Bride of Frankenstein é um filme de terror de monstro gótico americano de 1935, e a primeira sequência da franquia Frankenstein (1931) da Universal Pictures pertencente ao Universo cinematográfico de monstros do estúdio. Assim como o primeiro longa-metragem, A Noiva de Frankenstein teve a direção de James Whale com Boris Karloff como o Monstro e Colin Clive como Dr. Frankenstein. Além disso, conta com Elsa Lanchester no papel duplo de Mary Shelley e da noiva, Ernest Thesiger como o Dr. Septimus Pretorius e Oliver Peters Heggie como o eremita cego.

Ambientado imediatamente após os eventos da produção anterior, o longa se baseia em uma subtrama do romance original de Mary Shelley, Frankenstein (1818), acompanhando um Henry Frankenstein arrependido enquanto ele tenta abandonar seus planos de criar vida, apenas para ser tentado e finalmente chantageado por seu antigo mentor, Dr. Pretorius, além das ameaças do Monstro, a construir uma noiva para ele. A preparação para filmar uma sequência de Frankenstein começou logo após a estreia, mas problemas com o roteiro atrasaram o projeto. As filmagens principais de A Noiva de Frankenstein finalmente começaram em janeiro de 1935, com a equipe criativa do original retornando tanto na frente quanto atrás das câmeras. O filme foi lançado com aclamação da crítica e do público, embora tenha enfrentado dificuldades com alguns órgãos de censura estaduais e nacionais.

Desde o seu lançamento, a reputação de A Noiva de Frankenstein cresceu e agora é frequentemente considerada uma das maiores sequências já feitas. Muitos críticos a consideram uma melhoria em relação ao original e a aclamam como a obra-prima de Whale. Em 1998, foi selecionada pela Biblioteca do Congresso para preservação no National Film Registry, por ter sido considerada "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativa".

Enredo

Em um castelo numa noite de tempestade, Percy Bysshe Shelley (Douglas Walton) e Lord Byron (Gavin Gordon) elogiam Mary Shelley (Elsa Lanchester) por sua história de Henry Frankenstein (Colin Clive) e seu Monstro (Boris Karloff). Ela os relembra de que sua intenção ao escrever o romance era transmitir uma lição moral sobre as consequências de um mortal que tenta desempenhar o papel de Deus. Mary afirma que ainda há mais da história a ser contada. Após os eventos de Frankenstein (1931), aldeões se reúnem ao redor do moinho incendiado para comemorar a aparente morte do Monstro. Hans (Reginald Barlow), o pai da menina afogada pelo Monstro, deseja ver os ossos da criatura. Ele cai em uma cova alagada sob o moinho, onde o Monstro — tendo sobrevivido ao fogo — o estrangula. Saindo da cova, o Monstro também atira a esposa de Hans para a morte. Em seguida, encontra Minnie (Una O'Connor), a criada de Frankenstein, que foge aterrorizada.

O corpo de Henry Frankenstein, dado como morto no moinho, é devolvido à sua noiva Elizabeth, em seu castelo. Minnie chega para alertar sobre o Monstro, mas seu aviso é ignorado. Elizabeth (Valerie Hobson), ao ver Henry se mover, percebe que ele ainda está vivo. Recuperado sob seus cuidados, Henry renuncia à sua criação, embora ainda acredite estar destinado a desvendar o segredo da vida e da imortalidade. Elizabeth, em histeria, prevê que a morte se aproxima. Henry visita o laboratório de seu antigo mentor, Doctor Septimus Pretorius (Ernest Thesiger) que lhe apresenta vários homúnculos por ele criados. Pretorius deseja trabalhar com Henry para criar uma companheira para o Monstro, propondo uma empreitada em que ele cultivaria um cérebro artificial enquanto Henry recolheria as partes para o novo ser.

Enquanto isso, o Monstro salva uma jovem pastora (Anne Darling) de um afogamento. Os gritos dela ao vê-lo alertam dois caçadores, que o ferem a tiros. Eles incitam uma turba que parte em perseguição. Capturado e amarrado a um poste, o Monstro é levado a uma masmorra e acorrentado. Quando fica sozinho, rompe suas correntes, subjuga os guardas e escapa para a floresta. À noite, encontra um velho eremita cego (O. P. Heggie) que agradece a Deus pelo envio de um amigo. O eremita ensina-lhe palavras como “amigo” e “bom” e compartilha uma refeição com ele. Dois caçadores perdidos encontram a cabana e reconhecem o Monstro. Ele os ataca e, acidentalmente, incendeia a moradia enquanto os homens conduzem o eremita para longe.

Buscando refúgio de mais uma turba enfurecida em uma cripta, o Monstro observa Pretorius e seus comparsas Karl e Ludwig profanando um túmulo. Os capangas partem enquanto Pretorius faz sua refeição. O Monstro se revela e descobre que Pretorius planeja criar uma companheira para ele. Henry e Elizabeth, agora casados, recebem a visita de Pretorius. Henry recusa-se a auxiliá-lo, e o cientista chama o Monstro. A criatura exige a ajuda de Henry, sem sucesso. Pretorius ordena que o Monstro se retire, sinalizando secretamente para que ele sequestre Elizabeth. Pretorius garante sua segurança caso Henry aceite colaborar. Henry retorna ao laboratório na torre e, apesar de si mesmo, volta a se entusiasmar com o trabalho. Após receber a garantia de que Elizabeth está a salvo, Henry conclui o corpo da Noiva.

Uma tempestade se intensifica enquanto os preparativos finais são feitos para dar vida à Noiva. Seu corpo envolto em ataduras é elevado pelo teto, onde a eletricidade do raio é aproveitada para animá-la. Henry e Pretorius a baixam e, percebendo o êxito de sua criação, removem suas bandagens e a ajudam a ficar de pé.

O Monstro desce as escadas após matar Karl no telhado e vê a Noiva. Ele estende a mão e pergunta: “Amiga?”. A Noiva, gritando, rejeita-o. A criatura observa: “Ela me odeia! Como os outros.” Enquanto Elizabeth corre até Henry, o Monstro inicia um ataque no laboratório. Antes de destruir tudo, ele faz uma pausa e declara a Henry e Elizabeth: “Vão! Vivam! Vão!”. A Pretorius e à Noiva, afirma: “Vocês ficam. Nós pertencemos à morte.” Enquanto Henry e Elizabeth fogem, a Noiva sibila para o Monstro. Com uma lágrima, ele aciona uma alavanca que provoca a destruição do laboratório e da torre.

Elenco Boris Karloff como O Monstro Colin Clive como Barão Henry Frankenstein Valerie Hobson como Elizabeth Frankenstein (no filme anterior foi interpretada por Mae Clarke) Ernest Thesiger como Doctor Pretorius Elsa Lanchester como A Noiva do Monstro (creditada como "?") e Mary Wollstonecraft Shelley Gavin Gordon como Lord Byron Douglas Walton como Percy Bysshe Shelley Una O'Connor como Minnie E. E. Clive como o Burgomestre Lucien Prival como o mordomo de Frankenstein O. P. Heggie como Hermit Dwight Frye como Karl, capanga de Pretorius. Ted Billings como Ludwig, capanga de Pretorius. Reginald Barlow como Hans, pai de Maria Mary Gordon como esposa de Hans Anne Darling como pastora J. Gunnis Davis como Tio Glutz Walter Brennan como um camponês (não-creditado) John Carradine como um caçador (não-creditado)

Produção

A Universal Pictures considerou fazer uma sequência de Frankenstein ainda nas exibições de pré-estreia de 1931, após as quais o final original do filme foi alterado para permitir a sobrevivência de Henry Frankenstein. James Whale inicialmente recusou-se a dirigir A Noiva de Frankenstein acreditando que havia "esgotado a ideia completamente". Kurt Neumann foi originalmente escalado para substituir Whale, mas decidiu filmar The Black Cat (1934). Após o sucesso de O Homem Invisível (1933), o produtor Carl Laemmle Jr. percebeu que Whale era o único cineasta possível para o longa-metragem; Whale aproveitou a situação persuadindo a Universal a deixá-lo encenar One More River (1934). Whale acreditava que a sequência não superaria o original, então decidiu torná-la uma comédia memorável. De acordo com um publicitário do estúdio, Whale e o psiquiatra da Universal decidiram que "o Monstro teria a idade mental de um menino de dez anos e a idade emocional de um rapaz de quinze".

O roteirista Robert Florey escreveu um argumento intitulado "The New Adventures of Frankenstein: The Monster Lives!", mas foi descartado no início de 1932.MacQueen, Scott (2004). DVD comentário, Bride of Frankenstein Legacy Collection edition (DVD). Universal Studios O roteirista da Universal, Tom Reed, escreveu um argumento como "The Return of Frankenstein" título mantido até o começo das filmagens. Após sua aceitação em 1933, Reed escreveu um roteiro completo que foi submetido ao Código Hays para revisão. O roteiro foi aprovado na revisão, mas Whale, que a essa altura já havia sido contratado para dirigir, reclamou que "é péssimo". L.G. Blochman e Philip MacDonald foram os próximos roteiristas designados, mas o cineasta também considerou o trabalho deles insatisfatório. Em 1934, Whale incumbiu John L. Balderston de trabalhar em mais uma versão, e foi ele quem retomou um incidente do romance em que o Monstro exige uma companheira. Frankenstein então cria uma companheira, mas a destrói sem lhe dar vida. Balderston também criou o prólogo de Mary Shelley. Após vários meses, o diretor ainda não estava satisfeito com o roteiro de Balderston e entregou o projeto ao dramaturgo William James Hurlbut e Edmund Pearson. O roteiro final, combinando elementos de várias dessas versões, foi submetido à nova revisão do Código Hays em novembro de 1934. Kim Newman relata que Whale planejava fazer de Elizabeth a doadora do coração para a noiva mas o historiador Scott MacQueen contesta está afirmação.

Fontes relatam que Béla Lugosi e Claude Rains foram considerados, com diferentes graus de seriedade, para o papel do mentor de Frankenstein, Pretorius; outras relatam que o papel foi criado especificamente para Ernest Thesiger. Devido à saúde debilitada de Mae Clarke, Valerie Hobson a substituiu como o interesse amoroso de Henry Frankenstein, Elizabeth. No início da produção, Whale decidiu que a mesma atriz escalada para interpretar a Noiva também deveria interpretar Mary Shelley no prólogo do filme, para representar como a história — e o horror em geral — surge do lado sombrio da imaginação. Ele inicialmente pensou em Brigitte Helm e Phyllis Brooks antes de decidir por Elsa Lanchester. Lanchester, que havia acompanhado o marido Charles Laughton a Hollywood, obteve apenas um sucesso moderado, enquanto Laughton causou um forte impacto com vários filmes, chegando a ganhar um Oscar de Melhor Ator. Lanchester havia retornado sozinha a Londres quando Whale a contatou para oferecer-lhe o papel duplo.

Colin Clive e Boris Karloff reprisaram seus papéis de Frankenstein como criador e criatura, respectivamente. Hobson lembrou que o alcoolismo de Clive havia piorado desde as filmagens do original, mas Whale não substituiu o ator porque sua "qualidade histérica" era necessária para o filme. Karloff se opôs veementemente à decisão de permitir que o Monstro falasse: "Falar! Estúpido! Meu argumento era que, se o monstro tinha algum impacto ou charme, era porque ele era inarticulado – essa criatura grande, desajeitada e inarticulada. No momento em que ele falasse, você poderia muito bem... interpretá-lo de forma séria". Essa decisão também significava que ele não podia remover sua prótese dentária, então suas bochechas não tinham mais a aparência encovada do filme antecessor. Whale e o psiquiatra do estúdio selecionaram 44 palavras simples para o vocabulário do Monstro, analisando provas de crianças de dez anos que trabalhavam no estúdio. Dwight Frye retornou para interpretar o assistente do médico, Karl, tendo interpretado o corcunda Fritz no original. Frye também filmou uma cena como um aldeão sem nome e o papel de "Sobrinho Glutz", um homem que assassinou seu tio e culpou o Monstro pela morte. Boris Karloff é creditado simplesmente como KARLOFF, o que era costume da Universal durante o auge de sua carreira.