"Numb" é uma canção da banda norte-americana de rock Linkin Park, gravada para o seu segundo álbum de estúdio, Meteora (2003). Foi escrita por todos os membros da banda e sua produção contou com o auxílio do produtor musical Don Gilmore. Sua gravação começou em 2002, uma semana antes do grupo entrar nos NRG Recording Studios para começar a gravar o seu segundo disco de estúdio. A faixa foi anunciada como o terceiro single de divulgação de Meteora durante a Summer Sanitarium Tour e seu lançamento ocorreu em 8 de setembro de 2003 pelas gravadoras Warner Bros. e Machine Shop. Musicalmente, é uma obra que deriva dos gêneros nu metal e rock alternativo cuja letra expressa a pressão de corresponder às expectativas de outra pessoa.
A canção foi aclamada pela crítica, com elogios sendo direcionados principalmente aos vocais de Chester Bennington, sua composição e instrumental. Obteve um desempenho comercial positivo ao atingir as quinze primeiras posições das paradas musicais em diversos locais da Europa. Nos Estados Unidos, a Recording Industry Association of America (RIAA) certificou-a com disco de platina quádruplo ao vender mais de quatro milhões de cópias, posicionando-se na 11ª posição na Billboard Hot 100, e no topo das paradas Mainstream Rock e Alternative Airplay por três e doze semanas, respectivamente. Foi reconhecida com o prêmio "Canção de Rock Alternativo do Ano" pela Radio Music Awards e classificada em 95º lugar na lista da Rhapsody das "100 Principais Faixas da Década".
O videoclipe correspondente foi dirigido pelo DJ Joe Hahn e filmado em diversos locais na cidade de Praga, Chéquia, durante meados de junho de 2003. Por conta de um diagnóstico de hérnia de hiato em Bennington, a banda desempenhou o clipe em uma catedral localizada em Los Angeles. A produção retrata os problemas domésticos e sociais enfrentados por uma jovem (interpretada pela atriz Briana Evigan) que é amplamente evitada e ridicularizada por todos ao seu redor. O vídeo acabou por ser bem recebido na época de seu lançamento e ganhou o prêmio de "Melhor Videoclipe Internacional" na MTV Video Music Brasil 2004. Retrospectivamente, é o videoclipe originalmente dos anos 2000 mais visto por qualquer banda no YouTube, independentemente do gênero, bem como um dos clipes de rock mais visualizados na plataforma.
Diversos artistas realizaram covers e remixes da canção, que foi também usada em outras mídias. Em uma colaboração entre a banda e o rapper norte-americano Jay-Z, a faixa foi mixada como "Numb/Encore" — um mashup da canção "Encore" de Jay-Z, e "Numb". Foi lançado em dezembro de 2004 como o primeiro single do EP Collision Course e se tornou um sucesso crítico e comercial para ambos os artistas. No Grammy Awards de 2006, o mashup foi premiado na categoria "Melhor Colaboração de Rap/Cantado". "Numb" foi apresentada ao vivo na televisão pela primeira vez em agosto de 2003 no programa Jimmy Kimmel Live! da ABC e, mais tarde, apareceu como destaque nos repertórios da banda em diversos festivais pelo mundo. Também fez aparições em pacotes de DLC para jogos eletrônicos como Rock Band 3 (2010), Rocksmith 2014 (2013) e Beat Saber (2019).
Antecedentes e composição "Numb" foi escrita por todos os membros do Linkin Park e co-produzida pelo grupo juntamente com Don Gilmore. O processo de criação começou em 2002, uma semana antes da banda entrar nos NRG Recording Studios para começar a gravar o seu segundo álbum de estúdio, Meteora; esse processo também ocorreu durante os intervalos e espaços de tempo da turnê que promoveu o seu álbum antecessor, Hybrid Theory.Warner Bros. Records, "The Making of Meteora" (2003) DVD, lançado em 25 de março de 2003. A banda anunciou oficialmente Meteora em dezembro de 2002 e declararam que o título de seu novo trabalho foi baseado na região rochosa de Metéora na Grécia, onde vários monastérios foram construídos no topo das rochas. Segundo o multi-instrumentista Mike Shinoda, o álbum é sobre encontrar a si mesmo: "Cada música é sobre olhar para dentro e liberar emoções". O disco foi finalmente lançado em março de 2003, sendo um sucesso comercial. Seu primeiro single, "Somewhere I Belong", foi lançado dias antes do lançamento do álbum, em março de 2003, e seu sucessor, "Faint", foi disponibilizado em julho. "Numb" seria lançado como o terceiro single mais tarde.
A faixa é a última do disco e sucede a instrumental "Session", possuindo uma duração de três minutos e sete segundos (3:07). Ela deriva dos gêneros nu metal e rock alternativo, obtendo alguns elementos do metal alternativo e pop rock, e apresentando um ritmo de 108 batidas por minuto (bpm) durante sua reprodução. Liricamente, ela expressa sobre a pressão de corresponder às expectativas de outra pessoa; linhas como "Não sei o que você espera de mim / Me pressionando para seguir seus passos" realçam bastante essa questão. Mais objetivamente, a frase "Cada passo que eu dou é mais um erro para você", parece retratar o estado psicológico de como um adolescente se machuca em seu ambiente doméstico, como se nada pudesse fazer para deixar seus pais orgulhosos. O vocalista Chester Bennington explicou o significado da letra da canção da seguinte maneira:
Em uma análise faixa-por-faixa realizada para o site Shoutweb, Shinoda opinou sobre a inclusão da canção ao Meteora: "Eu acho que foi uma boa maneira de terminar o álbum porque meio que o resume. É muito reconhecível como nosso som. Parece uma música do Linkin Park, mas possui algum clima que só o Meteora tem, se isso faz algum sentido". Segundo informações presentes no livreto do disco, a banda não obteve muito esforço ao produzir a faixa, construída em torno do gancho de sintetizador presente em sua introdução. A mixagem ficou responsável por Andy Wallace, um multi-vencedor do Grammy Awards, que também ficou a cargo da mixagem de todo Meteora e de seu antecessor, Hybrid Theory. Em 2023, Shinoda revelou que a canção, no momento da escolha das músicas que iriam compor a lista final de faixas de Meteora, estava em disputa com a então inédita "Lost" por compartilharem "o mesmo tipo de emoção e energia", além de semelhantes estruturas musicais, mas no final "Numb" prevaleceu por ser, segundo ele, "indiscutivelmente uma canção melhor".
Recepção da crítica miniatura|direita|190px|Os vocais de Chester Bennington foram postos como destaque na avaliação da mídia especializada sobre a canção "Numb" foi majoritariamente aclamada pela mídia especializada e pelo público, sendo uma das canções mais conhecidas do Linkin Park. Killian Young, da Consequence of Sound, disse que a obra "tinha todas as marcas de um grande sucesso de crossover. Das harmonias vocais de Mike Shinoda e Chester Bennington à distinta introdução de sintetizador, a faixa atinge o equilíbrio perfeito entre sua instrumentação pesada e letras sensíveis". Chad Childers, da Loudwire, colocou "Numb" em segundo lugar em sua lista das "10 Melhores Canções do Linkin Park" e comentou: 'Numb' é definitivamente uma das músicas mais poderosas do Linkin Park, falando muito sobre tentar corresponder às expectativas de outra pessoa. [...] Misturando partes iguais de melodia e agressão, 'Numb' se tornou uma das faixas mais queridas da banda". Em outro artigo, Childers considerou que a mistura das "batidas eletrônicas de Joe Hahn e os vocais de longa data de Bennington" são destaques na faixa. A Louder Sound comentou sobre a importância da canção após o lançamento do álbum Hybrid Theory, observando a capacidade da banda em permanecer relevante na indústria após o sucesso de seu disco de estreia: "Nos primeiros anos deste século, havia muitos que questionavam o poder de permanência do Linkin Park e insistiram que a banda de Los Angeles desapareceria após o sucesso 'casual' de Hybrid Theory: 'Numb' dissipou toda aquela conversa em apenas um relance de mais de três minutos".
A editora Thea de Gallier, do jornal britânico The Daily Telegraph, considerou que a mensagem que a canção quer passar "é aquela com a qual a maioria das pessoas pode se identificar". Ela opinou que a linha "Estou cansado de ser o que você quer que eu seja" fala sobre como a "pressão de se conformar às expectativas de outra pessoa pode esmagar o seu espírito". Além disso, Gallier sugeriu que a frase "Ser mais como eu e menos como você" surge como uma espécie de "vislumbre de esperança". Ollie Dean, da Classic Rock History, elogiou os vocais de Bennington: "Simultaneamente áspera e melódica, a voz única de Bennington é um prazer – e uma montanha-russa – de se ouvir. Sua habilidade de ir tão facilmente do melódico ao quebradiço é algo para se notar, e 'Numb' ilustra isso perfeitamente". Observando a presença de "um gancho de sintetizador soberbamente distinto" em sua introdução, Dean comentou que sua única crítica à música é que esse gancho "não é revisitado até o refrão final da canção". Dave Simpson, do The Guardian, reconheceu "Numb" como uma faixa "gigantesca" e a comparou como uma mistura de trabalhos de bandas como Depeche Mode e Take That. Jack Shepherd, do The Independent, reconheceu que a canção "foi um fechamento realmente excelente [do álbum Meteora], misturando os momentos mais suaves da banda com os mais pesados". Sam Law, da revista Kerrang!, nomeou "Numb" como a melhor canção do Linkin Park e achou que a obra era a "prova contundente de que eles seriam a voz duradoura desta geração".
Na Radio Music Awards de 2004, "Numb" recebeu o prêmio de "Canção de Rock Alternativo do Ano". Em 2009, a faixa foi classificada em 95º lugar na lista da Rhapsody das "100 Principais Faixas da Década [de 2000]" e, anos mais tarde, a Rock.fm colocou-a em sua lista das "500 Melhores Canções de Rock da História da Música".
Videoclipe Produção miniatura|esquerda|250px|As filmagens internas do clipe de "Numb" ocorreram na Catedral de São Vito em Praga, República Tcheca O videoclipe de "Numb" foi dirigido pelo DJ Joe Hahn, o mesmo que já havia dirigido algumas das obras anteriores da banda, como "Pts.OF.Athrty" e "Somewhere I Belong". Na época, Hahn esperava que seu sucesso contínuo como diretor lhe permitisse continuar gravando vídeos para o Linkin Park e de outros artistas, além de ter uma notoriedade em Hollywood: As cenas internas do videoclipe foram filmadas na Catedral de São Vito em Praga, República Tcheca, assim como as cenas ao ar livre. Hahn achava Praga "um local lindo, e é por isso que eu queria filmar lá. [...] Todas as ruas são de paralelepípedos e a arquitetura é incrível." Shinoda, em entrevista com a MTV, elogiou a direção realizada por Hahn no vídeo: "Eu acho que Joe [Hahn] construiu toda essa energia criativa e ele realmente fez um ótimo trabalho no vídeo de 'Numb'. É mais um vídeo conceitual. É mais uma história. Não é idêntica à história da música, mas é semelhante porque as emoções que aparecem no vídeo são semelhantes às da música". Em outra entrevista, ele opinou que o vídeo era "meio gótico, mas não obscuro".