thumb|Vênus de Willendorf, do Paleolítico Superior, estimada em ter sido produzida entre e Deusa-Mãe é o nome associado a Deusas que em muitas culturas matriarcais é vista como criadora de toda a vida. Por vezes associada à Mãe Terra, devido ao fato da terra ser vista como sagrada por gerar os alimentos (assim sendo, a que nutre). Também é associada a natureza, os mares e a fertilidade; geralmente sendo a generosa personificação da Terra. Conhecidas como qadesh (sagrado)History of Religion na maioria das civilizações pagãs as Deusas são criadoras do Universo, geram a vida, a cultura, a agricultura, a linguagem e a escrita, resultando numa complexa estrutura teológica, tais como: a Deusa hindu Sarasvati, honrada como inventora do alfabeto original; a Deusa celta da Irlanda, Brígida, honrada entre os celtas como Deusa da linguagem; Deusa NidabaMuseum, Nidaba da Suméria (civilização tradicionalmente definida como berço da cultura da escrita), como aquela que inicialmente inventou a escrita cuneiforme e a arte da escrita (a escriba oficial da Suméria também era uma mulher: Enheduana).

Origem do termo

O termo refere-se a uma religião pagã universalBritannica, Mother Goddess religion de divindade feminina e seu culto remonta ao início da história humana, como pode ser observado nas retratações de Vênus da Pré-história. O culto à Deusa ou Deusa-Mãe foi observado inicialmente na Pré-históriaBritannica (PaleolíticoThe Mystica e Neolítico), aonde foram encontradas estatuetas de culto, estendendo-se ao Reino da Frígia, aonde ficou mais conhecida como Cibele, e daí às civilizações grega, romana, egípcia e babilônia onde consolidou-se um enorme panteão de Deusas. A existência do culto em várias culturas não-frígiasEncarta, Dana evidencia no entanto que Cibele é tão-somente a manifestação local desta divindade, a qual era identificada, entre os gregos, à Deusa Reia.

Controvérsia miniaturadaimagem|Escultura 'Mulher sentada de Çatalhöyük', atualmente no Museu das Civilizações de Anatólia, em Ankara, Turquia. Fotografia de Nevit Dilmen, em 2012. As deidades que se encaixam na moderna concepção de Deusas Mães têm sido claramente adoradas em muitas sociedades até à actualidade. James Frazer (autor de A rama dourada) e aqueles a quem influenciou (como Robert Graves e Marija Gimbutas) avançaram a teoria de que todo o culto na Europa e Egeu que incluiu qualquer tipo de Deusa Mãe tinha origem nos matriarcados neolíticos pré-indo-europeus, e que as diferentes Deusas de localidades distintas eram equivalentes.

Ainda que esta ideia tenha tido boa aceitação como categoria útil para a mitografia, a ideia de que na antiguidade se cria que todas estas Deusas eram intercambiáveis, tem sido objecto de estudo de diversos autores,como James Frazer, J. J. Bachofen, Joseph Campbell, James Melaart, Merlin Stone, Jane Ellen Harrison, Marija Gimbutas, Walter Burkert, entre muitos outros.

Perspectiva segundo Joseph Campbell A arqueologia pré-histórica, como por exemplo no sítio de Çatalhüyük e a mitologia pagã, registram esta origem do culto à Deusa Mãe e do ocre vermelho. As mais recentes descobertas de uma religião humana remontam, inicialmente, ao culto aos mortos () e ao intenso culto da cor vermelha ou ocre associado ao sangue menstrual e ao poder de dar a vida. Na mitologia grega, a Mãe de todos os deuses, a Deusa Reia (ou Cibele, entre os romanos), exprime este culto na própria etimologia: Réia, significa: terra ou fluxo.Theoi, Rhea O acadêmico Joseph Campbell, argumenta que Adão—do hebraico אדם relacionado tanto a adamá ou solo vermelho ou do barro vermelho, quanto a adom ou vermelho, e dam, sangue— foi criado a partir do barro vermelho ou argila. A identidade da religião com a Mãe Terra, a fertilidade, a origem da vida e da manutenção da mesma com a mulher, seria, segundo Campbell, retratada também na Bíblia: ...a santidade da terra, em si, porque ela é o corpo da Deusa. Ao criar, Jeová cria o homem a partir da terra [da Deusa], do barro, e sopra vida no corpo já formado. Ele próprio não está ali, presente, nesta forma. Mas a Deusa está ali dentro, assim como continua aqui fora. O corpo de cada um é feito do corpo dela. Nas religiões pagãs dá se o reconhecimento dessa espécie de identidade universal.As máscaras de Deus, p. 104

Da Deusa ao Deus

Diversos autores modernos analisam a história da criação do livro do Gênesis sob uma perspectiva não-cristã, a qual seria definir a Bíblia como uma narrativa alegórica sobre a divindade hebraica Yavé suplantando a Deusa Mãe, representada pela árvore da vida, e a religião hebraica suplantando este culto. Argumenta-se que a passagem do Gênesis sobre a origem do pecado,Gênesis, capítulo 3 em que o conhecimento proibido relaciona-se a sexo, sexualidade, e reprodução, especialmente o conhecimento de que os homens participam da reprodução e que a história descreve o processo pelo qual sociedades matriarcais tradicionais foram substituídas por sociedades patriarcais.Prodema

Diversos autores discutem sobre várias religiões do Oriente Próximo, muitas das quais representavam a Deusa Mãe por uma serpente e outras por uma simbologia de comunhão realizada pelo ato de comer uma fruta de uma árvore que crescesse perto do altar dedicado à Deusa. Estas Deusas, nestas mitologia a primeira e única Deusa Criadora, também representava o conhecimento, a criatividade humana, sexo, sexualidade, reprodução, novos ciclos e/ou Destino.Triplov

Gênesis e Enuma Elish São várias as similaridades entre a história da criação no Enuma Elish e a história da criação no Livro do Gênesis. O Gênesis descreve seis dias de criação, seguido de um dia de descanso, enquanto que o Enuma Elish descreve a criação de seis deuses e um dia de descanso. Em ambos a criação é feita pela mesma ordem, começando na Luz e acabando no Homem. A Deusa Tiamat é comparável ao Oceano no Gênesis, sendo que a palavra hebraica para oceano tem a mesma raiz etimológica que Tiamat.How to read Genesis,p. 71

Exemplos de deusas mães thumb|right|300px|Gravura neolítica de Deusa mãe (representada com quatro seios) num dólmen

Deusas da Ásia Deusas mesopotâmicas Tiamat na mitologia suméria, Ishtar (Inanna) e Ninsuna na caldeia, Aserá e Astarté na Síria em Canaã. Uma das mais importantes figuras do panteão elamita foi a deusa Pinikir um nome com cognatos encontrado em outros sistemas de crença de povos desta região. "O fato de que a precedência foi dada a uma deusa, a qual estava acima dos demais deuses do panteão elamitas, indica que os devotos elamitas seguiam o matriarcado nesta religião... No terceiro milênio, estas deusas exibiam um indiscutível poder à frente do panteão elamita".

Hinduismo thumb|A deusa Durga é considerada como a deusa mãe suprema por alguns hindus|283x283px

Na cultura indiana, a presença de uma Mãe Terra aparece já no Rig Veda, como consorte cósmica de Dhyaus, o Céu. É chamada de Prithivi (ou Prithivi Mata),Rig Veda 1.164.33. literalmente "Mãe Terra". Na literatura védica, Prithivi é a mãe de todos os deuses. É chamada de Aditi, a Deusa Não Nascida (literalmente, Infinita, Ilimitada) e os primeiros deuses, seus filhos, são chamados de adityas.

Alguns dos deuses mais antigos do panteão védico nascem justamente do amor entre Prithivi e Dhyaus. Entre eles, a chuva busca a terra: Parjanya (a chuva), mas também Indra (de ind, "pingo"), é a expressão do amor de Dhyaus por Prithivi; o fogo busca o Céu: Agni (mas também Surya) é a expressão do amor de Prithivi por Dhyaus.

A literatura védica também alude a ela, mais esparsamente, como Viraj, a mãe universal e como Ambhrini, a nascida do Oceano Primordial. Durga representa o poder e a natureza protetora da maternidade. Uma encarnação de Durga é Kali, que nasceu de sua frente durante a guerra (como meio para derrotar o inimigo de Durga, Mahishasura). Durga e suas encarnações são especialmente adoradas em Bengala.

Para o indiano, a Devi ("Deusa") assume múltiplas formas. Essas formas representam força (shakti) de criação, criatividade, fertilidade do mundo (que é prenhe de formas). Aparece como: Maya, a Grande Ilusão, o aspecto ilusório da realidade que acolhe todos os pranavi ("seres que respiram"); Prakriti, a Matéria (e o Espaço), a consorte cósmica Purusha, o Homem Cósmico, que se sacrifica para fecundar Prakrti, que dá à luz a infinitas formas — assim, tudo no Universo possui tanto espírito quanto forma —, oriundas do encontro dos dois seres primordiais.

A Deusa Mãe na tradição indiana assume diversas facetas além da Mãe Terra no sentido pastoril e agrícola — isto é, a Mãe fértil que todos acolhe e tudo dá —, mas a presença dessa feição divina da Natureza pode ser especialmente sentida e venerada, por exemplo, nas figuras de Parvati (filha do Himalaia), da Deusa Ganga (o Rio Ganges, que eflui da cabeça de Shiva) ou de Sarasvati — identificada com o rio ancestral cujas águas, por razões geológicas, secaram, o que ocasionou o final da primeira urbanização do Vale do Indo, ainda no período pré-védico.

A mentalidade indiana é, em geral, inclusiva: as divindades femininas podem ser entendidas comutativamente pelo devoto como expressões da Deusa ou da devi de sua devoção.

Shaktismo No shaktismo, uma forma de hinduísmo fortemente relacionada com as filosofias hindús de Vedānta, a Samkhya e o Tantra e definitivamente monista, que tem uma rica tradição de Bhakti yoga relacionada com ele, a energia feminina (Śakti) se considera a força motriz por de trás de todas as ações e existência do cosmos fenomenal do hinduísmo. O próprio cosmos é o Brahman, o conceito da realidade inalterável, infinita, imanente e trascendente que forma o Solo Divino de todos os seres, a «alma do mundo». a potencialidade masculina é atualizada pelo dinamismo feminino, personificado em deusas multitudinarias que terminam reconciliadas em uma.

O texto chave é o Devi Mahatmya, que combina as teologias védicas anteriores, as filosofias upanishádicas emergentes e as culturas tántricas em desenvolvimento em uma exégesis laudatoria de religião shakti. Os demónios do ego, a ignorância e o desejo atam a alma numa maya (também alternativamente etérea o personificada) e é a Mãe Maya, a própria shakti, quem pode liberar o indivíduo atado. a Mãe Imanente, Devi, está por esta razão concentrada na intensidade, o amor e a concentração autodisolutoria em um esforço por concentrar o shakta (como se chama às vezes a um seguidor shakti) na autêntica realidade subjacente ao tempo, e espaço e a causalidade, liberándole assim do ciclo kármico.

Deusas da Europa Deusas celtas A deusa irlandesa Anann, às vezes conhecida como Dana, tem um impacto como deusa mãe, a julgar pelo Dá Chích Anann perto de Killarney (Condado de Kerry). A literatura irlandesa nomeia a última e mais favorecida geração de deuses como ‘o povo de Danu’ (Tuatha de Dannan), Ceridwen.

Na cultura celta proveniente da Gália, temos a figura de Dea Matrona (considerada por alguns como um título à Deusa Terra, Nantosuelta). Em contraparte, no próprio mito gaulês, tem a figura de Eiocha (uma égua mística que teria sido formada da espuma do mar) como a primeira divindade e mãe dos deuses primordiais Cernuno, Maponos, Taranis, Teutates e Epona.

Deusas nórdicas Entre os povos germânicos provavelmente foi adorada uma deusa na religião da Idade de Bronze Nórdica, chamada por Jörð que mais tarde foi conhecida como Nerto na mitologia germânica, e que possivelmente persistiu no culto a Freya da mitologia nórdica. Sua equivalente na Escandinávia era a deusa aclamada por "natureza" Jörð e o deus dos mares e da fertilidade Njörðr. Jord possui diversos aspectos parecidos com as outras deusas, como por exemplo seu nome no Islandês que é Gyðia e quer dizer "deusa".

Deusas gregas