Maria Rita Camargo Mariano OMC (9 de setembro de 1977, São Paulo) é uma cantora, compositora, produtora musical e empresária brasileira. Ela é filha da cantora Elis Regina e do pianista e arranjador César Camargo Mariano.
Maria Rita começou a cantar profissionalmente com cerca de 24 anos. O peso do berço musical em que nasceu, especialmente em relação à carreira da mãe, muito famosa no Brasil, influenciou o adiamento de sua obra. Segundo a própria: "[...]sempre tive a consciência de ser a única filha mulher de uma grande cantora[...]". Sendo assim, muito solicitada a soltar a voz desde cedo, esperou ter a certeza de que a música era essencial em sua vida. Antes de se tornar cantora, Maria Rita se formou em Comunicação Social e em Estudos Latino-americanos na Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde morou desde os 16 anos até o fim dos cursos. O sucesso na música veio à altura de seu talento e Maria Rita logo se consagrou como grande ícone da música brasileira, considerada pela mídia especializada a maior representante de sua geração.
Ganhadora de 8 prêmios Grammy Latino, incluindo de Melhor Artista Revelação — única brasileira na história a vencer essa categoria —, Maria Rita já vendeu milhões de CDs e DVDs, no Brasil e no mundo todo, e é considerada uma das maiores vozes e intérpretes de sentimento da atualidade, reconhecida pelos grandes críticos musicais do The New York Times, os quais atribuem-na uma "voz delicada e potente", ou mesmo de toda a imprensa internacional, como o jornal português Público, que declara: "Maria Rita mostra ter ganho, de pleno direito e por mérito próprio (há os genes, sim, e são inegáveis, mas esses já todos agradecemos o suficiente), um lugar na primeira linha das grandes cantoras do Brasil de todos os tempos. E não é só voz, nem sequer pose: é uma arte imensa que nela respira, como hoje raramente se vê". E da imprensa brasileira; a exemplo, o Estadão, no início de sua carreira: "O público espanta-se: ela é um fenômeno. Seu canto é deslumbrante, um raríssimo composto de ternura e expressão incisiva".
Biografia Vida Pessoal Filha mais nova de Elis Regina e César Camargo Mariano, Maria Rita sofreu com muita exposição tanto pela prolífica e aclamada carreira musical dos pais quanto pela perda da mãe aos quatro anos de idade. Maria Rita foi constantemente bombardeada com a cobrança das pessoas de que cantasse, ao que ela revidava, rebeldemente, com negativas, apesar de ser esse, também, seu desejo. Chegou a ser backing vocal de uma banda do irmão, Pedro Mariano, aos 13 anos, mas a ideia de embarcar numa carreira musical ainda lhe parecia amedrontadora, pela grande proporção que tinha o nome de sua mãe. Entre 1993 e 1994, por 10 meses, fez estágio na revista Capricho e, quase em seguida, com 16 anos, teve de sair do Brasil, pois seu pai precisou viajar a trabalho para os Estados Unidos e, como Maria Rita era menor de idade, teve de ir junto. A expectativa era de ficar até os 18 anos, o que não aconteceu, e acabou por estender a temporada. Queria cursar Jornalismo em Nova Iorque, mas, pela falta de vaga, acabou optando por Comunicação Social na Universidade de Nova York, com a esperança de se transferir para a formação antes desejada, já que ambos os cursos têm o primeiro período de igual conteúdo. Ganhou bolsa de estudos por boas notas e, anos depois, estava formada, também, em Estudos Latino-Americanos. Foi nessa época que estagiou na gravadora com a qual, mais tarde, assinaria contrato, a Warner Music, no departamento de divulgação. Durante o período da faculdade, Maria Rita tinha sua voz admirada pelos amigos de universidade, e chegou a participar, por insistência deles, de um show de calouros, do qual saiu vitoriosa, cantando, a cappella, uma canção gravada por sua mãe, "Velha Roupa Colorida" de Belchior. Segundo Maria Rita, a estadia nos Estados Unidos, onde sua família não era famosa, permitiu a busca de conquistas próprias, e a segurança de que precisava para voltar ao Brasil e se tornar, enfim, cantora.
Maria Rita se tornou mãe em 2 de julho de 2004, dando à luz Antonio, nascido em São Paulo, fruto de sua relação com o cineasta Marcus Baldini, que durou pouco mais de 1 ano, com fim anunciado 5 meses após o nascimento do filho do casal.
Em 2011, iniciou um relacionamento com o músico Davi Moraes, pai de sua filha, Alice, nascida em 10 de dezembro de 2012, no Rio de Janeiro. Em 2019 o casal anunciou a separação.
Carreira Quando voltou ao Brasil, Maria Rita foi produtora musical do irmão Pedro Mariano. Em suas palavras, a partir desse momento, sentia-se "no lugar certo fazendo a coisa errada", e, em pouco tempo, adquiriu a certeza da necessidade de cantar. Maria Rita começou a cantar profissionalmente aos 24 anos. Não acha que foi tarde. Em suas palavras: "Sempre quis cantar. Mas a questão não era querer. Era por quê. Não gosto de fazer nada sem ter um porquê. O motivo passou a existir quando percebi que ficaria louca se não cantasse".
O início de tudo se deu com apresentações em parceria com o músico Chico Pinheiro e a cantora Luciana Alves, e, mais tarde, lançou um show solo, intitulado "Jeans e Camiseta". Também foi apadrinhada por Milton Nascimento, que a convidou para participar de seu disco Pietá e de algumas apresentações. Logo Maria Rita atraiu a atenção da indústria da música, sendo cortejada por várias gravadoras, e foi vencedora do Troféu APCA de 2002 como Artista Revelação. No ano seguinte, assinou com a gravadora Warner Music Brasil e seu primeiro disco começou a ser produzido.
O aprendizado, para Maria Rita, se deu de maneira instintiva e informal. Segundo ela, quando era jovem, pediu ao pai que lhe ensinasse a tocar piano. Diante de uma negativa, perguntou se o problema era ele não ter tempo, ao que o pai lhe respondeu que, se a questão fosse tempo, o conseguiria. O problema é que ele "aprendera sozinho" e não teria o que lhe passar. Maria Rita seguiu trilha parecida. Sem uma instrução musical formal, simplesmente subia no palco e soltava a voz. Apesar disso, a cantora, mais tarde, já profissional, tomou aulas de canto, para aperfeiçoar sua técnica e respiração, além de "não deixar o instrumento [a voz] perecer antes do previsto". Seu registro vocal é definido como contralto, diferente de sua mãe, que era meio-soprano.
Em 2003, o primeiro álbum: "Maria Rita" Seu primeiro disco, Maria Rita, coproduzido pela própria cantora junto de Tom Capone e Marco da Costa, foi lançado em setembro de 2003. Alçado pelas músicas de trabalho “A Festa”, “Cara Valente”, “Encontros E Despedidas” (que foi tema na novela Senhora do Destino, da Rede Globo) e “Menininha Do Portão”, vendeu muito mais de 1 milhão de cópias em todo o mundo - foi lançado em mais de 30 países - e foi um dos 5 discos mais vendidos do país. O primeiro DVD, que traz o mesmo título e foi para as lojas na primeira semana de novembro daquele ano, chegou à marca de 180 mil cópias e foi gravado na casa de shows Bourboun Street, em agosto de 2003, em São Paulo. Os números referentes à jovem cantora são sempre impressionantes. Somente no Brasil, um mercado tido como em crise, ameaçado pela pirataria, Maria Rita foi Disco de Platina Triplo e DVD de Diamante, o segundo DVD mais vendido do ano atrás de The Beatles Anthology. Em Portugal, ganhou CD de Platina. O disco também teve sua edição em LP, limitada a mil cópias.
O reconhecimento foi de público e de crítica. Maria Rita venceu prêmios importantíssimos em 2004: duas estátuas no Grammy Latino, nas categorias Melhor Artista Revelação e Melhor Álbum de MPB; Prêmio Faz A Diferença (oferecido pelo jornal “O Globo”); o troféu da categoria Melhor Cantora do Prêmio Multishow; e os do Prêmio Tim nas categorias Revelação e Escolha do Público.
Durante a turnê, que teve 160 shows completamente lotados ao longo de 18 meses, lidou com a gravidez de seu primeiro filho, Antônio, parando se apresentar apenas no último mês da gestação. Recebeu críticas por muitas similaridades com sua mãe, Elis Regina, sendo apontada como imitadora da própria mãe e tachada de oportunista, apesar de não cantar o repertório de Elis. Aliás, tal escolha também foi mal vista. O fato de decidir não mexer na obra da mãe foi encarado como negação àquela que lhe trouxe ao mundo, ou mesmo ódio. Maria Rita não se deixou abater com as críticas e seguiu, com honra, sua carreira. Sempre explicou que a decisão de não cantar Elis era, também, de respeito; além de querer trilhar seu próprio caminho, não pretendia se escorar em ninguém para realizar suas conquistas. Já o fato de imitar a própria mãe lhe parecia tão esdrúxulo que sequer comentava; deixava para a genética tal explicação; apenas ria e erguia a cabeça. As críticas já lhe fizeram sofrer, mas foi aprendendo a lidar com os comentários.
Segundo (2005) Em setembro de 2005, Maria Rita lançou seu próximo álbum, Segundo, produzido pela própria em companhia de Lenine. O primeiro single foi “Caminho Das Águas”. Juntamente com a pré-venda do CD em lojas online, foi feita a venda digital do single. Nesse último caso, uma novidade no mercado brasileiro de discos; foram tantos downloads, que houve congestionamento já na data de lançamento. Foi lançada, junto ao disco, uma edição especial com um DVD registrando as gravações no estúdio de Tom Capone, que faleceu em 2004 enquanto voltava do Grammy Latino.
O novo CD rendeu à cantora uma extensa turnê no Brasil, participações especiais em diversos CDs nacionais, shows nacionais (Arlindo Cruz, O Rappa, Os Paralamas do Sucesso, Gilberto Gil, Mart'nália) e internacionais (Jamie Cullum, Mercedes Sosa, Jorge Drexler). O sucesso mundial de Segundo lhe rendeu Disco de Platina Duplo, por mais de 250 mil cópias vendidas, em 2006, mais um Grammy Latinos – Melhor Álbum de MPB – e mais de 50 apresentações no exterior com sucesso absoluto de público e crítica, no Montreux Jazz Festival, North Sea Jazz Festival, Irving Plaza (Nova Iorque|NY), San Francisco Jazz Festival, dentre outros. Durante a turnê, um dos shows, no Claro Hall do Rio de Janeiro, rendeu o DVD Segundo: Ao Vivo, lançado em 2006, contando com 19 canções, que incluíam duas não registradas em álbum, "Todo Carnaval Tem Seu Fim", anteriormente gravada por Los Hermanos, e "O Que Sobrou Do Céu", d'O Rappa. Além disso, o DVD continha extras com as gravações de Segundo e videoclipes das músicas de trabalho "Feliz" e "Santa Chuva". As vendas de Segundo: Ao Vivo renderam DVD de Platina.
Samba Meu (2007) thumb|esquerda|200px|Maria Rita se apresentando na Virada Cultural em 2009 Após muitos convites para apresentações com grandes cantores de samba, que logo se tornaram amigos, em setembro de 2007, Maria Rita explorou sua proximidade com o gênero no seu terceiro CD, Samba Meu, produzido por Leandro Sapucahy e pela própria, com arranjos de Jota Moraes. O primeiro single foi "Tá Perdoado", composição de Arlindo Cruz e Franco. Em abril do ano seguinte, o álbum recebeu Disco de Platina por mais de 190 mil cópias vendidas, colocando o álbum entre os 10 mais vendidos do país naquele ano. Novamente Maria Rita levou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba, e também o prêmio de Melhor CD no 15º Prêmio Multishow de Música Brasileira.
O show, com o nome do disco, marcou a volta de Jota Moraes aos palcos, que aceitou o convite de Maria Rita para ficar responsável pelo piano da atração musical e saiu na estrada com a turnê, que durou dois anos e meio. Em agosto de 2008, a cantora lançou o DVD Samba Meu: Ao Vivo, com direção de Hugo Prata e produção da própria Maria Rita e cenografia de Zé Carratu, gravado no Vivo Rio. O show receberia a certificação DVD de Prata com mais de 50 mil cópias vendidas.
Elo (2011)