais que as unidades secretoras se desenvolvem. As células da camada mais interna diferenciam-se em tipos variados de células secretoras, e algumas das células da camada externa formam as células mioepiteliais. O componente epitelial das glândulas salivares (parênquima) é frequentemente comparado a um cacho de uvas, constituindo o sistema de ductos o caule, e as porções terminais as uvas. Contudo, diferentemente de um cacho de uvas, a glândula salivar apresenta, também, um componente de tecido conjuntivo que diminui rapidamente, à medida que o parênquima se expande (as porções terminais sozinhas eventualmente ocupam mais de 90% da glândula); por isso, cada porção terminal e cada ducto permanecem sustentados por um tênue componente de tecido conjuntivo que carreia vasos sanguíneos e nervos. O tecido conjuntivo dispõe-se, no final do processo, sob a forma de uma cápsula e septos que dividem a glândula em lobos e lóbulos.
Desconhece-se o processo que determina a diferenciação dos tipos celulares que vão formar a porção terminal.
Pouco se sabe sobre o desenvolvimento do suprimento sanguíneo das glândulas salivares. O suprimento nervoso é feito tanto pelo simpático quanto pelo parassimpático, e a inervação parece ser necessária, para que ocorra a diferenciação funcional da glândula. A inervação simpática é relacionada à diferenciação assinar, e a parassimpática, ao crescimento total.
As glândulas parótidas começam a se desenvolver entre a quarta e sexta semanas de vida embrionária; as submandibulares, na sexta; as sublinguais e as glândulas salivares menores, entre a oitava e a 12 semanas. Pelo fato de a cápsula de glândula salivar ser o último componente da glândula a se diferenciar, não é raro encontrar vestígios de tecido salivar no interior dos ossos faciais, quando ocorre excessiva proliferação epitelial.
Anatomia Glândulas salivares A presença de alimento na cavidade bucal, bem como sua visão e cheiro, estimulam as glândulas salivares a secretar saliva, que é um líquido levemente alcalino, uma solução aquosa, de consistência viscosa, que umedece a boca, amolece a comida e contribui para realizar a digestão. A saliva contém a ptialina ou amilase salivar. Na cavidade bucal, a ptialina atua sobre o amido transformando-o em moléculas menos complexas. Três partes de glândulas salivares lançam sua secreção na cavidade bucal; parótida, submandibular e sublingual.
Glândula parótida É a maior glândula salivar, produz 25% de toda a saliva que é expelida na boca, é puramente serosa e rica em amilase. Localiza-se anteriormente à orelha e atrás do ramo da mandíbula, pesa 14 a 28 g, sendo intimamente associada aos ramos do nervo Facial. Seu ducto dirige-se anteriormente sobre o músculo masseter e atravessa a bochecha , podendo ser facilmente palpado com o dedo no interior da boca, quando ela está entreaberta. Na boca anterior do músculo masseter, o ducto internaliza-se e se abre na cavidade oral na papila oposta ao primeiro molar superior .
Glândula submandibular A segunda em tamanho. Situada na porção posterior do assoalho da boca, dobra-se contra a face medial da mandíbula e pesa, em média, entre 10 e 15 g, apresentando um ducto excretor que se abra na boca, abaixo da língua, através de um pequeno orifício lateral ao frênulo lingual. Contém tanto células serosas, quanto células mucosas.
Glândula sublingual A glândula sublingual, em forma de amêndoa, é a menor dos três pares de glândulas salivares maiores, pesando cerca de 2 g e estando situada no assoalho da boca, entre a porção lateral da língua e os dentes. Sua secreção é eliminada para o meio bucal mediante um número variável de pequenos ductos que se abrem numa elevação da prega sublingual.
Frequentemente, porções das glândulas sublinguais e submandibulares humanas misturam-se para formar um complexo sublingual-submandibular.
Glândula salivar menor Numerosas glândulas salivares menores (estima-se entre 600 a 1000) existem como pequenas massas discretas que ocupam a submucosa na maior parte da cavidade oral. Os únicos locais onde elas não se encontram são a gengiva aderida, face dorsal do terço anterior da língua e a porção do terço anterior do palato duro. Elas constituem glândulas mucosas, exceto pelas glândulas serosas de von Ebner (as quais existem abaixo dos sulcos das papilas circunvaladas e nas papilas foliáceas da língua.)
Fossas nasais Um conjunto de glândulas salivares, as glândulas salivares tubárias, estão localizadas profundamente na parte superior da garganta. Elas têm cerca de 3,9 centímetros de comprimento em média. As glândulas provavelmente lubrificam e umedecem a parte superior da garganta atrás do nariz e da boca.
Composição da saliva Ver também:Composição da saliva
Função Ver também: Funções da saliva
Além de iniciar o processo digestivo através da amilase salivar que é responsável pela digestão do amido na boca, a saliva também auxilia na higiene oral de várias formas. Nela são secretados íons tiocianato e várias enzimas proteolíticas, a mais importante destas enzimas é a lisozima que digere a parede de certas bactérias deixando-as mais vulneráveis. Estas substâncias químicas possuem uma ação bactericida. A saliva também contém anticorpos proteicos que destroem as bactérias presentes na boca inclusive as que provocam as cáries dentárias. O próprio fluxo salivar remove as bactérias e as partículas alimentares que poderiam servir de substratos para estes organismos patogênicos.
Estrutura São glândulas de secreção externa (exócrinas) de tipo túbulo-acinosas ou racemosas, compostas de ácinos, sistema tubular e ductos excretores. Ácino Os ácinos constituem a parte inicial da glândula, e distribuem-se formando cachos, daí sua denominação de racemosas. Estes ácinos possuem células cúbicas, cujas características diferem segundo suas propriedades funcionais: claras ou mucinogênicas, e escuras ou zimogênicas.
Os ácinos da parótida são somente serosos, constituídos por células escuras, daí que a secreção salivar da parótida seja muito aquosa e com alta concentração de proteínas e sais minerais. Na submandibular os ácinos são mistos, mas com predomínio das células serosas, 4:1 em relação às mucosas; assim a secreção salivar mandibular é preferencialmente serosa. Os ácinos sublinguais são também estruturalmente mistos, mas predominam as células claras, em relação às escuras ou zimogênicas. Sua secreção é basicamente mucosa.
Os ácinos possuem também outro tipo de células, as células mioepiteliais ou em cesto (que também se apresentam nos ductos). estas células se localizam de preferência entre a membrana basal e as células acinosas e têm propriedades contrátil, pois têm um sistema de proteínas intracelulares, com certo parentesco com a actina e miosina do músculo. Quando as células mioepiteliais se contraem, produz-se expulsão de saliva, já previamente secretada. O estímulo que excita estas células é o simpático adrenérgico.
Foi determinado que durante a estimulação salivar, pela presença do alimento na boca, por exemplo, apresenta-se um esvaziamento maciço de grânulos, mas estes voltam aumentar, embora vagarosamente, após as refeições.
Deve-se acrescentar que os ácinos possuem rica irrigação sanguínea, como também finas fibras nervosas que perfuram a membrana basal.
Formação do componente macromolecular A estrutura das células acinosas é tipica das células envolvidas em processos de síntese e secreção: abundante retículo endoplasmático rugoso, complexo de Golgi proeminente e numerosas vesículas secretoras. O complexo de Golgi desempenha um papel central na síntese e secreção: é envolvido na transporte, concentração e modificação das proteínas; na formação de grânulos de secreção e lisossomos; e na regulação do tráfego das membranas na célula. Formação do componente fluido As glândulas são capazes de secretar o relativo seu próprio peso a cada 15 min por até uma hora, quando apropriadamente estimuladas, e tal velocidade de secreção não seria possível, se não houvesse um mecanismo simples de filtração de líquido.
Tipos de células Três tipos de células podem ser encontrados na extremidade da porção secretora Célula serosa Célula mucosa Célula mioepitelial
Sistema ductal Ducto intercalar O Túbulo ou conduto intercalar Localiza-se próximo ao ácino e suas cuboides; quase não contêm citoplasma. Ducto estriado O Túbulo estriado ou ducto intralobular Constituídos por células epiteliais colunares, com aspecto de bastonete (estriações), muito semelhantes às células tubulares do rim. As estriações também, à semelhança do túbulo renal proximal, localiza-se no terço basal das células. Estas estriações correspondem a mitocôndria bem desenvolvidas, que já sugere processos de secreção ou reabsorção.
Ducto excretor terminal Ducto excretor ou interlobular formado por duas camadas de células, as superficiais são do tipo colunar semelhante às dos túbulos intralobulares; as profundas ou basais são achatadas, que tem como função secretar ou absorver HCO-3, alterando o pH da saliva.