Vermelho Congo ou vermelho do Congo é o sal sódico do ácido benzidinodiazo-bis-1-naftilamina-4-sulfônico (fórmula: C32H22N6Na2O6S2; peso molecular: 696.66 g/mol). É um corante diazo secundário. Vermelho do Congo é solúvel em água, produzindo uma solução coloidal vermelha; sua solubilidade é melhor em solventes orgânicos tais como o etanol.

Ele tem uma forte, aparentemente não-covalente afinidade a fibras de celulose. Entretanto, o uso de vermelho do Congo na indústria de celulose (algodão têxtil, polpa de madeira & papel) foi há muito abandonada, especialmente por causa de sua toxicidade.

Sendo tóxico e suspeito de ser cancerígeno e mutagênico, mas ainda sim usado no tingimento de seda, sua eliminação no ambiente se torna difícil, tendo sido desenvolvidas técnicas de eliminação com o uso de decomposição por ultrassom (sonólise)Sounding out Congo Red - Ultrasound can drain the color from toxic dyes - www.eurekalert.org , assim como sua eliminação pela fotodecomposição acelerada pela presença de óxido de estanho (IV) e óxido de zinco.Khaled Melghit, Moza S. Al-Rubaei and Issa Al-Amri; Photodegradation enhancement of Congo red aqueous solution using a mixture of SnO2·xH2O gel/ZnO powder; www.sciencedirect.com

Historia

Vermelho Congo foi primeiro sintetizado em 1883 por Paul Bottiger que estava trabalhando então para a Friedrich Bayer Company em Elberfeld, Alemanha. Ele estava buscando por corantes têxteis que não requeressem uma etapa mordente. A companhia não se interessou em sua brilhante cor vermelha, então ele registrou a patente em seu nome e a vendeu a companhia AGFA de Berlim. AGFA comercializou o corante sob o nome de "Vermelho Congo", um nome atrativo na Alemanha no período da Conferência de Berlim para a África Ocidental de 1884, um importante evento na Colonização da África. O corante foi um importante sucesso comercial para a AGFA. Nos anos seguintes, pelas mesmas razões, outros corantes foram comercializados usando o nome "Congo": Congo rubina, Congo corinto, Congo brilhante, laranja Congo, castanho Congo, e azul Congo. "Congo" red: Out of Africa?, by Steensma, David P, Archives of Pathology & Laboratory Medicine, Feb 2001, disponível online via BNET.com

Comportamento em solução

Vermelho Congo (indicador de pH) pH abaixo de 3.0 pH acima de 5.2 azul ⇌ vermelho

Devido a mudança de cor de azul pa avermelho a pH 3.0-5.2, vermelho Congo pode ser usado como um indicador de pH. Sendo esta mudança de cor aproximadamente a inversa daquela do litmus, ele pode ser usado com papel de litmus: adiciona-se uma ou duas gotas de vermelho do Congo a uma solução ácida e a uma solução básica. Mergulha-se o papel de litmus vermelho na solução vermelha e esta tornar-se-á azul, e ao mergulhar o papel de litmus azul na solução azul esta se tornará vermelha.

Vermelho Congo tem propensão a se agregar em soluções aquosas e orgânicas. Os mecanismos propostos sugerem interações hidrofóbicas entre os anéis aromáticos das moléculas do corante, levando ao fenômeno stacking π-π. Embora estes agregados estejam presentes em vários tamanhos e formas, as "micelas como fitas" de algumas moléculas parece a forma predominante (mesmo se o termo "micela" não seja totalmente apropriado aqui). Este fenômeno de agregação é mais importante para concentrações elevadas de vermelho do Congo, em altas salinidades e/ou baixo pH.

Como indicador de pH é utilizado na forma de solução aquosa a 0,1%.Acid Base Indicators - ifs.massey.ac.nz Preparation of Acid-Base Indicators - www.csudh.edu

Atividade corante

Como sugerido por sua cor vermelha intensa, o vermelho Congo tem importantes propriedades espectrométricas. Certamente, seu espectro de absorção UV-visível mostra um pico característico, intenso em torno de 498 nm na solução aquosa, em concentração baixa do corante. O coeficiente de extinção molar do vermelho Congo é aproximadamente 45000 L/mol.cm nestas circunstâncias.

A agregação do corante tende ao vermelho no espectro de absorção, onde a ligação à fibras de celulose ou à fibras de amiloides tem o efeito oposto. O vermelho de Congo mostra também atividade de fluorescência quando ligado à fibras de amiloides, que tende a ser usado como uma ferramenta sensível de diagnóstico para amiloidose, em vez do teste histológico de birrefringência tradicional.R. D. Lillie; Conn's Biological Stains; Williams & Wilkins, Baltimore, MD., U.S.A.Edward Gurr; Synthetic dyes in biology, medicine and chemistry; Academic Press, London, England, 1971.

Usos

Em diagnóstico

Em bioquímica e histologia, vermelho Congo é usado em preparados para coloração biológica microscópica, especialmente como um corante de citoplasma e eritrócitos. A birrefringência verde-maçã do vermelho Congo que colore preparados sob luz polarizada é indicativo para a presença de fibrilas amilóides.CONGO RED - PUTCHLER'S MODIFICATION - AMYLOID - library.med.utah.eduAmyloid probes based on Congo red distinguish between fibrils comprising different peptides. - www.mad-cow.org

Esta aplicação o permite ser usado como corante no diagnóstico de carcinoma da tireóide, library.med.utah.edu ou ainda amiloidose pelo tecido do fígado.Beth H Shaz, W David Lewis, Martha Skinner and Urmila Khettry; Livers from Patients with Apolipoprotein A-I Amyloidosis Are Not Suitable as "Domino" Donors - www.nature.com

Técnicas modificadas permitem a análise de tecidos embebidos em plásticos.

Outras técnicas igualmente modificadas permitem o diagnóstico em músculos e nervos em seções resfriadas.CONGO RED STAIN PROTOCOL (MODIFIED FROM JOHNS HOPKINS) - neuromuscular.wustl.edu

Adicionalmente, vermelho Congo é usado em epidemiologia microbiológica para rapidamente identificar a presença de serotipos virulentos 2a Shigella flexneri, onde o corante liga-se a estrutura única de lipopolissacarídeos (LPS) das bactérias.

É usado em combinação com o corante hematoxilina em algumas técnicas de coloração para histologia, como a modificação de Puchtler.H I S T O L O G Y - Special Stain Kits www.biocaremed.com Existem também modificações para meios alcalinos, com a solução de hematoxilina de Gills.

Também é pesquisada sua utilidade como corante no diagnóstico de Candida e outros fungos patogênicos.Glen K. Axelson, Tamar Giorgadze and George A. Youngberg; Evaluation of the use of Congo red staining in the differential diagnosis of Candida vs. various other yeast-form fungal organisms; Journal of Cutaneous Pathology; Volume 35 Issue 1 Page 27-30, January 2008 - www.blackwell-synergy.com

Outros usos

É usado em formulações de meios de cultura para micro-organismos, como o agar-vermelho congo.

Sua descoloração por ação de enzimas e peróxido de hidrogênio é usada para a determinação de atividade enzimática.WOO Sung-Whan, CHO Jeung-Suk, HUR Byung-Ki, SHIN Dong-Hoon, RYU Keun-Gap, KIM Eun-Ki; Hydrogen peroxide, its measurement and effect during enzymatic decoloring of Congo red; Journal of microbiology and biotechnology ISSN 1017-7825; 2003, vol. 13, no5, pp. 773-777 - cat.inist.fr

Pesquisa-se seu uso no tratamento de encefalopatias espongiformes transmissíveis (TSEs, do inglês transmissible spongiform encephalopathies).Hélène Rudyk, Snezana Vasiljevic, Ruth M. Hennion, Christopher R. Birkett, James Hope and Ian H. Gilbert; Screening Congo Red and its analogues for their ability to prevent the formation of PrP-res in scrapie-infected cells; Journal of General Virology (2000), 81, 1155-1164 - vir.sgmjournals.org

Ligações externas

Congo Red - StainsFile' MSDS - CONGO RED - www.jtbaker.com FICHA DE SEGURANÇA - Congo Red Stain -www.ventanamed.com

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